Capítulo 45: Primeira Competição

Ao terminar a aula de liderança, ando até o quarto e eles dormindo. Subo na minha cama e espero até o amanhecer.

Nessa mesma rotina, sem nada importante acontecer, nem ninguém vindo me incomodar, como o Maksi, quatro dias se passam. Hoje é a competição.

Olhando para o Kayatos parado no meio do campo e com os alunos em fila o observando, ouço seu discurso. — Essa competição vai ser simples, tem exatamente dez bandeiras espalhadas pela floresta, elas estão escondidas, mas vários mapas contendo a exata localização de apenas uma bandeira também estão na floresta, só que uma localização bem visível. 

Movo minha cabeça ao redor e, forçando minha visão, enxergo dez torres exageradamente grandes. 

— Os primeiros que pegarem as bandeiras, ganham. — No momento em que ele ia mandar nós irmos, ele parece se lembrar de algo. — Quase esqueci isso novamente… Prestem atenção! Como disse, vai ter essas competições a cada fim de semana, e, além de servir como uma avaliação, vai ter outra função. 

Um professor lhe entrega algo, que parece ser umas moedas de madeira.

— Essas moedas vão ser dadas a aqueles que forem os primeiros na competição. Elas vão servir apenas neste CT. [1] Nota do Lindo Autor – CT = Centro de Treinamento. Mó trampo escrever Centro de Treinamento toda vez que aparecer Centro de Treinamento, e como Centro de Treinamento é uma palavra longa, fica chato de ler Centro de Treinamento toda hora. Sua função é simples, ela é usada para comprar informações em geral, treinos especiais, equipamentos, etc e etc. Qualquer coisa perguntem para os professores depois.

Vejo o Temmos, que está a minha frente, apertar sua mão com força, parece que ele se animou com a ideia de poder treinar mais.

— Então… Formem seus grupos!

Eu, a maga, a Demcis e o Temmos nos juntamos.

— E discutam seus planos. Quando essa pedra cair no chão, a competição vai começar. — Ele se inclina para trás e joga uma pedra que some na vastidão do céu. Fico olhando para cima tentando achar ela, mas não consigo ver nada.

— Vocês vão direto para as torres? — eu pergunto.

— Claro — o Temmos responde imediatamente.

— … que não — a Demcis continua a fala dele. — Você quer que nós sejamos espancados logo de cara? Todo mundo vai até essas torres para pegar o mapa.

— Aguentamos eles — o garoto fala.

— E se todos se juntarem contra nós? — ela fala.

— Mesmo assim não vão conseguir nos derrotar. 

A Demcis solta um suspiro ao ouvir a resposta do Temmos. 

— Acho melhor não ir direto — eu falo. — A Demcis está certa, eles podem se juntar e ir contra nós. 

— Tsk — ele estala a língua. De repente seu olho brilha e depois olha para a maga. — Mas nós temos ela.

— Eu não posso usar magia — a Hecatis fala.

Imaginei.

BOOF!

Aquela pedra cai ao chão e se despedaça por inteira. Os alunos correm a toda velocidade para dentro das árvores.

A Demcis segura o Temmos, que está tentando correr, pelo colarinho. — Me solta! — grita ele.

— Vamos esperar — ela fala.

O campo se esvazia em um piscar de olhos, só sobra nós, alguns poucos alunos e os professores.

— Vamos para que lado? — eu pergunto. 

— Fala um número aleatório aí, Hecatis — a Demcis fala.

— Sete.

— Vamos para o norte — a Demcis aponta para a direção de uma das torres. — E vamos andando, certo? — Ela solta o Temmos.

— Tsk.

Atravessamos a barreira de árvores e caminhamos floresta adentro, sem nada de estranho acontecer, a não ser da maga conseguindo desviar dos galhos e raízes enquanto mantém sua cabeça baixa lendo um livro.

Com o som do pisar das folhas, fomos cada vez mais para dentro. — Bem que ele poderia nos dar algumas armas — fala o Temmos.

— Para nos matarmos‽ — fala a Demcis. [2] Esse ‽ é bem prático, então irei usá-lo daqui em diante.

— É… mas lutar de mãos nuas em uma competição assim é estranho, podiam até dar algumas armas ou lanças de madeira.

— Provavelmente, algo assim vai acontecer depois. Lutas envolvendo armas — eu falo.

— Tomara que sim — ele fala.

Caminhando devagar, chegamos cada vez mais perto da torre.

— Xiu! — a Demcis coloca o dedo na boca e se agacha. Também fazemos o mesmo.

— Tem alguns rastros alí na frente — ela sussurra.

Fecho meus olhos e consigo escutar passos. — Eles estão a alguns metros daqui — eu falo.

— Sabe quantos são? — ela me pergunta.

— Parece ser apenas um grupo.

Andamos agachados, nos aproximando deles.

— Querem atacar ou desviar deles? — eu pergunto.

— Desviar é muito trabalhoso, provavelmente, nós somos mais fortes que eles, então vamos atacar — ela fala.

— Certo — eu respondo.

Paramos atrás de alguns arbustos e vemos o grupo andando enquanto conversam. Dois na frente e dois atrás. Eles estão muito relaxados, qualquer ataque surpresa vai ser o suficiente. — No três, Temmos.

1.

2.

3.

Eu e ele saímos de trás dos arbustos e corremos. Fui pela direita e ele pela esquerda. Eles não percebem nossa chegada até que dou uma rasteira em um deles. 

Eles se viram chocados, mas logo um é levado ao chão após um soco no rosto que o Temmos dá. 

Pegando embalo da rasteira, me levanto e emendo um chute, também no rosto. O último que sobra é nocauteado após resistir por, literalmente, um segundo.

Aceno com a cabeça para o Temmos e chamo as duas para virem. — Foi rápido — a Demcis comenta.

— Por que não seria? — fala o Temmos. — Não acho que algum grupo daqui consiga nos enfrentar.

Olho para os três corpos desmaiados e um deitado no chão nos observando em choque. — Bora? Antes que eles acordem — eu falo. Os dois assentem, a maga apenas ignora. 

Caminhamos entre as árvores, encontramos alguns grupos, mas evitamos eles, para economizar tempo. 

— Está aparecendo cada vez mais pessoas agora — fala a menina. 

— Estamos chegando perto da torre, é por isso — responde o Temmos.

Olho entre as árvores e vejo a torre perto. — Estou ouvindo vários passos, pode ser alguma luta — eu falo.

— Tem várias marcas de pegadas também — ela aponta para o chão, porém eu não consigo perceber nada. — Vamos esperar alguém pegar o mapa e emboscar o grupo? Vai ser mais eficiente assim.

— Não! Qual a graça nisso? — o menino reclama.

— A graça é que vamos ganhar — a Demcis retruca.

— E a honra? — Dá para ouvir a insatisfação na sua voz.

— O treinador Kayatos não falou para jogar a honra no lixo em uma batalha? — ela continua a pressionar ele. — Mas não vamos emboscar, não sei quanto tempo demoraria para alguém pegar o mapa, então vamos ir por conta própria. Está bom assim para você?

— Sem nenhum problema. — Sua expressão e humor muda drasticamente.

Andamos até chegar próximo o suficiente da torre e, assim que conseguimos observá-la de perto, vimos a confusão. Vários grupos, quase impossíveis de se identificar quem é amigo de quem, lutando entre si usando seus punhos, alguns até fizeram algumas armas feitas de pedras e cipós. O mais Impressionante, é a torre, sua altura e largura é muito maior que o imaginado. Parando para pensar, de longe, ela ultrapassa as árvores, que já são gigantescas, então é de se imaginar ela ser desse tamanho, como sua largura também, que é proporcional a sua altura.

— Querem voltar para o plano de emboscar? — disse a Demcis após ver a quantidade de pessoas lutando.

— Não.

— Certo… — Sua voz abaixa ao ouvir a resposta direta do Temmos.

— Então, como entramos? — eu pergunto.

— Vamos direto no meio e espancar todo mundo — responde o Temmos.

—  Infelizmente, não consigo ver nenhuma outra opção… — A menina continua a olhar para a multidão. — Tenho pena deles.

— Bem, vamos fazer como ele falou. Ir direto — eu falo. — Vai vir? — pergunto para a maga.

— Ficarei observando de longe — ela responde.

O meu grupo, tirando a maga, se vira para a torre, espera alguns segundos e começa a correr.

Sou o primeiro a chegar na multidão, assim, os olhares se voltam para mim. Foco em uma menina na minha frente e a dou uma voadora com meus dois pés, ela consegue se defender com os braços, mas voa para trás. Após dar a voadora, caio no chão em posição de flexão e me levanto para me defender dos dois colegas delas que tentam me atacar ao mesmo tempo, só que a Demcis e o Temmos pegam eles e os jogam no chão.

Sem tempo de descansar, corremos em direção a torre, atacando e derrubando em apenas um ou dois golpes, aqueles à nossa frente.

Conseguimos avançar pouco, pois a multidão não nos deixa ir mais. Quanto mais adentramos nela, mais ataques acontecem, felizmente, a taxa de um ou dois golpes contínua.

Vendo que nós três derrubamos vários em poucos instantes, eles se juntam para nos atacar ao mesmo tempo, após um menino falar: — Vamos nos juntar e acabar com esses três! Não vamos conseguir separados, além de que, aquele demônio está junto. — Devido a isso, temos que lidar com mais de cinco ao mesmo tempo. 

Nós três, estamos um ao lado do outro, protegendo nossas costas, como uma pirâmide. Ataques vêm de todos os lados, me esquivo da maioria e o Temmos se defende deles, a Demcis também lida com eles no mesmo nível que nós.

Com um círculo sendo formado para nos atacar, corpos de pessoas desmaiadas se formam no chão, que acabam sendo pisoteados, e algumas feridas aparecem no meu corpo, mesmo não sentindo elas. Não acho que consigamos aguentar mais que isso.

— Demcis — chamo ela.

— Oi? 

— Sobe na torre, enquanto te damos cobertura.

— Certo — ela corre, pula, dá uns passos verticalmente na torre e se agarra nela, a escalando.

Outros também têm a mesma ideia que nós, e também estão escalando escondidos, mas a menina consegue escalar bem mais rápido e alcançar a maior parte deles.

— Temmos, vou me separar. Preciso de espaço para lutar, consegue aguentar aí?

— Entendido — ele responde.

Começo a correr e socar quem está na minha frente, até que chego em um espaço aberto e corro ainda mais, até que paro e olho para trás e vejo uma dúzia de pessoas me perseguindo. Não vou aguentar por muito tempo, tomara que ela pegue aquele mapa rápido.

Movo minha cabeça ao redor, vejo as posições das árvores e tento calcular como vou fazer isso. Assim que tenho uma ideia, solto o ar dos meus pulmões devagar, contraindo o abdômen, movo minhas mãos à frente do corpo com os braços relaxados e espero eles chegarem.

Notas

Notas
1 Nota do Lindo Autor – CT = Centro de Treinamento. Mó trampo escrever Centro de Treinamento toda vez que aparecer Centro de Treinamento, e como Centro de Treinamento é uma palavra longa, fica chato de ler Centro de Treinamento toda hora.
2 Esse ‽ é bem prático, então irei usá-lo daqui em diante.
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