Capítulo 67: Corrida Pela Bandeira

Saio do quarto e passo pelo corredor. — Bom dia, Morrigan. — Um aluno me cumprimenta e retiro-me da cabana.

Ao sair, meu olho é levado para a barraquinha, onde um aluno confiável cuida dela. A quantidade de carnes aumentou, já que recrutei mais pessoas para caçar.

Há várias outras barracas, que enfileiradas uma ao lado da outra, cobrem uma lateral inteira do campo.

Felizmente, não há nenhum aluno vendendo carne ou outro tipo de comida. Na verdade, teve um ontem, mas de maneira misteriosa, não apareceu hoje. Bem, pedi para o pessoal do Dilliam acabar com as vendas dele.

Desde o início, monopolizei as vendas, mas não é como se me importasse com isso. Preciso aumentar cada vez mais a minha influência para ganhar o CT. E está funcionando.

Vários alunos me cumprimentam, dão bom-dias, agradecimentos, etc. Mesmo com minha aparência de demônio. Provavelmente, alguns fingem, porém isso não importa

Já passaram duas competições desde a primeira inflação. E em cada competição, o ganho de moedas dobrou. Se antes ganhava 14 ao chegar em terceiro, após as duas competições, agora ganharia 56. Óbvio, o preço do privilégio também teve o mesmo tipo de aumento.

Só que isso não é um problema para mim. Com mais moedas nas mãos dos alunos, mais eles podem gastar. Alguns ainda têm dificuldade em comprar essas coisas, porque em nenhuma competição ficaram em primeiro. Outros, conseguiram moedas ao vender objetos, como lanças de madeira feitas a mão, arcos, flechas.

Ando até essas barracas e as analiso com mãos no bolso. Ando tranquilo, alguns alunos falam comigo e paro de andar para conversar com eles. Isso é um pouco chato, só que me acostumei. Faço um sorriso e saio quando termino a conversa.

Após passar por todas e chegar na minha, sem falar com ninguém, pego um saco que está no chão e vejo dez moedas dentro dele. As pego e dou uma para aquele que vende as minhas carnes. Ele me agradece e vou para o refeitório, onde a Demcis e o grupo do careca conversam.

Quando chego lá, dou um bom-dia e sento ao lado da Demcis. Esparramo meus braços pela mesa e descaso o queixo nela. — Isso é cansativo… — Solto um suspiro.

— Você que decidiu fazer isso. Força. — A menina dá uns tapinhas de consolo nas minhas costas.

Levanto a cabeça e olho para a Gailas, que tem uma expressão natural de raiva. — O que você está olhando? Se quiser, me dê metade das suas moedas e eu faço tudo isso.

— Ha-ha… — Solto uma risada falsa.

Ah, tenho que ir treinar com o Temmos. Me levanto e, quando estou a pegar minhas espadas, vejo ele no caminho. Converso um pouco e fomos para o nosso local de treino.

Ao chegar lá, vejo os materiais que fiz para os treinos. Troncos, halteres de madeira, cordas. A maioria foi o que fizemos e acumulamos nesse pequeno período de tempo.

Aqueço um pouco com ele como parceiro e pego as espadas. — Usa uma espada só, por enquanto. Mais tarde você usa as duas.

Aceno com a cabeça e guardo uma das espadas que peguei. Fizemos alguns golpes básicos, depois os mais avançados, nos quais ele me ensina como fazer.

Com as aulas do CT e os treinos do Temmos, estou mais avançado do que a média dos alunos. Ele me ensina vários movimentos que o professor de esgrima ainda não falou sobre.

Depois de terminar os golpes básicos, decidimos fazer um pequeno sparring.

Frente a frente, avançamos um contra o outro. Nossas espadas de treino se batem e o impacto sobe dos meus punhos até o ombro.

Mantemos as espadas coladas por um momento, mas perco essa batalha. Seus braços são superiores aos meus.

Ao soltar as espadas, ele recua, porém, eu avanço. O Temmos se defende com sua espada por pouco.

Pode até ter uma força boa nos braços, mas, depois de treinar, consegui superar ele na velocidade.

Ele acha uma abertura e me ataca. Esquivo e depois avanço de novo.

Trocamos mais golpes, até decidimos descansar um pouco para depois continuar.

— Ainda tem coisas para melhorar na sua técnica, mas de resto está bom — fala ao beber no seu cantil. — Você consegue vencer quase todos do CT assim. Na verdade, você já conseguia antes. Porém, agora, sua técnica de espada está superior ao da maioria. Se continuar nessa evolução, logo logo consegue me passar.

— Entendo. — Tomo um gole do cantil.

Temmos sempre falou que minha força física é um fenômeno que nunca viu, só que minha técnica ainda falta. Já diminuí os treinos físicos e aumentei os que usam armas, como lanças, espadas e arcos. Tudo para ver se melhoro minha consciência corporal ao utilizá-las.

— Agora vamos ver como está sua habilidade com duas espadas

Pego as minhas armas e fico à frente dele.

Segurar assim é muito mais confortável. Me sinto leve e mais rápido. Como uma espada, parece que fico encolhido, mas com duas, é como se eu estivesse livre. A posição das mãos, ombros, tronco, pernas; tudo fica mais satisfatório.

Xiiiii!!

Soltamos o ar pela boca ao mesmo tempo. Eu fico parado e ele vem. Controlo a distância entre mim e ele com a espada esquerda. Quando ataca, redireciono seus golpes para fora. Por enquanto, só me esquivo e defendo dele.

Uma abertura. Aproveito essa chance e ataco com a direita, virando meu corpo de lado. Temmos consegue se esquivar, mas não paro aí. Com a esquerda lá atrás, uso a inércia do meu corpo para continuar o ataque. Dessa vez, o pego de surpresa e acerto seu ombro.

Ele mostra um sorriso e fala: — Ainda não estou acostumado com duas espadas.

Esse seria um golpe que seria facilmente esquivado por ele. Deve ser a falta de experiência ao lutar contra esse estilo que consegui acertar.

Temmos recua e continuamos. Não consegui ter a mesma sorte e não acerto ele. Uma coisa boa é que ele não me acertou também. Foi um sparring bem apertado.

— Aquele estilo de luta combina muito com você — fala, enquanto caminhamos de volta a cabana depois de terminar o treino. — Tem bastante trabalho de perna, e o jeito que você se movimenta, faz com que haja chances de usar elas durante uma luta com chutes. Favorece também sua agilidade. Todo estilo de duas espadas é sempre rápido e leve, o que combina com você.

— E sobre meus ataques. O que acha deles?

— Eles estão bem mais rápidos que antes, mas ainda falta aquela força, sabe? Acertar o oponente e conseguir ouvir aquele som de ter acertado o osso. Falta isso. Mais potência.

— Entendo.

Chego no campo e faço tudo como de costume. Treino, caço e pego o dinheiro das vendas.

Os dias passam e chega a competição.

Alunos em fila, como sempre, e o treinador explicando as regras.

— Quero que se dividam igualmente em três!

Como formigas organizadas, os alunos fazem isso rápido e eficiente. Três filas grandes são formadas.

— Vou explicar primeiro as regras, para depois vocês escolherem corretamente. Existem três bandeiras em um lugar bem distante daqui, uma diferente para cada grupo. Quem chegar nelas e trazer de volta mais rápido, ganha. É simples. Mas, agora vem a parte especial.

Eu sei o que vai ser, pois sempre compro informações sobre as competições antes. Porém, ainda sim, fico um pouco ansioso devido a atmosfera causada pela tensão dos alunos.

— Cada equipe vai escolher aqui e agora um líder. Vou dar a vocês dez minutos para se decidirem. — Ele se afasta e anda até os outros professores.

Apenas silêncio.

Ninguém fala nada. “Escolher um líder? Quem vamos escolher?”, provavelmente é isso que estão pensando.

Vejo duas pessoas saírem da multidão e ficarem à frente de suas equipes. Já é determinado que ambos seriam os líderes. O problema, é o terceiro. Não há ninguém com o mesmo nível de influência deles. Mas, em um nível abaixo tem. Eu.

Sinto alguns olhares hesitantes em mim, só que sou o único que podem escolher para competir com aqueles dois. Sem dizer nada, ando para a fila que sobrou. Não percebo ninguém se opor a isso. Paro lado a lado com o Maksi e o Dilliam.

Os alunos da fila me encaram em silêncio. A minoria é de alívio e desgosto. A maioria nem parece ligar para isso e têm uma expressão indiferente.

O treinador aparece após alguns minutos de silêncio constrangedor. Ele entrega para mim e os outros líderes uma bandana colorida. A minha é vermelha, a do Dilliam amarela e a do Maksi verde. Ele fala que essas bandanas representam os líderes. Enrolo ela no meu ombro.

— Outra regra — fala o treinador. — Apenas os líderes podem entregar as bandeiras referentes à sua equipe. Se alguma outra pessoa entregar, não irá ganhar.

Isso dá certo poder ao líder e impede que certa equipe se divida. Bem pensado.

Sou entregado um mapa e tento analisar o que está nele. Olho de relance para o mapa do Dilliam, e vejo que a sua bandeira não é tão distante da minha. Ambas são quase da mesma direção, só muda alguns graus saindo daqui para lá.

Se o do Maksi for do mesmo jeito, vai ser, literalmente, uma corrida. Tem várias estratégias que se pode fazer.

Impedir o líder de entregar a bandeira. Esperar aqui e mandar os membros da equipe irem buscar. Fazer as equipes lutarem e só os líderes correrem até as bandeiras. Penso em algumas estratégias nesse período curto de tempo.

Olho para frente de novo. Vai ter alguns impedimentos. As equipes formadas são aleatórias, isso significa que pessoas do Maksi e do Dilliam estão em todas as três equipes.

Vamos ter problemas para cuidar disso. Na verdade, a situação deles poderá ser pior que a minha. Bem, vamos ver mais tarde.

Algo interessante é como os professores fizeram essa competição. Tenho chances de chegar em primeiro.

Meus pensamentos são interrompidos pela alta voz do treinador.

— Não há limite de tempo. E, então… a competição começa agora!

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