Capítulo 63: Problema de Comida

Deitado no chão com minha consciência voltando, abro os olhos. As pessoas reunidas ao redor me encaram. À frente, vejo o Maksi parado. O rosto dele não tem raiva, tristeza, ou felicidade. Ele sai do círculo de alunos e vai embora.

Me levanto com uma dor de cabeça. Temmos aparece ao meu lado e me apoia no seu ombro. — Foi uma boa luta. — Ando até o quarto e deito na cama.

A Demcis inicia a conversa sobre o que aconteceu. — O que você fez para o Maksi sair assim? — Os olhos da garota parecem brilhar. — Ele parecia mais derrotado que você. Uma satisfação ver isso.

Ela ri, e eu descrevo a luta para eles. Da pressão mental e provocação que fiz. Foi tudo para que o Maksi me deixasse em paz por um tempo.

Com os pés balançando fora da sua cama, a Demcis sorri como se estivesse em um parque de diversões. — Tão bom ver ele sofrendo assim. Esse miserável não largava do seu pé, toda hora te perseguindo, desde o primeiro dia. Assim que vejo seu rosto, meu sangue até parece que vai ferver. Mas… ao ver ele saindo assim… he-he-he…

Deitado, viro minha cabeça para o teto cheio de poeira e teias. Levanto o casaco e a camisa para ver as várias marcas roxas no meu abdômen.

— Entrar na água gelada do rio deve melhorar seus ferimentos. Vamos depois. — Ouço a voz do Temmos abaixo de mim.

O respondo com um sim e continuamos a conversar. Preciso descansar um pouco. Fingir e atuar aquilo na luta me cansou. Mesmo o dia apenas começando, meu corpo está completamente exausto. Me sinto pesado e minha mente leve. Parece até as primeiras semanas da minha insônia há alguns anos.

Dou uma longa inspirada, coloco as mãos no peito e fecho meus olhos. Rapidamente, minha mente fica vazia e o barulho da Demcis conversando com o Temmos e a Hecatis some. Fico em um vazio escuro, torcendo para que o tempo passe rápido.

Quando abro os olhos, é metade da tarde. Fico na borda da cama. A Demcis está dormindo, a maga continua a ler seu livro como sempre. Só que o mais surpreendente, é o Temmos meditando. Ou algo assim… seu cenho franzido e a boca contraída. Parece que está fazendo esforço. Ele solta um longo suspiro e me vê inclinado na cama olhando.

— Não consigo fazer isso.

— No começo é difícil mesmo. Está há quanto tempo assim?

Um dos maiores erros dos iniciantes é começar a meditar 30 minutos ou 1 hora em seguida. Tem que começar aos poucos e ir se acostumando. No começo, é bom meditar apenas 5-10 minutos. Passar muito tempo assim é chato, e precisa de tempo para a mente entender como funciona.

— Desde que você deitou.

Isso dá quanto tempo? Olho para a janela, e deduzo que seria, aproximadamente, 5 horas meditando. Isso tudo na primeira vez dele…

— É melhor descansar um pouco agora… amanhã eu faço com você. — Caminho até a porta. — Bora para o rio? Você disse que é bom para os ferimentos.

— Entendido. — Ele se levanta e fomos para a água gelada. Revezamos entre se aquecer na borda e mergulhar até uma certa hora e voltamos. No caminho, pergunto algo para ele.

— Vocês já comeram?

— Não.

Sem as refeições feitas pelos treinadores, teremos que caçar nossa própria comida. Felizmente, a Demcis é uma caçadora e ela pode cuidar disso, então não precisamos nos preocupar em passar fome. O problema é os outros alunos, será que todos vão conseguir comer? Já que as moedas foram monopolizadas pelo grupo do Dilliam, o restante não pode comprar o benefício de privilégio de comida.

Pode rolar algum tipo de briga devido a isso. Poucas pessoas devem ter moedas e, se tiverem, são poucas. Não o suficiente para comprar o privilégio.

Poucos vão conseguir caçar; e aqueles que conseguirem, depois de um tempo, serão alvejados pelos alunos famintos. Isso não está longe de acontecer. Com fome, os alunos não podem treinar. Caso treinem, suas fomes aumentarão ainda mais. Essa é uma situação perigosa.

Volto para o quarto e vejo a Demcis na cama da maga, ambas conversando. Subo na minha e observo elas. A Demcis se vira para me olhar. — O que foi?

— Precisamos de comida.

— Isso eu sei. Minha barriga está entrando para dentro agora…

— Você consegue caçar para nós?

Ela me encara de maneira estranha. — Claro. Por que eu não faria isso? Ainda não quero morrer e, principalmente, de fome.

Entendo… então formarei um plano para algo. Um jeito de farmar moedas ou ganhar influência aqui dentro. Fecho meus olhos e organizo as informações que tenho.

Mais tarde, eu, a Demcis e o Temmos saímos para caçar. Todos carregam uma pequena lança. A menina fica na frente nos ordenando o que fazer. O Temmos observa tudo que ela faz, como se estivesse a analisando. Parece que ele vai começar a treinar caça agora.

— Shh! — Ela coloca o dedo na boca.

Nos agachamos e olhamos para onde a garota aponta. Um pequeno animal pula na nossa frente e, em um piscar de olhos, a menina joga uma pequena lança nesse animal. Empalando ele.

Chegando perto, vejo o corpo. Parece ser uma mistura de esquilo com um coelho. É marrom na sua maior parte.

A menina pega o corpo com as mãos e o sangue escorrega pelos braços dela. — Deve ser o suficiente para essa noite.

No campo, ao começo da noite, fizemos nossa própria fogueira, já que os professores pararam de fazer isso também. O grupo inteiro se reúne ao redor para comer esse roedor. Os outros alunos nos encaram com inveja. Pelo que parece, quase nenhum grupo conseguiu carne. Usamos alguns gravetos para cozinhar os pedaços de carne na fogueira.

A Demcis olha para o osso na sua mão. — Isso é tão pouco… — Ela coloca o osso na boca e dá pequenas mordidas nele com um rosto triste.

Termino o meu e jogo ele no fogo. — Caso arranje mais, consigo fazer alguma comida para vocês. Vou tentar achar um pouco de tempero. — Os olhos da menina brilham enquanto mastiga o osso na boca.

A Demcis ser uma caçadora vai me ajudar muito no que quero fazer. Olho ao redor do campo. É uma escuridão imensa, com apenas as fogueiras de poucos grupos.

— Demcis. — Ela me olha ainda comendo o osso. — Se eu formar um grupo de caça, quanto de comida você consegue.

— Depende… para que você quer isso?

— Vender.

Terminamos de conversar, fomos para o quarto e eles dormiram. Sentado na cama, olho para a parede escura à minha frente. Dá para fazer esse plano. Assim posso conseguir ganhar o CT.

De manhã, termino a rotina de treinos e fico deitado pegando a sombra de uma árvore. A maioria de seus galhos já estão quase sem nenhuma folha, e as que sobraram, são levadas pelo vento forte. O frio só piora a cada dia.

Hoje no treino, poucos alunos apareceram. Devem ainda estar se recuperando dos machucados da competição. Olho para as moedas de moedas de madeira na minha mão que o Dilliam me deu hoje. Vou dividir elas com meu grupo e o careca

Uma coisa impressionante, é que não vi o Maksi o dia todo. Em nenhum dos poucos treinos que frequenta, ele apareceu. Isso é bom para mim.

Levanto do chão. Acho que é uma boa hora para começar. Chamo a Demcis e mais algumas pessoas que recrutei do Dilliam, como também, um grupo neutro, que vi ontem com carne. Fiz a mesma abordagem com eles igual como fiz com o grupo do careca. Felizmente, eles me ouviram e aceitaram.

No meio da floresta, em uma parte aberta, todos que reuni ficam na minha frente. Solto um suspiro interno ao ver seus olhos me encarando. — Simplificando, devido ao que os professores decidiram, de não dar mais comida para todos nós, vamos ter que nos juntar para caçar. Ir atrás de comida sozinho é muito ineficiente e iríamos passar fome desse jeito, então é melhor formar um grupo para ir caçar.

Tecnicamente, excluindo a Demcis, são 3 grupos. Assim sendo, são 12 pessoas. 13, incluindo a garota. É um número suficiente para nós.

— Então, vamos fazer isso para sobreviver mais um pouco. Toda a comida vai ser dividida por mérito, mas todos vão ter direito a certa parte, caso alguém não consiga. Tudo bem com isso?

Eles acenam com as cabeças concordando.

— Certo, só isso mesmo. Vamos começar mais tarde. Eu chamo vocês na hora.

Por enquanto, não vi nenhum olhar de desgosto por eu parecer demônio e estar dando ordens.

O grupo neutro que chamei anda até mim. Uma garota de cabelo longo e preto me pergunta o porquê de eu ter escolhido eles. Falo que é devido a eles saberem caçar e mais uma desculpa que inventei na hora. Eles acreditam na minha desculpa e vão embora.

A Demcis aparece ao meu lado. — Precisa mesmo disso tudo para apenas arranjar comida?

— Não é só pela comida. Se fosse por isso, íamos caçar sozinho com o nosso grupo. — Paro por um momento. — Você conhece essa área?

— Mais ou menos.

— Você acha que apenas essa parte da floresta é o suficiente para todos os alunos arranjarem comida? — A garota balança a cabeça negando. — Inevitavelmente, vai faltar comida para todos. Só aqueles que souberem caçar vão conseguir. Agora imagine, um grupo conseguiu comida em excesso e agora está vendendo-a por um preço barato. O que vai acontecer com esse grupo?

— Ficaria rico…

— Esse é o plano.

— Hmm… — Ela coloca a mão no queixo pensando. — Então, vamos vender o quê? As ferramentas deles são apenas gravetos inúteis, não têm dinheiro, nem nada para trocar.

Tenho uma ideia do que fazer, mas mesmo pensando a noite toda sobre, não sei se daria certo. Vou ter que tentar.

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