Capítulo 00: Prólogo

A prova já acabou, não aguentava mais ficar esperando sentado lá, agora é voltar para casa. Bem,  minha casa não é longe daqui, mas não é perto, então, não quero ir andando até lá. Já estou sedentário há muito tempo, caminhar um pouco deve me fazer bem, não posso sair muito mesmo.

Andando para casa, fico olhando a cidade, com altos prédios ao longe, carros fazendo barulho na rua, além do sol escaldante no meu rosto. Depois de um tempo, chego em um centro comercial, com várias lojas, vendedores ambulantes, pessoas distribuindo panfletos. Observando o local, vejo um mendigo pedindo esmola para um rapaz ao lado de uma loja, ele está sentado no chão com uma mochila velha e rasgada ao seu lado, as roupas dele são marrons, sujas, também rasgadas, com um cabelo preto bagunçado.

— Por favor, senhor, poderia me dar um pouco de dinheiro? Estou há dias com fome. — O mendigo estende sua mão para um rapaz.

— Desculpe, mas estou com pressa — responde ele, acelerando seu passo e ignorando o mendigo.

Hmm, pressa?

Ando em direção ao mendigo o oferecendo um pouco de dinheiro. — Aqui senhor.

O mendigo olha para mim, vê o dinheiro na minha mão e pega ele. — Obrigado! Muito obrigado mesmo!

— De nada.

— Mas não sei se posso aceitar uma quantia tão grande.

Quantia grande? Noto o bolo de dinheiro que o dei. Esse não é o dinheiro que a maninha me deu? Sigh… Solto um suspiro internamente. — Tudo bem, esse dinheiro não vai fazer falta.

— Obrigado, senhor. — O mendigo me agradece com um sorriso no rosto.

Volto para o meu caminho, já que fiz a prova, minha irmã não precisa mais me obrigar a estudar, finalmente vou poder jogar o dia todo sem me preocupar com nada

Chego na rua, sinto o fedor dela, também observo como é imunda, sacos de lixo espalhados pelo chão, um esgoto a céu aberto no meu lado, mal cuidada, praticamente esquecida pelo mundo. Como a rua é de terra, ela é cheia de buracos, além de poças de lama, um carro não passaria facilmente por aqui, um lado é cercado por muros, porque tem um canteiro de obras abandonado e, por causa do cheiro, essa é rua é deserta, com apenas uma casa nela, a minha

Quando chego em frente à casa, olho para o estado precário dela, com tijolos à mostra e fiações soltas. Ela é quadrada e comprida pro fundo, parecendo uma caixa de sapatos, mostrando a falta de carinho do arquiteto, pensando bem, há altas possibilidades dessa casa não ter tido um arquiteto. Pego minhas chaves abrindo a porta. Entrando em casa, encaro a sala que, ao contrário da rua fedorenta e feia, dentro é bastante luxuosa. A TV grande, o sofá de couro, os consoles de última geração, perfumada. A casa é aberta, não tem muitas paredes separando cada cômodo, daqui da porta consigo ver a cozinha no final da casa e as portas dos quartos, é um pouco pequena, mas com certeza isso não é um problema, porque só tem eu e a maninha aqui.

— Maninha, cheguei!

Vou até meu quarto, guardo minhas coisas, então ando até o banheiro do meu quarto. No banheiro, me olho no espelho, vejo o meu cabelo preto sujo e bagunçado e meus olhos também pretos com várias olheiras. Meu rosto é jovem, tenho dezessete anos, na verdade, agora são dezoito, meu aniversário é hoje. Depois de tomar banho, volto para o quarto e olho para o computador, vejo nele o meu personagem, Morrigan. É um jogo militar, já conquistei a fase onde posso comandar milhões de soldados, depois jogo mais.

Pelo que me lembro, hoje a maninha não foi trabalhar. Caminho até o outro quarto, quando entro no cômodo, vejo a minha irmã deitada lendo um livro. Ela me olha com seus olhos negros, os cabelos pretos dela estão molhados, parece que acabou de sair do banho. Maninha veste uma camiseta cinza e uma calça moletom longa, é um pijama que usa o dia inteiro.

— Como foi a prova? — ela me pergunta animada.

— Ehh… normal.

Não tem muita coisa a se comentar sobre a prova.

— Que bom — ela tira a expressão séria dela, e me mostra um sorriso.

Na verdade, essa prova foi fácil demais, não sei o porquê de ter me obrigado a estudar tanto. Desperdício de tempo. A maioria das coisas eu já sabia, a maninha já tinha me ensinado isso antes.

— A comida está pronta? Estou com fome. — Me viro um pouco, apontando meu dedo para a cozinha.

Claro que não estava. Minha irmã não levanta nem para lavar um garfo. Vou ter que contratar uma empregada, se não, quando eu for estudar, ela vai morrer de fome.

— Está sim. Pode ir lá comer — ela fala isso como se isso fosse normal.

— O que?! — grito surpreso.

— Não precisa gritar assim… É muito difícil acreditar que eu fiz a comida?

— Sim — respondo imediatamente. É impossível minha irmã fazer comida.

— …Sério? — ela me pergunta como se não acreditasse em mim.

— Uma vez você foi fritar um ovo e metade da casca caiu na panela.

— Mas, isso não é normal?

— Não… foram 10 vezes seguidas.

Ela nunca faz nada de bom quando está aqui. Fico com medo da comida que fez, vai que criou um mutante…

A maninha é inteligente, mais do que eu, só que para ser justo, Deus diminuiu seus outros atributos, principalmente destreza. Se fosse em um jogo, o atributo destreza dela não estaria em zero, e sim, negativo.

Ando para a cozinha com bastante medo. Nunca se sabe se a comida que ela fez criou vida própria. Quando vou dar um passo na cozinha, ouço uma explosão atrás de mim.

BOOM!

— Ah! — solto um grito de susto

O que é isso? Confetes?

Ouço duas risadas femininas atrás de mim.

— Que grito maravilhoso… Nota, 8,5!

— Sério isso? Você não tem noção de nada… Como assim 8,5? Esse grito merecia um 9!

— 9? Claro que não. Ele não deu um pulinho de susto.

— Hmm… Faz sentido.

Olho para trás, então vejo duas garotas. Uma, claramente, é minha irmã, com seus olhos e cabelos negros e a outra… a outra demônia, é Marina. Ela tem cabelos castanhos claros e olhos verdes, veste um vestido azul com várias margaridas espalhadas pelo vestido. Seus cabelos castanhos claros são amarrados formando um rabo de cavalo.

— Por favor, parem de falar do meu susto — digo para elas descontente na porta da cozinha.

—Por quê? Foi tão lindo esse susto. Merecia um Oscar. Tão natural e esplêndido — responde Marina com um sorriso debochado.

Eu encaro o rosto dela, franzindo a testa.

— Certo, certo… Mas foi um lindo susto.

— Marina…

— Ohhhh, você sabe meu nome! Que surpresa. — Marina abre a boca surpresa.

Uma idiota.

— Não, claro que não. É o nome do meu rato — a respondo negando com as mãos.

— Sério? Nome bonito o dele.

— É que eu me inspirei em uma pessoa que se parece com ele.

— É mesmo, é? Essa pessoa deve ser bastante legal para você a homenagear assim. — ela diz isso sorrindo.

— Na verdade não, mas é uma pena que essa pessoa é bastante burra.

— Legal, mas eu acho que ela é mais inteligente que você. — Marina aumenta o tom de voz. Parece que ficou irritada. Objetivo concluído.

— Certo. Chega de idiotice. O que está acontecendo aqui? — interrompo a conversa.

— Você por acaso perdeu sua inteligência? Coitado… — Marina olha para baixo fingindo tristeza.

Observo ao redor, vejo Marina e minha irmã segurando um bolo escrito “Felicidades Por Reprovar! E Estar Mais Perto Da Morte”.

Reprovar? Como essas pessoas são legais.

— Obrigado! Adorei! Vou me lembrar desse momento pelo resto da minha vida — falo com um sorriso.

— Eu sei. Foi eu que fiz tudo isso, com muito amor e carinho — Marina diz.

Amor e carinho? Engraçado.

— Também, pelo o que vi no bolo, obrigado por acreditar em mim. — Eu aponto para o bolo.

— Claro! Imagine o custo de jogar um bolo fora, caso você reprovasse. Melhor prevenir do que remediar.

— Você decidiu botar reprovar?

— Claro! Imagine você chegando aqui depois de ter reprovado e vê o bolo escrito “Felicidades Por Ser Aprovado”, você ficaria traumatizado.

— Como você é gentil.

— Eu sei — responde Marina com um rosto orgulhoso e estufando o peito.

— Qual o gosto do bolo?

— De cenoura. O que você adora

No momento que ela fala que o bolo era de cenoura o meu rosto se contorce.

—Brincadeira, não precisa fazer essa cara, o bolo é de laranja com recheio de chocolate.

— Certo pombinhos! Vamos logo comer esse bolo. — Minha irmã fala olhando fixamente para o bolo, enquanto saliva.

— Vou pegar a faca. — Ando até a cozinha e pego uma faca grande. Na cozinha tem uma mesa central de mármore onde está um faqueiro junto com um monte de coisas espalhadas nela, tem a pia logo atrás da mesa, ao lado o fogão. Deve dá para matar alguém com essa faca.

As duas estão sentadas na mesa ao lado da sala. Marina está na cabeceira, enquanto minha irmã se senta ao lado dela, o bolo fica no centro da mesa.

— Tia Iris, eu acho que Vicit é gay.

Vicit. O meu lindo nome e estranho também. Além disso, do que elas estão falando?

— Também acho. Sempre desconfiei disso.

— Eu estou aqui todo dia dando mole para ele e ele ainda não me pediu em namoro.

— Vou perguntar sobre isso.

Que tipo de conversa é essa? Eu sai apenas por segundos.

— Vicit… Eu tenho uma pergunta para você. Como eu sendo sua irmã mais velha, você me deve contar tudo.

Não faça essa pergunta.

— Vicit, você é gay?

— Ah…

Desisto da minha família.

— Então, você é?— pergunta Marina, me olhando com olhos provocativos.

— Não — respondo imediatamente.

— Hey! Estou. Com. Fome. Quero. Comer. Logo. Vamos comer o bolo!— fala minha irmã, lentamente. Parece até que ela não come nada há dias.

— De quem será o primeiro pedaço do bolo? — Marina pergunta.

— Com certeza não é seu.

— Nossa, malvado.

Corto um pedaço de bolo e o coloco em um prato,  deixo ele em cima da mesa enquanto falo.

— Esse pedaço vai para alguém que eu sempre gostei, mas às vezes não, uma pessoas bastante bela, e inteligente, alguém que sempre fez parte da minha vida e eu sempre amei.

— Ui, ui. — Minha irmã cutuca Marina com o ombro.

— Cala a boca, Tia Iris!— grita Marina, depois de minha irmã a provocar. Ela está envergonhada.

— Esse pedaço de bolo vai para… Mim!

As duas fazem uma careta. Essas expressões da Marina e da Iris são as melhores coisas que aconteceram hoje para mim. Ninguém mandou me dar um susto.

— Pronto! Agora o segundo pedaço vai para… Mim. Estou com fome.

— Vicit! — Gritam as duas.

Nossa, que sincronia perfeita.

— Certo, certo. O terceiro pedaço vai para… O nome dessa pessoa começa com M!

— Sou eu! Eu!

— Maninha!

—Meu nome começa com “Í”, seu imbecil! E pare de me chamar de maninha, eu sou mais velha que você.

— Certo, maninha.

— Hey!

Olho para Marina e vejo ela mexendo no seu cabelo castanho claro e fazendo biquinho.

— Toma seu pedaço de bolo, dragão.

— Obrigado, burro.

Vejo a Marina comendo o bolo. — Hmmm! Que delícia! Como esperado de mim. — Ela me olha de canto de olho.

Observo ela com as duas mãos apoiadas na cabeça. Dou um sorriso, então o seu rosto fica vermelho. Até demônios têm sentimentos.

— Vai ficar me encarando mesmo? Está me dando agonia.

— Que pena, não é? — falo para ela sorrindo.

Parei de encarar ela e fui comer bolo. Estou morrendo de fome, quando eu fiz a prova o supervisor me obrigou a ficar esperando, mesmo tendo terminado rápido.

Pego uma colher e um pedaço de bolo. Marina me olha fixamente esperando a minha reação. Que fofa.

— O bolo está delicioso, Marina — eu a elogio.

— Obrigado. — Ela mostra um sorriso e parte do rosto dela fica ruborizado

A minha irmã, Iris, está atacando o bolo furiosamente. Será que não alimentaram ela de manhã? O bolo dela já está quase acabando e eu mal comecei a comer o meu.

— Iris, coma devagar, você vai acabar engasgando.

Ela olha para mim com as bochechas cheia de bolo, parecendo um castor. — Eru nhao vsou engadgae — Minha irmã tenta falar algo, mas sem querer cria uma nova língua.

Espero ela comer um pouco e pergunto — Eu já estou de maior, já podemos nos mudar, certo?

Ela engole o bolo, limpa a boca dela e fala comigo: — Aqueles dois não vão ter mais direitos sobre você, a gente pode se mudar sim, mas você quer se mudar? — Ela olha para Marina que está nos observando em silêncio.

Marina mora aqui por perto e ela não vai poder ir com a gente. — Bem, não estou com pressa — eu falo.

A Marina abre um pequeno sorriso

Ding! Dim!

A campainha começa a tocar.

— Vocês chamaram alguém? — pergunto para as duas.

— Eu não chamei ninguém — responde a minha irmã

— Também não — Marina fala em seguida.— Vou ver quem é.— ela se levanta e começa a andar até a porta.

 


 

Acho que esse menino é ele.

Eu pego um telefone que está escondido nos meus bolsos, ligo para o único contato que tem nele, então pego a mochila rasgada me levantando do chão e seguindo o garoto. Depois de alguns segundos, uma pessoa atende o telefone

— Fala. — Meu patrão diz com uma voz serena e indiferente sai do telefone.

— Acho que encontrei o garoto. — eu respondo.

A voz fica em silêncio por vários segundos.

Depois de um tempo ela fala.

— E a irmã dele?

— Ele estava sozinho, mas agora estou o seguindo. A irmã dele deve estar no esconderijo deles.

— Certo. Continue seguindo ele e quando você achar a irmã dele, continue com o plano A. Se não funcionar, você pode usar o Plano C.

— Entendido.

A ligação desliga

Sigo o menino, a gente chega em uma rua imunda e ele entra em uma casa. Ando pela rua verificando ao redor da casa, procuro qualquer rota de fuga. Depois de minutos, paro na frente da porta. Seguro minha mochila e abro, pego dentro dela uma arma de fogo. Confiro se está tudo bem com ela, rapidamente, após isso a guardo na minha cintura.

Olho para a porta apertando a campainha.

 


 

Ding! Dim!

A campainha toca novamente.

— Que pessoa apressada — fala Marina enquanto caminha para a porta.

— Deve ser alguém vendendo alguma coisa — Falo continuando a comer meu bolo.

— Provavelmente. — Minha irmã me responde, aí pega outro pedaço de bolo para comer.

Ding! Dim!

Marina chega na porta e olha pelo olho mágico. Ela se afasta um pouco da porta falando com nós. — Parece ser um mendigo, ele deve querer dinheiro. Tenho que abrir? — ela diz um pouco receosa.

Mendigo? — Deixa que abro, então — me levanto e vou até lá.

Marina senta na mesa me olhando. Minha irmã nem liga para isso e continua a comer o bolo. Chego na porta, abro ela lentamente, quando vejo a pessoa do outro lado da porta, fico surpreso.

É o mendigo de hoje de manhã?

— Olá, senhor — o mendigo fala comigo abaixando um pouco a cabeça.

— Desculpe, mas não posso te dar mais dinheiro — respondo friamente.

Como ele sabe que essa é a minha casa?

— Ah, não se preocupe, não estou aqui por isso. Sou uma pessoa contratada pelos seus pais para procurar vocês.

Quê?

Ouço um barulho de um garfo caindo atrás de mim.

— Posso entrar? — Antes que eu consiga dizer alguma coisa, ele entra dentro da minha casa.

Fecho a porta lentamente, incrédulo pelo o que acabei de ouvir. Como eles nos acharam? É minha culpa? Me viro lentamente, vejo ele observando a minha casa.

Olho para a mesa onde minha irmã e Marina estão sentadas. Marina está sem entender nada, confusa, além da minha irmã parecer estar paralisada.

O mendigo vai andando analisando a casa. Ele vê como Iris está paralisada e fala. — Só estou aqui para encontrar vocês, não vim fazer nenhum mal. Seus pais estão preocupados com vocês.

Isso é mentira, eles não se preocupam com a gente. Minha irmã olha para ele e solta uma pequena risada. O suposto mendigo levanta as sobrancelhas.

Como ainda não saí da porta, coloco minha chave na fechadura, logo depois começo a andar para onde todos estão. Quando chego na mesa, pego uma cadeira para o mendigo e coloco a minha cadeira e a da minha irmã uma do lado da outra. O mendigo senta na minha frente, a Marina está em pé atrás da gente.

Iris que está ao meu lado começa a falar. — Explique como você achou a gente. — O tom da voz dela é frio.

— Certo. — ele respira fundo e começa a contar — Primeiramente, não sabia exatamente onde vocês estavam. Eu recebi uma mensagem em que dizia um lugar aproximado em que vocês provavelmente estavam se escondendo, então me disfarcei de mendigo para que eu pudesse ficar parado em um lugar por muito tempo sem levantar suspeita. Depois de alguns dias, eu, finalmente, encontro o senhor Vicit na rua e decidi seguir ele para confirmar, ai eu vejo ele entrando nessa casa. E consegui confirmar tudo depois de falar, “Sou uma pessoa contratada pelos seus pais”, e vê suas reações. E aliás, me chamem de Derek.

— Só você está a procura de nós? — pergunto para ele.

Ele olha para mim hesitante de falar. — Não, seus pais contrataram uma equipe de busca grande para procurar vocês em vários locais.

— Agora que você encontrou a gente, o que irá fazer? — Iris pergunta isso, olhando diretamente para o olho dele.

— A missão que me foi dada, é trazer vocês de volta para a sua casa e para os seus pais.

— E se a gente não quiser ir? — O tom da minha irmã, que já era frio, fica mais frio ainda.

Ele fica em silêncio ponderando sobre algo, depois de um tempo solta um suspiro.— É uma pena — ele fala isso se levantando da cadeira.

Derek anda até a porta. Ele vai sair?

Quando chega na porta, em vez de sair da minha casa, ele pega a chave que está na maçaneta e tranca a porta. O que está fazendo? Derek caminha lentamente da porta até nós, eu e Iris observamos tudo em silêncio. Ele para na frente da gente, solta outro suspiro e, lentamente, move sua mão para a sua cintura.

O que foi pedido para ele fazer se a gente não o seguir?

De repente, sinto um calafrio. Olho para o lado, parece que a Iris teve o mesmo pensamento. A gente se levanta rapidamente da cadeira tentando correr em sentido a cozinha que está atrás de nós.

— Parem! — Derek grita.

BOOM!

Antes que eu pudesse parar, ouço um tiro.

Marina solta um grito.

Me viro para ela.

Tem sangue saindo da sua barriga.

Corro até ela e a coloco gentilmente no chão. Fico pressionando o ferimento com uma mão e com a outra fico segurando a mão dela. Ela está me apertando com tanta força que parece que meus ossos vão quebrar. Seu rosto está cheio de lágrimas.

Olho para meu braço completamente vermelha de sangue, consigo sentir que ele ainda está quente, mas ainda continua saindo. Aperto com mais força o ferimento, só que nada muda.

Cadê Iris?

BOOM!

Ouço outro tiro.

Rapidamente movo minha cabeça para trás.

Vejo a minha irmã caindo no chão.

Derek olha para mim e vê que Marina ainda está viva.

BOOM!

Um buraco aparece na testa de Marina.

A mão dela solta a minha.

O que está acontecendo?

Ele aponta a arma para mim, só que a arma acaba emperrando.

Olho para a faca que está em cima da mesa.

Rapidamente, me levanto e pego a faca. Derek está tentando desesperadamente desemperrar a arma. Quando ele consegue, já estou na frente dele. Movo a faca para o seu pescoço, porém antes ele consegue atirar em mim.

Cambaleando, caio ao lado de Marina. Olho para os olhos abertos dela, tento não prestar atenção ao sangue escorrendo da sua testa.

Lentamente, minha visão vai se tornando preta, até conseguir enxergar mais nada, nem sentir nada.

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