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Primeiro Ato

Quando mergulha, Romero despenca nas profundezas das águas, que parecem infinitas, uma dimensão acessível apenas ao seu mestre. Lá embaixo, ele vê os pés de Hideki movendo-se sobre a fina parede que separa os cenários. Ele caminha atentamente pelo deserto de sal, enquanto os olhos de Romero são lentamente preenchidos pelo azul profundo. Seus cabelos ondulam ao seu redor, como se dançassem nas correntes invisíveis da água.

O sangue de seus ferimentos no braço e no peito dançam no ritmo das águas, até que sua aura preencha cada centímetro de seu corpo, brilhando tão intensamente quanto a luz da manhã, os fechando.

E em questão de instantes, como uma explosão, ele irrompe das águas, lançando gotas para cima, ofegante e com um olhar determinado adiante, chamando a atenção de seu prometido assassino.

— Você não morre de jeito nenhum! — exclama o homem, arrastando sua lâmina ao redor e girando-a entre os dedos.

Romero responde com um sorriso sem jeito diante da afirmação, e determinado a encerrar aquele embate, encara da ponta do cabo à lâmina da lança negra nas mãos de Hideki.

— Será você e essa lança… — murmura, erguendo a mão esquerda próxima ao rosto, emanando uma aura levemente esverdeada.

— É, ela será minha única companheira de combate! Assim, consequentemente, sua técnica restritiva não ativa! — Hideki afirma, apontando sua lâmina como uma flecha sobre a palma de sua mão, diretamente para Romero.

— Como!? Maldito! — ele indaga, perplexo, e então, em um movimento, chuta suas águas cristalinas e envolve seu braço restante nela, — Reflexio, Pulsatio Continua! — sua voz entoa, e então, um pulsar atinge as gotas de água e se intensifica, como uma onda de choque, alcançando Hideki no mesmo instante.

Cada reflexo aumenta a potência de seu feitiço, mera expansão de seu domínio. E como um disparo sônico, o golpe cria ondas concêntricas ao seu redor.

— Merda! — resmunga Hideki no instante em que é atingido, sentindo uma pressão tão esmagadora que, se não fosse pela rigidez de seus músculos, teria todos os ossos quebrados. Sangue escorre de seus ouvidos e lábios.

— No próximo movimento, você será morto! — ele promete, começando a correr em sua direção. Em um piscar de olhos, já está diante de Romero. Hideki tenta acertá-lo em linha reta, mas Romero desvia, antecipando seu próximo movimento. Ele então agacha a lança e a joga para o lado, à esquerda.

E num instante, Romero agarra as águas em suas mãos e as joga para cima, atingindo Hideki. Ele o pega de surpresa.

— Reflexio, Pulsatio Continua! — profere, desferindo mais um ataque.

Outro pulsar invisível atinge o rosto de Hideki, e sua cabeça explode instantaneamente, espalhando sangue e miolos pelo ar, manchando as águas cristalinas. Os ossos de seu crânio são esmagados pela pressão, pulverizados no mesmo instante, seus órgãos rompidos e seus vasos sanguíneos explodidos.

Romero, sem descansar, coloca as mãos sobre o corpo decapitado, segurando-o para não cair. Em um movimento calculado, cristaliza a metade superior do corpo de Hideki. E com um chute frontal envolto em sua aura, ele destrói a figura como se fosse feito de gelo fino.

Metade do corpo se converte em uma chuva de carne moída congelada. Da cintura para cima, os restos caem com um baque nas águas, agora imundas e tingidas de vermelho.

Como último suspiro de seu ser, a lança dele cai aos pés de Romero e desaparece no ar, desfazendo-se em fragmentos roxos e negros.

O confronto, enfim, termina…

O silêncio toma conta do ambiente, interrompido apenas pelo som das águas agitadas, agora contaminadas pelo sangue. Romero respira pesadamente, sentindo o peso da batalha recém-terminada. Seus olhos, fixos no espaço onde Hideki jazia, refletem a mistura de alívio e exaustão.

— Enfim… — ele murmura, cruzando os dedos e encerrando seu domínio inato. O véu dimensional que separava aquele mundo do real cai, e o resto do corpo jaz no terreno devastado do embate.

O sangue jorra, perfeitamente separado das águas, escorrendo aos pés do moribundo. Romero suspira, suas pernas trêmulas pela iminência da morte. Mas esse alívio é breve…

O ar ao redor parece vibrar com a energia residual do combate. O véu entre os mundos oscila, dissolvendo-se lentamente. A realidade se reestabelece, trazendo consigo uma estranha sensação de calma após a tempestade. As sombras que haviam dançado e se contorcido durante a batalha recuam, sendo engolidas pela luz crescente do dia.

E então Romero ajoelha-se, tocando a superfície do chão tingido de sangue. Seus dedos trêmulos deixam rastros nas areias vermelhas, enquanto sua mente navega pelos eventos passados.

O cenário ao redor, antes um caos de escuridão e destruição, começa a revelar sua beleza oculta. A luz do sol nascente tinge o céu com um gradiente de cores vibrantes, e a névoa da batalha se dissipa lentamente.

Romero levanta-se lentamente, sentindo a terra firme sob seus pés. Sua mão, ainda suja de sangue e suor, treme ligeiramente, mas há uma força renovada em seu olhar. Ele ergue o rosto para o céu, deixando que a brisa fresca lave os vestígios do conflito de sua pele.

Ele caminha lentamente pelo entorno do cadáver.

— Enfim… — repete, desta vez com uma nota de resignação e renovação em sua voz. As sombras se dissolvem na luz do futuro, e ele avança, carregando consigo a força de mil batalhas e a promessa de perseverança.

Mas, diante de seus olhos, sombras começam a envolver o que resta do corpo de Hideki. A aura negra novamente o envolve, e em um instante, cada pedaço, cada fragmento do homem retorna em um movimento grotesco. Seus órgãos se reorganizam dos pedaços, guiados por mãos de escuridão. Seus ossos se refazem do pó, o sangue e a carne se juntam como uma tapeçaria de terror, e ele voltou, sem camisa, emergindo das trevas como um pesadelo renascido.

Em sua face, um sorriso surge, meio psicótico. Não há sanidade que resista a isso, um minuto morto significa um minuto no abismo dos mundos, onde o tempo e a realidade se distorcem em horrores inomináveis.

Aquele sorriso, uma cicatriz de loucura, reflete a profundidade da escuridão que toca sua alma.

O iluminado testemunha algo aterrador desenrolar-se nas costas de Hideki, completando sua aura e ser: chifres surgem, esculpidos na escuridão, como manifestações de seu poder demoníaco. A sombra se desdobra em sua palma, e adagas em forma de lua emergem, endurecidas e afiadas como os dentes de uma fera.

Hideki, uma figura de terror encarnado, avança com uma única intenção clara e devastadora: o finalizar!

Em câmera lenta do espanto, ele avança, seus pés esmagando o chão com uma força brutal, cada passo ecoando como um trovão. Um poder incompreensível emana de seu ser, uma força primitiva e avassaladora que distorce o ar ao seu redor.

E as adagas em suas mãos, completamente abissais e sinistras, são usadas para desferir o golpe final!

Sentindo o peso do destino à sua frente, Romero firma sua postura. O mundo ao seu redor parece se contrair, como se prendesse a respiração em antecipação ao movimento final. A tensão no ar é palpável, quase elétrica, uma sinfonia de medo e determinação.

Seria o fim de Romero se “ele” não interviesse, naquela maré de destruição iminente.

— Quem é você!? — Indaga “Hideki”, sua voz ecoando pesadamente e abafada. Seus olhos se despedem do brilho negro, enquanto ele range de dor ao ter seu braço segurado, como se a presença sombria cessasse naquele instante.

Esse alguém estava entre eles.

— Um demônio!? — murmura Romero, engolindo em seco enquanto a adaga do adversário roça em seu pescoço. Sente a escuridão emanada pela lâmina se dissipar próximo ao seu rosto, experimentando seu calor.

— Já basta, Bezeel! — diz a voz dele, firme e imponente, encarando Hideki paralisado por àquele instante. A criatura que emerge possui traços finos e elegantes, é Asmael, que como uma serpente, aguardou à espreita até aquele momento. Aqueles cabelos vermelhos tomam os olhos de Romero, e em um olhar fugaz, ele encara o iluminado, antes de desaparecer…

“Per benedictionem abyssi, concede mihi potentiam mutandi realitatem, tempus!”, ressoa de sua voz, palavras malditas que evocam sua dádiva do abismo, sua Chronocracia Infernal.

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Olá, eu sou o David C.O!

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