Capítulo 11: Ataque ao Cativeiro

Me levanto e pego a espada que botei no chão e a coloco na bainha, ando até a porta e abro ela. Acabou de anoitecer. Caminho pela rua de barro em direção ao cativeiro que irei atacar, a rua está completamente escura, com muitas poucas tochas e nenhuma pessoa fora da sua casa, está um silêncio que apenas consigo ouvir a minha respiração e alguns pássaros noturnos. Como as casas são afastadas uma das outras, existem lugares que não dá para enxergar nada. Enquanto, ando até o local definido, encontro um mercenário. Ele está usando a armadura de couro, como quase todos, e um machado, seu cabelo é raspado e em conjunto com seu olhar feroz, ele faria qualquer criança chorar de medo.

— Oi, Chefe. — Ele me comprimenta e começa a andar ao meu lado em silêncio.

Nós caminhamos pela rua de barro, enquanto encontramos mais mercenários no caminho. Poucos minutos se passaram e chegamos no local de encontro, já tem várias pessoas nos esperando no local, totalizando doze pessoas, oito homens e quatro mulheres. Cada um com sua arma e proteção, como escudos pequenos e armaduras. Todos estão em silêncio esperando a ordem para ir. Não tem mais casas aqui e a única iluminação são as tochas que eles trouxeram, é uma planície de terra com algumas árvores e mais a frente tem o bosque. Lá é o cativeiro. Provavelmente, os capangas do Contrabandista já nos viram e estão se preparando para lutar

— Façam a formação! — Eu grito e os mercenários se organizam. Nós lutamos em várias batalhas e guerras juntos, por isso conseguimos agir em conjunto.

Vamos ter que lutar em um lugar fechado, por isso nenhum trouxe uma arma grande ou armadura pesada. Com todos em sua posição eu os lidero indo para o bosque.

— Mantenham seus olhos atentos, nós somos alvos fáceis aqui! — Os que estão com os escudos vão a frente, os escudos são pequenos e não irão fazer tanto efeito se atirarem flechas, mas mesmo assim ajudará um pouco.

Todos sacam suas espadas das bainhas, inclusive eu. Tiro minha espada da bainha e a sinto arrastando no couro, enquanto quando ela sai, noto o peso da espada no meu braço, na batalha esse peso é quase imperceptível. Com ela fora da bainha, fico em posição de alerta preparado para lutar a qualquer hora. Olho para a minha espada na minha frente, estou a segurando com os dois braços, a luz reflete na lâmina afiada. Depois de tanto tempo ainda continua boa.

Nós marchamos até chegar na primeira árvore.

— Apaguem as tochas! — A escuridão toma contra do local.

A diferença de iluminação não nos ajudará a encontrar eles e só nos tornaria um farol atraindo eles. Precisamos adaptar nossos olhos à escuridão, então precisamos sair da luz.

— Se espalhem!

Nos separamos em três grupos e entramos no bosque. Não consigo ver nada, mas se eu não consigo, eles também não devem. Adentramos mais na escuridão e só consigo ouvir os passos dos meus companheiros. Eu e os outros três do grupo estamos juntos, quase colados um no outro para não nos perdemos.

— Mantenham o contato!

— Grupo um, nada! — Ouço alguém gritar.

— Grupo dois, também nada!

O grupo um está a mais esquerda formação, o dois no meio e o três, o meu, a direita. Qualquer coisa suspeita, cada grupo deve informar aos outros dois e nos mantemos distantes para aumentar nosso campo de percepção.

— Grupo um, tem uma luz à esquerda.

— Certo, todos vamos para lá — Eu grito.

Vamos em direção a luz, quando chegamos vimos que são tochas nas árvores em volta de um buraco no chão. Tem uma pequena escada de madeira levando para baixo. Eu desço primeiro, lá embaixo tem um corredor um pouco largo sustentado por vigas de madeira, parece até uma mina. Cabe, pelo menos, umas três pessoas lado a lado, com tochas espalhadas para iluminar o corredor.

Olho para cima e vejo os mercenários me observando. Aceno com a mão para eles descerem, então cada mercenário desce um de cada vez, enquanto isso fico observando o corredor para cuidar que nenhum capanga apareça. Mais a frente, tem uma curva, por isso tenho que ficar atento, não sei o que tem depois dela.

Todos eles desceram em silêncio e, por enquanto, ninguém nos atacou. Com tantas pessoas juntas, aqui está apertado, mas isso não será um problema. Nós andamos devagar até chegar perto da curva, mas antes eu me abaixo e pego uma pedra no chão. Eu olho para trás e cada mercenário, todos balançam a cabeça quietos e se preparam para atacar. Então, eu jogo a pedra para frente.

Ziing! Ziing! Ziing!

Ouço o som do ar sendo cortado e várias flechas na minha frente, mas antes que a última flecha tenha caído, todos os mercenários começaram a gritar e avançar para a batalha. Todos passam pela minha frente enlouquecidos e com suas armas prontas para matarem. Eu entro no animo e começo a gritar também.

— VAMOS MATAR ESSES DESGRAÇADOS! — Levanto minha espada e começo a correr junto com todos.

Depois da curva, vejo quatro arqueiros abaixados no chão com o olhar de espanto. Atrás deles tem outros guerreiros, uns oito, aproximadamente, segurando espadas e machados. Os guerreiros passam por cima dos arqueiros e correm até a gente.

As primeiras espadas se encontram fazendo um barulho endurecedor, incômodo e familiar. Como o corredor é estreito, poucas espadas se alcançam, então a luta é de três contra três, já que não tem espaço para atacar. As pessoas que estão atrás empurram as da frente, uma confusão.

— Abram caminho! — Eu grito para os mercenários.

Eles sem nem mesmo olhar fazem um espaço livre no meio, mas os da frente continuam nas mesmas posições. Eu começo a correr pelo caminho que eles fizeram. Quando eu chego na frente, eles pulam para trás e deixam o meio aberto. Um dos guerreiros inimigos fica surpreso pelo que a gente fez, mas antes que possa entender o que houve, eu apareço na sua frente cortando a cabeça dele. Sangue esguicha para todo lado, as vértebras dele aparecem no seu tronco e a cabeça rola pelo chão fazendo um rastro de sangue.

Os que estavam ao lado dele me atacam, mas apenas me defendo de um e o outro aproveita a abertura que deixei para ele tentando me cortar, só que um mercenário aparece me defendendo. Como matei o guerreiro do centro, o meio está livre.

Ouço um assobio passando perto do meu ouvido e um grito de dor. Olho rapidamente para a origem da dor e vejo um corpo no chão com um machado cravado no peito. Eu empurro o mercenário que me defendi para a parede e logo depois uma espada atravessa seu pescoço. Aceno para o mercenário que me ajudou.

Outro guerreiro me ataca, mas me esquivo suavemente dele. Como não me atingiu, ele se desequilibra, aproveito essa chance para cortar a mão dele. Sangue jorra dela, me atingido, ele também grita segurando sua mão . Como ele se concentrou na dor, esqueceu que está em uma batalha e facilmente corto sua garganta.

Olho a batalha e percebo que já matamos seis deles. Os arqueiros fugiram para algum lugar e os dois guerreiros que sobraram se renderam. Eu me aproximo desses dois que estão de joelhos no chão implorando para não matar eles com lágrimas e ranho escorrendo do seu rosto. Pego minha espada e arranco as cabeças dos dois.

Olho para o meu corpo coberto de sangue e sinto o cheiro forte de ferro penetrar no meu nariz.

— Vamos continuar! Fiquem quatro aqui! — Grito isso, enquanto continuo a avançar pelo corredor.

Mais a frente tem uma porta de madeira. Eu caminho lentamente para a porta, enquanto evito os corpos no chão. A parede do corredor ficou vermelha depois dessa batalha, felizmente não é o sangue dos meus companheiros. Chego na frente da porta e chamo o pessoal que tem escudo. Fico na parede preparado para empurrar a porta, enquanto os de escudos ficam agachados como uma tartaruga no chão com armaduras em cima deles. Como os escudos são pequenos, não vão proteger das flechas, por isso mandei pegarem as armaduras dos corpos e fortalecer a proteção com elas.

Empurro devagar a porta com a minha espada, ela abre com um rangido estranho, quando a abro totalmente, flechas saem dela. Quando acaba nós entramos com tudo, o que estão de escudo jogam eles fora e também avançam. Entrando já vemos os arqueiros se rendendo. Também mato eles, mas isso não é o importante.

Vejo duas crianças, uma delas está em um estado deplorável, seca se nenhuma a vida. Porém a outra… Sinto uma picada de dor no meu coração. Como eles conseguiram fazer algo assim? Eles são bestas ou monstros? Essa criança está em um estado tão terrível que os mercenários que o viram fizeram careta. Sangue em todo o corpo dele, hematomas incontáveis, qualquer lugar que eu olhe está pior que o outro. Ele está com vários cortes em cada membro, seus olhos estão tão inchados que parece que eles vão explodir, quase todos os seus dedos foram quebrados. Ele está viva?

Me movo até ela e checo a respiração. Está fraca, mas ainda sinto um pouco.

— Me ajudem a levantar ele! Sejam cuidadosos!

Alguns mercenários vem rapidamente me ajudar, o levantamos devagar e saímos do cativeiro, alguns ficaram para cuidar da outra criança. Quando passamos pelo corredor, os outros que estavam esperando botaram a mão na boca incrédulos. Na escada demoramos um pouco para subi-la sem o machucar mais.

Quando saímos, um pegou uma tocha e outros três me ajudaram a levar ele para a cidade. Tenho que ir para a igreja urgentemente. Demoramos um tempo para chegar na cidade e lá cada pessoa que olha para ele fica surpresa com o seu estado.

Finalmente cheguei na igreja! Um edifício majestoso, branco e grande, com grandes torres em cada canto, um portão grande de madeira e uma pequena escadaria, ela é bem iluminada, mas não tem nenhuma tocha, fazendo contraste com a rua iluminada por tochas. Subo a escadaria rapidamente com o garoto e entro no grande portão que está aberto. Dentro dela tem vários bancos para as pessoas orarem e mais no fundo, no lugar onde o padre reza para os crentes, tem duas grandes estátuas.

Grito chamando um padre e um aparece rapidamente. Ele vê a criança e não pergunta nada. O padre está vestindo uma túnica branca com ornamentos dourados, com algo que parece ser uma boina branca na sua cabeça.

— Bote ele no chão. — Ele fala calmamente.

Com a criança no chão, o padre se agacha, move suas mãos para cima dela e fecha os olhos. Sinto um vento entrando dentro da igreja e o ar mais leve, mas também sinto como se algo estivesse sendo puxado do ar para o corpo do padre.

— A magia vai demorar, então não fiquem ansiosos. — Ele fala novamente com sua voz serena e calma — A criança vai viver.

Um peso sai do meu coração e me sento em um dos bancos. Os outros mercenários também fazem isso. Enquanto o padre faz a magia, continuo observando o corpo ferido da criança. Alguns cortes pequenos parecem que desapareceram. Ficamos assim por horas e durante o tempo todo não tirei os olhos do corpo dele. As feridas foram desaparecendo cada uma por vez e os inchaços foram diminuindo, até que todo o corpo dele foi curado. O padre se afasta e senta no chão cansado, consigo ver as gotas de suor no corpo dele. Minutos se passaram e o menino ainda não abriu o olho, mas depois de um tempo, a criança finalmente abre o olho lentamente.

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