Capítulo 27: Treino de Luta (3)

Os dois andam até seus lugares, e mesmo sem o treinador falar a ordem, o garoto de casaco preto levanta sua base e ajusta sua postura. O rosto dele é sério, não demonstrando nenhuma outra emoção. Ele encara seu adversário, sem nem piscar os olhos, é como se preparasse para uma luta até a morte.

O treinador dá a ordem e as duplas começam a lutar. O garoto não avança direto, mas vai lentamente em direção ao outro. Seus passos são pesados e sua postura fechada, mesmo assim cada passo que ele dá parece ser bem pensado para chegar no oponente.

Os dois se encontram, então, sem esperar, o garoto soca com velocidade para frente, porém seu adversário se esquiva para trás. Não parando, o garoto segue em frente dando um soco com a outra mão e retornando uma para a defesa. O oponente se esquiva de novo, só que dessa vez é uma esquiva desajeitada. O menino de casaco preto então vira seu corpo rapidamente, trazendo consigo uma das pernas para pegar ímpeto e dando um chute alto que passa raspando pelo nariz do adversário.

O oponente aproveita essa chance, já que um chute dessa altura abre muitas abertura, e avança. Com apenas um passo, ele dá um soco forte mirando no rosto do menino, que ainda está tentando voltar seu equilíbrio após esse chute. O punho passa ao lado da sua cabeça, porque ele moveu ela no último segundo. Com o braço ainda ao lado, o menino dá um golpe no rosto do seu oponente que o acerta e o faz recuar. Segurando o nariz, ele observa com raiva o garoto não parando de atacar ele. Um chute baixo acerta a sua perna, sorte que conseguiu puxar ela para cima, se não acertaria o seu joelho, e pelo barulho que fez, ele não sairia ileso.

Recuando com velocidade, o oponente tenta manter uma distância segura para recuperar seu fôlego após esse embate. Acho que ainda está cansado, tendo que lutar após correr em uma intensidade alta e caminhar por horas não é fácil.

O de casaco preto continua indo atrás do outro lentamente, observando o melhor momento para ir ao ataque. O que está fugindo para, então também parte para cima. Os dois se encontram e o oponente é mais rápido em dar o soco, só que o de casaco agarra mão dele e o puxa, vejo ele colocando o pé em um local específico que faz o adversário tropeçar. Só que ele não cai direto sem fazer nada, percebendo que o de casaco quer o imobilizar no chão, o adversário rola. Que não adianta de nada, porque logo depois o menino pula para frente e chuta as costelas dele enquanto o outro ainda rola.

Consigo ouvir o barulho de algo quebrando daqui. O oponente solta um grito tão alto que todos voltam seu olhar para a dupla. Observo o de casaco preto com o rosto indiferente como se não tivesse acontecido nada. O treinador vem calmamente andando até o que está gritando, ele sente as costelas quebradas com a mão e depois o levanta apoiando no ombro.

O de casaco observa sem demonstrar nenhuma emoção ou se mexer, ele apenas espera algo. Movo meu olhar entre a plateia para ver as reações deles pelo ocorrido, a maioria é de indiferença ou com feições assustadas. O que arranjou briga comigo está conversando, ignorando tudo o que acabou de acontecer. O confiante está com um grande sorriso no rosto. A maga não consigo ver o que ela pensa sobre isso, por causa do capuz cobrindo seu rosto.

Isso deve ser comum aqui, eles já estão acostumados com visões ou acontecimentos piores que esses. Bem, não que eu ligue para um desconhecido também.

Vejo o treinador voltando normalmente, ele anda para onde estava antes, olha o de casaco preto parado no mesmo lugar e o manda ir. O menino caminha tranquilo, enquanto retorna para a sua posição.

O tempo passou, só que não houve nenhuma luta que chamasse muita atenção. As batalhas só pararam quando todos lutaram. Deu para ver vários estilos de lutas, consequentemente, as personalidades, ou partes delas, de quem lutou. O nível de habilidade das pessoas que vieram é acima da média, acho que elas se tornariam bons mercenários mesmo que não viessem para cá.

— Certo, já terminamos aqui. Vamos comer um pouco antes de continuarmos — disse o treinador.

Alguns de nós tem machucados no rosto ou no corpo, e outros estão completamente ilesos. Caminhamos seguindo o Kayatos, ele caminha pela frente da cabana até chegarmos do outro lado dela, lá vemos um local com várias mesas longas de madeiras com cadeiras que acompanham a largura das mesas, típicos de um refeitório. Esse lugar não é a céu aberto, tem um telhado feito de madeira cobrindo todo o lugar, com alguns pilares para segurar todo o telhado nos cantos.

Ando até um desses pilares, coloco minhas mãos no bolso e observo todos se sentando em seus lugares. Percebo que há dois grandes grupos aqui, bem divididos, o do menino confiante, e do menino que arranjou uma briga comigo. Boa parte do pessoal daqui está em um desses grupos. Parece que cada um desses dois grupos não se misturam.

O Kayatos chega segurando uma grande panela junto com outras três pessoas que também seguram grandes panelas e pratos de madeira empilhados. Tem uma pequena mesa feita de pedras ao lado da cabana, onde eles botam a comida. O treinador pede para formarmos uma fila, então todos se levantam e fazem o que ele manda. Enquanto eu ia para o final da fila, vejo o menino confiante e o Maksi sendo colocados em primeiros pelo pessoal. Sem me importar com isso, ando até o final dela. Observo eles pegarem suas comidas e sentarem no mesmo lugar que estavam sentados antes.

A fila anda lentamente, os bancos vão sendo ocupados aos poucos, até que chega a minha vez de pegar a comida. O Kayatos está de lado observando a todos. Um homem musculoso me dá um prato, seus braços tem várias cicatrizes e é careca, dando uma sensação ameaçadora. Ele pega uma concha e joga o ensopado no prato, após me dar uma colher. O ensopado é bem simples, não consigo ver nenhuma carne, mas tem algumas verduras, umas são tão parecidas com as da Terra, que as chamo do mesmo nome. Como a batata que é igual às da Terra.

— Por que você me ignora, Vicit? Eu sempre estive ao seu lado.

Tento achar um lugar vazio para me sentar, então vasculho cuidadosamente. Nesse momento, percebo que várias pessoas estão ao lado da maga fazendo perguntas. Parece que vai demorar até eu falar com ela. Caminho pelo local até chegar a uma mesa com um lugar vazio, onde me sento. Olho meus lados e percebo que não há ninguém que possa me incomodar.

Com a colher na mão, corto a única batata no meu prato, pego um pouco do caldo do ensopado e junto com o pedaço da batata, levo para a minha boca. Quando a comida encosta na minha boca, sinto o sabor delicioso. Está sem sal como a maioria das comidas desse lugar. A comida que a Friggia faz é melhor. Pego o caldo puro e aprecio o sabor. Comer com fome é uma experiência única. A caminhada já gastou minha energia, então logo em seguida corri e, só para piorar, tive que lutar. Mas isso não é a única coisa que me incomoda, ainda falta a maior parte do dia, sinto que daqui a pouco o sofrimento vai recomeçar. Bem, não é algo que me incomoda.

Termino meu prato devagar, já que gosto de comer apreciando o que estou comendo. A maioria dos alunos também terminam e estão conversando alegremente. Coloco meus cotovelos na mesa, apoio minha cabeça nas minhas mãos, enquanto observo todos conversando.

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