Capítulo 68: Corrida Pela Bandeira (2)

Ninguém tenta correr de primeira. Cada equipe se reúne para discutir os planos.

Um grande círculo apertado comigo em seu centro. Um terço de todos os alunos do CT me encaram para ouvir minhas ordens. Alguém normal não conseguiria nem falar devido a essa pressão.

— Bem, vamos agilizar! — grito para todos ouvirem. — Quem é veloz pode ir agora sem precisar ouvir mais nada.

Levanto o mapa e mostro aonde devem ir enquanto mando decorarem. Vejo alguns alunos saírem e correrem juntos. É uma corrida, quem sair primeiro tem vantagem. Esse é o básico.

— Como o treinador falou, só eu posso fazer vocês ganharem. Então, ouçam o que digo e façam o que mando! — Olho para todos e encaro em especial aqueles que são amigos do Maksi. — Se eu dizer alguma coisa, façam sem hesitação! Estamos entendidos?!

Balançam a cabeça em silêncio. Eles não têm escolha, senão ficam sem as moedas. E o que a maioria quer, são essas moedas.

— Primeiro — fecho meus olhos e tento lembrar de certos rostos —, você, você, você… e você.

Aponto para vários. São aqueles que identifiquei como parte do grupo do Maksi.

— Podem correr na frente.

Sem se preocuparem com nada, eles saem. Provavelmente, estão pensando que se livraram de mim. Claro, ainda deve ter alguns do grupo do Maksi que não lembro, mas tirei o excesso deles e posso falar com mais facilidade.

— Primeiro, abram espaço. Preciso ver uma coisa.

Eles se espalham. À primeira vista, vejo meu grupo e do careca. Chamo ambos. Observo os outros membros com calma e divido eles em três.

Chamo o careca e seu grupo e explico o que eles precisam fazer dessa vez. O Grupo 1 vai cuidar de impedir os líderes e deixei a Gailas e o careca responsáveis. O Grupo 2 vai cuidar dos outros membros e deixei o Rofrikdis e a Camidtra responsáveis. O Grupo 3 vai cuidar de me proteger e de me levar até a bandeira. É o menor grupo.

As outras equipes fazem planos diferentes, pelo que posso ver. Tem vários métodos para um único objetivo, só preciso ver quem escolheu o melhor.

Explico para os três grupos os planos — Vamos! — Chamo todos para correr comigo.

Lidero o pelotão dentro da floresta. Mantenho um ritmo baixo para que consigam acompanhar. Depois de certo tempo, aceno com a cabeça para o Rahiq e parte da equipe se desprende do pelotão, indo para o lado dos outros líderes.

Provavelmente, os dois também devem ter separado um pessoal para caçar líderes. Penso nisso e desvio um pouco do caminho para evitar qualquer confusão.

Vejo alguém acelerar e chegar ao meu lado. É a Demcis. — Me passa o mapa — fala ela. Sem hesitar, a entrego. — Eita.. vai demorar um pouco para chegar no destino, mesmo correndo.

Sim, no mínimo algumas horas. Mesmo se eu me separasse e corresse com tudo até lá, ainda demoraria para chegar. Os professores devem ter feito isso para amplificar a quantidade de confrontos. Já que quanto maior o tempo para chegar lá, mais chances das equipes se encontrarem.

A Camidtra aparece ao meu lado e fala: — Já estou indo, Morrigan.

— Certo.

Outro pedaço da equipe se desprende e só sobram poucas pessoas. Como a maioria já saiu, posso aumentar a velocidade. A Demcis me entrega o mapa e guardo ele dentro do casaco.

— Vou acelerar!

Olho para frente e aumento a passada. Tento me localizar ao usar o sol como bússola e sigo sem medo por esse caminho. Caso eu esteja indo em outra direção, a Demcis pode me avisar.

Ao correr por minutos, nada de especial acontece e decido descansar um pouco para depois correr sem pausa até a bandeira. Me sento no chão com a Demcis e o Temmos ao meu lado.

Ele descansa com seu bastão no colo e ela com o arco no ombro. Olho para dentro do casaco e vejo duas espadas de madeira presas na cintura. Ultimamente, nas competições não dá mais para lutar de punhos vazios, já que a maioria dos alunos têm algum tipo de arma.

Me levanto. — Certo, vam—-

Cleck!

Barulho de galho sendo pisado. Me agacho e retiro uma espada da cintura.

Os outros também fazem o mesmo. Agachados e com a respiração travada, vemos um pessoal correr a nossa frente. Felizmente, passam direto.

Como uma tensão tirada dos ombros, solto um suspiro. Se eles gritassem ou arranjassem briga, isso dificultaria muito.

— Encontrei o líder deles! — Esse grito faz meu coração acelerar por um momento. Nos acharam. Olho a direção do grito. É um grupo médio. Mesmo não sendo um grande, é mais do que consigo lidar.

— Vamos correr! Venham! — Acelero em um instante com a espada ainda em mãos.

Eu e o Temmos andamos todo dia pela floresta para caçar. É mais como um treino, do que para sobrevivência. Assim sendo, conheço bem essa floresta.

Pulo sobre as raízes e esquivo dos galhos. Olho para trás e desacelero. O espaço entre as árvores fica cada vez mais apertado, a grama também fica mais alta. Isso tudo impossibilita ver o que está na frente. Continuo a correr mesmo assim.

Grito o suficiente só para a minha equipe ouvir. — Quando vocês passarem daquela árvore comigo, quero que todos vocês se virem para trás e comecem a correr de novo. Entenderam?!

Balançam a cabeça.

Certo. Quando chego na árvore que falei, onde tem um grande matagal, que não deixa ver o que tem depois, me jogo sem hesitação.

Uma forte luz cega meus olhos e dou de cara com uma cratera. Toda vegetação verde é trocada por um chão marrom. É um pouco profunda e tem partes onde as paredes têm quase 90 graus.

Como pulei alto, fico a alguns metros do chão. Ainda no ar, viro meu corpo para trás e vejo o rosto assustado da Demcis e dos outros.

Caio no chão e escorrego pela terra, mas não paro aí. Corro e escalo a cratera. Me escondo atrás da grama. Quando todos me imitam, os inimigos pulam pela árvore.

Pela posição que estou, não consigo enxergar seus rostos, mas consigo ouvir seus gritos de espanto.

Assim que me certifico que todos caíram, me levanto e olho para eles de cima. Tiro as minhas duas espadas. Tenho um terreno alto ao meu favor agora.

Após uma batalha fácil, derrotamos todos. Ainda não dá para descansar. Provavelmente, aquele grito alto alertou alguém.

Assim que saio da parte ao redor da cratera, ao longe, vejo outro grupo. E, claro, eles também me vêem. Ou melhor dizendo, vêem essa bandana vermelha e brilhante no meu braço.

Sigh…

— Hey, pessoal! Hora de correr de novo!

Ao meu grito, eles percebem o outro grupo. Olho para dentro da cratera e os que derrotamos sorriem. Se eles se juntarem, não dá para enfrentar ambos. Mesmo com uma vantagem de terreno.

Fecho os olhos e tento me lembrar da geografia da floresta. Não tem nada que eu possa aproveitar. Então, a única estratégia é correr o mais rápido que posso.

Encaro minha equipe e aceno com a cabeça para eles. Tiro meu casaco e coloco ele na cintura. Acelero com todas as minhas forças em direção a bandeira.

Os galhos arranham meus braços, meu corpo perde equilíbrio no musgo das raízes, insetos batem na minha pele e olhos. Tudo para fugir deles.

Minha equipe segue atrás de mim, e os perseguidores também. Mantemos uma distância estável. Eles não chegam perto nem nos afastamos. Não dá para aumentar a velocidade, já que assim eu acabaria por bater em uma árvore que foi camuflada pelo mato e outros troncos.

Analiso a situação e entendo que preciso reencontrar a parte da minha equipe que se separou.

Mudo de direção bruscamente e corro em direção às outras equipes inimigas. O restante da equipe está lá. Mandei irem para com o objetivo de atrasar os adversários, mas agora sou eu o atrasado.

A perseguição continua e nada de encontrá-los. Mudo de direção várias vezes e tento deduzir onde estão com base na minha ordem.. Se mandei atrasar os inimigos, assim sendo, devem estar no mesmo caminho que eles.

Tem um único problema nesse plano. Se foram atrasar os adversários, então também devem ter mais inimigos lá. Vou ter que achar algum jeito de lidar com isso.

As duas equipes inimigas se juntaram.

Posso ir direto pegar a bandeira, mas caso encontre mais adversários, não vou conseguir lidar. Essa ideia é muito imprudente e não posso fazê-la.

De correr tão rápido, as árvores ficam embaçadas e tudo que enxergo é o caminho que preciso seguir para encontrar o pessoal. Isso também é um dos motivos do porquê não posso ir direto até as bandeiras. Se tiver que correr nessa velocidade, meu corpo não aguentará e ficarei cansado. Isso é como uma meia maratona, só que com obstáculos, que são as raízes grandes e escorregadias, entre outras coisas desta floresta.

A Demcis avança e aparece ao meu lado. — Não é melhor você ir sozinho para as bandeiras e nós seguramos eles?

— Infelizmente, não. Tem outras pessoas competindo além deles, então não dá para terminar sozinho. Os líderes também podem ter arranjado algum plano para impedir que os outros levem as bandeiras. É impossível ganhar sozinho.

— Hey! Isso alí é uma pessoa?! — Alguém da equipe grita.

Procuro e acho. É, é um grupo. Só que não são aliados…

— Merda. — A Demcis range os dentes. — Você tem muita sorte, Morrigan…

Eu sei.

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