Capítulo 54: Tempo de Desenvolver as Peças

Não vamos ter que fazer muita coisa, por enquanto — falo para o Dilliam.

— Percebi — fala ele deitado no chão olhando para o topo das árvores.

— A maioria ainda deve estarem desorganizados, então não tem muito para fazermos, já que estamos vencendo a maioria sem problemas.

Olho para o mapa que fiz no chão com os dedos imaginando como se eu estivesse vendo a floresta inteira por cima e enquanto imagino nosso pessoal como peças. Por enquanto, só tem a peça do QG e do Grupo de Comunicação, já que não tenho informações suficientes para saber onde imaginar as outras peças.

— Está fazendo o quê? — Dilliam pergunta.

— Imaginando.

Tem milhares do combinações possíveis para onde estariam as unidades do Dilliam, que é algo impossível de se Imaginar com a mente. Por exemplo, ele ainda pode estar na cabana, no rio, ou aqui ao nosso lado. E isso só são três exemplos. As possibilidades são um 1 com vários zeros após. O xadrez tem 10^120 jogadas, que é o número 10 com 120 zeros depois, que também significa que o xadrez tem quantas jogadas que átomos no universo, e isso é em um tabuleiro de 8×8. Se eu for calcular que a cada um metro nessa floresta corresponde a uma casa em um tabuleiro de xadrez, o número de zeros é, literalmente, inimaginável, já que a floresta tem vários quilómetros. A cada dia a frase da Demcis faz mais sentido. É melhor um fato do que pensar infinitamente.

Mas, eu posso descartar várias possibilidades ao pensar em que movimento o Maksi faria. Aí tem outro problema, não entendo como o Maksi pensa. Ele pode estar agora me caçando, esperando eu aparecer no rio ou na cabana, ou só fazendo a competição normalmente. A única coisa que preciso é saber onde ele está e seu pessoal para poder determinar todo o plano.

Um problema que o treinador falou é: “Quando todos os totens forem pegos, a competição termina.”

Todos os totens? Isso significa que só um grupo pode sobrar. Então, se derrotarmos o Maksi, precisaremos decidir quem ficará em primeiro. Bem, vai ser obviamente o Dilliam, não tem muito o que pensar sobre isso. Se eu tentar enganar eles, vou perder as parcerias por apenas um pequeno benefício momentâneo, não vale a pena ainda. Segundo minha lógica,

Além disso, esse é um dos motivos para que estamos guardando os totens. Pois, pelas regras, se alguém tiver seu totem roubado a pessoa é desclassificada e, pensando logicamente, os totens que a pessoa entregou aos professores vão desaparecer. Se for sobrar apenas um grupo, então não faz sentido dar os totens aos professores, já que todos vão sumir.

Na verdade, essas regras não fazem sentido… não vai haver segundo lugar, ou terceiro…

Esses professores só querem ver o caos. Se alguém descobrir isso e espalhar, a organização que fizemos pode desabar aos poucos. Vou torcer para que eu esteja errado sobre minha interpretação das regras.

— Morrigan, tem gente chegando. — O Dilliam se levanta do chão e olha na direção dos passos.

Um aluno ofegante chega, respira e fala: — Chefe, mais de 15 grupos foram derrotados. E cada vez mais mais desqualificados chegam ao campo.

— Quanto nós derrotamos, e quais dos nossos foram derrotados? E quais do Maksi? — eu pergunto.

— Eh… — Ele para um momento. — A maioria nós que derrotamos. E os nossos… Hum… Só três ou dois, eu acho. E boa parte que foram derrotados é do Maksi.

Essa é a estimativa esperada. Principalmente dos grupos derrotados, na verdade, esse até que está indo mais rápido do que previ. No começo vai haver muitos derrotados em pouco tempo, mas esse número vai diminuir com o tempo.

— Sabe onde está o Maksi? — pergunto a ele.

— Não.

Hum…

— Certo, pode ir — o Dilliam dispersa o aluno.

Ele se vira para mim e pergunta: — Os números estão bons?

— Sim, na verdade, estão ótimos. Foram poucas baixas nossas.

A maioria dos derrotados serem do Maksi é ótimo. Deveria me preocupar se a maioria fosse dos alunos neutros, porque isso adiantaria os planos da batalha.

— Se continuar nesse ritmo, nosso grupo estará no mesmo número de grupos lutando — falo para o Dilliam sem tirar os olhos do mapa no chão.

— Tomara que continue assim — o Dilliam fala.

— Acho bem difícil.

— Por quê?

O destino não gosta de mim. [1] Destino = Autor. Cof cof cof cof. Mentira, amo o Morrigan

— Seria estranho se eles não soubessem lidar com isso. Deve ter pelo menos alguém que seja inteligente lá e ache uma solução. Provavelmente, até o próprio Maksi. Você que conhece ele melhor que eu, o Maksi consegue liderar?

Tiro os olhos do mapa e me viro para olhar o Dilliam em pé com as mãos atrás das costas enquanto olha para o céu.

— Ele sabe liderar melhor que eu. Como também é bem mais inteligente.

— Entendo. Então, essa vantagem não vai durar por muito tempo, mas deve ser o suficiente para deixar os números equalizados.

Uma garota chega e nos informa sobre as situações de nossos grupos. Consigo deduzir para onde estão indo cada unidade. Infelizmente, com a quantidade de grupos que temos, é impossível saber onde cada um está em cada momento.

Esse é um problema resolvido na era moderna devido aos meios de comunicação, como celulares. Mas nessa época, a comunicação é dificultada em milhares de vezes, mesmo eu designando várias pessoas com o papel de transmitir informações. E isso só piora em um ambiente fechado, como essa floresta, pois, com isso não podemos nos comunicar usando sinais visuais.

— Morrigan.

— Oi?

O Dilliam me chama.

— Cadê aquela maga?

— Provavelmente, dentro da cabana lendo algum livro.

— Ela não vai nos ajudar? — ele me pergunta.

— Com certeza vai.

— E por que ela não está aqui?

— Porque ela não vai nos ajudar agora.

Perguntei ao treinador e ele me respondeu que ela não pode usar magias especificamente para beneficiar um grupo, mas ele abriu umas exceções.

Alguém anda até ao meu lado e fica observando o mapa comigo. Me viro para ver quem é, então vejo um garoto de cabelos castanhos e rosto indiferente. Depois me viro para olhar o Dilliam que está com um sorriso no rosto. — É meu braço direito — fala o Dilliam.

Olho para o garoto e pergunto: — Nome?

— Gyarte — ele responde sem emoção.

Depois disso ele fica em silêncio, assim volto a olhar o mapa.

— Uma pergunta — fala o Gyarte.

— Diga.

— O que você está vendo aqui. — Ele aponta para o mapa.

— Um mapa.

— Não. O que você está imaginando sobre esse mapa?

Olho para ele.

— Todas as informações que obtivemos. Nós estamos aqui — coloco meu dedo no mapa —, as tropas devem estar se movendo por aqui — faço um circulo —, o Temmos deve estar caçando nesse mesmo lugar e o Grupo de Comunicação está correndo nessa rota. — Faço uma linha.

— Mas isso é só um desenho na terra.

— O desenho não é importante. Só preciso usar o mapa que está na minha cabeça. A terra é só um jeito de focar minha visão para não me distrair.

— Entendo.

Ficamos encarando a terra por vários minutos

— Entraram no próprio mundo… — Ouço a voz da Demcis atrás de mim.

Olho para trás e vejo ela com o arco nos ombros e a aljava na cintura. O Grupo de Comunicação deve estar próximo. Me levanto e olho para o Dilliam deitado no chão, quase dormindo. Quando eles chegarem, vamos mudar de posição, e vai ser a hora de trabalhar.

Quando o Rahiq chega com seus amigos, eles me dão todas as informações que preciso. A posição das nossas tropas que eles viram e das posições dos nossos inimigos. Infelizmente, não descobriram onde o Maksi está.

Olho para o céu e reorganizo as informações na minha mente, formando um mapa nas copas das árvores. Tem partes com mais inimigos que outras, e algumas tropas separadas do restante. Vamos ter que organizar isso.

Falo minhas ordens para eles, então o Grupo da Comunicação sai de novo. A Demcis dá um tempo e fala que já descansou o suficiente e irá pegar mais totens.

— Vamos nos mover — falo isso para o Dilliam ainda deitado e ele abre um sorriso.

Corremos até o outro QG, enfrentamos alguns alunos no caminho, mas não sofremos nada. Chegando lá, faço um mapa no chão, só que muito maior, cobrindo quase toda a área. Fico no meio dele e olhando ao redor.

As informações que recebi são muito importantes, agora posso prever em parte os movimentos deles. A maioria está seguindo aleatoriamente, mas, inconscientemente, eles andam em uma certa rota. Traço uma linha mental do trajeto que eles poderiam ter feito da cabana até onde chegaram e tento calcular seus próximos passos. Isso não é preciso, porém, é o que posso fazer agora com essas informações.

Olho para os lugares futuros dos inimigos e vejo onde nossas unidades foram ordenadas a ir. Os inimigos vão sofrer alguns danos com isso, se tudo der certo.

— Hey, vocês dois. Venham aqui.

Chamo o braço direito, o Gyarte, e o Dilliam.

— Fiquem nessas posições aqui.

Coloco eles em pé em alguns lugares do mapa gigante.

— Isso também é um mapa? — Gyarte pergunta.

— Sim.

O Dilliam fala: — Mas isso é só um quadrado sem nenhuma marcação dentro… você só fez um risco nas laterais e mais nada.

— Tenho vocês de marcações — falo ao andar pelo quadrado que o Dilliam falou.

— Eu sou o quê? — Dilliam pergunta.

— Tropas.

— E ele? — Aponta para o Gyarte.

— Mais tropas.

— Entendo…

Olho para os dois restantes do grupo de Dilliam. — Venham vocês também — chamo eles.

Posiciono os quatro nos lugares que preciso. — Anda para cá — falo para o Dilliam.

Ordeno para eles se moverem de um lado para o outro, imaginando os tipo de situações que podem acontecer com as tropas. Alguns alunos chegam e dão algumas informações após olhar estranho para os seus líderes parados como peças de tabuleiros.

Quanto mais informações chegam, mais eu consigo enxergar nesse escuro. Imagina jogar xadrez, mas você não sabe onde estão nem suas peças, nem as do adversário, mas chegam pessoas e dizem a posição de algumas peças e você tem que jogar um xadrez imaginando e acreditando no que essa tal pessoa falou. Essa é a importância da informação.

Você tem duas opções, calcular onde estão as peças, que, como falei, é algo impossível. Ou esperar mais informações e jogar com as poucas que tem. Claro, essa é a comparação de um jogo imóvel para a vida real, onde as peças não se movem se você não as mexer.

Após um tempo uma aluna chega e fala que os números de derrotados está muito lento, e tem algum tempo desde que alguém apareceu. Agora vai continuar nesse número estável por um tempo. A agitação do início baixou, agora é a hora de acalmar o ânimo e nos organizar melhor.

Quando o Grupo de Comunicação chega, eles me dão ainda mais informações das localizações das tropas e falo algumas ordens para informar as unidades. A principal é de não se afastarem muito dos lugares que estão. Vou determinar uma área para cada unidade e elas vão cuidar dos inimigos que passarem por ela.

Olho para o mapa mental no chão e imagino círculos verdes no lugar onde cada unidade deve estar, que é a área onde ela consegue agir. Faço uns cálculos para maximizar a eficiência disso e digo isso detalhadamente para o Grupo de Comunicação. Então eles saem com as ordens.

Essa vai ser a parte mais calma, que é o desenvolvimento das peças. Depois que tudo estiver nos conformes, é que o ataque vai começar.

Notas

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