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Após algumas horas de treino, os dois se desgastaram. Dante e Flora estavam sentados, descansando, com o garoto no chão e a fada em seu ombro. Ao lado, tinha uma jarra feita de porcelana onde a água gelada estava armazenada. Haviam dois copos, cada um para os dois.

A fada saiu de seu ombro e voou até o copo, colocando sua cabeça dentro dele e sugando a água.

— Que delícia!

Após horas tendo a mana gasta, e treinando Dante com sua magia de raio negro, ela precisava se refrescar.

— Não é? Fiquei todo cansado. Água gelada realmente ajuda.

— Fico impressionada que o nobre daqui tenha água gelada.

— Tem um refrigerador na cozinha.

Era como uma geladeira. Uma espécie de armário feito de lithe — o minério usado para fazer a auréola de Angel — na parte de baixo do refrigerador, havia várias rochas de gelo feitas com magia. Na parte de cima, as coisas que iram ser geladas, como a água dentro daquela jarra.

Dante não tinha conhecimento que o gelo presente no refrigerador era feito de magia.

— Mas, fala aí — Olhou para a fada —, como vão as coisas lá no vilarejo?

— Hm? Hmmmm… Ah! Ah, sim, vão bem. Aparentemente, o pessoal vai fazer algum tipo de festa, ou coisa assim. Nós estamos ajudando!

Com “nós”, também incluiu Angel, Alice e Freya.

— Freya também está ajudando? — indagou.

O garoto não via muitos cenários para uma criança da idade dela ajudar a fazer uma festa.

— Sim, acho.

— Acha? Hmmm.

Dante deu um gole de seu copo de água.

— Por falar nisso, acho que nunca perguntei, mas, quando nos encontramos pela primeira vez, você estava devendo milhões para algumas fadas de sua espécie, né? Como que isso aconteceu?

— Hm…

Flora colocou a mão no queixo, tentando se lembrar da época em que vivia no Reino das Fadas. Voou novamente até seu ombro, focando em suas lembranças. Quando se lembrou, estalou os dedos.

— Ah! Sim! Agora me lembro! De onde eu vim, o Reino das Fadas, eu jogava muitos jogos de azar. Foi quando acabei entrando em uma furada! Quando vi, já estava devendo milhões! 

— Uma furada?

— Com furada, quero dizer que fiz besteira, e acabei colocando a carta errada. Isso levou a uma avalanche.

Dante imaginou a cena com clareza, tendo Flora e mais quatro fadas em uma mesa jogando algum jogo de cartas. No final, sua parceira fada perdendo o jogo e indo instantaneamente à falência.

— Mas que bom que você me salvou, não é?

Voou até ele, cutucando sua bochecha com o cotovelo, junto de um sorriso.

— Entendi… Nesse caso, é melhor você nem mais jogar esse tipo de jogo, se você acabar criando uma dívida nesse nível.

— Nah! Eu já parei! Agora que você me acolheu, Dante.

— Tem certeza que um vício acaba assim tão rápido?

— Eu nunca disse que era vício!

O garoto desconfiou um pouco de suas palavras, mas decidiu ouvi-lá, claro, com aquela pulga atrás da orelha. Por sua sorte, até onde sabia, claramente, não tinha nenhum lugar no vilarejo ou na capital especializado em jogos de azar. Então, não precisaria se preocupar com o dinheiro que mandaria para a casa lá na mansão.

— Foi a primeira vez que isso ocorreu?

— Haha! Sim!

— Você está lidando com algo do passado de forma bem animada, não?

— Bem, é melhor dar risada das besteiras que você fazia no passado do que ficar se arrependendo e se remoendo.

— …Oh…

Isso deixou o garoto pensativo. Não tinha nada em suas lembranças que o fizesse remoer ou fazê-lo ficar arrependido. Talvez ter largado a escola junto de seus amigos, mas, para ser sincero, não achava aquilo tão ruim, pelo menos, do ponto de vista que tinha no momento.

Deu uma leve risada enquanto via o sol se pôr lentamente.

— Então, acho que vou dar risada dos hentais envolvendo escravas sexuais que eu lia.

— Escravas o quê?!

— Haha! É brincadeira.

— Ah, sim! Acho que você está moldando um bom senso de humor, Dante… Espera, o que é um hentai?

Levou um leve susto no início, mas achou graça da piada do garoto depois.

— Por que vocês estão falando de hentai?

Os dois ouviram uma voz vinda de trás. Olhando, descobriram o dono daquela voz. Um rapaz que usava uma roupa de mordomo estava em pé, os observando ali sentado.

— Oi, Ren.

— Opa!

— Quem é esse? — Flora perguntou.

— Ah! Esse é um amigo que eu fiz quando vim para cá. Ele veio do mesmo país que o meu.

— É mesmo? Muito prazer então!

— Prazer, fadinha.

Ele não estava tão surpreso ao ver Flora como qualquer pessoa que não era daquele mundo veria. Talvez por ter aceitado aquele lugar como um outro mundo, também estava se preparando para ver criaturas e seres fantásticos como Flora.

Ren sabia bastante de como mundos assim funcionavam, por ter lido muitas light novels e assistido muitos animes, ou como deveriam funcionar, já que o infeliz fato de não possuir magia por não ser geneticamente ligado à algum cidadão de Kuyocha fazia aquele lugar não suprir com suas expectativas — nem as de Dante — quando pensam nesse tipo de situação: estar em um mundo de fantasia.

Era triste pensar que não poderia lançar uma bola de fogo ou coisa assim, mas só aceitou a realidade.

Ren já estava mentalmente preparado para ver qualquer coisa que estava em histórias de fantasia, até mesmo orcs. Bem, ele não estaria surpreso com a existência.

— Você é um funcionário daqui, né? Deve ter visto quando o Dante lançou aquela magia naquele monstro. Então, essa é a minha magia! Temos um contrato!

— Oh!

O rapaz lembrou-se desse acontecimento. Não foi há muito tempo atrás. Não fazia nem um mês que aquilo aconteceu.

— Acho que nunca perguntei, mas, o que exatamente era aquele monstro, Dante? Aquilo era feio que só doía os meus olhos, mas nada que eu, e acredito que você também, tenha visto. Digo, em toda mídia envolvendo fantasia medieval.

Flora ficou confusa com essa pergunta, porém, Dante entendeu perfeitamente o que ele disse. Provavelmente, Ren só não usou a frase “outro mundo” porque iria fazer o cérebro da fada pifar com o tanto de coisa que ela não tinha conhecimento sobre seu mundo de origem.

— Bem…

Dante começou a explicar sobre as bestas demoníacas, anjos e o quê o referido monstro era de verdade. Deixou apenas o tópico “deusas” e “ressuscitação” de fora.

Ren estava sentado, junto dos dois, ouvindo com atenção.

— Entendo. Demônios… anjos… Então, isso significa que existe uma entidade superior por aí, né?

— Bem, isso é história para outra hora.

— Oooh! Então a Angel é a sua?

Flora ouviu com atenção e, tanto como Ren, ficou intrigada com essas informações.

À sua pergunta, Dante acenou positivamente.

— Espera, será que eu tenho um Anjo da Guarda também? — Flora indagou.

— Acho que não.

— E eu? — Ren perguntou.

— Talvez?

— Ooh!

Os dois estavam impressionados com isso. Enquanto Flora pensava em como deveria interrogar Angel sobre isso, Ren estava com curiosidade em algo a mais. Então, comentou:

— Vocês podem me mostrar a magia de vocês por contrato?

Os dois se olharam.

— Não tem problema, tenho bastante mana ainda!

Com a confirmação da fada, o garoto se levantou do chão, junto de Flora que saiu de seu ombro. Apontou para o chão.

— Regulus!

O raio negro saindo de seu dedo atingiu o chão, deixando uma marca.

— Incrível!

Ren aplaudiu. Ele estava tão animado quanto uma criança quando vai até um parque de diversões.

— Ô, eu estava ouvindo uns sons de explosões mais cedo. Chap avisou que não era problema. Eram vocês?

— Ah, sim. Convidei a Flora para treinar comigo hoje, e aprendi essa forma forma de usar a magia de raio negro.

— Podem me mostrar?

Os dois olharam para Flora, Dante com um olhar de questionamento e Ren com brilhos em seus olhos.

— Tudo bem! Mas vamos só uma vez. Estou ficando cansada. — Suspirou.

— Obrigado!

Então, Dante repetiu seus movimentos anteriores, levando sua mão e perna para trás, enquanto recitava a magia.

— Eletruns Regulus!

Arremessando a bola de eletricidade negra no ar. Ela explodiu no ar, sendo a última vez que usariam aquela magia naquele dia novamente.

O garoto sentou no chão novamente, um pouco desgastado. A fadinha entrou dentro da roupa, descansando lá, enquanto via o pôr do sol.

— Cara, isso é incrível! Mal vejo o momento em que farei um contrato também!

— Hehe, boa sorte. — O garoto achou graça no entusiasmo de seu amigo.

Os três ficaram em silêncio por algum momento, apenas apreciando a vista do pôr do sol que, em breve, iria dar lugar à lua e um céu noturno completamente lindo e estrelado.

— Aí, cara, amanhã à noite vai ter um evento que só acontece uma vez por ano — disse Ren à Dante.

— Ah! Sei do que você está falando! 

Animadamente, Flora saiu das roupas do jovem, e parou na frente dos dois.

— Fala do evento das bolhas lunares, né?

“Bolhas lunares?”, o jovem pensou. O nome já era um forte indicativo de que se passava a noite. Seu colega de trabalho disse que acontecia anualmente, então, seria uma chance de ver algo único e não ter que esperar muito tempo para isso.

— Exatamente! — Ren afirmou.

— E o que exatamente seria isso?

— São bolhas transparentes, cada uma com uma cor diferente, que aparecem a noite — disse o rapaz.

— Pelo visto, os humanos acreditam que essas bolhas vem da lua. É algo muito bonito de se ver. — A fadinha completou a informação sobre esse evento anual com uma curiosidade.

— Todo mundo vai estar acordado para ver. Vai vim ver também?

O jovem estendeu sua mão fechada na direção do garoto, esperando ansiosamente pela sua confirmação e um “toquinho”.

— Tudo bem! Quero ver como vai ser!

Dante contribuiu com o toquinho, levando sua mão fechada até a do seu amigo.

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