VS – Episódio 13 – Capítulo 01

 

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Traduzido por: Erufailon


Volume 13

Capítulo 01 — Resquícios da Grande Guerra (1)

 

Um vento forte e assustador soprou na região mais profunda de Jotunheim, a terra dos gigantes.

Originado de uma essência gélida imbuída de um poder misterioso, ele era mantido pelo palácio do rei dos gigantes que foi construído ali com este propósito.

Utgard Loki, o rei mago.

Ele, que era o mais poderoso dos gigantes de Jotunheim, estava sentado em seu trono feito a partir de um dos galhos de Yggdrasil, olhando para o horizonte. Uma terra de severo frio podia ser vista além das paredes da sala do trono e, mais além, estava Gastropnir, a fortaleza dos gigantes.

Utgard Loki fechou os olhos, recordando-se da Grande Guerra.

O conflito que fora responsável pela extinção de um mundo e que diluíra enormemente as forças de Asgard.

Contudo, a ferida que ele próprio havia recebido de Cu Chulainn[1], o Príncipe da Luz e herói do mundo extinto, não cicatrizara. O rei dos gigantes ainda conseguia sentir a dor provinda de seu ombro, perfurado pela lança Gae Bolg[2].

Suspirando, ele lentamente abriu os olhos, notando uma pessoa de costas parada na entrada do corredor que dava no terraço.  Embora fosse uma figura bastante alta, comparada a um humano, ela era uma existência pequena e frágil aos olhos de um gigante. Entretanto, Utgard Loki não o ignorou.  Aquele era um indivíduo que demandava sua atenção.

— Loki.

A entidade que era tanto um deus quanto um gigante.  Ele era amigo jurado de Thor, conselheiro de Odin e o trapaceiro de Asgard, aliado de muitos deuses.  A divindade das mentiras e do fogo.

Loki, de cabelo preto e rosto bonito, virou-se.  Ele estava usando um casaco branco feito com os pelos de uma besta e ele sorria.

Quase que cem anos haviam se passado desde a Grande Guerra.  As linhas de frente estavam se aderindo e ambos os lados permaneciam em um ciclo sem fim de perdas.

Loki perguntou com seus olhos e Utgard Loki fez um gesto com os dedos de sua enorme mão esquerda ao invés de responder àqueles orbes esverdeados.

Ambos já sabiam da resposta.  A forma mais eficiente de acabar com aquela etapa da guerra e fazer com que Asgard entrasse em colapso havia sido decidida no momento em que o Ragnarök teve início.

A invocação de Fenrir, que devoraria os céus e a terra.

Eles já tinham como fazê-lo e era por isso que Utgard Loki estava fazendo gestos com seus cinco dedos: para colocar o plano em ação.

O gigante não fez nada além disso. Entretanto, Loki assentiu como se tivesse entendido e se virou novamente.  Ele deu alguns passos para frente com suas botas que podiam andar no céu e no mar e então desapareceu.

Utgard Loki fechou os punhos e então abriu-os novamente, tamborilando levemente contra o apoio do seu trono de madeira.

Loki rondou seus pensamentos. Ele realmente era um deus que em muito se assemelhava ao fogo. Embora fosse útil, dependendo da situação, se você o mantivesse muito perto de si mesmo, poderia acabar sendo queimado.  Ele tinha esse tipo de personalidade.

Odin e Thor de Asgard foram feridos por ele,  mas a que custo?

“A guerra — o verdadeiro Ragnarök — deve recomeçar em breve”.

Utgard Loki lentamente fechou os olhos e, por um breve momento, sorriu do mesmo modo que Loki.

―♦♦♦―

Siri abriu os olhos.  Ela engoliu em seco e, acima dela, uma voz se fez ouvir.

— Você acabou de acordar?

— Tae Ho?

A capitã ficou aliviada em ver uma face conhecida. Siri notou que ela estava deitada sobre o colo de Tae Ho e, apressadamente, se levantou enquanto inconscientemente ajustava a Vestimenta Alada do Dragão contra seu corpo. Ela já sabia que algo do tipo aconteceria ao usar a [Saga: Bruxa Lupina], mas suas roupas estavam completamente amassadas.

— Onde estamos?

Ela ainda se lembrava da luta que tiveram contra o gigante, mas ela não se lembrava de terem indo para este estranho lugar em que o céu e a terra estavam misturados.

— Eu queria te perguntar exatamente isso — disse Tae Ho, franzindo a testa. — Tudo estava indo de acordo com o plano até destruirmos o gigante com a Balista Dragônica, mas depois disso uma luz azulada nos envolveu e acabamos aqui.

Siri franziu o cenho, lembrando-se de algo importante ao ouvir aquelas palavras. Não porque sua cabeça estava dolorida, mas sim por causa de uma necessidade física.

Ela estava faminta.

Isso, claro, era algo óbvio. Ela tinha se transformado em um dragão e lutado numa batalha feroz. E, talvez por ter usado tanto a sua saga, tanto seu corpo quanto sua mente estavam fracos.

Tae Ho sentiu-se um tanto incomodado pela estranheza da situação — especialmente pelos barulhos vindo do estômago de Siri — mas logo ele recuperou a compostura. De qualquer forma, Siri também não parecia estar particularmente embaraçada com aquilo.

“Ela é uma guerreira de Valhalla, afinal.”

Uma capitã vinda dos salões da bravura ficando com vergonha quando o estomago ronca? Isso era algo inimaginável.

— Você quer beber alguma coisa? Talvez comer?

Siri se animou tão logo Tae Ho fez a pergunta.

— Você tem algum mantimento com você?

Ela realmente não estava com um pingo de vergonha. Mas ele gostava dela assim — sincera.

— Me dê um segundo.

Tae Ho abriu Unnir, que estava presa em seu cinto, e começou a puxar para fora uma miríade de coisas. Seus mantimentos de emergência pareciam ter sido preparados apressadamente, mas eles eram de boa qualidade; Heda tinha se encarregado de reunir tudo.

Siri piscou, surpresa, ao ver carne seca, pão, diversos tipos de fruta e algumas bebidas aparecerem diante dela.

— Im… impressionante. Foi a Lady Idun quem te deu isso?

Ela estava, obviamente, se referindo a Unmir. Tae Ho sorriu, assentindo.

— Sim. Ela me deixou escolher entre uma vestimenta alada e isto. Como pode perceber, essa foi minha escolha.

— Parece que vai ser impossível, então.

— O quê?

— Lady Gandur me perguntou se não havia nenhuma forma de trazer você para nossa legião. Mas, vendo que você está recebendo tantos presentes e tanta boa vontade por parte de Lady Idun, parece que essa é uma tarefa impossível.

Siri riu, desânimo tingindo sua voz, enquanto Tae Ho abriu um sorriso amargo.

“Eu também tenho que levar a Heda em consideração”.

Ele sentia pena de Gandur por isso, mas deixar a legião de Idun não era uma escolha plausível.

— Esse é um tesouro realmente maravilhoso. Você deve ser o único guerreiro de classificação inferior que possui algo como isso — disse Siri.

Ele já tinha achado aquele presente algo maravilhoso quando o recebeu, mas olhando para a reação de Siri ele parecia ser algo impressionante mesmo para os padrões de todo Valhalla.

“Idun está realmente me favorecendo”.

Tae Ho se sentiu satisfeito, sorrindo calmamente. Os olhos de Siri brilharam com claro desânimo quanto a reação de Tae Ho e ela logo mudou de assunto.

— E, parando para pensar nisso agora, você chegou a coletar as runas do gigante que derrotamos?

— É claro, essa é a coisa mais importante a se fazer.

Ao matar um monstro você tinha de conseguir pontos de experiência. Não coletá-los depois de ter se esforçado tanto seria algo pelo qual ele não perdoaria a si mesmo, como um jogador profissional, nunca.

Tae Ho fez um gesto com os olhos, como se estivesse dizendo para que ela verificasse e Siri fechou seus olhos, concentrando-se.

— Ao que parece eu também fui capaz de recuperar a minha parte por conta da saga que unia nossos sentidos… impressionante.

Siri olhou para si mesma com os olhos arregalados. A quantidade de runas que ela possuía havia aumentado. Com seu atual montante ela poderia ser tranquilamente atribuída à classificação intermediária.

O gigante que eles tinham derrotado dessa vez era mais forte que aquele da Fortaleza Negra. Além disso, era importante dizer que eles o mataram usando suas próprias capacidades e forças.

As runas de Tae Ho também haviam aumentado, chegando a um nível próximo ao de Siri.  E, levando em conta que Siri tinha uma quantidade de runas muito maior que Tae Ho inicialmente, a divisão parecia ser feita seguindo um sistema de contribuição.

“Minha taxa de sincronização também alcançou os 19%”.

Os 20% estavam bem na frente dele. Tae Ho tinha certeza de que outra mudança ocorreria, tal como ocorreu quando ele atingiu o marco de 10%.

“A Capitã Siri também acabou recebendo runas com atributos elementais.”

Tae Ho adquiriu runas do atributo fogo naquela batalha. E, ao que parece, Siri tinha ganho uma runa do atributo vento.

Siri estava feliz consigo mesma por ter ficado mais forte e sorriu. Tae Ho também abriu um pequeno sorriso enquanto a olhava e disse:

— Tem de haver algum benefício depois de termos exagerado tanto, não tem?  Então vamos continuar nos esforçando daqui pra frente. E, a propósito, que tal você vir para a legião de Idun?

Dizendo isso, ele meditou sobre a ideia e a considerou bastante plausível. Se ela mudasse de legião, Siri seria capaz de usar a vestimenta alada em posse de Idun. Além disso, eles complementavam um ao outro muito bem e sua capacidade de combate só tenderia a aumentar.

Entretanto, Siri abanou a cabeça.

— Essa é uma proposta encantadora, mas eu terei que recusar. Antes de mais nada, Tae Ho, tem algo que eu quero te perguntar. Você não precisa me responder se isso te incomodar.

— O que foi? — disse ele.

— Eu sei que você veio de outro mundo e também é algo raro perguntar sobre o passado de outro guerreiro. Mas… suas sagas são impressionantes. Tanto que eu fico curiosa em saber de que tipo de mundo você vêm. O que você fazia? Você com certeza não era um guerreiro comum — Siri perguntou, séria. Talvez ela estivesse sendo sincera quando disse que ele não precisava responder caso não quisesse, já que havia um brilho de arrependimento em seus olhos.

— Er… na verdade, eu era um campeão mundial — Tae Ho disse depois de ponderar por um momento, encolhendo os ombros.

O dia em que ele pisou em Valhalla pela primeira vez estava claro na mente de Siri. Ela assentiu, como se já estivesse esperando uma resposta parecida.

— Certamente. Então é por isso, eu estou de frente para uma pessoa realmente impressionante — ela disse.

Siri provavelmente tinha entendido mal suas palavras, pensando que ele tinha sido algum tipo de rei das batalhas ou algo do tipo. No entanto, Tae Ho mudou de assunto ao invés de tentar esclarecer esse mal entendido.

— E quanto a você? Ouvi falar que você era uma caçadora.

Ela não era uma donzela escudeira, mas sim uma caçadora. Essas eram as palavras de Rolph.

— Eu era uma caçadora comum. Eu vivia em uma cabana bem longe da aldeia mais próxima e caçava animais e, as vezes, coisas piores do que eles — disse Siri. O brilho em seus olhos parecia ter esmaecido ligeiramente, mas ela sorriu mesmo assim.

“Provavelmente seres humanos, não é?”, ele pensou.

Tae Ho recordou-se das palavras em cima da cabeça de Siri quando ele a encontrou pela primeira vez.

Ela não parecia ser uma caçadora de recompensas comum. A palavra ‘bruxa’ que fazia parte da saga de Siri também era um indicador de que havia algo mais por trás daquela história.

“Além disso…”

É fácil de esquecer, mas agora eles viviam em Valhalla. Era um lugar em que apenas guerreiros mortos podiam alcançar, então Rolph e Siri provavelmente morreram ainda jovens.

Siri parou de sorrir, parecendo ter notado o olhar de Tae Ho; seus ombros estavam caídos.

— Eu gosto de Valhalla. Ao invés de serem invejosos e pensarem coisas ruins sobre outra pessoa, eles ficam sinceramente impressionados quando você demonstra a sua força. Eu gosto desses tipos de guerreiros. Eu combato ao lado de aliados agradáveis e eu gosto do presente pelo qual estamos lutando: proteger Asgard e os nove planetas; gosto tanto que eu espero chegar ao paraíso verdadeiro, preparado por Odin, tão tarde quanto possível.

Havia sinceridade em suas palavras. Tae Ho quis sorrir junto dela, mas ele não pôde deixar de reparar no que Siri tinha dito.

— O verdadeiro paraíso?

— Os guerreiros de Valhalla se tornam guerreiros de aço na morte.  Então, o que aconteceria com eles ao morrerem novamente?

Tae Ho lembrou-se das palavras de Bjorn na ocasião: eles morreriam de verdade.

— Um local de descanso para os verdadeiros guerreiros está preparado — disse Siri. — Somente guerreiros de Valhalla podem entrar neste lugar.

E, por conta disso, os guerreiros de Valhalla podiam lutar valentemente, focando-se mais em como iriam morrer, ao invés de quando, como faziam no mundo mortal.

— Eu prometi que iria até Anaheim com Rolph quando voltássemos — disse Siri, sorrindo.

— Anaheim?  Com Rolph?

— Ele parecia estar deprimido, como um cachorrinho perdido, porque sua promessa foi quebrada duas vezes. Além disso, ele me lembra um irmãozinho — ela respondeu com um sorriso. Siri parecia estar realmente animada para ir até Anaheim com Rolph.

“Mas se Rolph for junto dela, ele não seria capaz de ir em um monte de lugares que ele queria ir, não é?”

Mas rapidamente ele mudou de opinião.

“Não, talvez isso seja melhor para o Rolph. Então, talvez, eu devesse perguntar para a Heda se ela quer ir comigo?”

— Tae Ho, parece que este lugar é um resquício da Grande Guerra — disse Siri, enquanto Tae Ho fantasiava.

— Você também acha isso?

Ele tinha pensado na mesma coisa.

— Eu ouvi falar que o lugar que restou como consequência da batalha era bastante instável — ela assentiu, observando os arredores. — E que há uma fenda invisível no mundo. Essa é, provavelmente, uma dessas fendas.

Um mundo destruído em que o céu e a terra se mesclavam.

Era possível que eles haviam entrado nessa fenda por causa da pedra azul do gigante, que se despedaçou gerando uma enorme explosão mágica.

— Tae Ho, seus olhos são especiais. Você não encontrou nada de diferente?

— Há algo, sim, mas eu ainda não tenho certeza.

Tae Ho observou os arredores por alguns momentos antes de Siri acordar. O poder mágico que os envolvia estava fluindo em uma única direção. Como uma corrente de água.

— Eu me pergunto se haverá algo nos esperando se chegarmos no fim dessa corrente. Embora possa ser um pensamento otimista demais, a saída pode estar nessa direção.

Tae Ho apontou para um monte que se erguia sobre eles, ao longe.

Então, naquele momento, Tae Ho sentiu algo vibrar em sua cintura. Era surpreendentemente intenso, mais do que um celular. Ele se levantou e verificou o seu cinto.

Era o Fragmento Desconhecido, do qual só restava o cabo. A vibração parou tão logo Tae Ho o tocou.

— Tae Ho, esse é o pedaço de espada que você disse ter encontrado? — Siri disse, se levantando com uma expressão igualmente surpresa.

— Sim, mas… espere. Foi você quem acabou de me responder? — disse Tae Ho parecendo ter se lembrado de algo que aconteceu quando ele segurou o cabo.

O fragmento vibrou quando Tae Ho apontou em direção ao fluxo de magia convergente.

Naquele momento, o fragmento vibrou uma vez mais. — Este lugar está separado dos outros — disse Siri, encontrando o olhar de Tae Ho. — Ele ainda tem a força remanescente da Grande Guerra, então é possível que ele tenha se recuperado de alguma forma. Talvez essa espada seja uma daquelas espadas lendárias que tinham uma personalidade própria. É dito que Lorde Freyr costumava ter uma espada que lutava sozinha.

Era uma situação factível, então.

— Você se lembra de algo? — Tae Ho perguntou para o fragmento. — Se você se lembrar, vibre uma vez. Caso contrário, vibre duas.

O cabo emitiu duas vibrações curtas. Talvez, por ser apenas um fragmento, suas memórias estivessem incompletas.

‘E ele não consegue nem mesmo falar.’

Ainda sim, aquele tipo de comunicação básica já era o suficiente. Não era um item de Classificação Épica à toa.

— Então, a saída é por ali? — Tae Ho perguntou depois de organizar seus pensamentos.

Em resposta, o cabo vibrou uma vez.

Siri e Tae Ho sorriram. Embora a possibilidade do fragmento estar mentindo, ou estar simplesmente equivocado, fosse algo real, eles não tinham muitas opções.

“E não parece ser uma mentira, também”.

Tae Ho guardou o que restava dos mantimentos dentro de Unnir e então respirou fundo, se virando.

— Tae Ho, o caminho é por ali — disse Siri, parecendo perturbada.

Ele sabia. No entanto, se este lugar era, verdadeiramente, um resquício da Grande Guerra então ele precisava fazer algo primeiro.

“Eu derrotei um dos gigantes. Rasgrid deve cuidar do outro e os reforços vão chegar logo.”

Além disso, um bom tempo havia se passado desde então. Se a situação realmente demandasse pressa, ele não teria sido capaz de sequer pensar em comer ou jogar conversa fora com Siri.

Então ele tinha de fazer o que precisava ser feito.

O verdadeiro motivo para sua ida até Svartalfheim.

[Saga: Os Olhos de um Dragão que Vê Através de Todas as Coisas]

Tae Ho começou a analisar as diversas palavras multicoloridas que apareceram diante de seus olhos.


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[1] Cú Chulainn, também chamado Cú Chulaind ou Cúchulainn ([kuːxʊlˠɪnʲ], irlandês para “Cão da caça de Culann”) e às vezes conhecido em inglês como Cuhullin (kəhʊlᵻn), é um herói mitológico irlandês que aparece nas histórias do Ciclo de Ulster, bem como no folclore escocês e da Ilha de Man. Acredita-se que ele seja uma encarnação do deus Lug, que também é seu pai. Sua mãe é a mortal Deichtine, irmã de Conchobar mac Nessa. Nascido Sétanta, ele ganhou seu nome mais conhecido quando criança, depois de matar o feroz cão de guarda de Culann em autodefesa e se ofereceu para tomar seu lugar até que um substituto pudesse ser criado. Com a idade de dezessete anos, ele defendeu Ulster sozinho contra os exércitos da rainha Medb de Connacht no famoso Táin Bó Cúailnge (“Ataque ao Gado de Cooley”). Foi profetizado que seus grandes feitos lhe dariam fama eterna, mas sua vida seria curta.

[2] Gae Bolg (também chamada de Gáe Bulga e Gáe Bolga), que significa “lança da dor mortal”, “lança entalhada” ou mesmo “lança voraz”, é o nome da lança empunhada por Cú Chulainn no Ciclo de Ulster da mitologia escocesa. A arma foi lhe dada como presente por sua professora de artes marciais, a mulher-guerreira Scáthach e só a ele foi ensinado como manuseá-la. A lança foi feita a partir do osso de um monstro dos mares, o Coinchenn, que morreu em uma luta com outro monstro, o Curruid. Embora algumas fontes dizem que Gae Bolg não é nada além de uma lança particularmente mortal, outras — mais notávelmente o Livro de Leinster — diz que ela poderia ser utilizada de outras formas mais místicas.