Capítulo 46: Primeira Competição (2)

Espero que o Temmos dê conta. Olho para a Demcis subindo agarrada a torre, ela ainda está no começo da escalada, vou ter que aguentar por um tempo. Olho para frente, vejo meus braços e punhos, e a multidão vindo para mim.

Quando dão o primeiro soco, não contra-ataco, nem bloqueio, só pulo para trás me esquivando. Mais golpes aparecem na minha frente e continuo a me esquivar deles. 

São quase meia dúzia de alunos, se eu os enfrentar de frente, apanharei. 

Punhos, e mais punhos aparecem na minha visão, com nenhum conseguindo chegar perto o suficiente para me acertar.

De canto de olho, vejo um aluno se afastando e indo a minhas costas, tentando me pegar desprevenido, por causa disso, corro até ele e o chuto, que faz ele cair no chão, depois volto minha atenção para a multidão de alunos. 

Continuo a me esquivar, até que minha defesa falha e um chute acerta na lateral da minha cabeça, felizmente, defendo parte do impacto com meu braço. Devido a isso, cambaleio um pouco, e alguns aproveitam essa abertura.

Vejo um soco vindo para meu rosto, então fecho minha base e atinge meu braços, porém, logo após, sinto uma joelhada na minha costela.

Pulo para o lado e começo a correr entre as árvores. Uma ardência atinge meus pulmões, mas ignoro isso. Assim que me afasto um pouco, me viro para eles. Um punho aparece no espaço entre os meus braços.

Minha cabeça se entorta para trás pelo impacto, e minha visão fica preta por uns segundos. Um arrepio percorre toda minha cabeça. Tento não cair no chão, só que sinto outro impacto no meu peito, que faz minha visão preta voltar ao normal.

Pulo para trás, porém minhas costas atingem uma árvore. Outro punho aparece à minha frente. Consigo mover minha cabeça para o lado e ele acerta a árvore. Olho para o rosto daquele que deu o soco e vejo uma cara de felicidade e satisfação. — Demônio de merda. — Seu sorriso de escárnio diz isso. 

Com o braço sobre meu ombro, uso minhas duas mãos para pegar nesse braço. Fico de costas para ele, apoio seu braço sobre meu corpo e me entorto para frente. Os pés dele saem do chão e logo ele é jogado para a terra. 

BHOOF!

Seu corpo cai com um estrondo. 

Sem tempo para ver a sua expressão, corro, e aproveito para pisar na cabeça e barriga dele. No momento que me afasto, me viro para ver eles. Percebo que estão em uma distância considerável, e corro de novo, usando as árvores como obstáculos para atrasar eles mais ainda, mas não vou rápido o suficiente, para que não me percam de vista.

Corro, olho para trás, corro, olho para trás e continuo correndo. Então, no momento em que eles estão cansados, corro até eles. Vejo seus rostos surpresos pela minha ação repentina, mas logo um sorriso aparece. Devem estar pensando que não vou conseguir lidar com eles. Bem, eles estão certos.

No momento em que fico cara a cara com um deles, escorrego no chão, passando entre suas pernas aberta. Como fiz isso em alta velocidade, e com o chão cheio de folhas escorregadias, sou levado a vários metros e logo me levanto voltando a correr para o caminho de volta.

Sem nem olhar para trás, corro, tendo em mente a direção da torre. 

No momento que saio das árvores, e entro na parte plana, que é o lugar ao redor da torre, vejo o Temmos com um grupo desmaiado ou gemendo de dor no chão, e ele em pé entre eles. Ele deu conta.

Corro até ficar ao seu lado. Ele me olha, depois olha para a multidão que está vindo para nós e se prepara para lutar. Me viro para cima e vejo a Demcis subindo a torre, ela ainda está em um terço do caminho. Olho para a multidão e me preparo para a chegada deles.

Uma dúzia de pessoas vindo em nossa direção. Assim que o primeiro chega com os demais, eu e o Temmos demos um pulo para trás e emendamos um chute alto naqueles que estão na frente, cada chute atinge dois ou três de uma vez.

Os dos lados, que não foram atingidos pelo chute, nos cercam. Eu e o Temmos mantemos nossas costas coladas. Os alunos vêm para nós em simultâneo, consigo desviar de alguns socos e chutes, mas também sou atingido em diversas partes do corpo. Sem ter muita resistência após correr, felizmente, consigo aguentar os golpes deles.

Os ataques aparecem de todos os lugares, só que nenhum vem de minhas costas. Como também não deixo passar nenhum para atingir ele. 

Dando um giro rápido com meu corpo, meu pé atinge a cabeça de um aluno e ele voa e desmaia no chão. Mas isso me fez sofrer vários golpes, principalmente nas costelas, onde já tinha sido golpeado. Não sinto mais a dor, porque meu corpo inteiro está dormente e a adrenalina circula rapidamente.

Um a um, os alunos caem, mas a cada momento que passa, fica mais difícil derrubar eles. Antes, eles caiam com um soco ou dois, agora, são vários, pois, perdemos parte de nossa força e resistência tendo que lutar por muito tempo.

De canto de olho, sem tirar a minha atenção deles, percebo que a Demcis está na metade da distância agora. Ela tem que se apressar, se não, iremos perder.

No momento que penso isso, um ataque escapa da minha percepção e atinge o meu queixo. Meu corpo desliga.

Assim que minha consciência volta, uma formigação intensa sobe pelos meus pés até meu pescoço. 

Sinto vários chutes, porque ainda não consigo enxergar. Meu corpo convulsiona e se encolhe instintivamente. Só escuto um zumbido intenso.

Se eu não me levantar, o Temmos não vai conseguir aguentar, então a Demcis terá que correr sozinha com o mapa. 

Tento colocar minhas mãos no chão para me levantar, porém não sei onde está minhas mãos, já que não consigo sentir elas.

Um chute me atinge e a escuridão é roubada por uma luz ofuscante de várias cores embaralhadas.

Consigo ver o que está na minha frente, mas tudo está embaçado, como se fosse uma câmera de qualidade ruim. Vejo um borrão, que deduzi ser meus braços.

Tento me levantar, só que mais chutes, vindo de várias pessoas me atingem, fazendo eu cair novamente. Tento me levantar, mas sou impedido. Tento várias vezes.

Até que sinto alguém pegando na alça da minha camisa e me arrastando pelo chão. Consigo perceber por alguns tremores, que essa pessoa está sendo golpeada várias vezes, como eu também estou.

Essa pessoa me arrasta por algum tempo até que me sinto ser colocado em alguma parede, provavelmente, uma árvore. Essa pessoa, fica na minha frente, encarando os vários alunos.

Minha visão aos poucos fica menos embaçada, mas não totalmente recuperada, então percebo que a pessoa que me ajudou é o Temmos.

Tento levantar, me apoiando na árvore e, como meu equilíbrio não está 100%, é difícil ficar em pé. Observo ele a enfrentar vários golpes ao mesmo tempo. Seu movimento de pés é perfeito, e cada golpe parece ser o melhor para aquela situação. Não é como se fosse uma dança, porque uma dança não é violenta, e nesse momento, essa movimentação dele, é feita para infringir o maior dano possível, não para impressionar alguém.

Ele desvia dos golpes e logo contra ataca, sem deixar aberturas para aqueles que o cercam, seu corpo se move em perfeita sincronia, para usar o máximo possível de força sem gastar energia, como se seus pés e mão conversassem.  

Percebo um vulto, que deu uma volta escondido, indo para as costas dele. Me solto da árvore, quase caindo no chão e corro sem equilíbrio para esse vulto. Quando ele está prestes a atacar, o Temmos o percebe, e vê que não consegue deviar nem bloquear, mas dou um grande pulo para frente e, quando caio novamente no chão com um pé, salto de novo, e dou um giro no ar, atingindo esse vulto. 

BHOOF!

Caio no chão de peito, pois não consegui ficar na postura certa. O ar sai do pulmão com força e eu acabo cuspindo sangue. Melhor a Demcis vir logo.

Vejo o Temmos vir perto de mim, que ainda estou deitado, para me proteger dos ataques. Ele evita alguns, mas como sou um estorvo para ele agora, não consegue impedir alguns golpes, que acabam o acertando. Não posso ficar assim.

Contra a vontade do corpo, me levanto sem nenhuma força para me aguentar e fico ao lado dele. Minha visão está embaçada e meu ouvido zumbe. [1] Do verbo – Zumbir, não de zumbi, plmds Só preciso saber onde estão os vultos, apenas isso é necessário.

Solto o ar pela boca lentamente, com todas as partes do meu tórax doendo, então faço a postura de luta.

Os socos vindo são apenas algumas sombras em um espaço colorido sem forma, mas isso me ajuda. É só se esquivar daquilo que não tem cor. Minha reação fica mais rápida, mesmo meu corpo estando mais cansado.

As sombras aparecem na frente dos meus olhos e movo minha cabeça para o lado, sombras aparecem ao lado do meu tórax e bloqueio com o braço, sombras aparecem rapidamente na região da minha perna e defendo com minha canela, mas sombras não aparecem nas minhas costas, porque o Temmos está a protegendo.

Como eu e Temmos estamos cansados, os alunos também estão, seus golpes diminuem de força e velocidade, assim, menos deles me acertam, e os poucos que acertam, não são o suficiente para me fazer sofrer qualquer dano alto. Bem, minha força agora é quase nula, só consigo me defender e esquivar. 

Depois de um tempo, nem nocautear conseguimos mais, além do que os números de atacantes não diminuíram, porque os que nós desmaiamos, já acordaram, então, a única coisa que mudou foi nossa força. Provavelmente, aquele aluno que desmaiei enquanto eu atraia a atenção dos alunos para fazer o Temmos cuidar de poucos números, já deve estar aqui lutando.

O zumbido do meus ouvidos já passou parcialmente e minha visão está focalizando melhor, só que a força nas minhas pernas e punhos só pioraram, e a tendência é só piorar, caso a Demcis não venha logo.

Sinto o gosto do sangue que se acumulou na minha boca e cuspo no rosto de um aluno, ele tentou tirar o sangue dos olhos, mas isso abriu uma abertura, e eu não desperdiçaria isso. Aproveito para soca-lo. 

Praticamente, eu e o Temmos lidamos com seis ao mesmo tempo, já que nos cercaram e são quase uma dúzia de alunos. Bem, eles não têm nenhuma coordenação entre si, então a força numérica deles não é efetiva, no máximo, só três deles atacam ao mesmo tempo, os restantes não tem espaço para nos atacar e observam de fora. Mas isso não é importante, meu trabalho aqui é aguentar até a Demcis descer para ganharmos a competição, que é o que ela e o Temmos deseja.

Mesmo com parte do ouvido zumbindo, ouço o grito de uma menina ao longe. — Peguei o mapa! — grita a Demcis.

A luta para quando essa menina pronuncia a palavra “mapa”.

Notas

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1 Do verbo – Zumbir, não de zumbi, plmds
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