Capítulo 69: Corrida Pela Bandeira (3)

— Se agrupem! — Com meu grito, a equipe se mantém perto com as costas coladas em círculo.

Não dá para ficar parado…

— Temmos. — Ele fica ao meu lado. — Me siga e não pare por nenhum momento.

Tiro a outra espada e ele se prepara com seu bastão. Acelero em direção ao grupo que está no meu caminho.

A minha equipe atrás de mim forma uma fila. Com eu e o Temmos na ponta, corro sem olhar para trás. Não posso parar logo agora.

Chego cada vez mais perto dos inimigos. Ao me ver correr até eles, se juntam e me esperam. Só tenho que passar por eles. Fazer uma abertura na sua formação à força.

Não posso voltar, não posso parar, só posso seguir em frente.

Essa é a única competição desde o início que tenho chance de chegar em primeiro, não posso desperdiçar isso.

Acelero mais. Felizmente, consigo sentir que a equipe me segue. É como um trem a todo vapor. Na verdade, uma bola de boliche, e os inimigos são os pinos. O problema é se derrubarei os pinos.

Aperto com mais força o cabos
das espadas. Foco o olhar bem no centro do grupo deles, não tiro meu foco disso. É ali que tenho que passar, não posso desviar, se não vou perder velocidade e eles vão me pegar, uma hora ou outra.

A poucos metros, contraio meu abdômen e encolho meu corpo.

— AAAAHHHHHHH————!!! — O grito atrás da equipe chega aos meus ouvidos ao mesmo tempo que atingo o primeiro adversário com minhas espadas.

Entro no meio deles, mas não diminuo a velocidade. Empurro aqueles ao meu lado com os braços e aqueles na frente com meu corpo inteiro.

Não sei como estão os outros, já que fechei meus olhos, porém, consigo sentir que estão se obrigando a seguir em frente comigo.

Me sinto apertado no meio dos corpos. Se focar um pouco, sinto o cheiro azedo de suor. Bem, esse é o menor dos meus problemas agora.

Bato em alguém e avanço. Empurro quem estiver na frente. Tento abrir caminho para passarmos.

Ouço o som da minha equipe se esforçando. Os gemidos e gritos de força. A pressão da responsabilidade que tenho em fazer os inimigos saírem.

O tempo até parece desacelerar aqui. Não sei quem está ao meu lado, na minha frente ou atrás de mim. Meus olhos fechados me impedem de ver isso ou de olhar para as minhas costas. Só tenho que passar por eles.

Os músculos do meu corpo estão todos contraídos só para passar.

Para mim parece uma eternidade, só que consigo ver que não se passou nem um segundo direito.

De repente, sinto meu corpo leve.

Percebo que atravessamos eles. Como uma flecha.

Olho para trás enquanto corro. No meio dos inimigos foi formado um buraco na formação deles. Todos da minha equipe atravessaram. O olhar de alívio está no rosto de todos. Só que ainda não podemos parar de correr.

Talvez ainda surpresos, nos encaram por um tempo. Mas só por um tempo.

Agora tem três grupos nos caçando.

— Vamos seguir em frente e achar nossos camaradas!

Grito. E eles retribuem com outro em uníssono. — Sim!!

A maioria deles não conheço nem os nomes, e antes da competição, nem os rostos. Agora, sinto como se fossem companheiros de longa data. Que lutamos várias lutas e sacrificamos nossas vidas um pelo outro. Claro, é só uma sensação.

Não ouso olhar para trás, porque consigo sentir os passos das dezenas de alunos caçando minha cabeça.

Como eu fiquei forte nessas semanas, eles também ficaram. Se antes, quando não tinham experiência ou força, eu conseguia vencer cinco com esforço. Agora, não posso nem com três ao mesmo tempo. Quanto mais forte todos ficam, menor a diferença de poder.

A distância entre as árvores fica maior, por isso, acelero. A equipe ainda consegue me seguir, por enquanto. Vou aproveitar esse local para ganhar mais distância dos inimigos e diminuir quando a floresta ficar mais densa.

Dito e feito. Nesse trecho, aumento o intervalo de tempo para chegar entre mim e os inimigos. O problema é que fiquei um pouco exausto.

— Temmos, assume aqui.

— Entendido.

Ele fica à minha frente e pego carona para descansar o fôlego um pouco.

Eles ainda não desistiram, mesmo ao abrir tal distância. Insistentes.

— Seu rosto está inchado — fala a Demcis ao meu lado um pouco ofegante.

— Deve ter sido uma cotovelada naquela hora. — Também me falta um pouco de ar ao falar.

Parece que ainda vamos demorar.

— Ainda falta metade da distância, pelo que posso ver. — A menina olha para o alto. — Como nós desviamos do caminho para achar nossa equipe, deve levar mais tempo que o esperado.

Entendo… é como uma maratona. Sorte que corro todo dia de manhã nos treinos, então meu fôlego é decente para aguentar isso.

Assim que penso nisso, ouço um barulho ao longe. Tento localizá-lo e acho um grupo correndo. Ao forçar minha vista, consigo ver a Camidtra e o Rofrikdis.

Um brilho aparece nos olhos da minha equipe.

— Vamos nos juntar! Pode acelerar, Temmos.

Quando chegamos neles, me perguntam o que estou fazendo aqui. Apenas aponto para trás e entendem.

Agora dá para enfrentá-los, porém, ainda não é o momento. Bem, dá um certo alívio ter mais pessoas aqui.

Como o Grupo 3, o que me protege, é o menor da equipe, com cerca de um sexto. O Grupo 2 é o maior, com três sextos. Assim, boa parte se reuniu e
o pelotão está maior.

Quando olho para a minha equipe, percebo uma coisa. A maioria vai se cansar logo. Não vai dar para correr sempre dos inimigos. E ainda falta metade do caminho, precisamos descansar.

— Parem e se juntem!

Ao ouvir minha voz, a tensão de todos sobem. Faço uma formação improvisada com eles enquanto esperamos nossos inimigos chegarem. Nada complexo, mas o suficiente.

Os passos dos inimigos ressoam e fazem o chão tremer. A respiração dos meus aliados é alta e consigo perceber o ranger de dentes deles.

A diferença de números entre nós não é tão grande, então dá para vencer

Faço minha postura de lutas com duas espadas. Eles também fazem com suas respectivas armas.

Xiiiii!

Solto o ar pela boca e espero a chegada deles.

Como um caminhão desgovernado, eles chegam. O primeiro vem logo em mim, e eu dou uma cotovelada no rosto dele, mas sou levado para trás devido aos outros que o seguiam.

Recuo e consigo evitar de me atingirem. Seguro minhas espadas com força e olho os inimigos. Avanço contra eles.

Sem hesitação, adentro na multidão desorganizada que se formou.

Uso minha espada e punhos para atingir o máximo de pessoas possível. Fica um pouco difícil saber quem é aliado ou inimigo no meio dessa confusão.

Não dá para usar os movimentos que pratiquei. É uma confusão. Punhos em todos os lados, as armas de treino atingem vários ao mesmo tempo. Algum sangue esporádico voa, dentes também.

A única coisa que sobra na minha mente é fazer o máximo de dano no menor tempo possível.

Uso todo meu corpo; pernas, tronco, braços, punhos, armas. Dou cotoveladas quando não consigo me mexer direito. Joelhadas naqueles que estiverem na minha frente.

Impressionantemente, o que menos uso é a espada, pois não há espaço para usá-la.

Óbvio, também sofro os golpes. Não consigo me esquivar deles e nem bloquear os que não vejo. Minhas costelas, pescoço, braços doem, mas continuo dentro da briga.

Quando derroto o último, um peso sai das minhas costas. Os meus pulmões não conseguem puxar o ar e minha mente branca e leve. Olho ao redor.

Vários alunos no chão enquanto gemem de dor. Alguns até desmaiaram. Uma parte da minha equipe também está do mesmo jeito.

Encaro aqueles que ficaram de pé e aceno para eles. Não posso descansar.

Corro mancando no início, depois pego o embalo e acelero. Nem sobrou metade dos membros.

Guardo minha espada na cintura, pois meu braço está dormente e me distancio o máximo que posso do local de batalha. Quando me afasto o suficiente, descanso com o pessoal.

Todos ofegantes e cansados. Hematomas nos braços, os rostos inchados. Alguns limpam os cortes, outros deitam no chão para recuperar o fôlego. O Temmos e a Demcis também sobreviveram a batalha e descansam.

Tiro o casaco da cintura e sento no chão. Olho para o céu azul, entre as copas das árvores, com algumas nuvens escuras ao fundo. Os galhos balançam devagar. Não há quase nenhuma folhas neles, mas mesmo assim, é um cenário relaxante.

Já devemos ter passado uns 75% do caminho. Daqui a alguns minutos vamos chegar na bandeira. O grupo que mandei na frente deve estar protegendo ela, para evitar que os outros times a roubem.

Quando recupero o fôlego, me levanto e olho para o time.

— Já passamos da metade do caminho de ida para a bandeira. Provavelmente, daqui até o final vai ser livre para corrermos sem distração. Infelizmente, tivemos muitos contratempos, e perdemos muito tempo, então, a partir de agora vamos ter que correr o máximo que pudermos.

Enfio a mão por dentro do meu cabelo e fecho os olhos.

— Vamos ir, pegar a bandeira e partir. Sem descanso nenhum até chegar ao campo. Eu tenho que fazer vocês ganharem, não importa como. Vocês depositaram suas confianças em mim, por isso, tenho que fazer essa confiança valer a pena. Não vou decepcioná-los. Quando pegarmos a bandeira, vou correr o máximo que consigo. Sem me importar com nada. E farei nós ganharmos isso!

Sinto a motivação deles crescerem e os olhos brilharem. Quando chegar no local, preciso que eles me protejam. Vou ser carregado pelo time até a bandeira, e quando chegar lá, vou partir. Esse é o melhor plano. Simples e básico, mas funciona.

— Vamos?

Todos se levantam animados.

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