Capítulo 23: Convencendo a Não Brigar

Depois das árvores saírem da minha visão, olho para o local que passarei os próximos meses. É um grande campo gigantesco sem nenhuma árvore, além de ser de terra. Parece até que a floresta forma um muro laranja ao redor do campo vazio. Acho que é maior que um estádio de futebol. Em uma parte desse lugar, há uma grande cabana de madeira, ela é bem larga, maior que qualquer casa normal.

O pessoal se afasta da floresta e se espalha observando esse campo, o silêncio se vai e é substituído por várias conversas.

O homem chama a todos, então as pessoas se juntam esperando ele falar.

— Como vocês sabem, esse vai ser um treinamento mercenário. Queremos criar soldados para o futuro, por isso espero seriedade de vocês, não tenho paciência para lidar com seus problemas. — Seu cabelo é cortado e sua barba bem feita, usa um roupa de couro, com uma espada na cintura. O rosto dele é sério. — Não me importo se vocês brigarem ou discutirem — sinto seu olhar em mim —, porém qualquer confusão desnecessária, ou me atrapalharem, vão ser expulsos.

Talvez ele esperasse que eu tivesse brigado antes? Ou quer ver aquele menino discutindo comigo. Nesse momento, sinto outro olhar, procuro de onde vem e percebo que é o rapaz que trombou comigo. Só quero treinar em paz.

— Descansem agora, porque depois de começarmos não vamos parar. — Ele fala isso e vai em direção a cabana.

Esse lugar vai me dar uma dor de cabeça. Sinto que não vou ter minha paz aqui. Olho para cima observando o céu, não tem tanta nuvem e o sol está clareando tudo, além do céu azul. Ouço passos vindo. No momento em que olho para a direção do barulho, vejo o rapaz que quer arrumar briga comigo vindo para mim sorrindo.

— Agora que o supervisor não está mais aqui para te defender, o que você irá fazer, demônio — ele fala.

Parece que não vou poder mais ignorar ele, já que isso só vai piorar depois, porém também não quero receber muita atenção logo no começo. Esse cara se sentiu ameaçado com alguma, ou é só seu preconceito?

— O que você quer? — digo friamente olhando nos seus olhos.

— Não acho que um demônio conseguiria ter dinheiro para pagar esse treino, o que você fez para vir para cá? — fala ele com um olhar ameaçador, as sobrancelhas franzidas e chegando cada vez mais perto de mim.

— Eu não sou um demônio, isso é algo da minha família.

Bem, com toda certeza é algo genético, além de nunca ter visto um demônio na minha frente para conseguir dizer algo se eu sou ou não.

— Você acha que vou acreditar em uma mentira assim?! — o rapaz eleva sua voz.

— Acredite no que quiser.

Dou de ombros, então me afasto dele.

— Vai para onde? — Esse rapaz vem até mim e segura meus ombros.

Nesse momento, me viro rapidamente, depois pego no colarinho da sua roupa, ajeito meus pés e postura e o derrubo no chão com tudo na pura força bruta.

BOOF!

Ouço um som abafado, além da poeira sendo levantada da sua queda.

— Peço que não me encoste, por favor. — digo olhando para esse cara deitado no chão com um olhar misturado de surpresa e raiva.

— Seu merda! — ele xinga, ainda deitado no chão. Ele está tremendo. Medo ou raiva?

Percebo que outros começam a vir até ele o ajudar. Alguns até me cercam. São amigos ou capangas? Tiro minha mochila das costas, a coloco lentamente no chão, mudo minha postura para luta. Contraio meu core e coloco ambos meus braços na frente. São muitos, não acho que consigo enfrentar todos. Tsk, só quero paz. É tão difícil? Se quiser enfrentar eles, vou precisar manter distância e lutar com poucos de cada vez. Posso recuar para a floresta para controlar a quantidade de pessoas por vez. Começo a andar para trás, mas vejo que eles fizeram um círculo com eu no centro, não consigo enfrentar todos eles.

— Não precisamos fazer isso — eu falo

— Cala a boca — diz ele se levantando do chão.

Está claramente com raiva, a maioria das abordagens pode não funcionar.

— Você sabe que ele está nos testando. — Abaixo minhas mãos

— O que? Quem? — Ele me olha com os olhos duvidosos.

— Por que acha que o cara falou exatamente aquelas palavras?

Talvez eu parta para o orgulho.

— Esse homem está brincando com a gente. Quer nos ver brigar, testar o limite da nossa força, é tudo uma estratégia. Nesse momento, estamos dançando nas mãos dele. — Continuo meu pensamento tentando escapar dessa situação.

O rapaz fica em silêncio pensativo, só que ainda está pensando em mim com raiva e o pessoal ao me cercando ainda está sério. Não é o suficiente.

— É apenas o primeiro, não sei vocês — me viro olhando para os que estão à minha volta —, não quero fazer parte de uma brincadeira de um desconhecido.

Ainda falta.

— Vamos passar vários meses aqui, já conseguimos ver o tipo de pessoa que vamos lidar. Devemos esperar e ver a reação deles.

Será que partir para cima dos treinadores é o certo? Bem, já comecei isso.

— Lutando aqui, vão saber quem somos nós, porém não saberemos quem são eles.

Pensando melhor, não faz muito sentido. Ainda bem que está funcionando. O pessoal que me cerca relaxou a guarda, posso fugir agora? Não, não dá ainda.

— Por que você está falando como se os treinadores fossem ruins? — o rapaz me pergunta.

Ele se acalmou um pouco.

— Primeiramente, qual o seu nome?

Ele pára um pouco antes de responder.

— Maksi.

— Entendi, sou Morrigan. Então, Maksi…

Ele, provavelmente, não quer ir contra os treinadores. Certo, não dá para ir por esse caminho

— …os treinadores não são ruins, só não gosto de me sentir usado. Já falei isso, eles só querem nos ver brigar para nos testar.

— Não vejo problema em deixar nos testar. — Maksi estala seus dedos

Ele já não está com tanta raiva como antes, só que ainda quer brigar. Ir pelo caminho dos treinadores não está funcionando tanto.

— Você acha que é apenas testar? É diversão. Eles devem estar nos vendo escondidos. Não gosto de ser um brinquedo, vocês também não, né? — Olho em volta e vejo eles balançando a cabeça. O Maksi percebe seus capangas concordando comigo. Ele foi influenciado pela manada.

— Entendo. — Seu tom de voz dá a entender que está pensando.

Melhor não fazer nada a partir de agora, o trabalho já foi feito. Espero que os treinadores não fiquem chateados, é tudo pela paz maior. Se bem que, aquele homem é um desgraçado, levou a tudo isso acontecer, deve estar se divertindo dentro da cabana.

Os que me cercam começam a sair sem o Maksi falar nada, perceberam que não vão precisar mais me segurar aqui. Ainda não é o momento de sair.

— Vou acreditar em você, por enquanto, mas iremos resolver isso depois! — Maksi fala isso e começa a andar.

Sigh… Solto um suspiro interno. Consegui não ser espancado. Todos que me cercavam saem espalhados. Esse cara não devo mexer de novo, parece que tem sua própria gangue aqui. Sinto que isso vai trazer mais problemas no futuro.

Relaxo completamente meu corpo. Isso foi complicado, devia haver um caminho melhor, ainda bem que assim funcionou. Mal cheguei aqui e já conquistei dezenas de inimigos, que orgulho. Os que estavam vendo o espetáculo, também começaram a se dispersar. Parece que estou famoso.

Boto minhas mãos no bolso e ando até uma das árvores atrás de mim. Lá, encosto minhas costas, observando o lugar que se acalmou. Daqui a pouco, já recomeça a agitação, por causa que vai começar o treino, não tenho mais tanto tempo para relaxar, maravilha.

Falando no diabo, vejo o homem, que causou tudo isso indiretamente, vindo. Ele está acompanhado por mais adultos, os outros treinadores que vieram junto. Os rostos deles são uma mistura de expressões, a maioria está sério, outras consigo ver uma pitada de empolgação e em outros, apenas cansaço. Eles param na frente da multidão, e a multidão fica em silêncio esperando para falarem.

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