Capítulo 6 – Viagem escolar { 2 }

Através do Tempo

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Logo a frente a cachoeira pôde ser vista por todos. As águas caem de uma grande altura, embaixo um grande lago transparente e há um pequeno local com areia, pode se dizer que é uma mini praia.

Todos se admiram, pois realmente é uma bela vista. Os garotos ficam animados e pulam direto no lago sem menos tirar suas blusas ou calções. As garotas ficam um pouco tímidas, mas logo mostram suas verdadeiras intenções.

Alguns garotos colocaram-nas nos ombros e as carregaram para dentro do lago, outras foram por conta própria em seu tempo. Observei ao redor e vi um ninho de pássaros em cima de uma pequena árvore, três passarinhos filhotes estavam tentando aprender a voar. Um deles na tentativa, não conseguiu firmar o voo e caiu do seu ninho, mas fui mais rápido que sua queda, eu já estava embaixo para pegá-lo.

— Você tem bons reflexos — fala Stephanie receosa.

Desfiro apenas um sorriso fechado. Decido subir na árvore para colocá-lo de volta em seu ninho, o passarinho apenas me olhou e ignorou-me, seguindo de volta com suas tentativas, mas dessa vez ele conseguiu.

— EEI! Vocês não vão vir? — grita uma garota dentro do lago.

Eu apenas a ignoro, mas Stephanie a responde: — Agorinha nós entramos.

Me sento na copa de uma árvore e fico observando os outros enquanto brincam de jogar água uns nos outros. Percebendo que estou querendo ficar sozinho, ela tenta se aproximar de mim sutilmente.

— Você não gosta muito de conversar, não é?

— Como adivinhou? — pergunto de forma sarcástica.

Stephanie curva sua boca num sorriso e diz: — Já me decidi, você e eu seremos amigos… O que acha?

Ela estende sua mão para mim, provavelmente quer me arrastar para algum lugar.

— O que pretende exatamente? — pergunto desconfiado.

Se fazendo de desentendida, me diz: — O quê? Não posso tentar fazer amigos?

Que engraçado, ultimamente estou ficando rodeado de pessoas estranhas. Me pergunto o que se passa na cabeça dela… Deve que se sente muito solitária, pelo jeito que ela enxerga as pessoas eu não a julgo, provavelmente não faria diferente.

Com o dinheiro e poder que seu pai tem, todos iriam querer se aproximar dela com más intenções, e mesmo que seja solitária, ela não o demonstra para ninguém. Essa garota tem um psicológico bem forte, admiro isso, mas… pessoas como eu não podem ter amigos.

— Sinto muito lhe desapontar…

— Nem pense em recusar minha oferta — diz com um olhar e postura firme.

Ela está falando sério… pelo visto, hah.

Me levanto limpando as folhas secas presas em minha bermuda.

— O que quer fazer?

Stephanie alargou um sorriso em seu rosto, juntou suas mãos dizendo: — Quero subir lá em cima — fala apontando o dedo para a cachoeira.

“Só pode ser brincadeira…”, penso comigo mesmo, ela deve estar louca, não faz sentido. Quem em sã consciência iria fazer algo assim… Dizendo isso, aqui estou eu, subindo a montanha, rumo a grande cachoeira, que loucura, acredito que podemos ficar perdidos.

Mesmo assim ela mantém um sorriso no rosto, não notei antes, mas ela é linda. O que estou pensando…

— Veja… Chegamos — diz virando num sorriso.

Aqui em cima… é lindo. Flores de cores diversas habitam nesse ambiente, rosas em arbustos, coelhos pulando para um lado e pro outro. Uma vegetação completamente diferente da montanha abaixo de nós.

Olhando abaixo podemos ver os outros brincando, mas eles não conseguem nos ver, pois é muito alto e eles não dariam o trabalho de procurar alguém aqui em cima. Os brilhos nos olhos de Stephanie são facilmente visíveis.

Parece que ela nunca viu algo assim antes, para ser sincero, nem mesmo eu vi algo assim antes. Ela se deita em meio as flores, ficando toda relaxada, sento-me ao seu lado colocando um dos meus braços sobre o joelho. Uma leve brisa toca meu rosto, é refrescante, sinto-me leve, acho que posso dormir aqui facilmente.

— Nem pense em dormir — diz olhando em meus olhos.

— E-Eu não estava pensando em algo…

— Acha mesmo que me engana? Seu corpo quase tombou para trás agora pouco.

Hah… Sem argumentos para algo assim.

— O que faremos agora então?

— Explorar.

Sem ao menos poder reagir, ela me puxa pelo braço fazendo me levantar de forma brusca. Consigo ver em seu rosto que está animada, pelo visto seu complexo de insegurança fica desativado ao meu lado. Não sei se é pelo motivo de como a tratei no inicio que a fez me ver diferente, ou se foi uma coisa na qual ainda não sei, mas uma coisa é certa, ela fica melhor sorrindo o tempo inteiro do que ficar com a cara fechada o tempo todo.

— Não terá problemas se nos afastarmos tanto?

— Não se preocupe, sei por onde viemos. Confie em mim.

Faz tempo a última vez que escutei essas palavras, mas não foi algo que eu devia ter acreditado tão facilmente.

Andamos durante um bom tempo, observamos as flores ao redor, os animais, encontramos até mesmo uma cobra enrolada em uma árvore. Ela deu um pulo junto de um grito que não sei se foi a cobra que se assustou, ou se foi eu. Acredito que as pessoas tem a visão errada de uma pessoa só por enxerga-la, eu fui uma delas… me desculpe.

Hoje aprendi que não devo julgar uma pessoa pelo que falam, ou pelo que simplesmente vejo do seu exterior. Essa lição levarei para minha vida inteira. Como posso julgar uma pessoa, sendo que não sei pelo que esta mesma anda passando ou passou? Agora me sinto horrível.

— Me desculpe… — falo entristecido, mas com um tom aliviado.

Stephanie me olhou de relance e sorriu, aparentemente eu não precisei dizer o que aquelas palavras significavam, ela notou no mesmo instante. Espero que eu esteja certo e ela seja uma boa pessoa, caso contrário… não me responsabilizo pelos meus atos.

— Está escurecendo… devemos ir. O professor pode ficar preocupado — falo olhando para o céu.

Stephanie balança sua cabeça concordando. Depois disso, voltamos pelo mesmo caminho, surpreendentemente, ela de fato se lembrou do caminho que percorremos. Descemos a montanha através das árvores. Todos estavam tão entretidos, que nem mesmo perceberam nosso sumiço.

— AHHHN, AHHHN… mais forte.

Quando chegamos quase no fim do nosso percurso, ouvimos algo vindo logo atrás. Como todas as pessoas curiosas, isso nos atraiu. Um gemido veio dos arbustos, sabíamos o que era, mas por ventura, queríamos saber quem eram. Sem pensar duas vezes, olhamos um para o outro com um sorriso descarado no rosto.

— Vamos ver quem é! — falamos em uníssono.

Obviamente, parecia que pensamos igual nessa situação. Quem não pensaria? Qualquer um iria querer ver quem eram os sem vergonhas fazendo tais atos obscenos no meio da floresta. Pode se dizer que a curiosidade vinha também pelo fato de que havíamos somente nós nesse lugar, então significa que pode ser um de nossos colegas.

Chegando as escondidas mais perto onde escutamos o barulho, pudemos ver algo que nos chocou. Uma das garotas estava agachada de quatro entre os arbustos, totalmente sem roupa e gemendo como nunca. Quem estava com ela foi o que nos chocou, nosso professor estava fazendo sexo com ela, uma garota do colegial estava tendo sexo com um professor de 27 anos.

Stephanie pegou seu celular e começou a gravar, nem precisei perguntar o que pretendia com aquilo, já que ela nunca foi muito fã dele. Sempre a olhava durante as aulas com olhares indecentes, designados aos seus peitos, cochas ou bunda.

— Desprezível — fala sutilmente.

Seu olhar demonstra nojo, tenho dó dele depois de hoje. Pode ter certeza que sua vida está acabada.

Alguns segundos se passaram até que ela puxa a ponta da minha blusa, pude perceber que queria sair dali o mais rápido possível, então o fizemos. Após esse ocorrido seguimos direto para perto das cabanas, onde estavam os outros alunos e, em seguida depois de alguns minutos esperando, eles surgem em lados opostos. Acredito que foi para não levantar suspeitas, mas isso não vai adiantar de nada daqui um dia.

— Certo pessoal, peguem o que precisam e vamos subir a montanha — fala o professor.

Stephanie não conseguia nem mesmo olhar em seus olhos, ela apertou seu braço tão forte que achei que fosse se machucar com suas próprias unhas, para evitar isso, coloco minha mão em seu ombro e sussurro em seu ouvido: — Se acalme!

Ela volta a si e me olha, seus olhos estavam se lacrimejando, parecia que iria chorar a qualquer momento. Não sei o motivo dela agir desse modo, simplesmente por causa daquilo, deve ter algo a mais que não sei, mas não irei perguntar.

— Vamos, não podemos ficar para trás — falo a empurrando pelas costas para começar a andar.

 

 

 

 

 

 

Aviso do Autor:

Kinfh Mey

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