Capítulo 60: 2×1 Na Competição

Imediatamente, nossos alunos correm contra os inimigos, e eles, surpresos, se agrupam para se defender do ataque repentino. Passo meus olhos sobre esse grande espaço aberto dentro da floresta e eles caem no Maksi, que me encara.

Olho para o lado e falo: — Vocês ajudem os alunos.

Eles acenam com as cabeças e saem. Quando o Temmos ia correr, chamo ele. — Se o que o Dilliam disse for verdade, eu não consigo vencer o Maksi sozinho.

— Entendido.

Ele fica ao meu lado com seu bastão. O campo inteiro está agitado, com gritaria e pessoas correndo, mas quando encaro o Maksi, isso parece silenciar. Eu ainda não consigo vencê-lo. Porém, tenho que fazer isso para o Temmos e a Demcis ganharem. O Maksi caminha lentamente até mim. Tem um garoto caminhando ao lado dele, mas ele o dispensa, então o garoto corre para a confusão. Caminho até o Maksi com o Temmos.

Pensaria que o Temmos ligasse em lutar contra o Maksi assim, dois contra um, só que parece que não. Ainda tenho uma ideia errada dele. Bem, isso não é importante. Tenho que focar em lutar agora. Pode até não ser uma desvantagem grande para o Maksi lutar contra nós dois juntos, se bem que, provavelmente, o Temmos tem a mesma força que o Maksi, então, podemos ganhar facilmente.

Paramos de andar em uma distância considerável entre nós, o suficiente para nos ouvirmos. Um sorriso arrogante e ignóbil aparece no rosto dele. Temmos gira seu bastão ao redor do seu corpo e fica na posição de ataque, com um pé bem atrás e outro na frente, e com o tronco inclinado.

— Vai ser dois contra um, né? Seu demônio de merda.

— Com certeza vai.

Corremos um contra o outro dia. Ele vem em direção a nós dois sem nenhum medo, como até se não se importasse em lutar em desvantagem numérica. Temmos passa na minha frente, já que não estou correndo a toda velocidade, e golpeia primeiro com seu bastão. Os dois param de correr, mas eu não. Quando chego lá à toda velocidade, o Temmos sai da frente e acerto uma voadora com os dois pés no peito do Maksi, que o faz recuar alguns passos e colocar a mão na caixa torácica. Caio no chão com as duas mãos em uma posição de flexão.

O Temmos não espera o Maksi se recuperar, e corre até ele. Infelizmente, quando ia atacar com seu bastão, o garoto se esquiva e contra-ataca com um soco na barriga. Temmos recua.

Ainda deitado no chão, me levanto com um pulo, e encaro ele. Procuro ao redor do seu corpo, e vejo que o totem está em um colar abaixo das roupas. Hmm… como está embaixo das roupas, não vai dar para tirar facilmente.

Coloco a minha base de luta normal, e caminho até ele de frente. Temmos anda ao redor do Maksi analisando-o. Maksi também coloca sua base, esperando o ataque. Piso forte no chão, pegando impulso, e corro até ele. O Temmos, que está nas suas costas, também faz o mesmo ao me ver correr.

Soco o seu rosto, e ele se esquiva para o lado só movendo a cabeça, mas não percebe o Temmos vindo atrás dele e recebe o golpe do bastão com a costela. Surpreso por isso, tenta recuar para o lado, então, viro o meu corpo e, usando o impulso, chuto o abdômen dele. Ele segura a minha perna. Vejo-o ranger os dentes ao ser acertado por mim, e me encara com raiva enquanto me segura. Mas quando me encara sem fazer nada, o Temmos acerta-o no ombro com o bastão, que faz me soltar. Pulo para trás, recuando.

Que velocidade de reação absurda. Ninguém até agora conseguiu pegar o chute desse corpo, nem mesmo o Temmos, mesmo treinando com ele todo dia.

Coloco minhas mãos ao lado do corpo relaxadas e dou pequenos pulos, como se estivesse me aquecendo ou pulando corda. Não vai dar para focar em só um estilo de luta com ele. Movo minhas mãos à frente do corpo, ainda pulando. Com um impulso, chego a frente dele em um segundo e acerto um soco no nariz do Maksi. Não parando de atacar, emendo um cruzado e outro soco nas costelas.

Ele consegue se esquivar de um soco, e contra-ataca, me acertando no queixo. Uma dormência e uma formigação sobe pelo meu corpo.

Assim que o Maksi ia me atacar de novo, Temmos aparece e acerta ele com o bastão, o obrigando a recuar. Observando nós dois de longe com um rosto sério, parece pensar em algo e um sorriso brota na sua face. Assim sendo, dessa vez, ele corre até mim.

Coloco minha base e espero ele. Nós dois trocamos socos, e quando ia Temmos aparece, o Maksi me usa, andando ao meu redor, para manter o Temmos afastado e continuar me atacando. Esquivo, bloqueio e contra-ataco, mas mesmo assim, o Temmos não consegue alcançá-lo.

Sinto sangue escorrer da minha boca, só que quando olho para o Maksi, percebo que está quase intacto, com poucos pequenos hematomas. A maioria dos meus ataques ao seu rosto, simplesmente se esquivou, e aos seus corpos, ele conseguiu bloqueá-los com seus braços. É impressionante. E ainda sim, com os poucos que acertei, parece que não surgiu efeito nele, como se sua pele fosse de aço, mesmo não sendo. Eu espero.

Maksi continua me usando como proteção para o Temmos, até que recuo. Sinto dor após recuar e sentir onde o Maksi me atingiu. Isso me lembra o que a Demcis disse. Tenho que mudar meu estilo de luta, não posso ir como um doido para cima dele e defender os golpes com meu rosto. Como resolvo isso…?

Quando recuo, o Maksi pula e logo fica na minha frente, acertando um soco no meu esterno.[1]O osso do peitoral. Instintivamente, solto todo o ar dos meus pulmões com uma tosse, e recuo novamente. Mas o Maksi acerta outro soco. Continuo recuando e ele acertando. O Temmos não consegue intervir, pois o Maksi ainda usa a nossa vantagem numérica contra nós mesmos.

Se não posso bloquear, tenho que esquivar… Quando vejo o punho do Maksi vir ao meu rosto, apenas movo minha cabeça para o lado, com o soco dele raspando na minha orelha. Aproveito isso para recuar.

Como estava fazendo antes, ele avança contra mim enquanto recuo. Um soco nas minhas costelas, viro o meu corpo, com o punho raspando no meu abdômen. Um chute, pulo para trás. Obviamente, não consigo esquivar de todos, porém, esquivo de boa parte.

Tenho que tomar mais cuidado ao lutar, e não só ir atacando, ou defendendo de qualquer jeito. Esse é o básico, mas esqueci disso.

Recuo o suficiente para me afastar dele, então ando até o Temmos. Nós dois ainda estamos dessincronizados, o Temmos só conseguia acertar o Maksi quando estava distraído comigo, e vice-versa, só que quando o Maksi mudou sua estratégia, o Temmos não conseguiu mais chegar perto.

Olho para o Temmos, e como ele é mais experiente que eu, deve estar pensando a mesma coisa. Volto a dar pequenos pulos. O meu parceiro fica ao meu lado. Devemos agir em dupla.

— Está achando que consegue me vencer com apenas dois? — Ele fala enquanto ergue a cabeça arrogantemente e arregala seus olhos com raiva. Maksi parece contrair tanto o seu abdômen, que sua postura enverga e o faz parecer como uma besta.

Sincronizar… Sincronizar..

Passo a mão no meu nariz e sinto o sangue escorrendo dele. Minha boca também está partida, e acho que tenho cortes em todo meu corpo, e hematomas nos meus braços são incontáveis. Sempre me impressiona esse corpo. Se fosse o meu de antes, já desmaiaria há vários minutos, e se tivesse tantos ferimentos como o de agora, estaria no hospital.

Começamos caminhando, aumentamos a velocidade cada vez mais e corremos até ele alternando quem fica na frente em zigue zague. Temmos move seu bastão ao redor do corpo, só que dessa vez, ele não para, e continua a mover e rodar o bastão cada vez mais rápido. Com o bastão em uma velocidade absurda, ele usa a inércia para acertar o Maksi.

BHOOF!

Um barulho alto ressoa quando o Maksi bloqueia com o antebraço. Imediatamente, consigo ver o local ficar roxo e a sangrar devido aos cortes.

Atacamos juntos o Maksi. Me agacho para o Temmos atacar com o bastão, ele recua para eu chutar, nós dois recuamos para depois atacar simultaneamente. No começo, foi difícil encontrar uma sincronização, mas aos poucos melhoramos e agimos como parceiros, e não como estranhos em uma briga de rua. Como ele me treina, e eu o ajudo a treinar, nós dois temos familiaridade com nossos golpes de tanto vê-los enquanto treinamos, além de que, fazemos sparring esporadicamente. Devido a tudo isso, o Maksi recua aos poucos, e mais hematomas e cortes aparecem nele, até a sua velocidade de reação e força diminui, cada vez mais golpes acertam ele, e menos golpes nos acertam.

Acelerando nosso ataque, com um golpe de bastão, que deixa o Maksi tonto, agarro no colarinho dele e puxo o totem com força, quebrando de vez o colar.

Como se uma barreira tivesse sido quebrada, o som do combate dos outros alunos voltam a atingir meus ouvidos. Até minha atenção a gritaria deles volta. Era como se antes eu estivesse em um espaço vazio só com os dois.

O Maksi coloca a mão no pescoço e vê que o colar não está mais lá. Sinto um ódio crescer dentro dele, como se fosse palpável, então ele vem correndo até nós.

Uma mulher de cabelos negros e de rosto indiferente aparece ao lado dele, segurando-o no seu peito, impedindo de vir até nós. Com uma voz calma, ela diz: — Você foi desqualificado. Por favor, retorne.

Ele olha com raiva para a mulher por um momento, mas como um cachorro bravo, ao ver seu dono levantando a mão, ele se acalma, estala a língua e sai andando.

Já vi essa mulher, foi no primeiro dia que cheguei. Ela apareceu ao meu lado repentinamente quando ia procurar o meu quarto para dormir. Depois disso, nunca mais a vi. Essa mulher me encara por uns segundos, até ir embora andando atrás do Maksi.

O campo ainda está confuso, com várias brigas pequenas espalhadas, porém, com menos pessoas do que no começo. Com o Maksi perdendo, a moral parece ser desestabilizada, e rapidamente ganhamos deles.

 

Notas

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1 O osso do peitoral.
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