Capítulo 5 – Viagem escolar { 1 }

Através do Tempo

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— Escute aqui! — Huh… isso de novo, de novo estou nessa sala?!

— Ele precisa ter um tempo de descanso… Seu corpo é fraco e não aguenta todos esses… — A mulher é inaptamente incapaz de argumentar algo, sendo interrompida por um homem com aparência esguia.

— Isso não se diz respeito a mim, esse garoto pode fazer coisas que mudam o complexo que conhecemos…

TRIIM! TRIIIM!

Estou deitado na minha cama de bruços, meus olhos semicerrados e minha visão um pouco embaçada, se dá pelo meu repentino despertar. Meu celular ao lado está tocando, alguém me liga.

— Alô? — digo desajeitadamente bocejando um pouco — Hum? Droga! — falo enquanto saio gritando pela casa — AAAAAAAAAH! Como pude esquecer que hoje é o dia da viagem escolar?!

Desajeitadamente, saio arrumando minhas coisas de forma rápida, apenas jogando de tudo o que eu lembrava de importante na mochila. Escovo meus dentes e saio pulando pelas escadas.

Nem minha mãe, nem meu pai está em casa, para aviso, anoto em um panfleto o pregando na geladeira, dizendo que voltaria em três dias de viagem.

Quando saio pela porta, me deparo com um carro preto em frente de casa, com o motorista ao lado esperando em pé e uma garota estava sentada no capô do carro. Seus cabelos loiros claros, seu olho tem uma tonalidade de um rubi vermelho, altura média. Ela usa um óculos de sol, um colete de manga comprida bege tendo por baixo uma blusa preta, usando uma bolsa preta com detalhes de listras.

— Vamos! — fala com um sorriso arrogante, erguendo o óculos sobre sua cabeça — Tive que vim aqui só para te buscar, sinceramente. Quem esquece de uma viagem?

Hah… Sinceramente, de todas as pessoas, tinha que ser logo você? Stephanie, é uma garota mimada e arrogante. Seu pai possui uma loja de automotores conversíveis, por isso age assim. Todos os garotos me matariam se soubessem que tenho a oportunidade de andar no mesmo carro que essa garota.

— Prefiro correr uma maratona do que ir com você — falo saindo com a postura firme.

Não gosto de atitudes como essa em uma pessoa, me perdoe garotos, mas não tenho o mesmo pensamento que vocês. Ela ficou sem reação com essa resposta, seus olhos se alargaram de surpresa ao ouvir minha resposta firme e séria. O motorista e suposto segurança, não gostou nenhum pouco do jeito que falei, pude perceber um movimento em sua mão esquerda, ele havia pegado algo, mas ela o impediu no processo.

— Não sei como planeja chegar a tempo, mas a forma mais rápida é vir comigo…

— Esquece, se não há mais nada a dizer, nos vemos na rodoviária.

Após minhas palavras, Stephanie demonstra um olhar de curiosidade.

Longos minutos se passam.

“Hah… Hah… Hah… Finalmente cheguei”, penso comigo mesmo com a respiração pesada. Eu chegaria atrasado se viesse andando por esse longo caminho até aqui, afinal são 43 minutos andando, mais correndo economizo 23 minutos, pegando um atalho que conheço caem mais cinco, totalizando 28 minutos no total, acredito que nunca mais farei isso na minha vida.

Minha camisa está encharcada de suor e meu rosto expressa cansaço, estou ofegante e está difícil respirar. Abro minha mochila pegando uma nova camiseta, descartando a velha que estava usando na lixeira.

A brisa fresca bate em meu rosto me refrescando, ao olhar para o lado constato o ônibus parado, o professor me espera do lado de fora.

— Pensei que não fosse vir mais — diz o professor cruzando os braços — Mas ainda temos que esperar alguém, sinta-se à vontade.

Esse alguém chega em seguida em um carro preto, instantaneamente já sei quem também está atrasada. Seu motorista sai do carro e abre as portas de trás com o maior cuidado do mundo. Então ela sai retirando seu óculos e fica surpresa.

— Como você chegou primeiro que nós? — indaga sem acreditar em suas palavras.

Com um sorriso sarcástico e o olhar satisfeito repondo: — Eu corri.

— O-O quê?

Com essas palavras entro no ônibus com o nariz erguido e dando gargalhadas por dentro. Quando entro sou recebido por maus olhares, isso é pelo fato de que… ninguém nunca teve uma audácia de trata-la dessa forma. Isso me irrita, pessoas que fingem se importar só pelos status dela, seres humanos são tão fáceis de se agradar.

— Muito bem! Turma, coloquem o cinto. Chegaremos no destino esperado em cerca de duas horas.

Acredito que terei duas longas horas de paz duradoura… É o que eu pensava, mas, porque justo essa garota se sentou do meu lado? Hah… Se eu colocar meu fone e fingir que estou dormindo, parecerá que ela nem está aqui. Olhares negativos são direcionados para mim, não são todos, mas são o suficiente para me causar náuseas.

Antes de ter a oportunidade de colocar meus fones, ela me interrompe.

— Já ouviu essa música? — diz enquanto me mostra seu celular.

— Como? — falo com a voz baixa.

Ela me olha naturalmente, como se não houvesse grande coisa, sua expressão não muda e seu rosto se mantém calmo.

— Nunca ouviu?

— Provavelmente acredito que não.

Estendendo uma de suas mãos me entrega um lado do seu fone. Curioso nem ao menos hesitei e o coloco em meu ouvido. Droga, sempre tive um fraco para coisas que me interessam, mas nunca vi ou ouvi.

“Interessante…”, penso comigo mesmo. A batida da música não é tão animada, mas também não é muito parada, o fluxo de voz do cantor penetra pela minha audição, é uma música linda.

Me olhando de lado, ela efetua um pequeno sorriso curvado, eu apenas a ignoro e continuo escutando. Assim, define minha viagem de duas horas, compartilhando o fone de ouvido com a garota mais cobiçada da escola. Suponho que não retornarei vivo dessa viagem. Ficarei três dias fora. Espero que nada de mais aconteça.

— VAMOS! — diz uma mulher me estendendo a mão.

— Ei!

Começo a acordar de devagar, pelo visto apaguei e nem vi quando foi. Stephanie me deu leve cutucões na costela, o que fez eu acordar assustado. Quando abri meus olhos, percebi que minha cabeça estava apoiada no ombro dela.

— Você devia estar bem cansado após correr sem parar — diz preocupada — Avisei que era melhor ter vindo comigo.

— E eu disse que preferia correr uma maratona…

— E você correu maldito — fala com a bochecha cheia de ar chateada.

Não consigo evitar soltar um riso leve nessa hora.

— Então até você sorri ocasionalmente?!

— Claro que sim, acha que não tenho sentimentos? — questiono a olhando de canto.

Saio do ônibus me espreguiçando. Observo ao redor e vejo diversas arvores na redondeza, duas cabanas afastadas uma da outra, uma clareira ao meio, uma churrasqueira coberta, alguns trieiros formando caminhos, pássaros cantando e escuto o barulho de uma cachoeira.

“Aqui é bem fresco”, penso indo rumo a uma das cabanas.

— Muito bem! Pessoal — fala o professor com tom de autoridade — A cabana do lado direito será dos garotos e a da esquerda das garotas. Acima da montanha a um quilômetro possui uma pousada com banheiros para banhos e fontes termais, após arrumarmos as coisas podem se aventurar pela floresta. Mais tarde, nos encontraremos nesse mesmo ponto para subirmos juntos.

Seu jeito de falar firme atrai algumas garotas e causa os ciúmes de alguns garotos. O professor é bonito de fato, é jovem e tem uma boa postura. Ele só não pode esquecer que ele é maior de idade e que é um professor. Ainda assim, não posso ignorar seu olhar sobre as garotas o cercando.

Saio de perto deles para guardar minhas coisas. Sou observado por Stephanie, vejo seu olhar intrigado e acho de certa forma engraçado.

Descendo um pouco a montanha, já conseguimos enxergar um pedaço da cachoeira. Meus colegas vão na frente, enquanto sigo logo atrás da Stephanie no fim da fileira.

— Você não gosta muito de se socializar, não é? — pergunta Stephanie curiosa.

— Quem dera se fosse.

Será que tirei conclusões precipitadas dessa garota?

— Já que está me interrogando desde que nos encontramos, posso te (efetuar) uma pergunta?

Ela me olha diferentemente e acena com a cabeça.

— Porque age arrogantemente?

— Perdão?

— Bom, quando as pessoas conversam com você…

— AAAAH! As pessoas andam confundindo ser direta e sincera com arrogância?

Não esperava receber uma resposta assim, mas acredito que provavelmente está certa.

— Você ouve as pessoas falaram de mim certo? — pergunta Stephanie com o olhar sem importação.

— Sim.

— Eu não gosto de pessoas que se aproximem pelo que eu tenho. Não fiz muitos amigos por causa disso, prefiro me afastar do que conviver com pessoas interesseiras, mas… você é diferente…

Fiquei confuso por um momento, com toda certeza não era o que eu esperava ouvir.

— Na sala de aula, você não conversa com muitas pessoas além do necessário. Não fica me olhando com desejos nos olhos, para falar a verdade julgo que você é o único diferente do resto. Sinceramente queria te socar quando falou que preferia correr uma maratona do que andar de carro comigo… — fala enraivecida.

— Me-me desculpe…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aviso do Autor:

Kinfh Mey

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