Capítulo 12: Sendo Mostrado a Casa

Meu corpo está coçando. O que é isso? Com dificuldades abro meu olho dando de cara com um teto branco cheio de ornamentos. Viro minha cabeça e vejo várias pessoas, uma delas está sentado em um banco largo para as laterais. Ele está com o corpo sujo de sangue e com uma espada deixada ao seu lado no banco. O cabelo dele é preto e parece ser grande, já que está preso formando um pequeno rabo de cavalo. Tem uma barba pequena bem cuidada, seu rosto tem algumas pequenas cicatrizes. Ele veste uma roupa preta com uma armadura de couro, junto com botas altas. Seu olhar está direcionado para mim. Quem é ele? O que estou fazendo aqui?

Me levanto rapidamente e recuo para longe. Quando me afasto, vejo um senhor com cabelos grisalhos de joelhos no chão, enquanto ofega. Com roupas brancas e com o que parece ser um solidéu na cabeça dele.

Tem seis pessoas aqui, esse senhor no chão e mais cinco que têm armas e armadura. Parece que estou na igreja. Espera aí… Olho para o meu corpo que está inteiro sem nenhum machucado. Onde estão meus ferimentos?

O homem que estava me olhando se levanta falando alguma coisa. Fico em posição se preparando para lutar. Estou claramente em desvantagem aqui, depois eu penso o que aconteceu com o meu corpo, preciso fugir daqui. A porta está aberta. A pessoa que se levantou pega sua espada, por isso dou um pulo para trás, só que em vez de me atacar, ele coloca sua espada no chão. Os outros também fazem isso com suas respectivas armas. Relaxo a minha posição de luta, mas continuo afastado deles. Ele tenta falar algo comigo. Faço um sinal de negação apontando para a minha boca, ele faz uma cara de tristeza, mas logo ele retoma ao normal e tenta se comunicar comigo movendo suas mãos.

Ele aponta para si mesmo e fala algo. Parece que ele quer me dizer seu nome.

— ▆▇▆▇▆▆▇

O jeito como ele diz é estranho, mas parece que o nome dele é algo como Kynigos, já que ele repetiu isso várias vezes. Aceno com a cabeça para dizer que entendi, e ele mostra uma expressão de felicidade.

Agora ele aponta para mim, querendo saber meu nome, mas eu nego com a cabeça. Kynigos fica confuso, mas não liga. Ele parece se lembrar de algo e fala alguma coisa com as outras pessoas, depois um deles sai rapidamente da igreja.

Esse cara senta no chão fazendo um sinal para me sentar também. O obedeço e sento com as pernas cruzadas, ele não parece alguém que vai me machucar, talvez foi ele que me curou, além disso, estou em desvantagem aqui, lutar ou fugir não parece que vai adiantar, melhor eu obedecer ele e esperar. Nós dois ficamos se encarando até o cara que saiu voltar. Quando o cara chega, vejo que na mão dele tem vários pães e uma jarra com água. Ele bota a água na minha frente, tem um copo dentro da jarra. Olho para o Kynigos e ele gesticula com a cabeça concordando. Sem perder tempo, devoro os pães, eles são mais duros que os que comia na terra, mas mesmo assim, a fome fez eles ficarem macios. Devorei cada um rapidamente, também bebi água a cada mordida, então a jarra esvaziou. No momento em que termino, olho para frente e vejo o Kynigos com um sorriso, que ao contrário do guarda, é um sorriso bondoso e gentil.

Certo, o que eu faço agora?

Kynigos se levanta e me chama, após isso ando em sua direção, ele começa a sair da igreja e eu o sigo. As outras pessoas também nos seguem após falar algo com o senhor de branco e o entregar o que parece ser uma moeda.

Todos começamos a caminhar pela cidade à noite, os habitantes olhavam para a nossa combinação estranha, uma criança com vários adultos ferozes, sujos de sangue, carregando armas e vestindo armaduras. As ruas são mais bem iluminadas, ainda tem tochas, mas também tem vários postes espalhados, as casas são do mesmo estilo de quando cheguei aqui, medievais, com as paredes de pedra, vigas de madeiras e telhados triangulares. A rua é larga, dá para passar várias pessoas aqui, com o chão de pedra bem liso com poucas deformidades. A maioria das casas tem dois andares e nenhuma está pintada. Nessa parte da cidade não está fedendo tanto a mijo e fezes. E a principal diferença, é o números de pessoas, depois de despistar o guarda eu caminhei até chegar a floresta, só que no caminho não tinha ninguém, aqui a diferença é clara, várias pessoas conversando alegres, rindo e comendo bastante. É um clima de felicidade.

Caminhamos pela rua por vários minutos até que o Kynigos para. Ele se agacha até a minha altura e aponta para uma casa que tem quatro andares e fala algo comigo. Todos nós entramos na casa. Quando cheguei na porta, já consegui ouvir várias risadas lá dentro, a porta é uma saloon, estilo bares de faroeste, dentro é bem iluminado e claro. De primeira visão, tem uma escada mais a frente e uma entrada à esquerda, é dessa entrada que vem o barulho de risos. No momento que me viro para a ir a esse lugar, vejo várias pessoas bebendo e se divertindo, tem algumas dançando e gritando alto, tem várias mesas e cadeiras, no fundo tem um balcão onde está uma moça servindo o pessoal e atrás do balcão, ao que parece, tem uma cozinha. Percebo uma criança pequena correndo por esse bar, parece ter a mesma idade desse corpo, no momento em que ela vê o Kynigos, a criança corre a toda velocidade e dá um pulo, ele a pega e a levanta, a criança começa a rir e brincar. Eu fico de lado observando. A pequena tem seus cabelos castanhos escuros que passa um pouco dos ombros, enquanto usa um vestido rosa com várias flores desenhadas nele.

A mulher que está atrás do balcão também vem abraçar o Kynigos. Ela tem cabelos castanhos escuros, como a filha, mas longos, só que eles estão presos com uma mecha na frente do ombro. Seu rosto não é delicado, mas é muito bonito. A mulher usa um vestido longo marrom que cobre os pés com um avental na frente do vestido. Eles ficam assim até a criança descer dele apontando para mim. A mulher também me percebe e se agacha na minha altura e diz algo, mas Kynigos, provavelmente explicou para ela que não os entendo. A criança alegremente vem correndo para mim e fica me observando com grandes olhos. Obviamente, ela é a filha do Kynigos e essa mulher a esposa, talvez ele queira que eu fique aqui?

O pai da menina se abaixa e fala alguma coisa no ouvido dela, enquanto ele fala os seus olhos começam a brilhar. Depois que ele termina de falar, a menina pega meu braço rapidamente e começa a me arrastar pela casa. Ela primeiro me leva para apresentar as pessoas que estão bebendo e se divertindo no bar, tentando falar comigo os nomes deles, os repetindo para eu entender, são nomes variados e estranhos. Depois ela vai para atrás do balcão, onde fica a cozinha e me mostra tudo lá. Tem uma mesa grande no meio com vários alimentos em cima dela, alguns armários na parede e uma porta no fundo da cozinha. Ela então me arrasta para o primeiro andar, subo as escadas e vejo o corredor com quatros portas e quadros na parede, há outra escada levando para o segundo lugar, então ela tenta me levar para lá também, mas antes que a gente suba, a criança parece se lembrar de algo. Ela aponta para si mesma e fica repetindo uma palavra. Metys. Acho que esse é o nome dela. Balanço a cabeça, gesticulando que entendi. Sem esperar um segundo, Metys me arrasta até o segundo andar, que é praticamente a mesma coisa do primeiro. Porém no terceiro tem uma diferença, em vez de ser um corredor com quatro portas, logo depois da escada tem uma porta, bloqueando a entrada.

A Metys pega uma chave do bolso de seu vestido e abre a porta. Entrando eu vejo um quarto gigante, com uma janela no fundo, logo abaixo da janela tem uma cama, tem algumas caixas de madeira no quarto, um armário perto da cama e o teto do quarto é inclinado por causa do telhado. A menina solta a minha mão indo até o armário, lá ela tira vários cobertores e os joga ao lado da cama, depois a criança os arruma e faz uma cama de lençóis. Matys aponta para mim, depois para os cobertores no chão e move suas mãos juntas para a cabeça fingindo dormir. Parece que vou dormir aqui.

 

 


 

 

O Contrabandista está na minha frente com as mãos na cabeça, enquanto segura a minha espada apontando para o seu pescoço.

Consegui interceptar ele quando ia para seu esconderijo. Estamos agora em uma das partes pobres da cidade ao ar livre, aqui está mal iluminado com apenas algumas tochas jogadas e outras ao longe nas casas. Tem vários corpos no chão e a única pessoa viva são os mercenários e o Contrabandista.

— Como é saber que agora vai morrer executado na praça, enquanto várias pessoas vão te xingar? — pergunto para ele.

— Não tão interessante como comer a sua mãe — o Contrabandista me responde com um sorriso de escárnio no rosto.

Abaixo minha espada do seu pescoço e dou um soco no seu rosto, ele cai no chão, enquanto segura seu nariz, que talvez tenha quebrado agora. Ele vai morrer depois de amanhã executado, vou poupar meus esforços.

— Arrastem esse merda para a prisão da guilda! — grito para os mercenários.

— Sim, Vice-Comandante. — alguns mercenários me respondem.

 

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