Volume 1 Capítulo 1.5: Um mundo sem memória – Parte 2

A Distopia de Tykon

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Capítulo 1.5

Um mundo sem memória – Parte 2

 

— Que fofinho!

 Lá estava, aquele mundo onde nada além de um mísero quarto existia. Pela janela apenas se podia ver a vastidão de um terreno verde infinito e um céu azul que não contém sol. Naquele lugar, triste e solitário, morava uma criança de aparência andrógina. Naquele lugar, onde nada morria e nem nascia, onde o próprio conceito de  tempo era questionável, morava uma criança feliz.

— Sr.Coelho, conheça o corajoso Lobinho!

 Essa criança tinha um longo cabelo grisalho quase transparente, e apenas uma fina seda branca cobria sua pele delicada e quase pálida. Estava sentado, de pernas cruzadas, com seu mais novo amigo de um lado e seu melhor amigo do outro. Seu sorriso era verdadeiramente infantil, e não carregava nem um pingo de tristeza. Estava se divertindo naquele mundo onde nenhum ser vivo nascia.

— Ele lutou bravamente contra quem injuriava dele, e então, com muita coragem, salvou a todos! Hahaha!

 Na verdade, talvez ‘’mundo’’ seja também algo questionável de se dizer… Aquilo era tudo que existia. Bom, assim como nada existe, nenhuma resposta também poderia existir naquele nefasto universo.

— Éh?! Não me diga que você está com ciúmes, Sr.Coelho? Haha! Não precisa ficar triste assim, vocês dois são meus incríveis amigos!

 Seus melhores amigos eram sua única fonte de diversão naquele quarto além do tempo, vida e morte.

— O Lobinho é muito corajoso e forte. Ele protegeu seus amigos, que eram vítimas de muita gente má. Isso por causa de que uma bela deusa, muito bondosa, apareceu e os ajudaram a serem livres dessas pessoas más. Fim! Não é uma história interessante, Sr.Coelho?

— …

— Que bom! Eu também acho isso! Agora todos somos amigos, não é?

— …

— Não?

— …

— Ah, é verdade… não somos amigos… Somos uma família! Eu amo vocês!

 Ela abraçou seus amigos… sua família com bastante afeto e carinho, desejando não muito mais do que isso. Neste quarto, agora não mais solitário, vivia uma criança feliz.

— Mas… sobre o lobinho…

 Agora estava deitada no chão, com sua família nos braços, enquanto olhava para o teto pensando: e se?

— Ei, somos que tipo de membros em uma família?

— …

— …

— Ah! Verdade! Somos irmãos!

 Seu sorriso inocente poderia esquentar qualquer coração.

— Mas, eu me pergunto, precisamos então de uma mãe, certo?

— …

— …

— Sim. Sim. Concordo… Hmmmm… O que fazer…

 Franzia a testa com a mão no queixo enquanto pensava em uma solução para seu problema.

— E se… tivéssemos uma mãe?

— …

— …

 E com isso, aquele mundo permaneceu o mesmo. Na verdade, era impossível acontecer qualquer mudança… talvez… não se sabe. Não há respostas para perguntas inexistentes. Tudo pode acontecer em um lugar onde nada acontece. Mas, no final, não se sabe se isso realmente aconteceu, afinal, esse é o agora que nunca existiu.

Aviso do Tradutor:

Wiker

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