Capítulo 3 – Pedido

Através do Tempo

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Arya se vira vindo em minha direção com um olhar determinado, ao parar na minha frente se acalma, puxa sua respiração o mais profundo que consegue e solta o ar reprimido criando coragem.

— Me… Me leve em um encontro! — fala determinada.

— Eh? EEEEEEEEEEEEEEH?

Do que diabos essa garota está falando? Olho no rumo da gerente, que cutuca seu marido com o cotovelo nas costelas cochichando algo em seu ouvido. NÃO PENSEM BESTEIRAS SEUS DOENTES! O rosto de espanto é visível em mim e, de alguma forma ela não está nem um pouco constrangida.

— Por acaso você sabe o significado dessa palavra?

Concordando com a cabeça me responde: — Quando você quer pedir para uma pessoa te levar em algum lugar…

— NÃO, NÃO, NÃO! Não tem nem um pouco a ver com isso — digo incrédulo, coloco a mão em meu rosto mostrando minha indignação — Simplesmente chegue na pessoa e peça para que ela te leve em algum lugar, simples assim, as pessoas podem ter o pensamento errado.

Olho diretamente para a gerente e seu marido que tentam disfarçar com assovios.

— Muito bem! Pode me levar em um lugar?

Essa garota é impressionante de todas as formas possíveis, quem é a pessoa que te ensinou isso? Quero dar um tiro nela agora mesmo. Levanto-me e pego minha mochila, guardando o livro dentro dela. Estava tão ansioso por essa leitura, espero que seja algo urgente fedelha.

— Vamos para outro lugar, aqui não é um local adequado para conversas — falo saindo pela porta — Coloque na conta por favor!

A gerente acena com a mão e mostra um olhar curioso, mas era certo que estava pensando em coisas maliciosas nessa mente dela, sinceramente.

— Onde quer que eu a leve?

Indecisa, pensativa e duvidosa define bem sua expressão nesse momento. Como alguém pede para que a leve em um lugar e nem mesmo sabe o nome ou especificamente onde fica? Pode ser que ela só não conhece a cidade, ou só é extremamente burra. Demorou alguns minutos para uma meia resposta sair.

— Zo…Zo-Zooló…

— Você quer que eu a leve no zoológico?

Ela me olha com brilho em seus olhos e uma expressão feliz. O que leva uma pessoa a ter uma personalidade assim? Espero que não seja contagioso… espero.

— Porque esse lugar? — pergunto curioso.

Em seguida, sua expressão se entristece, não tendo toda aquela animação de antes.

— De onde venho… não possuem lugares assim — diz sorrindo forçadamente, olhando para o céu azul da manha — Por isso, estou tão empolgada em visitar esse lugar.

Pela primeira vez desde que nos encontramos, seu rosto não expressa um sorriso bonito e alegre e isso fez meu coração doer por algum motivo. Aperto meu peito sobre a blusa, algo dói, mas não sei especificamente o motivo.

— Não se preocupe… te levarei lá.

Depois dessas pequenas e simples palavras, o sorriso se torna alegre novamente, por algum motivo não quero que esse sorriso desapareça.

#34#

Um grande lago onde contém inúmeros hipopótamos se banhando, um lugar cheio de elefantes sobre uma planície de areia, com pedras rochosas como muro e na frente algumas árvores como local de sombra para eles. Ao lado um grande local espaçoso com árvores espalhadas, planície de areia, algo refrescante, é onde os búfalos ficam. Inúmeros biomas são encontrados nesse zoológico, mas o que mais chamou a atenção dela foi…

— UAAAAU! Isso é um leão? Um leão de verdade? — pergunta Arya apontando o dedo em direção do leão pendurada sobre as grades.

— EEEI! — puxo ela para trás — Está doida? Quer que nos expulsem quando mal acabamos de chegar?

Arya faz um olhar de desentendida.

— Tehe… — fingindo, efetua um pequeno barulho estranho com a boca.

Minha expressão? Nem preciso falar.

— Tehe é uma ova. Escuta aqui, você não pode fazer isso. Já pensou se você cai lá embaixo? Não sobrará nada nem para contar história.

“Hum… Cadê ela?”

Num piscar de olho ela some da minha vista. Começo a procurar olhando em volta.

“Te encontrei.”

Avisto Arya andando para um lado e para o outro como se não houvesse um amanhã. Caminho em sua direção devagar, não quero interromper esse momento em que parece estar tão feliz. No caminho em que estou andando possui várias barracas diferentes. Desde tiro ao alvo, de brinquedos, ursos de pelúcia, doces e variados tipos diferentes. Paro em frente a uma que vende algodão-doce e, acabo comprando um para mim e outro para Arya.

“Onde essa garota se meteu agora?”, penso olhando por cima da grande multidão a minha frente.

Acabo encontrando-a entrando no aquário do zoológico e sigo na mesma direção. Na porta de entrada, me deparo com uma placa.

“Não recomendado para pessoas com claustrofobia…”

Após abrir a porta de vidro, existe uma escada de dez degraus para levar até a parte mais baixa, um pouco escuro contando somente com a iluminação do sol que entra pela entrada. Após uns três metros, é possível ver um reflexo azul e, finalmente chego na parte mais linda desse zoológico. Tubos de vidros seguiam uma direção contínua até cinco metros à frente, seguindo de uma meia curva para o lado direito.

A água transparente meio azulada já era linda de se ver, mas as pedras cobertas pelo lodo, algas e plantas aquáticas faziam que as pessoas entrassem em transe olhando através do tubo de vidro. Ando mais adiante e já é possível observar as variedades de espécies de peixes, desde peixe-palhaço, peixe-borboleta-bicuda e o peixe Flame Angel, mas o que mais chamou a minha atenção foi o peixe-mandarim.

Sério, esse belo e pequeno peixe, com sua forma alongada e cilíndrica, com seus olhos que saem do corpo, uma boca pequena e protrátil, ligeiramente avançada, armada com várias fileiras de dentes muito finos e vermelho e com listras de cores diferentes possui uma beleza sem igual.

Mais à frente encontro Arya, olhando fixamente para o cardume em que fiquei fascinado alguns segundos atrás.

— Aí está você — falo enquanto estico meu braço lhe entregando o algodão-doce.

— Eles são… lindos — diz hipnotizada olhando concentradamente pelo aquário — Obrigada… — Ela me olha confusa, sei o que queria perguntar.

— Grey — digo meu nome enquanto mordo o algodão.

— Obrigada… Grey — agradece com um sorriso calmo, sincero, parecendo soltar toda a angústia que guardava dentro de si.

Os peixes se assustam, é devido a um mergulhador aparecer. Andamos mais a frente e vemos uma parede separando o aquário em duas partes, uma fica os peixes mais lindos do oceano e, no outro fica as criaturas mais perigosas dele, os tubarões. Podemos ver diferentes raças distintas uma das outras.

O rosto de Arya se encontra pálido, não a julgo, qualquer um ficaria ao saber que existe apenas um vidro reforçado separando-nos dessas criaturas.

— Não se preocupe — falo para acalma-la — Eles não conseguem nos ver através desse vidro.

Ela solta um suspiro de alívio, sinceramente, acredito que poderia fazer isso diariamente. Mais tarde naquele dia, andando por uma ponte através de um lago, Arya diz que precisa ir embora.

Curioso, pergunto: — Onde exatamente você mora?

Com um sorriso delicado, uma expressão feliz e se virando para mim me responde: — Digamos… que bem distante daqui.

Ao falar isso, nos despedimos um do outro e observo-a indo embora caminhando enquanto desaparece da minha visão.

— Que garota estranha — falo para mim mesmo sorrindo.

 

Aviso do Autor:

Kinfh Mey

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