Capítulo 62: Quem Realmente Venceu?

Espero o ataque do Maksi e me esquivo dele. Continuo desviando enquanto o encaro. Seus golpes aceleram cada vez mais e fico ágil para evitar eles. Não consigo achar nenhuma abertura, mesmo sendo atacado como um louco.

Sei que nunca ganharia dele agora, não importa o que faça. É impossível. Ele está a níveis de diferença de força, como também, experiência. Se nem o Temmos consegue vencê-lo, eu também não.. É uma batalha perdida, mas… isso não importa.

Quando tento socá-lo, ele vai para o lado e contra-ataca. Sinto uma ardência nos meus pulmões no lugar do golpe e recuo. Não consigo acertar ele, não vejo nenhuma maneira de vencê-lo. Isso não faz sentido, ele é um humano, um jovem. Antes venci uma besta de vários kg quando criança, mas agora como um jovem adulto, não consigo vencer um humano. Qual a diferença? Sou mais forte que antes, mais rápido, tenho mais controle corporal. Isso não faz sentido. Ou aquela besta era muito fraca, que eu duvido disso, ou o Maksi é um monstro, ou… tem a ver comigo.

O que muda ao lutar contra um humano? Que limitação tenho? Analiso o Maksi enquanto desvio de seus ataques. Seus pés, seus braços, suas movimentações, e coloco a imagem daquele felino gigantesco, que me atacou nos primeiros dias nesse mundo. O Maksi é muito menor e menos amedrontador, mas por que não atinjo ele?

Comparando as duas lutas, a da besta e as que lutei contra humanos, uma das principais diferenças é a altura e a força, porém não é isso. Se não são ambos, então não deve ser algo físico… O estilo de luta?

Minha mente se ilumina com uma ideia. As artes marciais que sei, são feitas para lutar contra humanos, porém, para lutar com regras. Isso deve estar gravado no meu subconsciente, o que acaba me limitando. Só preciso esquecer essas regras, mas como faço isso? Sempre lutei assim.

Não, nem sempre. Quando enfrentei contra a besta, não usei nenhuma arte marcial em específico, apenas lutei com o instinto. Isso foi quando a minha vida estava em risco. Eu poderia morrer a cada instante ou por um movimento errado. Já sei o que tenho que fazer.

As veias na testa do Maksi salteiam contra sua pele. O seu rosto vermelho cheio de sangue me encara freneticamente.

— Você vai fugir para sempre?!! — O Maksi me ataca ainda mais rápido, seus golpes formam vultos no ar e seus passos avançam contra mim desenfreados.

Agora. Em vez de pular para trás, pulo para frente, me fazendo ficar a poucos centímetros dele. Surpreso, o Maksi para de atacar e recua. Finjo que chutarei e dou-lhe uma rasteira. Ele consegue se esquivar no último segundo, mas isso o desequilibra. Foi apenas por um momento, só que é o suficiente.

Me levanto e jogo areia no seu olho, novamente. Como ele perdeu o equilíbrio, não pôde limpar seus olhos. Continue avançando. Corro, chego a uma distância considerável dele e o ataco com uma voadora com os dois pés no seu peito.

O Maksi tosse após o chute. Não posso deixar ele descansar. Me levanto do chão e soco bem no seu rosto, o que faz ele ter que colocar um dos pés atrás como apoio para não cair. Ele recua e me encara. Cospe sangue no chão e abre um sorriso pintado de sangue.

Também mostro meus dentes, levanto a cabeça para olhar arrogantemente ele de cima e falo: — Logo quando comecei a atacar, você já apanha, nanico?

Maksi range seus dentes e esbugalha os olhos. Esse garoto vai fazer seus globos oculares saírem do crânio de tanto estresse. Ignoro ele e observo meus arredores, principalmente, o chão. A luta ainda continua, só que com menos intensidade. Parte dos alunos formam um círculo largo ao nosso redor. Nem percebi eles.

THOOM!

Minha cabeça gira por um momento e minha visão tontea. O céu gira, as nuvens formam um círculo na minha visão e sinto o meu corpo cair. Vejo a forma do Maksi na minha frente, se preparando para me chutar. Antes que ele pudesse fazer isso, rolo para trás e, enquanto rolo, pego uma pedra e me levanto, ainda cambaleante.

Ele avança e jogo a pedra nele, que o pega desprevenido e acerta sua cabeça. Um corte aparece na sua testa com um pequeno rastro de sangue. Avanço sem me importar com a defesa. Depois me preocupo em não lutar imprudentemente. Ele também avança contra mim. Junto o sangue que se acumulou na minha boca. Ficamos frente a frente um do outro e socamos em direção aos rostos de cada.

Se eu fizesse um confronto direto como agora, eu nunca iria ganhar, pena que não farei isso. Cuspo o sangue que juntei na minha boca no olho dele. Seu soco perde a força, porém, o meu só ganha. Ambos nos acertamos ao mesmo tempo, felizmente, dessa vez, é o Maksi que recua.

Faço uma risada falsa. — Não está conseguindo ganhar?! E por que você está recuando? Vai fugir para sempre?!

A respiração dele fica mais errática. Isso, fique irritado, não pense, apenas ataque esse demônio de merda igual eu. Como uma besta.

— Filha da puta! — Correndo para mim como um insano, espero sua chegada com as mãos no bolso. Sinto ainda mais o ódio dele ao me ver fazer isso.

Quando ele tenta me atacar, esquivo. De novo e de novo. Seus golpes ficam mais rápidos, só que previsíveis. Encaro ele de cima e sua raiva cresce mais. Se fosse algum livro ou novel, ele teria uma névoa vermelha ao redor dele de tanto rancor acumulado.

De repente, o Maksi para e recua. Apenas observo ele. Quando chega a uma distância não muito grande, ele levanta a cabeça e me mostra o seu sorriso com os dentes melados de sangue.

— Você acha que eu cairia nessa?!

Tecnicamente, você caiu. Foi até por um bom tempo, por assim dizer.

Seu rosto fica sério e ele coloca sua postura de luta. Vendo isso, coloco minhas mãos no alto e falo: — Eu desisto. — Levantando as sobrancelhas, ele logo após faz um sorriso.

— Você acha que eu vou deixar você ir embora tão facilmente? — Ele abaixa seus braços e anda até mim. — Um resto de lixo igual a você, frequentando o mesmo lugar que eu. Respirando o mesmo ar que eu. Treinando a mesma coisa que eu. Você acha mesmo que eu iria deixar você ir assim?

Previsível. Observando ele andando tranquilamente até mim, tenho uma ideia e pergunto: — Por que não gosta de mim?

— Por quê? — O Maksi gargalha alto, me deixando curioso. — Você é um resto de merda! Esse é um motivo suficiente.

Hum.

Essa já era uma batalha perdida de qualquer jeito. Ele vem correndo até mim e
me defendo. Chuto a areia, mas ele prevê isso e se defende. Com o tempo, o Maksi vai se acostumando com minhas estratégias e golpes, não consigo nem mais atacá-lo. A situação voltou para o início, onde eu não enxergava nenhuma abertura. Bem…

Sorrio para ele e finjo escárnio. — Você está se sentindo bem? Me surpreende alguém pequeno como você saber bater tão forte, é muito surpreendente! Meus parabéns! — Trato ele como se fosse uma criança enquanto me esquivo e bloqueio seus ataques.

— Suas artimanhas não vão mais funcionar. — Mesmo ele dizendo isso, percebo o ranger de seus dentes.

Ele acerta um soco no meu abdômen que me faz encolher. Com a mão na barriga, levanto minha cabeça para vê-lo e, então, cuspo no rosto dele. Ele me soca na boca. Vejo um objeto pequeno e branco voar, acho que é meu dente. O gosto de sangue se intensifica ainda mais.

Recuo e passo a mão na boca, limpando meus lábios sujos. Enquanto faço isso, sinto também o gosto de terra misturado com um gosto de ferro, típico do líquido vermelho espalhado pelo chão. Encaro ele sem fazer nada.

— Esses olhos… — fala o Maksi. — Esses olhos me dão nos nervos!

Levanto minha mão, aponto para o Maksi e falo: — Seu nariz está sangrando. — Abro um sorriso, sentido o vento arder os cortes do meu lábio e boca. — Melhor cuidar disso antes que a criança comece a chorar.

Os dentes dele rangem mais forte, mas se mantém em calma. Ele volta a me atacar e tento esquivar e defender, porém, aos poucos, minha defesa é furada com mais frequência.

— Já parou para pensar o porquê você faz isso comigo? Será que você se sente inferior? Não! Ameaçado?! Talvez… atraído? Maksi, Maksi, começar a gostar de um demônio seria um problema para você.

— Não fale meu nome!

Seus ataques furiosos me acertam com mais regularidade e acabo sendo ferido. Cortes e hematomas aparecem. Porém, depois de tanto tempo, acabei me acostumando com isso e ignoro eles.

Se rebaixar ao nível de tentar espancar alguém inferior a ele, ainda cair nas suas provocações e até, em certo momento, perder para tal pessoa que você se considera superior e mais nobre. Eu já estou prestes a perder a luta, mas gostaria de perguntar a ele; Quem realmente venceu agora?

Com um golpe, que me faz inclinar para frente, chego perto o suficiente do ouvido dele para sussurrar algo. — Patético.

Uma joelhada no meu abdômen me faz querer vomitar. Sinto como se o suco gástrico, pois não como a dias, estivesse parado na minha garganta esperando o momento certo para sair.

Me agarro no pescoço dele, mesmo com as joelhadas no abdômen e faço do meu alvo o seu trapézio. Eu o mordo. Um grito alto de dor atinge meus ouvidos e o Maksi faz de tudo para me fazer soltar dele. Continuo a morder com mais força até que ele se solta.

Sinto uma coceira na pele abaixo da minha boca, provavelmente, é o sangue dele escorrendo. Maksi está com uma das mãos no pescoço enquanto me olha como se eu fosse algum tipo de lixo. — Seu selvagem! — É algo que seus olhos também dizem. Posso até perder, mas, pelo menos, acho que você não mexerá comigo por um tempo.

Vejo que a batalha entre os alunos está quase acabando, e pessoas vindo em nossa direção para observar o desfecho disso. Percebo meus dois companheiros no fundo.

O Maksi volta a me atacar novamente, mesmo com o pescoço ferido, o que não diminuiu em quase nada seu poder. Acho que está bom. Coloco minhas mãos no bolso e espero seu ataque. Um soco com toda a potência acerta meu rosto e minha visão fica preta. Mas antes que eu desmaie, deduzo onde o Maksi está e faço um sorriso de escárnio.

Minha mente se apaga.

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