Capítulo 50: Só Quero Fazer Amizades

Dentro da floresta, sentado em um tronco caído e sozinho com o Dilliam, que também está sentando em um tronco a minha frente, converso com ele.

— Era inevitável o Maksi arrumar briga com você, ele não gosta de demônios. Acho que você já percebeu isso…

— Sim — respondo a ele.

— Acho que você não gosta de enrolação e bajulação, então vou me adiantar na conversa. — Ele continua sorrindo enquanto olha nos meus olhos. — Você já deve ter adivinhado que não quero uma parceria para esse CT, e sim, para o meu clã mercenário lá fora. Percebi que você não quer ir para qualquer clã mercenário, então não vou te recrutar, obviamente. Só vou querer sua ajuda em alguns pedidos, nada que você não queira fazer, pode recusar qualquer pedido de achar muito exagerado.

Tecnicamente, não me importo de entrar em um clã mercenário. Só não faço isso devido ao Kynigos, já que isso pode o afetar de certa forma.

— Você tem bastante potencial, assim, mesmo não entrando para o clã, já vai ser um grande benéfico. Apoiar um gênio como você só nos ajuda.

— Entendo — eu falo.

— Talvez eu vá pedir sua ajuda nesse CT, mas acho bem difícil, quero que me ajude caso alguma situação aconteça. Claro, você é independente para fazer o que quiser. É mais como uma troca de favores.

Ele explica mais alguns termos, nada muito importante.

— Então, você só quer minha proteção contra o Maksi e a minha ajuda em certas situações, certo?

— Sim.

Finalizamos o termos, apertamos a mão e andamos de volta para a cabana. Ao chegar, converso com o meu grupo sobre o que rolou e como vai funcionar.

Já consegui a proteção do Dilliam, mas isso não vai durar muito tempo. Um dia, a raiva acumulada do Maksi vai explodir e terei que lidar com ele na hora. A não ser que eu prenda ele, isso vai ser inevitável.

Ainda não consigo vencer ele em uma luta um contra um, pelo que vi. Provavelmente, não consigo nem vencer o Temmos ou o Dilliam. Vou ter que me fortalecer. O Temmos vai me ajudar esporadicamente, mas isso não vai ser o suficiente. Preciso me esforçar mais para conseguir vencer nesse CT, e fazer como o Kynigos falou, além de proteção própria. Não quero ver o rosto da Metys se ela me ver com algum osso quebrado.

Preciso planejar o que farei daqui para frente. Principalmente, focar em quais treinos farei. Não posso fazer igual o Temmos e escolher todos os treinos, preciso focar em eficiência e só escolher os necessários para mim. Quais escolho? Escolhi os meus de antes, porque a maioria escolheu esses.

Vou treinar enquanto continuo a pensar sobre o que irei fazer. Mesmo com a proteção do Dilliam ainda é perigoso, o Maksi pode enviar seus capangas para me bater quando estiver sozinho. Bem, terei que lidar com isso na hora.

Não dá para imaginar milhares de cenários possíveis, preciso de fatos para formar um plano. Terei que esperar o Maksi fazer algum movimento. Felizmente, mais um dia se passa sem nada acontecer.

Agora Temmos está me ensinando no meio da floresta. Fazemos os movimentos devagar, com ele me apontando aberturas e maneiras de eu melhorar elas, como se fosse uma briga em câmera lenta. Ele também me ensina alguns golpes especiais, principalmente de defesa, também, como manipular o adversário a ir para o lugar que quer. Ouço tudo que ele fala.

Posso ser forte, mas tem vários alunos que estão no mesmo nível que eu ou superior. Meu físico puro consegue vencer a maioria, mas esse corpo não é treinado, então fico em desvantagem em certas coisas. Porém, isso também pode ser uma vantagem para mim, já que assim tenho mais potencial para crescer. Isso que o Temmos falou. Bem, é algo óbvio.

O Temmos sai para treinar, mas eu fico na clareira. Sento no chão e cruzo as pernas. Preciso lembrar dos movimentos dessa minha arte marcial. Desde que eu fugi com a maninha, nunca mais treinei. Não sei como consigo ainda fazer alguns movimentos complexos.

Num lugar completamente preto na minha consciência, me imagino fazendo certos golpes. Tento relembrar dos mesmos que eu fazia quando criança, e dos professores e veteranos. Recrio eles na minha mente, me imaginando como se estivesse vendo de fora enquanto analiso cada movimento.

Assim que termino, me levanto e imito o que imaginei. Foco em fazer lento e pensar no golpe. Pegar a consciência corporal para depois aplicar força. Certos músculos ativam de certa maneira para certo movimento, sinto como eles se ativam e tento replicar e melhorar. As horas se passam rapidamente quando fico assim.

Com o corpo suado, vou até o rio e mergulho nele, deixando o casaco na borda. Meu corpo treme pelo frio, mas ignoro isso até não sentir mais nada. Olho para o céu com meu cabelo cobrindo parte da minha vista. Por que estou fazendo isso? Eu podia estar ajudando no bar e, mesmo assim, meus pais não reclamariam. Nem toda essa confusão aconteceria. Por quê? O que eu queria fazer aqui mesmo? Ah, ir para a Universidade Mágica? Não, não era isso. Bem, não me lembro. Mas, tenho que fazer isso. Não sei por que decidi vir aqui, mas preciso me tornar um mercenário e economizar dinheiro para ir a Universidade Mágica. Lá posso achar um jeito de trazer elas de volta.

Eu espero que tenha um jeito.

Saio da água e volto para a cabana fazer os treinos restantes. Coloco mais esforço e continuo a treinar mesmo após o término, junto com o Temmos.

— Me ensina a ler — falo para maga na biblioteca enquanto ela lê um livro.

— Não quero — ela responde.

— Por quê?

— Porque, eu, simplesmente, não quero. Pergunta para outra pessoa.

Tenho que aprender a ler, de algum jeito. Posso pedir para o Temmos. Não, ele já está me ajudando, mais uma coisa seria forçar demais. Demcis não sabe ler. O Dilliam… não.

— Posso te dar a moeda do CT — eu falo.

— Por que eu precisaria dessa coisa? — Ela se vira para mim com um olhar estranho, depois volta a ler o livro. — Me dê alguma coisa que valha eu gastar meu tempo te ensinando.

— Como o quê?

— Não sei. Me mostra e eu decido se faço isso ou não.

… certo.

Não consigo pensar em nada para dar a ela agora. Na verdade, não tenho nada para dar. Vou ter que arranjar alguma coisa.

Saio da biblioteca pensando nisso e ando para o refeitório, mas antes de ir para a mesa, onde está a Demcis, olho para os alunos. Além dos grupos do Dilliam e Maksi, também tem os neutros, que só querem treinar, como nós antes de eu fazer a parceria. Tenho uma ideia e procuro algum professor aleatório. Gasto a moeda ao perguntar qual vai ser a próxima competição. E a resposta dele me deixa um pouco ansioso.

Mesmo o Dilliam tendo controle de boa parte dos alunos do CT, o Maksi tem mais sobre ele. Pela resposta que recebi do professor, tem grandes chances de eu ser caçado nessa próxima competição. Não acho que o pessoal do Dilliam vai ser o suficiente, já que ele vai gastar parte do seu pessoal para ganhar a competição. Bem, o Maksi também, provavelmente. Não sei como a cabeça desse louco arrogante funciona.

Ando até uma mesa aleatória, que não tenha capangas de ninguém, e me sento entre eles. São quatro alunos, dois meninos e duas meninas. Ambos não tem nada de especial ou extravagante, são apenas alunos comuns. — Oi. — Finjo um sorriso enquanto eles me olham sem entender nada.

— Oi… — Eles me respondem desconfiados.

— Tudo bom? — Continuo com o sorriso. [1] Vontade de colocar: — Turo bão? — Mas, Infelizmente, tenho que manter o personagem ;-;

— Sim…

Eles se entreolham sem entender nada. — Prazer, sou o Morrigan. — Ainda sorrindo, estendo minha mão para eles.

A primeira a apertar é uma garota de cabelos castanhos e curtos, na altura dos ombros. — Camidtra.

Movo minha mão para a outra menina ao lado da Camidtra me esticando na mesa. Ela é uma garota pequena, mas de um olhar que parece que quer bater em alguém. — Gailas — ela responde firmemente ao mesmo tempo em que aperta minha mão com força.

Agora levo minha mão para o garoto que está ao meu lado. Seu corpo é fino, como seu rosto. Ele fica um momento olhando para a minha mão estendida para ele sem entender nada, então depois de um tempo ele a aperta. — Rofrikdis.

Me inclino, passando minha mão pela frente do Rofrkdis para apertar a mão do outro garoto de cabelo raspado e de um olhar feroz. — Rahiq.

A Gailas, a menina pequena que parece querer matar alguém, me pergunta: — Tem algum negócio com a gente?

— Não que eu saiba — respondo a ela.

— Então… o que você quer?

Sorrio para a menina.

— Só quero fazer amizades.

Notas

Notas
1 Vontade de colocar: — Turo bão? — Mas, Infelizmente, tenho que manter o personagem ;-;
Banner PC Vulcan Novel
Facebook
Twitter
WhatsApp
Email
Criado Por Metal_Oppa! <3
Letras
16
Tema
Fundo
Fonte
Texto