Capítulo 14: Presidente da Guilda

Quando estávamos batendo no Contrabandista, eu saí, voltei para casa e fui dormir. Agora está quase amanhecendo e minha esposa acordou. Estamos deitados lado a lado na nossa cama, ela está com os olhos abertos, mas parece que não acordou, já que olha para o teto fixamente.

— O que você acha daquele menino, amor? — pergunto olhando para ela.

— Hum? — Ela volta para o mundo real e se vira em minha direção. — Ah, o de olhos vermelhos. Pelo pouco que vi, parece que ele está completamente desligado de tudo, como se estivesse aqui porque sim. Não o vi muito para ter uma opinião

— Hum… Entendo. — Me levanto da cama e me sento nela. — Acho que vou deixar ele ficar aqui até achar os pais dele.

— Então tá. — Friggia me responde completamente desligada.

Me levanto e coloco uma roupa, então saio do quarto. Vou até o bar e abro as janelas dele, vejo que o céu ainda está um pouco escuro, mas logo irá amanhecer. Na cozinha, começo a preparar as coisas que iremos precisar para fazer a comida, nela tem a mesa no meio onde cortamos a comida, o armário para guardar os talheres e uma porta no fundo do lugar. Ando até a porta e a abro, lá vejo um quintal, é pequeno e cercado por paredes, porque do outro lado tem mais casas, em um dos lados do quintal, há várias lenhas empilhadas, do outro lado tem uma porta, que é o lugar onde guardamos as comidas e ao meu lado tem um fogão desligado. Metade do quintal é coberto para caso chova, observo o céu da parte não coberta. Está começando a ficar mais claro, mas ele ainda está um azul escuro. Caminho até as lenha dessa e boto uma no meu ombro, depois coloco o pedaço de madeira dentro do fogão, ele é largo para laterais, tem dois buracos grandes em cima um do outro, o de baixo é para o fogo, o de cima para a comida, e tem uma chaminé no topo dele. Eu acendo o fogo e deixo queimar, então saio do quintal e volto para a cozinha.

Friggia se levantou e já está na cozinha. Ela tem seu cabelo amarrado, vestindo roupas simples marrom e com seu clássico avental branco sem renda. Percebo que seu rosto jovem ainda está com um pouco de sono. Minha mulher fica com os braços estendidos pegando no armário algumas coisas para cozinhar.

— Ah, Kynigos. Precisamos comprar algumas verduras, já está acabando o estoque. — Ela se vira para mim, enquanto fala.

— Certo, certo — respondo com um sorriso.

— Você está muito feliz e animado ultimamente, o que está acontecendo? — Enquanto conversa, Friggia bota o que ela pegou no armário em cima da mesa.

— Nada, não está acontecendo nada. — Começo a dar pequenas risadas.

— Tem alguma coisa ai… — Ela cerra seus olhos desconfiando de algo.

— É sério, não está acontecendo, absolutamente, nada. Aliás, vou chamar as crianças. — Saio da cozinha e subo as escadas até o terceiro andar.

Abro a porta devagar para ver se os dois ainda estão dormindo. Na pequena abertura vejo minha filha dormindo tranquilamente e a criança que resgatei sentado em vários lençóis com as pernas cruzadas e os olhos fechados, mas assim que o vejo, ele me percebe. Parece que ainda está desconfiado da gente.

Eu o chamo acenando com a mão, ele se levanta lentamente, sem fazer barulho, e anda até mim. Abro a porta mais um pouco para ele passar, e a criança para na minha frente. Fecho a porta e desço com ele até o bar. Aponto para ele se sentar em uma das mesas. Vou até minha esposa e converso com ela.

— Metys, está dormindo, então acho que irei sair com o garoto — digo isso, enquanto vejo ela cortando carne

— Certo. Não morra — fala Friggia rapidamente.

Por que eu iria morrer comprando vegetais?

Pego uma cesta, chamo o garoto, então saímos juntos. Nós dois ficamos em silêncio no caminho, enquanto observamos o nascer do sol. A luz laranja preenche o céu azul escuro, fazendo um gradiente lindo de se observar, as sombras grandes que as casas fazem no chão, o lindo canto dos pássaros de manhã. E ambas as muralhas são iluminadas fazendo grandes sombras, as que nos protegem da Floresta de Gluur, e a que fica no centro da cidade. Do outro lado da cidade, perto das muralhas do centro, vejo várias chaminés com fumaça saíndo delas. Nunca me enjoarei disso. Porém, tem algo que me incomoda, o olhar desse garoto. É sem vida e parece que não reflete luz de tão frio. Não é um olhar triste ou de raiva, simplesmente é algo sem nada, indiferente. Me pergunto o que fizeram para fazer uma criança chegar a esse nível.

Caminhamos e chegamos na Rua Principal, ela não está tão cheia como antes, mas tem pessoas montando suas barracas de comida. Dessa vez, vou seguindo em frente, a Rua Principal se ramifica em dois mais lugares, fazendo ela ter um formato de “T”. Sigo para o lado direito da ramificação. Ela é tão larga e grande como a principal com várias lojas ao lado. Lá vejo muitas pessoas fazendo seus lugares para vender. Aqui é a freira da cidade. O lugar já está agitado por causa dos vendedores se preparando, mesmo sendo de manhã. Várias pessoas gritando chamando uma a outra, algumas carregando caixas por aí, outras correndo, uma bagunça total. A quantidade de mercadoria é bem diversificada aqui, tem gente vendendo frutas, roupas, artes, acho que deve ter até armas.

Ando até alguém que sempre compro nele. O homem está levantando sua barraquinha, com várias caixas com verduras e frutas ao seu lado. Ele veste uma roupa longa e um pouco rasgada, enquanto. Converso com ele um pouco e compro várias verduras.

O garoto nunca sai de perto de mim, ele fica observando tudo que vê, movendo sua cabeça e olhos para todo canto, mas não falou nada e nem interagiu com ninguém. Aliás, não sei o nome dele, tentei perguntar, porém não me respondeu. Ele é estranho, parece que estava meditando hoje de manhã, mas por que uma criança faria isso? E seu rosto está cheio de olheiras, parece que não dormiu bem essa noite. Seus olhos vermelhos são o mais interessante, porque parece que ele não é um demônio, mas mesmo assim não fala nossa língua. Talvez ele seja de outra parte do continente, mas por que está aqui?

Vou na guilda primeiro. Junto com ele ando até a guilda, que a essa hora também tem uma multidão nela. Comprimento todo mundo e subo para o primeiro andar, lá em cima, caminho até uma das portas e bato nela. O presidente dessa guilda manda eu entrar depois de um pequeno tempo

Entrando na sala, o vejo sentado em uma mesa com muitos papéis empilhados e cadeiras na frente, tem duas janelas na parede atrás dele, mas estão com as cortinas fechadas, há algumas plantas decorando a sala e alguns quadros. Ele está usando uma jaqueta de tecido preto, com uma camisa clara por baixo, seu cabelo é ralo e grisalho, seu corpo musculoso. Ele já está velho, por isso seu rosto tem várias rugas

Miriari, fala para eu sentar. Deixo as compras ao lado da porta e o menino ao meu lado. Ele estranha o porquê do garoto está aqui, porém ignora.

— Só queria avisar pessoalmente, que capturei o Contrabandista.

— É, eu percebi isso alguns minutos atrás — ele fala como se estivesse cansado. — Poderia ter me avisado antes.

— Claro que não, imagina eu ir incomodar seu sono.

— Você sabe que sou seu superior, né?

— Sim.

— Então, me respeite como seu superior. Aliás, o que aconteceu com o Contrabandista? O rosto dele parece que foi envenenado de tão inchado que está.

— Você não vai acreditar… — Dou uma pausa dramática tentando criar um suspense.

— Fale

— Ele caiu da escada.

O Miriari coloca a mão no rosto como se sentisse dor de cabeça.

— Ah, sério?

— Sim, serrissimo.

— Por que eu tenho que aguentar isso?— Ele acaricia suas têmporas enquanto resmunga para si mesmo.

— Porque você é o nosso querido presidente. — Movo minhas mão fazendo um coração para ele.

— Você não tem idéia o quanto essa operação deu trabalho e gastou nossos fundos. A quantidade de pessoas que você usou não foi pouca e ainda você bate nele, melhor dizendo, o faz de saco de pancada?

— Precisamos retirar o ódio do nosso pessoal, aliás ele caiu da escada. Bati em ninguém não.

— Não me diga! — O Miriari eleva um pouco sua voz.

Um dia esse velho morre do coração de ódio. Ele respira um pouco e tenta reclamar, mas antes disso outra pessoa bate na porta. Miriari fala para a pessoa entrar, então uma mulher aparece e diz para ele.

— Tem uma mensagem de uma família nobre querendo falar com o senhor sobre o contrabandista.

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