Capítulo 28: Teste de Aptidão

Observo sozinho todos conversarem em uma atmosfera alegre. O treinador para de ficar nos olhando no canto do refeitório e anda até o meio do lugar, os alunos movem suas cabeças observando o Kayatos, eles ficam em silêncio o esperando falar.

— Se levantem! — grita ele. Todos rapidamente se levantam e ficam ao lado da mesa, inclusive eu. — Vamos fazer outro treino, saiam daqui lentamente e voltem para o local que estavam antes, onde aconteceu o treino de luta.

A gente caminha tranquilamente obedecendo ele, formamos um amontoado de pessoas no lugar indicado e esperamos o treinador falar novamente. O que vai ser agora?

— Se organizem! — Obedecemos ele, então entramos em formação. — Agora se afastem!

A gente mantém uma pequena distância um do outro.

— Vocês vão deitar no chão e fazer cem flexões. Não quero meia flexão, tem que encostar o peito no chão e subir! Temos o dia todo, então não se preocupem em demorar. — Enquanto fala, seu rosto não há nenhuma mudança de expressão. — O que estão esperando? Comecem!

Rapidamente, me jogo no chão, ajeito minha postura, contraindo o abdômen e os glúteos. Não preciso fazer lentamente, já que o objetivo é cem. O único critério é a repetição, não a forma. Não sei quanto esse corpo aguenta, mas deve ser bastante. Toda força que tenho é naturalmente do corpo, é surpreendente ele ter tanta força sem quase nenhum treino.

Desço lentamente com os braços para relembrar como é o movimento e subo lentamente, na segunda repetição já começo a acelerar um pouco o movimento, na terceira, aumento a velocidade e mantenho ela na quarta repetição. Até agora está fácil de fazer. No momento que subo na quinta, olho para o lado vendo os outros alunos, não consigo ver nenhum com dificuldade, bem, estamos apenas começando.

Faço a sexta, sétima, oitava… décima quinta… vigésima… trigésima… Já consigo sentir meus músculos queimando, provavelmente é o ácido lático, meu coração até começou acelerar um pouco. Saudades de quando fazia setenta normalmente. Subo até em cima e tento respirar um pouco para não me cansar rapidamente. Movo minha cabeça observando os outros, parece que a maioria já está cansada, mas duas pessoas me chamam atenção, o confiante e o Maksi, ambos estão conseguindo fazer em uma velocidade rápida e eles não se parecem cansados.

Volto minha atenção ao exercício continuando a fazer as flexões. O Kynigos me mandou mostrar meu máximo e orgulhar ele, então não posso ficar para trás deles.

Meus ombros e tríceps estão ardendo, além de estar cada vez difícil de subir, pelo menos já passei da metade, atualmente cheguei a sessenta e cinco. Ainda consigo aguentar mais, meus músculos ainda não falharam. Desço rapidamente, toco meu peito no chão e usando o potencial elástico do músculo, eu subo, no final da repetição tenho que arruinar a postura para completar, só que não paro para descansar, desço novamente meu peito ao chão.

De canto de olho, vejo alguém se levantando, parece que uma pessoa já terminou. Cheguei a oitenta, mas agora até segurar a descida é difícil. Meu cotovelo dói, acho que é muito estresse para ele em um curto período de tempo, consigo ouvir e sentir as batidas do meu coração, porém ainda não fiquei ofegante.

Desço quase caindo de cara no chão e tento subir, paro no meio do movimento, só que focalizo minha consciência no tríceps, ai consigo subir normalmente. Continuo fazendo a flexão nesse mesmo estilo até chegar às noventa e cinco flexões.

Nessa reta final mantenho minha mente focada em que só falta pouco para acabar. Nas repetições, quando levanto meu corpo, solto o ar pela minha boca tentando puxar força para eu subir.

Só falta uma. Desço de novo, encosto meu peito no chão com um baque e me levanto lentamente, tentando imaginar meu tríceps, ombros e peitorais puxando as fibras musculares, com os olhos fechados faço força, então, sem nem mesmo perceber, subo.

Me apoio com meus joelhos no chão, como quase não parei para respirar ou descansar entre as flexões, sinto todo o rebote de fazer isso. Meu coração acelera ainda mais e minha respiração começa a ficar mais pesada. Isso não dura muito tempo, já que me recupero rapidamente, quando meus batimentos se estabilizam, me levanto do chão observando os outros que ainda estão fazendo o exercício.

Na minha olhada neles, vejo que tem mais quatro pessoas em pé, consigo identificar três deles, o confiante, o Maksi e o de casaco preto. Consigo ver que também estão ofegantes. Eles estão cada um ao lado do outro, em fila, provavelmente foi o treinador que os botaram assim. Caminho até eles, quando ando entre os participantes, sinto os olhares dos quatro e o do Kayatos em mim, apenas ignoro seus olhares.

Ando entre o pessoal que continua a fazer as flexões, os estados deles são variados, porém a maioria está pior do que eu. O som de respiração é alto, até consigo ouvir alguns gemidos de dor. Vejo também a forma que estão fazendo o exercício, que é uma porcaria, coluna toda torta, postura errada, core relaxado, ainda bem que o treinador mandou eles encostarem o peito no chão.

Chego nos quatros, eles viram a cabeça para me olhar quando fico ao seus lado, mas logo em seguida voltam suas atenções aos outros que ainda praticam. Daqui tem uma bela visão deles, como o Kayatos nos mandou entrar em formação, estão todos em filas quase simétricas.

Viro meu olhar para ver meu braço, como o sangue flui para o músculo quando ele trabalha fortemente, o braço está gigante, que não consigo nem esticar ele completamente. Sinto que amanhã não irei nem poder abrir uma porta de dor.

Percebo que a maioria deles para na metade do exercício e desiste de continuar, botando seus joelhos no chão para descansar um pouco, a cada três repetições. Bem, fazer mais de cem flexões não está ligado diretamente a força, e sim a resistência, então não posso julgar ainda quem é o mais forte daqui.

Algo interessante daqui, é que esse mundo é muito parecido com o da Terra. Por que eles sabem o que é flexão? Como que tem humanos aqui? Tem várias coisas que não fazem sentido. Bem, não é algo que eu deva me importar agora.

Alguns dos alunos começam a terminar, suas situações são mais precárias que a minha quando terminei. Suas roupas estão completamente suadas e eles sem nenhum fôlego. Olho para o casaco que a Matys fez para mim, ele ainda está limpo, também não suei muito, então não sujou tanto, mas mesmo assim vou lavar ele depois.

Mais pessoas se juntam a gente, ficando ao nossos lados. Continuo observando eles, até todos terem finalizado seus exercícios. A cara de cansaço é evidente em cada um daqui, é o primeiro dia aqui, mesmo assim todos já estão exaustos. Eles vão aguentar o final? Eu consigo tranquilamente, já que o Kynigos pediu para eu completar tudo com meu máximo. O pior é ver que o dia não está perto de terminar, deve também ser esse o motivo do rosto cansado deles.

Quando o último termina, o Kayatos anda até a gente calmamente, porém ele não para e começa a ir para algum lugar no meio da floresta, todos o observam em silêncio. Ficamos esperando o treinador por alguns minutos em completo silêncio, por causa da ansiedade do que ele irá fazer agora. Quando ele finalmente chega, o vejo carregando vários troncos de diversos tamanhos nos ombros. Isso não é humanamente possível. O tamanho de alguns dos troncos é tão grande que seria impossível qualquer ser humano ser capaz de carregar, acho que só não seria pesado para strongman, mas mesmo assim, ele carregou vários de uma vez. O treinador é um Controlador de Mana? Ele é um usuário de Aura?

O Kayatos sai novamente em silêncio e anda até a floresta. Quando o vejo voltar, ele está carregando duas pedras gigantes, quadradas e do seu tamanho, em cada braço. Ele não os joga no mesmo lugar que os tronco, mas sim os leva nos obstáculos do outro lado do campo, ele anda com tanta tranquilidade que nem parece estar carregando algo que pode me matar se atirasse em mim.

O que o treinador vai fazer agora?

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