Volume 1 Capítulo 0.5: Um mundo sem memória – Parte 1

A Distopia de Tykon

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Capítulo 0.5

Um mundo sem memória – Parte 1

 

 Não havia nada naquela sala vazia… ou melhor, naquele mundo. Tudo era apenas um simples quarto de madeira onde a luz do sol, que não existia, passava por uma janela. Esse pequeno mundo é simples. Nada morre. Nada nasce. Além da janela, apenas podia-se ver uma vastidão sem fim de verde e um céu azul radiante. Quaisquer descrições deste lugar seriam vagas, pois apenas resta acrescentar que nele havia alguém… Talvez ”alguém” fosse uma palavra forte demais. Aquilo não passava de uma existência. Não passava de uma simples criança. 

Segurando seu brinquedo favorito enquanto olhava pela janela, diz:

— Sr.Coelho, gostaria de ouvir uma história?

— …

— Que bom!

 Até mesmo sua existência tornava-se vaga. Essa criança, embora fosse complicado dizer seu gênero de nascença, apenas vestia um tecido branco que cobria sua delicada pele. Como se fosse um conjunto, seus cabelos eram tão grisalhos e finos que pareciam transparentes. Conversava sozinha… Não. Conversava com seu brinquedo favorito nesse momento. Porém, naquele lugar, indigno de ser chamado de ‘’local’’, apenas soava o som de sua voz que lembrava um sino.

— Era uma vez, um mundo divertido e cheio de pessoas…

 Com seu adorável sorriso meigo, falava como se alguém estivesse ouvindo suas palavras.

— Onde todo mundo brincava e brincava sem parar, sem nunca cansar.

 Naquele quarto frio, onde sempre esteve, sentia sempre um Jamais vu quando o observava atentamente. Por mais que sempre estivesse lá, por mais que sempre existisse lá, nunca se lembrava deste lugar da mesma maneira. Talvez fosse poético, se não fosse a sua realidade. Todos os… o que pode-se dizer que são ‘’dias’’, se passavam, porém nunca reconhecia o lugar onde se encontrava. Parando para pensar, talvez nem mesmo o sentido de tempo pudesse existir ali.

— …Mas com o passar dos anos, uns foram querendo os brinquedos dos outros… e isso gerou uma baita briga. Eles começaram a brigar e a brigar cada vez mais, por inveja. Muitas pessoas que estavam felizes acabaram ficando tristes também, sabe? 

 Estava sentada em uma cadeira de madeira, com seu amigo no colo, enquanto balançava suas pequenas pernas para lá e pra cá. Observava a vastidão do verde sem vim pela janela, como se algo ali pudesse mudar a qualquer momento. Seus olhos azuis, cuja íris era em formato de estrela, brilhavam como nunca.

— Mas aí, uma deusa beeeem gentil ouviu o pedido de seus filhos. E então, ela refez aquele mundo, do zero. Fez tudo de novo com as suas doze irmãs. Criaram um mundo onde tudo podia ser possível. Agora existiam diversos tipos de pessoas diferentes, e agora o foco deles não poderia ser mais o próprio egoísmo.

 A pequena mocinha suspirou com a bela história que contou para si mesma. E, com os olhos fechados, pensou: e se?

— Ei, Sr.Coelho, aqui não é muito solitário?

— …

— Eu também acho… Seria bom mais amigos, não é?

— …

— E se… tivermos mais um amigo para brincar com a gente! Não seria divertido?

— …

— É verdade, um novo amiguinho lobinho seria muito legal!

 E assim, continuou ali. Não tinha para onde ir. Não existia nada além disso. Apenas poderia conversar com seu melhor amigo favorito e contar histórias que inventava. Porém, neste pequeno mundo muitas coisas ainda poderiam acontecer. Neste pequeno mundo, as cortinas para uma grande peça foram erguidas.

Aviso do Tradutor:

Wiker

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