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— Bem-vindo de volta!

Todos os funcionários da mansão estavam sendo graciosos com a volta de Dante ao trabalho, desta vez em tempo integral.

Chloe, Ren — mais chamado pelo seu apelido: Larry — e todos os funcionários estavam batendo palmas com seus rostos felizes. Até Chap, o dono da mansão.

Enquanto todos estavam dando suas boas-vindas, Dante estava com um sorriso no rosto e com seus olhos fechados, aceitando aquela graciosidade de bom grado. Porém, o jovem estava com um pensamento mais alto em sua cabeça.

“Eu sou Dante Katanabe. Um ex-recluso e um otaku que passava todos os dias jogando videogames e cabulava aulas. Desde que vim para este lugar… melhor, este mundo, acabei enfrentando vários problemas… Morri várias vezes e de formas que as pessoas não conseguem ou querem imaginar… Porém, segui em frente e estou aqui de pé hoje!”

Mas, ao mesmo tempo em que falavam com ele, dando suas boas-vindas, o jovem estava em uns pensamentos preocupantes.

“Só que… estou enfrentando um dilema que nunca achei que iria imaginar… Como? Por quê? Por que o beijo não foi como eu imaginei!?”

Ele estava gritando internamente. Aparentemente aquele beijo não foi como o esperado, e isso o decepcionou.

O ápice da loucura de Dante Katanabe começou agora.


Um tempo se passou após aquele seus questionamentos mentais. A Sabedoria não estava disponível naquele momento, por algum motivo.

Mesmo sendo uma ex-deusa que decidiu dar suporte ao jovem com o seu conhecimento, ela sumia em alguns momentos onde poderia dar a sua ajuda.

Bem, isso não importava para o garoto naquele momento. Tudo que queria saber era o porquê de suas expectativas não terem sido atingidas.

Dante nunca teve nenhuma experiência com algum relacionamento romântico, o que o impedia de pensar sobre esse assunto de forma lógica.

Ele também lia muitos mangás de romance, além de outros gêneros como shounen. Talvez suas expectativas tivessem vindo daí.

“Hum… Eu realmente não senti nada de especial, né…?”

Nesse momento, estava secando o chão usando um esfregão. No meio, o ajudando, estavam Ren e Chloe. Se passaram uma hora desde sua volta ao trabalho, e ele se dedicava para fazer algo bem feito, enquanto tinha vários pensamentos na cabeça.

O garoto também estava vestindo sua roupa de mordomo no local. Aquela nova mansão era bem diferente da anterior onde trabalhava, e Chloe teve que o explicar onde ficava cada cômodo.

Sendo a única residência do tipo presente naquele novo vilarejo, aquele casarão era composto por dois andares. Na parte oeste do segundo andar ficavam todos os quartos de hóspedes. Já na parte leste ficavam os quartos dos funcionários e da família Elliot.

No primeiro andar, mais especificamente no centro, era onde residia o salão principal e era a mesma área onde rolariam futuros eventos importantes da família de Chap, como festas.

No oeste do primeiro andar era onde ficava a imensa cozinha e a sala de jantar. No leste era onde permaneciam os banheiros e algumas salas importantes.

Além disso, na parte de fora havia um imenso jardim.

Realmente surpreendeu Dante na primeira vez que o viu.

A atitude de se deslocar para um local diferente para morar em uma nova mansão e levar um vilarejo inteiro junto era curiosa, e levando em consideração que esse mesmo lugar ficava justamente na nação onde o chefe sugeriu para seu ex-funcionário ir.

Dante não questionou isso, e só estava com outros pensamentos em mente.

“Será que não tenho interesse em mulheres?”

No momento em que pensou isso, o jovem bateu sua cabeça contra a parede do local, fazendo Chloe e Ren, que estavam silenciosos e concentrados no trabalho, se assustarem e perderem todo o foco.

— D-Dante… você tá bem?

Ren ficou seriamente preocupado quando viu essa cena, ao ponto de gaguejar e quase cair no chão quando ouviu o som da cabeça de Dante indo contra a parede.

— Ahn? Do que está falando? Claro que estou bem.

Ele tentou tranquilizar seu amigo com um sorriso no rosto, porém…

— Cara! Você está sangrando!

…A cabeçada foi tão forte que cortou a sua testa.


Mais tempo se passou depois daquilo. Chloe obrigou Dante a colocar um curativo e tirar o resto do dia de folga.

— Isso… não foi muito exagerado?

Talvez a parte de bater a cabeça com muita força na parede tenha sido, e não o fato de que a empregada demi-humana que escondia a sua verdadeira raça o fez tirar o resto do dia de folga no seu “primeiro dia” de trabalho pois ficou preocupada o bastante para tomar essa decisão.

Claro que se referia a decisão de fazê-lo trabalhar pelo resto daquele dia.

Inclusive, ele estava com um curativo em sua testa, onde bateu contra a parede, mas não era tão visível por causa de sua franja que estava o tapando.

Chloe provavelmente achou que Dante devia estar mentalmente cansado, assim como da última vez quando morreu para o Ceifador e acabou desmaiando no meio da cozinha, pois não conseguiu levar aquele acontecimento tão bem adiante.

Bem, não era como se algum ser-humano normal conseguisse, de qualquer forma. Ele não tinha morrido uma vez na época em que seu atual trabalho era de meio período, e também estava tendo aqueles pesadelos lúcidos com a mesma criatura que o assombrou por pouco tempo.

Chloe se lembrou daquele acaso, e por isso fez ele descansar. A empregada realmente se importava com o bem-estar de seu amigo.

— Bem, pelo menos ela disse que explicaria tudo pro Chap. Espero mesmo não ter problemas. O ruim é que agora não tenho nada pra fazer.

A empregada disse para ele descansar, mas o garoto estava andando por aí e explorando a nova mansão.

Como não estava mentalmente cansado e não tinha nada para fazer, decidiu desobedecer a ordem de sua veterana. Claro, iria enfrentar problemas se fosse descoberto.

“Hm… Não acho que tenho interesses em caras. Não, não deve ser isso… Então, o que será?”

Dante ainda estava vagando por esses pensamentos. Ele devia estar fazendo algo mais importante, como trabalhar. Mas por causa de toda essa confusão mental, não podia fazer tal coisa.

Bem, o jovem esteve andando pelos corredores. Não tinha muita coisa que se destacava, além de lindos quadros. Mas se fosse falar de uma forma higiénica, aquele lugar estava bem limpo. Os funcionários não brincavam em serviço… Talvez o Ren, mas isso era um caso à parte.

O garoto também se lembrava de sua trajetória até aqui. O caminho não foi difícil, mas sim desgastante mentalmente. Apesar de que, no caso do ataque do Ceifador, o nível de dificuldade subiu um pouco, porém, ele tinha suas duas amigas deusas ao seu lado para ajudá-lo. Com Himawari sempre o ressuscitando quando solicitado e Iwashi passando as informações para auxiliá-lo.

Por falar nisso, fazia tempo que eles não se encontravam.

E depois de um tempo, vieram os eventos da investigação de sequestro de mulheres e crianças em Schalvalt. Nesse meio tempo, ele se encontrou com várias pessoas novas: uma amiga súcubo, uma familiar fada onde havia feito um contrato, uma cavaleira da guarda real, uma pequena ex-escrava e demi-humana.

No fim, sua vida poderia ficar mais tranquila e menos agitada, pelo menos por um tempo, já que, aparentemente, o Rei Demônio estava querendo caçá-lo. Porém, depositou ainda mais confiança em Angel, que disse para não se preocupar.

Dante não podia fazer nada sobre o assunto do Rei Demônio, além de implorar internamente que o lorde deixe ele aproveitar a sua vida naquele estado pacífico ao máximo antes que fizesse alguma coisa.

— Ahn?

O jovem viu Emi, a empregada de cabelo azul, sentada no chão e encostada na parede lendo um livro.

E isso era uma situação estranha, já que todos estavam trabalhando, e a garota estava afastada de qualquer pessoa no horário de trabalho desfrutando daquele livro.

Como não tinha nada para fazer, Dante decidiu puxar papo com a garota.

“Qual era o nome dela mesmo…? Ah! Lembrei!”

Andou para perto da jovem, e pensou na primeira coisa que poderia ter dito.

— Oi, Emi. O que você está lendo?

A garota o olhou por um segundo e disse antes de voltar a ler.

— Você não devia estar trabalhando?

— Bem… me obrigaram a parar. E você não devia estar trabalhando também?

— Eu decidi fazer uma pausa. Daqui a cinco horas volto a trabalhar.

— Cinco horas?!

A desculpa de dar uma pausa não iria mais colar com esse último comentário.

A garota fechou o livro e o colocou no campo de visão dele. Pegando, o garoto abriu e começou a folhear as páginas.

Ele tinha um bom conhecimento da escrita daquele lugar por causa de Chloe, mas ainda não conseguia ler algumas palavras com facilidade.

Valia ressaltar que já não estava mais se comunicando com as pessoas daquele mundo usando o tradutor que Alfrey lhe entregou. Não sabia o motivo, mas acabou deixando isso de lado, por enquanto.

— Gosta de leitura?

— Na verdade, sim. Eu tinha um monte de mangás e light novels no meu quarto.

— …Nunca ouvi falar desse tipo de livros. Veio da sua terra natal, né? Parece que lá tem umas coisas interessantes.

— Ô se tem!

Dante mantinha essa conversa enquanto olhava e folheava todas as páginas. Era um livro de tamanho mediano e não tão pesado.

— É ficção?

— Não. Isso é um livro histórico.

— Histórico, é?

O jovem rapidamente se sentou ao lado da garota, o que a deixou confusa.

Ele se interessou sobre a parte histórica daquele livro, e queria saber sobre o que dizia.

— Pode me contar o que diz?

— Tem poucas histórias que realmente aconteceram no nosso mundo. Tudo de conhecimento global, imagino. Qual você quer?

— …Hm… Hum! Não faço ideia! Escolhe uma para mim?

— E que tal… da Astaroth? A menina imortal.

Dante já tinha ouvido a história dessa garota imortal vindo de Rishia. Inclusive, foi por causa dessa história que se tornou um tabu se autoproclamar como alguém que não pode morrer. Apesar de que a imortalidade da garota se baseava em acabar morrendo e ser ressuscitado pelos poderes de uma pessoa, que nesse caso, era a Deusa da Cura. Teria que ser mais cauteloso e não deixar essa informação vazar.

— Bem, eu já ouvi sobre essa. E lembro de me dizerem que essa história estava mais para uma lenda.

— Bem, de fato. Mas a história da “mulher dos esgotos” sempre está nos livros históricos. Muita gente acredita que seja real, tanto que veio um tabu.

— Não seria um erro colocar algo que nem sabem se aconteceu ou não em um livro histórico?

— Bem, seria sim, mas mesmo assim colocam.

— Hm… Que tal outra?

— Pera, você disse que já ouviu, certo? Então ainda mais motivos para te contar.

— Huh? Por quê?

— Essa história foi contada de forma errónea propositalmente pela realeza na época. E com o passar do tempo, foram compartilhados vários acontecimentos diferentes de um mesmo conto, até chegarmos aos dias de hoje.

Bem, não era improvável que isso fosse acontecer.

Se a realeza omitiu a verdadeira história para contar outra diferente, isso poderia gerar questionamentos do povo naquela época. Muitos poderiam ou não acreditar. Consequentemente, esse acontecimento foi passado de geração para geração, sempre com alguma modificação na errónea versão da família real.

— O que ouvi dizer, foi que Astaroth era tratada com indiferença por seus pais, por uma questão de preferência.

A primeira diferença na versão que Rishia contou, e na que Emi comentou. O que a cavaleira havia dito, era que Astaroth foi abandonada nos esgotos por causa da beleza inexistente em sua pessoa. Mas o que a empregada estava falando era sobre uma questão de preferência por partes dos pais da garota.

— Os irmãos dela eram sempre mimados, enquanto a garota sempre era deixada de lado. E isso se escalou ao ponto de abandonarem ela nos esgotos, pois, aparentemente, “o lugar de uma inútil devia ser junto aos ratos”.

Isso já foi algo que as duas versões contaram, mas o motivo do abandono foi diferente.

— Depois de um tempo, para sobreviver, a garota foi pega roubando. Pelo visto ninguém naquela época sabia de sua posição ou que pertencia à família real. Talvez o rei e a rainha da época omitiram essa informação. E uma coisa a ressaltar, é que Astaroth não era uma adulta, e sim uma criança quando tudo isso aconteceu. O nome desse “conto” passa a ideia de que fosse uma maior de idade.

Se esse foi realmente o objetivo ao criarem o nome desse “conto”, isso seria nem incoerente com a versão que Emi estava contando, já que aí Astaroth era uma criança, e não uma mulher adulta.

— E com um crime em seu catálogo, foi uma desculpa para a família real da época matarem ela na guilhotina aos olhos do povo. O nível de preferência deles chegou a um nível psicopata. Depois de algum tempo, rolou uma onda de assassinatos sem explicações pelo mundo, e aí culparam a garota, dizendo que queria se vingar. Particularmente, não sei em que poderia acreditar nesse caso, já que as mortes não tinham explicação.

— Os assassinatos duraram até quando?

— Foi por pouco tempo. Talvez, em um mês? Não tenho certeza. E aparentemente o pessoal achou que ela havia voltado a vida, e isso causou uma grande comoção. Tanto que virou um tabu e quem dissesse poderia acabar morrendo. Meio exagerado.

Então era por isso o motivo do tabu, pelo menos nessa versão.

— Uau! Essa história é tão cruel quanto a que ouvi anteriormente.

— Né?! A primeira geração da família real era uma bosta!

A garota se levantou do chão, fechando o livro.

— Acho melhor voltar a trabalhar. Gostei de contar essa história para você. Se quiser, te conto mais. Talvez amanhã?

— Ah! Sim! Adoraria isso!

— Certo. Amanhã, aqui no mesmo horário, tá bom?

— Tá bom!

Foi uma conversa bastante legal. Dante aprendeu sobre Astaroth e tinha um encontro para leitura à sua espera no dia seguinte. Obviamente ele não entendeu o encontro literário como algo romântico, por isso que não ficou envergonhado, ainda mais por ser uma garota que lhe chamou.

Só que havia um porém, ele ainda não resolveu seu probleminha anterior.


“Ai… Então acabei de receber um “Astaroth director’s cut”? Na verdade, não sei se classificariam assim. Mas mesmo assim, se é tão perigoso se autoproclamar como alguém imortal, realmente é melhor esquecer de qualquer forma. Não iria contar de qualquer maneira, mesmo se isso não fosse um tabu, até porque não acho que alguma pessoa acreditaria.”

Dante estava dentro da imensa banheira da mansão. Assim como no anterior, os banheiros também eram divididos entre o sexo masculino e feminino. E o balneário era tão grande ou maior do que o antigo.

“Até agora não descobri o motivo de o beijo não ter sido conforme as expectativas…”

O jovem a socar repetidamente e rapidamente a sua cabeça.

— Aí, você tá bem? Cê tá estranho desde hoje de manhã.

Quem disse isso foi Ren que estava junto dele naquele balneário.

Só um adendo: desde que Dante conversou com Emi, já se passaram algumas horas. Nesse momento, era quase o horário onde as pessoas normalmente dormem. Inclusive, o jovem esteve acordado desde a madrugada por causa de Angel, e não chegou a descansar nenhuma vez. Seu rosto estava visivelmente cansado.

—Ah! Sim! Estou sim! Só com um pouco de sono. Pera, desde quando você está aqui? — Bocejou.

— Há alguns minutos.

— Entendi. Antes de eu vir para cá, nunca tomei banho junto de outras pessoas. Foi quando comecei o trabalho pela primeira vez que tomei banho junto de alguém. Acho que já estou acostumado.

— Você trabalhou por três meses na primeira vez. Acho que ficaria uma hora ou outra.

Ren se espreguiçou e encostou suas costas na borda da imensa banheira.

Por falar nele, o rapaz também veio do Japão, então Dante achou válido falar sobre o que havia descoberto nos últimos tempos.

— Ren!

— Oi. Cê usou o meu nome.

— Talvez você não acredite, mas deixo te contar uma coisa!

Contou que descobriu que este mundo não fazia parte do Planeta Terra, e que eles estavam em um outro mundo, mas agora sem uma passagem de volta para o seu anterior.

O “continente” que fazia parte do mundo de Olden, era só uma parte. Sobre a população do Planeta Terra, eles eventualmente esqueceriam sobre a existência desse local. Ele só não revelou nada sobre as deusas e anjos, muito menos os demônios.

— Uau! Isso é sério?

— Mais sério do que nunca.

— Sabe, cara, tava imaginando isso. E até que faz sentido, considerando que a Chloe é uma demi-humana. Mas, como você descobriu isso tudo?

— Uh… Segredo.

— A Chloe é uma demi-humana?

Quem disse isso não foi nem Dante e nem Ren. Os dois se viraram, e avistaram Vergil enrolado em uma toalha na parte de fora da banheira, olhando para eles com um uma sobrancelha levantada.

Nenhum deles havia percebido a presença do mordomo naquele local, e aquilo foi uma completa surpresa. E com isso, eles se lembraram que Chloe havia pedido para não revelarem essa informação, porém, acabou vazando.

“Ferrou!”

Essa foi a única coisa que conseguiram pensar.

Rapidamente, Dante e Ren abaixaram suas cabeças na borda da banheira. Suas mãos estavam encostadas no chão, como se tivessem tentando empurrá-lo, e suas testas completamente encostadas no piso. Isso aconteceu em sincronia.

— O que vocês estão fazendo?

Vergil questionou a situação que estava acontecendo.

— S-Senhor Vergil, por favor, não revele isso pra ninguém! A gente prometeu para à Chloe.

Tremendo por causa desse segredo revelado, Ren suplicou.

— S-Sim! Por favor!

Dante complemetou.

O fato de Chloe ter escondido sua identidade, foi por causa do preconceito contra os demi-humanos. Aparentemente a escravidão não é algo que todos sofrem, a não ser se forem vendidos quando crianças, como aconteceu com Freya. Bem, não foi presenciado nada parecido até o momento por Dante.

Porém, o preconceito era bem iminente em Schalvalt e, até onde se sabe, só nesse país.

Ren não compreendia isso, porque não viu acontecer. Mas, como não queria perder a confiança de sua colega de trabalho, também estava suplicando.

— Relaxem. Se é um segredo vou contar nada não.

Os dois levantaram suas cabeças e olharam para Vergil com brilhos nos olhos.

— Obrigado, senhor! — eles exclamaram.


“Bem, e no fim eu ainda não descobri o porquê daquele beijo não ter sido como imaginava. Já repeti isso quantas vezes hoje?”

Dante estava deitado na cama de seu novo quarto no trabalho. Não era um quarto tão grande, e havia apenas uma cama de solteiro e uma escrivaninha como móveis. Tinha uma janela que era iluminada pela luz da lua.

Usava seu conjunto de moletom como um pijama. Mesmo com muito dinheiro, ainda não tinha suas próprias roupas.

Esse questionamento do garoto durou o dia inteiro, e até agora não sabia a resposta.

“Está decidido! Amanhã vou perguntar para alguém experiente nesse assunto!”

Estufou o peito e se cobriu com o cobertor. Como estava acordado o dia inteiro, desde a madrugada, dormir naquele momento não foi nenhum problema.

E assim se finalizou um dia nada produtivo para esse questionamento.


O dia seguinte havia chegado, e o garoto estava pronto para tirar suas duvidas.

“Não tenho nenhuma experiência com romance, e não sei o que pensar sobre isso… Com quem eu falo sobre esse meu problema?” 

Para a conveniência do garoto, ele se encontrou com Vergil que estava regando um vaso de flores.

— Ei, senhor Vergil!

Dante andou com passos acelerados até ele.

— O que foi, meu jovem?

— Posso te fazer uma pergunta? Eu meio que bei… Uh! Quero dizer! Li em um livro uma cena onde o protagonista beijava uma garota.

Dante ia falar que havia beijado Angel, mas isso seria tão vergonhoso que decidiu mentir na hora.

— Só que o cara ficou decepcionado com aquilo, mesmo o beijo não ter sido ruim. Você, que é velho e sábio, poderia me explicar o motivo disso?

Vergil olhou para o garoto com a mão em seu queixo. Olhou para cima enquanto pensava em uma boa resposta para lhe entregar.

— Deve ter sido um beijo sem amor. Se esse cara estava imaginando algo como vemos em teatro ou livros, descritos como coisas lindas e apaixonantes, então ele se enganou feio. Pensar que beijar uma garota é a mesma coisa do que beijar uma pessoa que você ama, é algo precipitado. Em resumo, se esse protagonista queria sentir uma sensação apaixonante, teria que estar apaixonado por essa moça antes.

Em resumo: Dante se decepcionou porque achou que ia sentir fortes emoções naquele beijo. Claro, ele gostou e achou um pouco vergonhoso, mas também esperava algo como se via em mangás de romance, por exemplo. Ou seja, era muita expectativa para uma pessoa que tinha um conhecimento zero sobre o assunto.

— Mas, meu jovem, não sei o porquê, mas acho que o que você falou foi muito específico, não?

— Quê?! O que você está querendo dizer?

— Esse tal protagonista é você, né?

Dante encolheu de vergonha quando Vergil descobriu seu disfarce.

— C-Claro que não!

— Heh. Relaxa, só estou brincando.

Bem, e assim a dúvida do garoto foi sanada. No fim, ele não tinha um real interesse em homens e só criou muitas expectativas. Com a resposta que o velho mordomo deu, já ficou satisfeito.

“Pera, mas por que a Angel me ofereceu um beijo? Será que… ela gosta de mim?”

Infelizmente, Dante não parava de pensar ou entender sobre aquela situação. E agora ficou com esse pensamento em mente.

Olá, eu sou o Master!

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