Capítulo 58: Luta à Noite Na Competição (2)

— Atacaram o acampamento 1? — Dilliam pergunta para o aluno ofegante.

— Sim!

— Quantas pessoas? — eu pergunto.

— Não me informaram isso. — O aluno coloca a mão nos joelhos, tentando respirar.

O Dilliam olha para mim. — Mando reforços?

— Agora não.

Se não sei o número de pessoas atacando fica difícil prever o plano do Maksi. Ele pode tentar juntar todos e atacar um acampamento por vez, ou fazer um ataque surpresa em cada um.

— Recebeu notícias dos outros acampamentos? — pergunto para o aluno e ele responde que também não sabe disso.

O acampamento 1 e o 3 ficam “na borda” da formação, se eu mandar o acampamento 2 como reforços, o 3 ficará isolado.  Se eu mandar o 2 e o 3, a batalha final pode ser adiantada, e não quero isso, já que nossos alunos estão cansados. 

Hmm… em vez de eu mandar o 2 se mover, o que acaba deixando o acampamento 3 sozinho, posso mandar o acampamento 1 recuar para o acampamento 2. Aí eu não teria problema. Claro, teorizando que o Maksi juntou todas as suas tropas contra o acampamento 1.

— Temmos — chamo ele.

— Sim?

— Se quiser ir para lá, pode ir.

— Sim, senhor.

Ele se levanta do chão e corre até o acampamento atacado.

— Hey, menino.

Ofegante, ele olha para mim. 

— Fala para o acampamento 3 se juntar com o 2 e esperar ordens   

— Sim! — Ele corre, de novo.

Olho para o céu estrelado e o Dilliam anda até mim. — Qual o plano?

— Vamos descobrir daqui a pouco — eu falo.[1] NT do Lindo Autor – Nos comentários tem uma ilustração oficial, e bastante complexa, do que está acontecendo.

 


 

Passo pelas árvores correndo, enquanto seguro o meu bastão. Esquivo das raízes grandes até que chego no acampamento que o Morrigan ordenou eu vir. Saindo das árvores, olho as várias pessoas brigando com os punhos vazios com várias fogueiras gigantes espalhadas dando uma coloração laranja e mal iluminada no local.

Giro meu bastão e corro para um dos que estão atacando, o derrubando logo em seguida com um só golpe. Olho ao redor novamente e procuro os próximos que irei lutar, mas quando corro, alguém pega no ombro. Rahiq, eu acho.

— O Morrigan mandou reforços? 

— Não sei — respondo-o. 

Vejo ele soltar um suspiro. 

— Se abaixa — eu falo.

— Quê?

Pego meu bastão e me entorto para trás, pegando força. Ele finalmente entende o que falei e agacha. Acerto o bastão em um aluno que vem correndo. Esse aluno rola para o lado pelo impacto do bastão.

— Ah, o Morrigan disse também para vocês aguentarem o máximo possível. — Quando falo isso, corro para derrotar o restante e deixo o careca agachado no chão surpreso.

Não me dou bem nesse negócio de liderar ou estratégia, só me manda fazer o simples. Derrotar aquele, bata naquilo, faça isso. Não que eu não use o cérebro, mas não acho graça nisso. Como também, não é um dos melhores talentos. Só preciso servir e fazer o que mandaram, qualquer outra coisa é desnecessária.

Girando o bastão e fazendo ele nocautear alguns inimigos, começo a perceber que nosso lado está perdendo e cada vez mais inimigos chegam. Pelo ritmo, vamos perder logo. Olho em volta de novo, e vejo o careca gritando e ordenando os alunos. Ele me encara e aponta para um local onde os nossos estão perdendo, então corro para lá ajudar. Quando derroto todos de lá e pego seus totens, o careca me manda ir para outro lugar, assim sendo, sigo suas ordens. Aos poucos, fomos diminuindo a desvantagem, mas os inimigos nunca pararam de chegar, então essa pequena vantagem que ganhamos não mudou nada.

— Essa merda de reforço nunca chega! — Uma menina pequena grita isso ao dar uma voadora em outra menina.

Depois de pegar o totem da que tomou a voadora, a menina pequena me encara com o cenho contraído. — O que você quer também?!

— Nada.

— Humph! Depois manda aquele seu amigo tomar no cu por mim.

— Entendido.

Por que ela xinga tanto? 

Continuo a brigar enquanto espero os reforços do Morrigan. E o reforço chega. Vários alunos saem das árvores correndo. Não parece que ele mandou um acampamento inteiro, Morrigan deve ter algum plano.

Com a chegada de mais alunos, a situação muda aos poucos e ganhamos uma vantagem na luta, porém não dura muito tempo, pois vários inimigos também começam a chegar.

— Recuar! — grita o careca tão alto, que todos olham para ele.

Ainda conseguimos lutar, por que vamos recuar? Mas seguindo as ordens dele, corro para dentro da floresta com o restante. Tomara que não estejamos fazendo isso por medo de perder. Depois de sermos perseguidos pelos inimigos enquanto recuamos, chegamos no acampamento 2, mas ele está vazio.

O grupo que restou do acampamento 1 fica reunido no meio do espaço, com os inimigos avançando contra nós. Mas quando íamos brigar novamente, mais alunos, ou melhor dizendo, um acampamento inteiro, aparecem atrás dos inimigos. Eles estavam escondidos entre as árvores. Rapidamente, derrotamos vários, só que depois de certo tempo, os nossos reforços recuam. Felizmente, eles nos deixam com inimigos o suficiente para lidarmos sozinhos.

O que está acontecendo? Mais inimigos aparecem e recebo a ordem do careca para recuar de novo, então corremos até o acampamento 3. E lá, o mesmo processo acontece.

Depois de lutar por minutos, olho para os lados e percebo que quase não tem mais ninguém lutando ao meu lado. Só alguns grupos, que dá para contar nos dedos de uma mão. Depois de tudo que rolou, os inimigos param de chegar.

O que houve?

O careca e a menina pequena andam até mim. — Acabou? — o careca pergunta.

— Você que devia saber isso — eu falo.

— Verdade…

Vou voltar para o QG. Deixando esses dois para trás, ando pela floresta até chegar onde o Morrigan, Demcis e o resto então.

— Pararam de mandar reforços — imediatamente, o Morrigan me pergunta.

— Sim.

— Acho que agora eles devem parar de atacar. — Ele olha para o céu, como se estivesse vendo algo. — Melhor vocês descansarem hoje, não acho que vai acontecer alguma coisa. Amanhã tem mais.

— Sim, senhor. — Ando até um dos cantos da pequena clareia e me deito ao lado de um tronco caído. Fecho meus olhos e durmo.

 


 

Sentando em um tronco com as pernas cruzadas, continuo a olhar para as estrelas. Gosto e não gosto da noite. É silencioso, e isso é bom e ruim. Bem, não é o silêncio que importa, e sim a atmosfera que ele cria. Isso devia desacelerar o pensamento e desocupar a mente, porém, tal coisa me incomoda.

Olho para os três dormindo, até que meus olhos se encontram com o da Demcis. Ela me encara em silêncio e depois levanta devagar.

— Vá dormir, eu fico aqui — fala ela ao sentar ao meu lado.

— Não precisa. 

— É sério, vou cuidar daqui. Ficar sem dormir não é bom.

— Já me acostumei.

Uma nuvem passa pelo céu e cobre as estrelas.

— Isso não é bom nem para sua mente, nem para seu corpo.

— No quinto mês você nem sente mais a diferença.

— Quinto mês…? Há quanto tempo você não dorme… Como está vivo? Já sabia que você era estranho, mas nem tanto…

— Esse corpo que eu tenho é bom. 

— Percebi de tanto você apanhar e não sentir nada, e logo depois já está recuperado. Tipo naquela vez da competição que você foi nocauteado, mas mesmo assim conseguiu correr daquele menino insuportável.

Me viro para ela e a observo também olhando para o céu. 

— Eu apanho muito?

— Com certeza.

Volto a olhar as estrelas.

— Me surpreende você ainda não ter quebrado nenhum osso ou algo do tipo. Você luta como se não ligasse para dor, igual um maluco.

Maluco…?

— Quem é doido o suficiente para entrar numa luta contra cinco pessoas? E pior ainda, que idiota tenta parar um soco com o rosto?

Ah…

— Se estivéssemos lutando com armas, acho que você morreria nos primeiros segundos da batalha ao tentar parar uma espada com o peito.

Bem, analisando todas as lutas que tive, a maioria aconteceu algo do tipo. Ainda bem que ela não sabe que tentei matar uma besta com uma pedrinha.

— Mas ainda me surpreende que você não dorme há meses. Como está vivo?

— Eu medito.

— Meditação não é a mesma coisa que dormir, não dá para trocar um pelo outro.

— Bem… quando medito, eu entro em uma concentração bem grande e meu corpo e mente relaxam. É praticamente dormir, só que sem sonhar. Eu acho.

— Pensei que só pessoas com muitos anos de meditação conseguiriam chegar em tal nível. Impressionante.

— Deve ser por que eu medito desde criança.

Com minha vida passada, já devo ter passado das 10000 horas de meditação, além do que, como medito a partir da infância, meu cérebro já deve ter sido transformado para a melhor eficiência, igual jogadores de xadrez.

— Ui, ui. Que pessoa organizada.

Ficamos em silêncio por mais um tempo até que a Demcis boceja. Ela escorrega do tronco e se senta no chão. — Senta aqui. — Ela bate no chão ao seu lado. Seguindo suas ordens, me sento com as pernas cruzadas. — Boa noite. — A Demcis se deita sobre minha perna.

Observo ela de olhos fechados sobre minhas coxas, então olho para cima de novo. A lua está cheia. Desse ângulo, consigo ver a lua entre as copas das árvores.

Ela já tinha falado de como eu luto sem se importar com a dor, mas não liguei para isso, porém, depois dela fazer o cenário em que lutaríamos com armas, percebi que isso na verdade pode ser uma fraqueza que preciso corrigir. Vou falar com o Temmos sobre isso, talvez ele saiba como mudar.

Olho para baixo e vejo a Demcis com a boca aberta soltando saliva sobre minha calça. Acho que dormiu. 

Fecho meus olhos e começo a meditar.

Notas

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1 NT do Lindo Autor – Nos comentários tem uma ilustração oficial, e bastante complexa, do que está acontecendo.
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