Capítulo 4 – Estão nos observando

Através do Tempo

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Ao percorrer da noite observando o céu noturno, onde a beleza mais linda do mundo se presidia, o brilho das estrelas que consigo ver é esplêndido. Vejo dois casais sentados no banco do parque se beijando e falando o quanto eles amam um ao outro. Por algum motivo não consigo sentir inveja deles, algo assim sinto como se fosse desnecessário para mim.

O grande mistério que rondava minha mente é somente de onde raios aquela garota é… Aparentemente não pode ser dessa cidade, mas ela disse que mora em um lugar bem distante… Acredito que não chegarei a lugar nenhum pensando em coisas fúteis.

A iluminação está fraca, as luzes piscam e a um beco escuro logo a frente. Seguido por postes defeituosos, sendo a única iluminação a grande lua no céu. Minha visão um pouco fraca, logo se acostuma com o breu em minha frente. Alguns minutos andando pelo trecho, vejo uma pessoa vindo no meu rumo. Estou com medo, minha barriga sente calafrios e engulo seco. Penso somente o pior cenário possível, quem não pensaria…

É uma mulher, um pouco alta, usa um chapéu tampando seu rosto e um casaco preto que vai até às solas dos seus pés, ao passar do meu lado abaixa a ponta do chapéu com seus dedos, mas… me assusto por instante e fico intrigado. Seus olhos… ficam dourados repentinamente por um instante, isso me assustou, pois, se parecem…

TRIIIM! TRIIIM!

Assusto-me com o toque, é meu celular.

“Pai”, é raro ele me ligar.

— Onde você está? — pergunta através do celular.

— Chegando em casa — respondo calmamente para que ele não suspeite de nada.

— Precisamos conversar — diz sendo direto.

Após isso, meu pai desliga o celular. Essa é a cara dele, não o culpo, ele faz demais para alguém que nem mesmo é seu filho… Não tenho do que reclamar, mas estou com um mau pressentimento sobre isso agora pouco. Viro-me para conferir se a moça ainda está no meu campo de visão, mas não consigo mais avistá-la.

Chego em casa ainda com aquele sentimento de antes, não consegui esquecer a sensação ao ver aqueles olhos. Abro o portão de grade pequeno onde conduz um barulho, a porta se abre e me deparo com minha mãe.

— Venha — fala com o rosto pálido demonstrando preocupação.

Sem dizer uma palavra, entro em casa e vejo meu pai sentado no sofá da sala de estar com um olhar firme.

— A partir de hoje, deveremos tomar cuidado por onde andamos… — diz enquanto joga um envelope na pequena mesa da sala.

Pego e o abro, meus olhos se alargam e minha expressão demonstra medo. No envelope tem fotos de pessoas vestindo um casaco e chapéus brancos, carregando uma maleta preta em uma das mãos, são quatro ao todo.

— Eles estão aqui — fala cruzando as pernas e olhando pela janela — Melhor ficarmos em alerta máximo por enquanto.

A única probabilidade que consigo pensar, é que deve ter relação com a mulher de agora pouco.

#34#

2093, dia 33 do mês de Ryger [1]Fevereiro no futuro

O mundo não é mais o mesmo. A tecnologia já cobria grande parte da superfície terrestre. Animais e plantas eram extremamente raros nesse tempo. A existência humana conseguiu trazer a extinção de vários animais que existiam.

A vegetação se tornou escassa, as pessoas só conseguiam respirar normalmente graças a um projetor de oxigênio artificial desenvolvida pela UNNonTecnology, a mesma empresa responsável pela criação das máquinas temporais. O ar não poderia ser considerado puro, mas era o bastante para conseguirem sobreviver, afinal, o importante é conseguir respirar para se manterem vivos.

A maioria das empresas não existe mais, televisão, celulares, relógios e tudo que possuía forma física, virou algo projetado, de fácil acesso e muito mais prático.  Carros e motos conseguem flutuar trinta centímetros do chão.

A energia se mantinha através da água do mar, onde possuíam três suportes flutuantes no formato de pirâmides com uma ponta virada para baixo e outra para cima, feito de metais, são denominados Ehnegly. Eles conseguem sustentar toda a cidade, o mundo. Eram extremamente grandes, poderia dizer serem do mesmo tamanho de um prédio com uma altura aproximada de vinte e dois andares. A água é sugada, através disso, o Ehnegly solta ondas eletromagnéticas pelo ar, fazendo os receptores chamados de Ehneber, captarem as ondas e gerarem energia.

Água consumível também era produzida através da água do mar. No meio deles, há um purificador chamado FierWater, capaz de armazenar a água do oceano num compartimento capaz de suportar 50 mil litros  e realizar que a água salgada se torne potável. Essa quantidade era o suficiente para sustentar uma cidade de 100 mil habitantes durante três anos, mas nenhuma cidade no mundo possuía esse tanto de pessoas, a maioria da população mundial havia morrido. Havia vários FierWater espalhados ao redor do mundo para abastecer o restante do planeta.

As pessoas não importavam pela maneira que viviam, afinal, eles poderiam se abster da viagem no tempo, podendo voltar para qualquer época da história e realizar qualquer desejo, comer o que quisessem, beber o que queriam e aproveitar das belezas passadas que não existem mais nesse tempo.

No meio disso tudo, na Nova Washington, chamada agora de Zona 1,  se localiza uma enorme construção, como se fosse um quartel de alta segurança, porém, era uma mansão. Com seguranças armados por todos os lados, abaixo na entrada principal, parada em frente do grande portão, estava uma garota.

— Bem-vinda senhora! — Um dos guardas reverenciou a garota respeitosamente — Seu pai está lhe esperando no grande salão.

A garota acenou com a cabeça entrando pela grande porta feita de metal e madeiras rústicas, algo que não era tão fácil de se encontrar no mundo atual. Ao andar passando pelos guardas, todos pararam ao seu lado para prestar respeito, abaixando suas armas e batendo continência.

Quando a garota parou na frente da entrada, a porta se abriu e quem a esperava era uma mulher, de roupa de couro preta, cabelos curtos amarronzados e com uma arma presa em sua costa.

— Seu pai está lhe esperando para o jantar.

Ela simplesmente acenou com a cabeça concordando e segue rumo ao salão principal. Mais uma grande porta se localizava, era a entrada do salão. Dois guardas abriram a porta, uma mesa extensa pôde ser vista apenas pela brecha da porta que estava abrindo, isso demonstrava o quão grande a mesa era.

Sentado na ponta, em uma cadeira feita de ouro, com as almofadas vermelhas, estava seu pai. Ele tinha uma aparência séria, rosto enrijecido e olhos firmes, não possuindo cabelos em sua cabeça. Usava uma espécie de uniforme militar com várias medalhas imbuídas em seu peito.

— Finalmente voltou — falou o pai da garota de forma séria — Como tem sido sua experiência no passado? — Ele terminou de engolir sua comida e então disse — Espero que não arranje problemas.

A garota apenas demonstrou um belo e largo sorriso e o respondeu: — Não se preocupe pai, estou me divertindo bastante.

— Hah… Arya, você me lembra sua mãe, inquieta e curiosa sobre as coisas passadas, não deixe isso se tornar apenas uma forma de passatempo aleatório para você.

— Claro — Arya respondeu alegremente — Pai, hoje consegui ver um leão.

Seu pai apenas sorriu e continuou comendo, Arya continuou a contar entusiasmada: — Eles possuem um pelo tão lindo, uma juba giiigante. Seus dentes são afiados e dão medo.

— Claro que sim, eles eram um predador poderoso no passado.

— Sim, sim. Também fui capaz de ver um lindo aquário com várias espécies de peixes diferentes dentro dele — disse enquanto erguia seus braços para cima de alegria — Hoje foi o melhor dia que passei no passado.

Seu pai gargalhou e então falou: — É bom que esteja se divertindo, mas cuidado para não fazer nenhuma besteira. Mesmo seu pai sendo o chefe da ADLT, daria um pouco de trabalho para o seu velho caso se envolva em problemas por lá.

— Não se preocupe — falou sorrindo — Estou fazendo tudo que me foi ensinado.

Depois de uma longa conversa entre pai e filha, Arya se despediu e foi em direção do banheiro para tomar seu banho.

A mulher se aproximou e disse: — Senhor, temos suspeitas de que a doutora Lin falsificou a morte de uma das cobaias.

O homem se engasgou com o vinho e bateu entre seus peitos para parar de tossir.

— Tem certeza disso? — disse a olhando de canto — Esta é uma séria acusação.

— Tenho plena ciência disso senhor.

— Não entendo — fala confuso colocando a mão em seu queixo — Porque ela faria algo assim?

— Quais são suas ordens?

— Chame ela aqui, preciso ter uma conversa em particular com a doutora Lin.

— Sim, General Strong!

 

 

 

Notas

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1 Fevereiro no futuro

Aviso do Autor:

Kinfh Mey

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