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Debaixo da cama, o silêncio tenso persistia enquanto os amigos tentavam processar o que acabara de acontecer. A escuridão ainda pairava sobre a cabana, e a atmosfera parecia carregada com a lembrança da presença sombria que os visitara.

Finalmente, Kraus quebrou o silêncio, expressando a perplexidade de todos.

— Mas o que diabos foi que acabou de ocorrer?

Os outros permaneceram calados, ainda em choque, tentando assimilar a proximidade do perigo que havia rondado a cabana. O susto ainda se refletia em seus olhares, e palavras pareciam insuficientes para descrever a estranheza do evento.

Enquanto tentavam encontrar alguma explicação, Sophia sentiu algo pequeno e peludo em sua mão. Um grito involuntário escapou de seus lábios quando percebeu ser uma aranha.

— Ah! Argh! Tirem isso de mim! — exclamou, sacudindo a mão para se livrar da pequena intrusa.

Os dois garotos, agindo por impulso, taparam a boca da garota para abafar seu grito. A tensão momentânea cedeu lugar a um momento de alívio, mas a expressão de Sophia mudou para uma mistura de susto e lágrimas.

— Vocês estão malucos? Podiam ter me matado de susto! — sussurrou ela, enquanto lagrimas rolavam por suas bochechas.

Ambos trocaram olhares, percebendo a gravidade do que acabara de ocorrer. Tentaram acalmar a menina, mas a situação já havia deixado uma marca indelével em todos.

Enquanto se acalmavam, o ambiente ao redor começou a retomar uma aparência mais normal. A escuridão da noite ainda persistia lá fora, mas na cabana, a luz fraca da lua filtrava pelas janelas, revelando a poeira dançante no ar.

A aranha, agora esquecida, deslizou para longe, procurando seu próprio refúgio. Os amigos, ainda encolhidos em seu esconderijo, começaram a notar a quietude restaurada. A aura sinistra havia se dissipado, mas a memória do evento continuava viva em seus pensamentos.

— Isso foi… estranho… Nunca vi nada parecido — o garoto murmurava.

O outro assentiu, ainda processando a série de eventos inexplicáveis.

— Não sei o que era, mas senti como se algo muito ruim estivesse bem aqui, conosco.

A jovem, apesar da assustadora surpresa, tentou sorrir para acalmar os amigos.

— Acho que precisamos entender melhor o que está acontecendo. Não podemos deixar o medo nos paralisar.

Enquanto conversavam, a porta da cabana rangeu suavemente com a brisa noturna. A noite continuava, mas agora, havia algo além das sombras que se movia nas profundezas da escuridão.

Com cuidado, os amigos saíram de debaixo da cama, ajudando-se mutuamente a se levantarem. Lukky acendeu uma pequena chama em seu dedo, proporcionando uma luz suave na escuridão como se fosse uma vela. No entanto, seu colega rapidamente alertou:

— Cara, talvez tenha sido isso que chamou a atenção da… da coisa lá fora. Talvez devêssemos evitar luzes por enquanto.

Um silêncio pairou sobre a cabana enquanto absorviam os sons da noite, apenas os grilos quebravam a quietude com seu canto monótono. E em resposta, como se tentasse dissipar a tensão, disse algo descontraído:

— Bem, parece que essa pequena trama de horror acabou, não é? Tenta relaxar um pouco!

A garota, ainda limpando a mão que tocara na aranha, interveio com seriedade:

— Não sei. Precisamos ter muito cuidado. Isso não foi normal. Kraus, talvez seja uma boa ideia reler o diário. Pode ter mais informações que não vimos.

Ouvindo o chamado, concordou e pegou o diário da mesa. Nosso jovem, mantendo a chama em seu dedo, iluminou o livro enquanto folheavam cada página. Após pouco tempo notou-se duas folhas coladas que quando descoladas revelou um desenho malfeito de uma figura peluda com uma cabeça que lembrava um crânio de alce e chifres do mesmo animal. Abaixo do desenho, estava escrito “Wendigo”. Parecia mais uma representação rudimentar do que uma descrição detalhada.

— Wendigo? O que é isso?

A garota, olhando por cima do ombro dele, murmurou:

— Ouvi falar disso antes. Dizem ser uma criatura do folclore, associada a eventos sobrenaturais e até canibalismo.

Kraus, com uma expressão séria, continuou lendo as anotações que acompanhavam o desenho. O mesmo, com a luz fraca da chama de seu amigo, começou a ler as palavras que acompanhavam o desenho tosco do ‘Wendigo’. O texto parecia formar uma espécie de poesia, uma narrativa sombria e misteriosa:

“Na noite sombria, quando o vento sussurra,

E a lua esconde-se atrás de uma nuvem escura.

O Wendigo desperta, seu uivo cortante,

Anunciando sua presença, um presságio inconstante.

Com chifres como galhos, olhos vazios e frios,

Ele emerge da sombra, onde o medo é seu aliado.

Pelos bosques vagueia, um espectro faminto,

Caçando almas-perdidas, seu destino sinistro.

Das lendas antigas, seu nome ecoa,

Uma criatura antiga, que o tempo abençoa.

Canções do passado, histórias de terror,

O Wendigo, a fera, que anseia por horror.

Sob a luz trêmula da vela, não ouse murchar,

Pois o Wendigo espreita na escuridão, a se deslumbrar.

Cuidado com seus passos, evite seus olhos,

Pois na sua presença, o terror se aninha.

Se cruzar seu caminho, reze por salvação,

Pois o Wendigo, faminto, não conhece redenção.

Um ser de invernos profundos, um flagelo noturno,

O Wendigo dança, um conto taciturno.”

Ao terminar a leitura, se olharam sentindo um arrepio percorrer suas espinhas. O conto do Wendigo, embora escrito de maneira poética, trouxe uma sombra adicional à já tensa atmosfera da cabana. Ainda segurando o diário, ergueu os olhos para ambos com uma expressão séria.

— Já li sobre wendigos, mas não havia nada sobre criar um miasma negro. No entanto, dizia que bestas evoluídas, poderiam desenvolver habilidades desconhecidas, então talvez isso seja uma nova faceta deles — franziu a testa, tentando compreender.

— Evoluir? Isso significa que não enfrentamos apenas um wendigo, mas um… wendigo evoluído? Isso não faz sentido.

— Não vamos nos desesperar! Talvez haja uma explicação para tudo isso! — o garoto respirava fundo, compartilhando um olhar determinado com os outros dois.

Kraus, com um olhar de compreensão, relembrou algo mais do que havia lido.

— Há uma coisa que sei. Wendigos têm uma fraqueza: o fogo. Se conseguirmos criar uma chama forte o suficiente…

Nesse momento, os olhares se voltaram para Lukky, que ainda mantinha a pequena chama em sua mão. 

— A lareira! Ele apareceu aqui pelo fogo na lareira! — a garota exclamou. 

Lentamente começaram a entender o porquê de sua estranha aparição.

— Mas por que um wendigo evoluído? Isso não é comum, nem nos contos mais obscuros — Kraus, irritado com a falta de respostas claras, chutou o baú que estava no canto da cabana.

Para sua surpresa, o baú se deslocou, revelando um alçapão no chão, com uma escada que levava para as profundezas da terra.

— Ai! Droga! Isso doeu! — reclamou, massageando o seu pé que acertou o baú com força.

— Vejamos… Parece que sua crise de raiva serviu para alguma coisa. Quem diria haver um segredo escondido aqui? — a menina disse, olhando para o alçapão com curiosidade. 

— Parece que o dono dessa cabana era mais interessante do que pensamos… — o garoto sugeriu, se aproximando do alçapão, o iluminando-o 

O alçapão era de madeira, mas estava podre e rachado com um certo cheiro de mofo. Parecia que ninguém o abria há muito tempo. Ergueram a tampa com cuidado, revelando uma escuridão profunda. Tentaram iluminar um pouco o interior, vislumbrando um lugar mais decadente do que a própria cabana. Não havia escada, apenas um buraco, fundo e escuro.

— Não sei vocês, mas para mim isso parece um pínico. — Lukky disse, fazendo uma careta.

— Que nojo! Não fale essas coisas! — Sophia disse, enojada.

— Relaxa, mas eu não desço aí primeiro nem ferrando, imagina chegar lá e estar cheio de… Vocês sabem o que — disse fazendo um gesto obsceno.

— Realmente, só tem um jeito de decidir quem vai descer primeiro… Ou você se oferece para descer, Sophia? — Kraus dizia enquanto a olhava

— Eu? Nem se eu estivesse morta, é com vocês dois! 

Os dois garotos coçavam a cabeça, pensando em uma solução. Logo tiveram a mesma ideia. Ambos começaram a mexer as mãos e falar:

— Pedra… Papel e tesoura!

Mostraram as suas mãos ao mesmo tempo. Lukky fez pedra, e Kraus fez papel.

— Haha! Eu ganhei! Você desce primeiro! 

— Ah, não valeu! Vamos de novo, melhor de três! 

— Tá bom, tá bom, vamos lá.

Repetiram o gesto. Lukky fez tesoura, e Kraus fez pedra.

— Haha! Ganhei de novo! Você desce primeiro, Lukky! 

— Ah, não valeu de novo! Vamos de novo, melhor de cinco! — o jovem insistia sem aceitar a falta de sorte.

— Tá bom, tá bom, mas é a última vez!

Fizeram o gesto mais uma vez. Lukky fez papel, e Kraus fez tesoura.

— Haha! Ganhei de novo! Você desce primeiro, Lukky! — Kraus disse, triunfante.

— Ah, não valeu de novo! Isso é trapaça! — Lukky disse, revoltado.

— Não é trapaça, é sorte. E você não tem nenhuma. Agora aceita que dói menos, e desce logo. — Kraus disse, empurrando Lukky para o buraco.

— Mas que droga! Odeio esse jogo! Odeio esse alçapão! Odeio esse wendigo! Odeio esse universo! — dizia enquanto era empurrado contra a sua vontade.

Se rendendo ao destino cruel, se agachou e segurou na borda do alçapão, olhando para baixo iluminou o buraco com a sua chama, procurando ver o fundo daquele lugar.

— Anda logo e pula aí, cara! — Kraus disse, impaciente.

— Tá bom, tá bom, eu vou. Mas se eu morrer, a culpa é de vocês — Lukky disse, nervoso, pulando para dentro do buraco.

 Sua chama se apagou pelo atrito do ar em sua queda, deixando-os na mais completa escuridão. Seus amigos ficaram na cabana, começando a se arrepender de terem feito seu colega descer sozinho. Eles se entreolharam, ansiosos e curiosos, esperando que Lukky fosse a luz naquela maldita escuridão…

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