Capítulo 04: A Besta

Corvo Escarlate

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Com toda certeza, vou morrer.

Quando olho para baixo, vejo uma grande besta tentando escalar a árvore. Ela é muito grande, as garras gigantescas a fazem conseguir escalar a árvore com facilidade, deixando marcas nela, seu corpo é robusto mostrando todos seus músculos, além de ser coberto por pêlos marrons e manchas pretas.

Preciso fugir, porém não consigo correr, meu pé está machucado, não vou muito longe assim e, com certeza, ele é muito mais rápido que eu. Fico em pé em cima da árvore me preparando para pular. Olho ao redor, porém não consigo encontrar uma saída daqui. As árvores estão distantes para pular e mesmo assim, não tenho força e nem equilíbrio para isso. Enquanto penso em uma maneira de não morrer, ele sobe ainda mais.

A árvore balança com o seu grande peso, com seus seus me vigiando tranquilamente, como se eu fosse uma comida fácil. Ele pula em um galho e começa a subir, vou me afastando do tronco da árvore, então acabo na ponta dele. Essa parte é mais fina do que o resto do galho, por causa disso, balança muito, fazendo ser difícil de se equilibrar. Em pé no canto do galho, o observo subir.

Ele sobe a árvore devagar, não esperando que eu consiga fugir. A cada pulo que dá, consigo ver minha morte mais perto. Se eu pular daqui direto, é bem provável que quebre minhas pernas. Fiquei um tempo sem comer quase nada, além de pequenas frutas não confio na resistência dos meus ossos e articulações, também não consigo ver nada que amorteça minha queda. Penso, porém não encontro nenhuma solução, até que a besta consegue subir no meu galho.

Ele anda lentamente na minha direção. Agora consigo ver pequenas presas saindo da sua boca, como os antigos Dente-de-sabre, só que menores. Ele é maior que eu, suas patas do tamanho da minha cabeça, ainda não consigo enxergar nenhuma salvação.

A cada passo dele, meu coração para de bater. Não quero morrer, mas nada me mantém nesse mundo, por isso não me importo com isso agora.

Ele para a uns passos de mim e rosna, se agacha levemente, então pula em minha direção. Vendo isso, me jogo de costas da árvore. Minha visão é preenchida pelo céu azul os galhos das árvores e o sol passando entre as folhas, porém logo após, uma grande sombra passa por cima de mim. Sem esperar muito, agarro ele, puxo e o coloco a baixo de mim com a ajuda da gravidade. Abraçando o corpo da besta, sinto ele me arranhar, ignoro isso e a aperto com força.

Consigo ver o chão chegando perto. Nessa altura e velocidade, ele não vai sair saudável dessa queda. Com urgência, tenta me morder, arranhar, fazendo de tudo o possível para me fazer soltar ele, mas que consiga, caímos no chão.

BHOOF!

Grande quantidades de poeira é levantada, sinto um pouco de dormência no corpo, só que não ligo, então me levanto rapidamente. Com ele amortecendo a queda não sofri tantos danos.

Tento fugir o mais rápido possível, não sinto a dor no meu pé por causa da adrenalina, mesmo assim, depois que a adrenalina passar, o ferimento só vai piorar. Olho para trás vendo a besta se levantando. Parece que está machucado e com dor, porém no momento em que me vê fugindo, começa a correr também.

Antes o seu olhar era de um caçador matando uma presa, algo natural, agora sinto sua raiva transbordando. Corro usando as árvores ao meu favor, evitando ao máximo ir em linha reta, correr assim é suicídio.

Minha velocidade está mais lenta, de vez quando sinto o meu pé e manco. Não vou muito longe assim. Uso todo o ambiente em meu favor, só que ele chega muito rapidamente perto de mim. Seus passos fazem bastante barulho, ouço as folhas se quebrando e o chão tremendo em cada passo que dá.

Fco ofegante mesmo não correndo muito. Estou faminto, não tenho a mesma resistência de quando corri do guarda, até minha velocidade diminuiu. Correr não vai adiantar. Paro e me viro em sua direção.

Ele também para, nós começamos a andar em círculos. Seus olhos me olham furiosos. Mantenho meus joelhos semi flexionados e minhas mãos na frente do corpo, me preparando para qualquer coisa.

Grrr! O animal grunhe para mim.

Paro de andar em círculos e olho para ele, levanto meus dedos o chamando para ele vir me atacar. Correndo contra mim, se agacha levemente e pula. Pulo rapidamente para o lado, logo após pego uma pedra no chão.

Vendo que não me pegou, olha para o lado com raiva, mas antes que possa fazer qualquer coisa,.vom a pedra na minha mão, bato na cabeça dele acertando no olho.

A besta recua rapidamente. Com seu olho sangrando, ele me encara. Sua raiva é tangível, meu corpo se estremece um pouco sentindo um calafrio, porém me mantenho calmo. Não devo ficar ansioso ou irei morrer.

Nós dois ficamos parados se encarando. Mostro um sorriso, para provocar ele e o chamo de novo com os dedos, em vez de vir pulando para cima de mim, vem correndo. Eu também corro segurando a pedra com força.

Ele levanta a sua pata esquerda para me atacar, vendo isso, rapidamente vou para o lado direito dele. Girando meu corpo para pegar força e impulso, bato com a lateral da minha mão, que segura a pedra, no olho dele. A ferida se intensifica ainda mais.

Não paro e pulo em cima dele. Me seguro nos seus pelos com a minha outra mão e bato na cabeça dele com a outra. Ele tenta me tirar de cima, pulando, se balançando, com as patas, mas não consegue. Várias feridas aparecem na sua cabeça. Tentando escapar de mim, a besta se joga no chão. Pulo antes que caia com ele

Aproveito que está deitado, dou um chute com toda minha força na cabeça. Umas das suas duas presas se partem. A raiva dos seus olhos somem e é preenchida por medo. Ele se levanta olhando para mim.

Já estou cansado, não vou conseguir lutar por muito tempo. Tento imaginar seu próximo movimento. Ele está com medo, já tentou pular em mim, correr direto, só que ambos não funcionaram. Ele se machucou bastante na queda, seu olho ferido também está em um estado precário, isso me dá vantagem.

Pego outra pedra no chão e vou na sua direção. A besta dá um passo para trás, só que percebendo seu próprio medo, ele rosna vindo me enfrentar. A gente fuca a poucos passos de distância.

Paro e me preparo para o ataque dele. Ele também para, mas continua rosnando para mim, não me atacando. É impressionante como uma criança conseguiu dar medo em uma besta gigante.

Aproveito seu medo jogando a pedra que peguei no seu olho, o saudável. Ele vê isso e se esquiva, porém, instintivamente, fecha o olho. Percebo essa chance que criei, dou um pulo para frente e soco no olho saudável dele.

Não desperdiçando essa chance única, subo em cima dele batendo novamente na sua cabeça. Uso ambas as minhas mãos para fazer isso, sem me preocupar em cair. Uma ferida grande surge, então foco meu ataque nela. Ele começa a se balançar, mas antes que ele me jogue no chão novamente, bato com toda a minha força na ferida que surgiu. A besta começa cambalear e em seguida desmaia. O baque dele no chão levanta poeira, Só que não paro e continuo a bater na sua cabeça. Sangue voa para todo lado. Minha mão fica vermelha de sangue e sinto o cheiro forte de ferro no meu nariz. Algo racha na sua cabeça, depois sinto algo macio ao bater nele. Meu braço fica dormente, por isso paro. Olho para os miolos que saíram dele e me dá vontade de vomitar, felizmente, seguro a vontade.

Saio de cima do corpo, minhas pernas começam a ficar fracas e sento no chão. A pedra na minha mão está coberta de sangue. Olho o seu grande corpo, a cabeça dele está completamente despedaçada, seus globos oculares saíram para fora e rolam pelo chão. Sangue voou para todo lugar, a grama verde agora está vermelha, seus pelos antes marrons também foram cobertos pelo líquido, os miolos se esparramaram pelo chão, não dá nem mais para indentificar o rosto dele, uma visão nojenta. Bem, não é como se isso ligasse.

Depois de um tempo tentando recuperar minhas forças sentado no chão, me levanto. Olho novamente para o corpo. O que irei fazer com isso?

Não tenho força para levar comigo. Se eu deixar aqui, os animais irão aparecer e comer tudo, meu esforço ao tentar sobreviver seria desperdiçado. Preciso abrir ele e levar alguma carne comigo, mas como? Não tenho faca e nenhuma lâmina.

Movo ao redor procurando algo, encontro um pedaço de madeira com uma extremidade pontuda. Quase uma estaca. Acho que posso usar isso, ando até o corpo dele. Ele é grande demais, percebi isso antes, mas… É muito grande, todos são desse tamanho? Nunca ouvi falar de um animal assim, o mais próximo que consigo lembrar, é um Puma, porém esse é diferente.

Olho onde consigo cortar ele, escolho a lateral da barriga e torço para não pegar em algum órgão digestivo, vou contaminar boa parte da carne se isso acontecer. Levo o pedaço de madeira para um pouco acima da minha cabeça com a parte pontuda virada para baixo. Olho novamente para onde irei atingir e desço a estaca com força. Consigo adentrar um pouco na pele, mas não é fundo o suficiente, por isso empurro mais. O pedaço de madeira vai descendo lentamente, até que consigo abrir um buraco no corpo. Movo minhas mãos para o buraco segurando nas laterais dele, igual o Capitão América quando ele vai quebrar a lenha no meio. Consigo sentir a carne, gordura e sangue afundando nos meus dedos, é pegajoso e nojento, além de fazer uns barulhos estranhos. Me seguro para não vomitar. Com muita força, tento abrir mais o buraco. O sangue faz minha mão escorregar. A pele dele é dura de rasgar. Faço força, até que consigo rasgar um pouco a carne. Após isso, o buraco abre facilmente.

Me movo para o outro lado do corpo para abrir mais o buraco. Vejo minhas mãos e até braços com sangue. Elas começam a tremer, memórias vêm a minha mente, me fazendo relembrar de tudo que aconteceu. Me ajoelho no chão tentando me acalmar, meu corpo inteiro treme, meus queixos começam a bater. Se acalme. Ainda não é o momento de ficar de luto. Sem muita demora, meu corpo volta ao normal, então continuo o trabalho de conseguir carne.

Abro mais o buraco, o corpo está cortado ao meio, vou para uma posição confortável a onde possa ver dentro do corpo. Sinto o cheiro forte de sangue, meu nariz fica dormente. Todos os meus cincos sentidos melhoraram, não apenas a visão.

Olho novamente para dentro do corpo, consigo ver seus órgãos e ossos. Essa visão não me enjoa, porque como um cidadão normal da sociedade moderna, já me acostumei com essa visão em filmes, séries, etc, o único problema é o cheiro e sensação de tocar nas vísceras dele, isso não me acostumei. Olho para a costela e movo minha mão para mais dentro do corpo, seguro nela, depois a puxo com toda minha força, mas não quebra. Pego aquela pedra e, de fora do corpo, tento enfraquecer a costela.. Depois de um tempo batendo, volto para puxar por dentro do corpo. Como ela está mais fraca, se quebra facilmente. Seguro ela, cheia de sangue e gordura, então como a costela não tem parte afiada, por enquanto, quebro ela no meio usando meu pé como apoio. Partida em duas partes, uma das extremidades tem uma parte afiada. As uso para cortar a carne do corpo, vou retirando pequenos pedaços e botando em cima do seu corpo. Depois de um tempo consigo muita carne.

Corto mais o corpo para conseguir pegar alguns órgãos e pego alguns dos órgãos, como o fígado. Cansado, suado e todo sujo de sangue, me sento um pouco. Olho para as várias carnes em cima do corpo do e fico com fome.

Me levanto pagando algumas carnes. Me afasto bastante do corpo, boto os as carne em cima de alguns galhos nas árvores, para que animais não peguem.

Volto para o corpo, pego mais, vou em outra direção e coloco as carnes, novamente, em cima de galhos. Faço isso até não sobrar mais nenhuma. A carcaça do animal ainda tem muito o que conseguir, porém peguei a quantidade suficiente, mais que isso, a carne iria estragar. Peguei o dobro do que preciso por isso não me preocupo.

Agora é sair daqui, o cheiro de sangue vai atrair mais animais para cá. Preciso de um banho. Olho para todo meu corpo cheio de sangue. Se não me livrar disso, serei atacado novamente, talvez não terei tanta sorte de sobreviver. Tenho pouco tempo antes que anoiteça, então preciso tomar um banho, só tenho que ir para o rio, porém tem um problema… Onde estou?

 

Aviso do Autor:

Ender

Ender

Um amante de gatos e cachorros que decidiu escrever (. ❛ ᴗ ❛.)
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