Capítulo 26: Treino de Luta (2)

A maga caminha tranquila até o lugar que irá lutar, o capuz me impede de ver seu rosto, a túnica dela é preta sem nenhum outro detalhe. Ela e seu oponente ficam na frente um do outro só esperando a ordem para lutar.

Como será que é um mago? Como eles funcionam? E como eles usam magia? Depois pergunto a ela. Ainda tenho uma desconfiança de como magia, aura e mana funcionam, como deve ser a ligação deles com o mundo, pelo que me falaram, não faz nenhum sentido físico. Bem, descubro depois.

— Comecem!

As outras duplas começam a lutar, mas a maga e seu oponente não se mexeram ainda. Olho para o menino que está lutando com ela e vejo, ao que parece, ela com medo de ir lutar. Os Magos são tão assustadores assim? Talvez, não seja só magos, acho que Controladores de Mana em geral, já que eles parecem ser especiais.

O menino começa a avançar contra ela lentamente e com a guarda levantada. A atenção do público está inteiramente neles, acho que a curiosidade sobre um mago deve ser grande. A menina ainda não fez nenhum movimento, só que ao contrário da minha luta, o oponente não vai mais rápido, e sim fica mais hesitante.

A cada segundo, sinto a ansiedade da platéia aumentando, enquanto espera a maga fazer um movimento. Vejo o suor frio do participante pingando do seu rosto, o corpo dele está completamente duro. A batalha nem começou e esse ai já perdeu, acho bem mais provável ele perder por um ataque do coração, do que uma magia. Essa é uma luta controlada, não entendo o porquê dele estar assim, ele não vai morrer e nem se ferir seriamente. É um medo inútil.

Tento ver o que ela está tentando fazer, mas ainda não consigo adivinhar, então quando menos espero, o oponente da maga cai no chão. Todos param sem entender nada. O menino ainda está deitado sem fazer nenhum movimento, seus braços estão ao lado do corpo, como se estivesse preso. Ficamos esperando qualquer movimento dele por segundos, porém nada acontece. A maga então vira seu corpo e fica olhando o treinador, que logo após fala que ela pode ir. Assim que a menina sai, o menino volta a se mover e se levanta com um rosto descrente. Ele parece assustado e pega move seus braços como se finalmente fosse livre. O que ela fez? Talvez seja algum poder psíquico que controla o corpo? O garoto volta ao seu lugar. Depois o pergunto o que aconteceu.

As outras batalhas continuam normalmente, só que há uma pequena tensão no que consigo sentir. Será que eles estão com medo por ela ser um demônio ou por ser forte o suficiente para imobilizar alguém sem nem se mexer do lugar? Cada minuto que se passa parece que esse treinamento de três meses não vai ser tranquilo.

Olho para a maga que está com seu rosto coberto, enquanto fica parada fazendo, aparentemente, nada. O que ela está pensando? Ela deve estar cientes dos olhares nela, só que mais importante, o que um mago está fazendo aqui? Eles não deveriam ser raros? E por que um estaria aqui, já que deveria ser forte o suficiente para derrotar todos aqui? Preciso saber quem é ela.

O tempo passa e os outros terminam suas lutas, então logo após, o Kayatos chama outra rodada de alunos para lutar, dessa vez ninguém chama minha atenção. Os que vêm lutar não parecem tão confiantes iguais aos anteriores, acho que eles estão envergonhados de suas próprias forças. Tirando um que parece ser um pouco mais confiante que os outros.

Eles andam até suas posições e começam a lutar, fico de olho naquele que é mais confiante que os outros. Ele e seu oponente se encaram, ambos estão com as mãos na frente e com a guarda levantada. Suas bases são um pouco diferentes, o oponente é mais encolhido, com seu abdômen contraído, além de seus punhos um pouco mais perto do rosto. O outro tem sua base mais aberta e passos leves, consigo perceber até ele dando alguns pequenos pulos de vez em quando. O cabelo desse é um castanho bem cuidado, seu rosto é sério, mas consigo ver algum sorriso na sua boca, não de desprezo, é mais como se ele se divertisse com isso e é bastante alto, quase da minha altura ou maior.

Os dois andam em encontro normalmente, só que do nada um avança rápido, vejo sua guarda relaxar, consequentemente, criando mais aberturas. O rapaz confiante parece que também viu isso, ele se esquiva para o lado levemente e dá um soco na cabeça do oponente, que faz ele se desequilibrar. O confiante deixa o menino retomar a posição de combate sem fazer nada, apenas esperando.

Ele dessa vez é mais cauteloso, e o rapaz mantém sua postura leve. Esse cara não está levando nenhum um pouco a sério. Bem, não ligo para isso.

Chegando perto do outro, o menino dá um soco, só que dessa vez com mais cuidado, o confiante dá um pulo para trás, só que logo depois avança rapidamente, ele chega bem na frente dele e desfere uma joelhada no abdômen dele. Esse cara é bastante rápido e ágil. Vejo cuspe saindo da boca dele, então ele agarra sua barriga com dor. O rapaz apenas observa isso em silêncio, sem fazer nenhum movimento. Seu sorriso de canto de boca aumenta mais um pouco.

O menino se recupera do chute e o olha com raiva, então ele tenta ir mais uma vez lutar. Esse é destemido. O confiante espera ele vir, então o outro anda rapidamente dando um soco totalmente aberto, o rapaz só se esquiva para trás sem contra-atacar. O oponente continua a sua investida socando novamente, o mesmo processo se repete e ele apenas desvia. Ainda não satisfeito, o menino continua, só que dessa vez, o confiante ataca. Com apenas um passo, ele avança e dá um soco, já que é ágil e rápido, o outro não consegue desviar, a cabeça dele vai para trás e leva o corpo junto, por isso cai de costas. Nocaute lindo.

A batalha acaba e os dois saem do campo. Observo o rapaz voltar para o seu lugar, ele é recebido por algumas pessoas, que o parabenizam. Não parecem ser amigos, são mais como subordinados puxando o saco do chefe. Quando o observo, vejo que ele olha para mim, ficamos nos encarando até ele dar um sorriso e voltar a conversar com o pessoal à sua volta.

As outras batalhas ocorrem como planejado, sem nada especial a comentar, além de que as pessoas daqui sabem lutar bem ou, pelo menos, sabem o básico de luta, ninguém é totalmente amador, é claro, tem alguns medrosos que hesitam, os que ficam nervosos e os que fogem, mas esses são minorias. Também é impressionante que aqui reclamou que não queria lutar, todos aceitaram normalmente esse treinamento, talvez seja a cultura daqui e, também, porque eles pagaram para entrar aqui.

Essa última luta foi interessante. Sinceramente, acho que ela duraria mais se o cara não fosse tão imprudente, além dele ter se estressado no final, que só piorou a situação, mas com a personalidade do oponente dele, acho que ficar com raiva é bem fácil, deu para sentir claramente que ele estava brincando com o outro, só que do jeito que ele estava brincando, a força dele é bem alta, sua agilidade é impressionante.

Assim que o Kayatos chama os próximos a lutar, vejo que o garoto de casaco preto foi escolhido, o mesmo que me encarou quando cheguei aqui. Seu rosto está sério, não parece que ele força seu rosto igual aos outros. Ele caminha lentamente e espera o treinador mandar a ordem.

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