Capítulo 47: Primeira Competição (3)

O vento está muito forte, ele bate na minha cabeça levando meus cabelos para o lado, se eu não me segurar direito, irei cair.

O Morrigan perdeu? Segurando na torre, olho para trás e vejo ele desmaiado no chão. O Temmos se vira para olhar o Morrigan, parece estar preocupado. Ele tenta o proteger dos ataques, até que ele arrasta o Morrigan pela camisa e o apoia em uma árvore.

Eles estão passando sufoco, preciso me apressar. Minhas mãos estão suadas de subir a torre e escorregadias, se eu cair aqui, provavelmente morrerei. Mas aqui longe é bem melhor do que enfrentar mais de doze pessoas, eu acho. Olho para baixo e vejo que estou a vários metros do chão, tenho vertigem ao olhar para essa distância e minha visão se encolhe. Com certeza vou morrer se cair daqui.

Com os dedos fincados em uma parte da torre, eu subo. Algum professor fez vários ganchos e buracos para poder subirmos, pelo menos, isso eles fizeram e não nos mandaram subir uma parede lisa gigantesca para pegar o mapa. Até que é gentil da parte deles, algo impressionante.

Usando meus dedos escorregadios, subo lentamente a torre. Às vezes enxugo minha mão na camisa, mas não demora muito para voltar a suar.

Olho para o lado e enxergo os alunos subindo comigo, não há ninguém atrapalhando o restante, já que não queremos nos matar, por enquanto.

Pedaços de pedra caem na minha cabeça e me viro para cima olhar o menino que fez. — Seu filho da puta! Jogue essas pedras no meio do seu cu! — eu grito para esse desgraçado. Imagina se eu perdesse o equilíbrio por causa disso e morresse.

Respiro profundamente para acalmar minha raiva e não fazer minha mão tremer devido a isso.

As veias do meu antebraço estão saltando contra a pele e a força dele está precária, é uma escalada cansativa, e como é uma corrida para ver quem chega primeiro no topo e pega o mapa, não dá para descansar. Olho para cima e vejo o cara novamente. Tenho que passar ele

Me movo para o lado e acelero a subida, colocando mais força nos apoios do pé para me impulsionar melhor. Acelero cada vez mais, como se fosse aranha, um animal que odeio. Por que fiz essa comparação? Agora estou com nojo de mim mesma. Até arrepiei aqui me imaginando ser uma aranha.

Os alunos ao meu redor me vêem aumentar a velocidade e ficam me observando parados. A distância entre o menino de cima e eu diminui, até que chego ao lado dele. — Oi — eu digo e ele me olha estranhamente, então volto a subir, mas não tão rápido, e aproveito isso para recuperar o fôlego.

Me viro para trás e vejo o Morrigan dando uma pirueta no ar e acertando o rosto de um menino. Caralho, ele é forte, queria saber onde ele aprendeu isso, além de que ele fez isso todo machucado, isso também é impressionante. Não acho que eu conseguiria fazer esse movimento ferida como ele está, ele é bem determinado. Luta como se não se importasse com a dor ou seu corpo. Impressionante.

Subindo e chegando cada vez mais perto do topo, finalmente passo de 75% da torre. E, sem nem mesmo perceber, fico a pouca distância do final.

A um gancho do topo, coloco um do meus pés em um buraco na torre, depois subo minha mão até a quina da parte de cima da torre, uso a força da minha perna apoiada no buraco para subir, e com impulso, coloco minha barriga na quina do topo e me levanto, olhando para um baú no centro de um círculo cinza e liso. Ando tranquilamente até ele, e o abro, dentro dele tem um papel frágil que balança ao vento com um desenho nele. Hehehehehehehe, te achei. Enrolo o papel e o seguro com força na minha mão.

Alguns alunos sobem também nessa parte de cima e me encaram em silêncio. Até mesmo o cara que jogou pedra em mim aparece. Não tem como correr aqui em cima…

Quando eles iam começar a vir me atacar, eu falo e levanto o papel: — Se alguém me atacar, eu solto o mapa e ele vai voar lindamente pelo céu, aí eu ninguém vai saber onde estão as bandeiras. Querem fazer isso?! — Eles hesitam em vir. — Certo… eu vou descer e não quero ver nenhum de vocês me atacando.

Ando até a borda com todos me encarando, me ajoelho no chão e saio da parte de cima da torre. Falou manés. Descendo mais rápido do que subi, rapidamente eu chego em terra.

Corro até onde estão o Morrigan e o Temmos, então vejo eles brigando completamente exaustos, principalmente o Morrigan, ele está só o pó.

Paro na frente do círculo de briga e grito alto para eles ouvirem. — Peguei o mapa!

Todos param e me olham.

Eh…

Melhor eu correr.

 

 


 

 

Com eles correndo atrás da Demcis, eu me sento no chão com um suspiro.

— Vamos ajudar ela — fala o Temmos.

Eu encaro ele, ou melhor, o vulto dele e falo: — Não precisa, eles estão cansados. A Demcis sabe se cuidar.

— Tão falando de mim? — Ouço uma voz no meu ouvido.

— Quê? — o Temmos fala confuso.

Como ela já está aqui? Me viro para ver a Demcis balançando o mapa enquanto sorri.

— Como…? Você foi para lá… quê? — A fala do Temmos está completando confusa.

Ela solta uma risada e se explica. — Despistei eles. Meio que me escondi entre as árvores e dei a volta.

— Onde eles foram então? — pergunta o Temmos.

— Provavelmente estão me procurando para lá — ela aponta para frente.

— Impressionante — o garoto fala. — Depois me ensina.

— Então vamos procurar as bandeiras — falo ao tentar me levantar, mas quase caio no chão, felizmente o Temmos consegue me segurar e colocar no seu ombro. — Obrigado.

— Certo — a Demcis fala. — Mas antes vamos procurar a maga.

— Entendido — o Temmos responde.

Quando achamos a maga, andamos um pouco e nos sentamos em alguns troncos caídos para analisar o mapa. Fazemos um círculo ao redor e a Demcis segura o mapa no meio para todos verem.

A maior parte dele é pintado de verde, com um risco azul atravessando na parte de cima e um grande espaço quadrado marrom em baixo, só que em um lugar aleatório dele, tem um “X” vermelho.

— Essa parte marrom deve ser o campo de terra — a Demcis fala. — A linha azul, o rio. Então vamos usar esses pontos de referência para achar a bandeira. Além disso… — Ela me olha. — Você está bem?

— Sim, é só alguns ferimentos.

— Parece que você foi atropelado por uma carroça — ela comenta.

— Ele está bem.

O Temmos dá um tapinha nas minhas costas, mas no momento em que ele bate, acabo cuspindo inconscientemente o sangue que acumulou na minha boca.

— Eu acho…

— Estou bem, já estou acostumado com isso — eu falo.

— Eu disse para não atacarmos de frente… — ela resmunga baixo.

Levantamos e fomos em direção a o campo de terra, para podermos nos localizar. No caminho, um grupo nos emboscou, só que o Temmos e a Demcis lidaram com eles facilmente. Quando chegamos no campo, vimos alguns grupos feridos e outros descansando. — Esconde o mapa — eu falo.

Andamos pelo campo e paramos para descansar no refeitório. Enquanto estamos conversando, vejo o Dilliam chegando com varios alunos o seguimdo, ele me vê e anda até nós.

— Nossa… — ele fala isso chegar. — Você foi pisoteado?

— Não, só alguns problemas em uma batalha — eu falo.

— Lutou com quantos de uma vez para ficar desse jeito? Vinte? Melhor cuidar desses ferimentos. — Ele se senta na mesa, mas seu grande grupo fica atrás dele em pé. — Você conseguiu pegar o mapa? — Ele se inclina para frente.

Pelo tamanho do seu grupo, ele deve ter conseguido um mapa, pelo menos, mas se não, teríamos que lutar pelo nosso se dissermos sim, acho que nã—

— Pegamos, aqui ó. — A Demcis mostra o nosso mapa.

Ele olha surpreso para o papel que ela segura. — Ótimo! Nós conseguimos dois, então tinha pensado em dar um para o meu amigo. — Ele mostra seus mapas. — Mas como você conseguiu, fico feliz. Agora, vou ter que achar alguém para dar ou vender isso. — Ele começa a rir.

Encaro a Demcis, ela me vê fazendo isso e dá de ombros soltando uma risada.

— Já que conseguiu seu mapa, não há muita coisa que eu possa fazer aqui. — Ele se levanta da mesa. — Qualquer coisa, conte com seu amigo.

Ele sai e volta para a floresta com os seus capangas.

— Você pensa demais — fala a Demcis para mim. — Parece até que o mundo está conspirando contra você.

— Mas, se eles não tivessem pegado um mapa. Teríamos que lutar com eles e não ganharíamos em nenhuma hipótese — eu falo.

— É só entregar o mapa. Além disso, dava para perceber claramente que ele já tinha pegado pela sua postura e jeito de fala. É melhor analisar os fatos que ele mostra, do que quebrar a cabeça pensando em todas as possíveis situações. Não é como se todos tivessem uma segunda intenção. Relaxa um pouco.

Fico em silêncio pensando sobre o que ela disse. Eu sou assim? — Entendo — eu falo.

O Temmos se levanta da mesa e fala: — Acho melhor irmos procurar a bandeira. — Ele se vira para mim. — Consegue andar sozinho?

— Sim. — Me levanto da mesa, apenas sentindo os hematomas. Parte da minha força se recuperou, não estou 100%, mas dá para se virar.

Fomos para a floresta e, escondidos, analisamos o mapa novamente.

— Estamos aqui — a Demcis aponta. — Precisamos seguir para essa direção e, quando chegarmos no rio, atravessamos ele e andamos por sua borda por alguns metros até chegarmos aqui, então entram—

— Certo, você nos guia — fala o Temmos.

— Está bom…

Seguindo a Demcis, que segura o mapa na mão, andamos pela floresta por um tempo, até que o Temmos se abaixa repetidamente. Uma pedra passa voando onde seria sua cabeça se ele não desviasse.

Quatro pessoas pulam dos arbustos e nos cercam, todos segurando lanças de madeira feitas a mão. — Entreguem o mapa sem confusão — um deles, de cabelos lisos e rosto sujo comum, fala.

Nós recuamos até encostar nossas costas um no outro. Então dá para usar armas nessa competição… bem, o treinador não proibiu isso.

— Que mapa? — pergunta a Demcis.

— Acha que somos idiotas? — o mesmo de antes fala. — Vimos vocês mostrando seu mapa para aquele cara filho do líder de um clã mercenário.

— Nós demos o nosso mapa para ele. O Morrigan aqui é parceiro dele e do clã mercenário. Não acho que você queira arranjar briga com nós.

— Esse demônio aí? — Ele cospe no chão e anda para frente apontando a lança em nossa direção. — O Maksi está doido para o ensinar uma lição, além de que ele pediu para nós caçarmos ele nessa competição. Ele vai nos proteger daquele outro cara. Então, passe logo o mapa. Nós seguimos você desde a cabana. Não conte mais mentiras.

Eles têm vantagem posicional e de armamento. Eu estou ferido e maga não pode usar magia. Olho para ela e a vejo lendo o livro tranquilamente.

— Entreguem logo!

— Não — fala a Demcis.

Banner PC Vulcan Novel
Facebook
Twitter
WhatsApp
Email
Criado Por Metal_Oppa! <3
Letras
16
Tema
Fundo
Fonte
Texto