Capítulo 70: Corrida Pela Bandeira (4)

Corro até chegar ao local do mapa com a minha equipe. De primeira vista, enxergo uma luta ao redor de uma grande pedra cilíndrica, algo em torno de três a quatro metros. Há uma bandeira vermelha cravada na parte superior da pedra.

Só que não é isso que presto atenção. Olho para o lado. Tem uma linha reta para os lados sem nenhuma árvore, como se algum desastre tivesse acontecido. Um caminho só com grama até o horizonte.

Devido a esse campo aberto, consigo ver ao longe as bandeiras das outras equipes. Todas têm as mesmas pedras, a única diferença é a cor das bandeiras. E em todos, há uma luta para pegar a bandeira.

Saio das árvores e os olhos dos inimigos caem direto no meu braço com a bandana. Devia ter escondido isso.

— Não deixe eles chegarem perto!

Minha equipe fica na frente. Volto a olhar as outras pedras. Ao longe, sinto que meus olhos e do Dilliam se encaram. Forço a vista e vejo ele com um sorriso.

Podíamos ter formado uma aliança no começo para ir contra o Maksi, mas agora já é tarde demais. No momento que ambos chegamos aqui, é cada um por si.

Uma batalha para me proteger acontece na minha frente. Os inimigos querem me impedir de pegar a bandeira. Felizmente, isso está acontecendo em todas as equipes e não preciso me preocupar em demorar.

Tem um círculo de aliados e adversários ao redor da pedra, não dá para chegar na bandeira sem eu ser nocauteado no meio do caminho.

Analiso sem pressa o que posso fazer e coloco as mãos no bolso. Com esse pessoal na frente, não posso enviar alguém para escalar ou pular a pedra. Tenho que fazer eles saírem do caminho. Chamo a Demcis e o Temmos.

Pergunto para a garota: — Você consegue pular alto?

— Ehh… sim? Eu acho.

Então deve funcionar. Conto o plano para ambos. Agora, só preciso fazer uma abertura.

Pego uma pedra no chão, olho para as outras equipes e tento procurar algum careca ao lado de uma baixinha. Quando acho, me inclino para trás. Foco minha mente nos músculos das costas, ombros e abdômen. Relaxo as mãos. Solto todo o ar dos pulmões, que deixa meu abdômen ainda mais forte.

Taco a pedra em direção ao careca.

ZIIINGG!!

Ouço o som alto do ar sendo cortado. Observo a pedra fazer uma parábola e quase acertar na cabeça do careca. Percebo que se vira para esse lado e faço gestos para ele vir com toda a equipe.

Isso muito provavelmente vai fazer os líderes capturarem as bandeiras mais rápido, porém, chamar a equipe vai ajudar na minha captura. Melhor acelerar isso, já que eu cheguei.

Uma multidão liderada pelo careca vem correndo. Apenas aponto para a bandeira vermelha e parece que o careca entende. Ele muda a direção da multidão para a pedra.

— Merda! — grita um dos inimigos que querem me atacar ao ver essas dezenas de pessoas. Os outros que também que também querem minha cabeça resmungam e recuam para impedir meus reforços de escalarem as pedras.

— Avancem vocês também!

Os que estavam a me proteger vão até a pedra. Só sobra eu, a Demcis e o Temmos aqui.

— Você sabe que para fazer isso, preciso fazer mais do que pular alto, né?

— Acredito no seu potencial.

Ha-ha… — Ela coloca a mão no rosto e olha para baixo. — Um dia ainda te bato.

Observo a luta acontecer. Preciso achar o momento certo.

Achei.

— Temmos, pode ir. — Ele corre a toda velocidade. Quando ele chega a metade da distância, olho para a Demcis. — Agora é você.

— Você me dá vontade de te espancar.

Você não é a primeira…

Ela corre logo atrás do Temmos. Assim que o garoto chega na briga, em vez de adentrar na confusão, ele se vira de costas e encara a Demcis. Firma seus pés no chão e espera ela.

A menina acelera cada vez mais, chegando a uma velocidade absurda.

Observo tudo sozinho com as mãos no bolso. Se ela não faltou aos treinos de perna, deve conseguir.

Assim que a garota chega perto do Temmos, ele se inclina para trás e junta os dedos. Consigo ver que o corpo dele está todo tenso, provavelmente, está contraindo seus músculos para não cair para trás.

A Demcis pula alto e seu pé cai em cima da mão do Temmos. Ele grita de raiva e lança ela com para cima.

Como se tivesse asas, a garota sobrevoa todo o pessoal. Eles olham para cima em choque. A batalha para. A maioria deles boquiabertos e confusos.

Ignoro o alto grito de terror dela, só para deixar a cena mais épica. Não é todo dia que se vê isso.

Ela cai em cima da pedra. Olha para mim e levanta o braço. Um sorriso aparece no rosto dela. Também levanto o meu braço.

Quando a garota pega a bandeira, os inimigos saem do transe e tentam escalar a pedra, mas minha equipe não deixa.

Ela tira seu arco do ombro, pega uma flecha da aljava em sua cintura e enrola a bandeira ao redor da flecha. Aponta o arco para mim e a flecha é solta.

Instintivamente, movo o rosto para o lado. Algo rápido o suficiente para eu não ver corta uma parte do meu cabelo. Ela quer me matar…? Um sorriso surge no rosto da Demcis.

Sigh…

Me viro, vejo meu cabelo flutuar e depois a flecha presa no chão com uma bandeira vermelha presa. Desenrolo da flecha e levanto a bandeira para todos meus aliados verem.

EEEHHHHHHHHH!!

O grito deles faz o chão tremer.

Ao longe também ouço outro grito. Sinto o sorriso do Dilliam me encarar, mesmo sem ver ele. E um outro grito mais atrás. O Maksi.

Parece que vou ter que acelerar. Seguro o cabo com firmeza e encaro a floresta com uma pequena névoa ao fundo devido ao frio. Vai ser cansativa essa volta…

Corro sem olhar para trás. Sei que estão me perseguindo, mas não vão conseguir me alcançar mesmo que queiram.

Acelero em uma velocidade que não cheguei a correr com minha equipe. Meus passos ficam distantes o suficiente para conseguir pular de raiz em raiz. É difícil manter o equilíbrio, mas consigo uma velocidade boa assim.

Tudo ao redor embaça, o único foco que tenho é a minha frente. Minhas pernas se movem na maior velocidade que podem. Não consigo parar mesmo que queira. Minhas pernas são levadas para frente pela força do movimento anterior. É como se tivesse algo a puxar elas para frente. Uma corda ou alguma máquina.

Depois de minutos a correr nessa velocidade, diminuo a força dos meus passos. Ainda tenho vários quilômetros pela frente, não posso me cansar no começo.

Economizo cada movimento que consigo. Mantenho o corpo estável. Aumento o tamanho passada e o tempo em que dou uma. É o jeito que os maratonistas correm. Fazem o menor movimento com as pernas e, mesmo assim, conseguem manter altas velocidade por longo período de tempo.

Talvez os outros líderes possam correr nesse trecho mais rápido que eu e abrirem distância, porém, no final terei a energia necessária para ultrapassá-los.

Olho para a paisagem de inverno ao mesmo tempo que corro. Vou ter apenas essa imagem nas próximas horas. As árvores de inverno, com poucas folhas, o céu nublado, vento forte e frio. Talvez, daqui a alguns dias possa nevar.

Só preciso entregar essa bandeira e irei ganhar. Olho para o simples tecido vermelho dela enquanto meus braços balançam.

Sigh…

Agora é só correr… Volto a olhar para frente com as árvores a passar pelo canto dos meus olhos.

Fico assim por não sei quanto tempo, já que mantenho minha mente vazia com o único objetivo de correr da forma mais eficiente possível.

Recobro a consciência quando percebo que já devo estar perto o suficiente do campo. Dou uma longa inspirada e acelero.

Depois de um tempo, enxergo outra figura a vários metros de mim. É difícil saber quem é por causa da pequena névoa, mas consigo ver algo amarelo nessa figura. É o Dilliam.

Chego cada vez mais perto, até ele finalmente conseguir ouvir meus passos e se virar para trás com um sorriso estranho. Ele acelera para fugir de mim. Não tento perseguir ele de perto, então aumento apenas um pouco minha velocidade para não o perder de vista.

Tu! Tu! Tu! Tu!

Me viro para o lado assim que ouço esses passos rápidos. O Maksi olha nos meus olhos por um tempo e depois volta a se virar para frente em um rosto indiferente.

Os três líderes reunidos e nenhum tenta brigar com o outro. Bem, fazer isso é ineficiente e só atrapalharia.

Já devo estar em uma distância boa. Movo minhas pernas para alcançar o Dilliam.

— Eai — fala ele quando fico ao seu lado.

— Oi.

Não falamos mais nada. Ambos não temos mais fôlego para gastar.

Maksi logo chega para ficar ao nosso lado. Não falo nada com ele e continuo. Nós três lado a lado. Eu com minha bandana vermelha no braço, Dilliam com a sua amarela na cabeça e o Maksi com sua verde no pulso. Todos seguram suas respectivas bandeiras na mão. E prontos para correr com toda a sua força na reta final.

Sem nenhuma conversa, apenas o barulho de passos chega aos meus ouvidos. Corro ao lado deles

Ninguém tenta atrapalhar o outro, só gastaria energia e prejudicaria a si próprio.

O Dilliam começa a se afastar de nós, logo após o Maksi de mim. Sou deixado sozinho atrás.

Identifico algumas coisas e percebo que falta menos de um quilômetro até o campo. Essa é a hora que devo acelerar.

Chego ao lado dos dois, porém, não paro aí. Continuo a avançar. Minha pernas se movem mais rápido. Toda a energia que guardei, uso agora. O barulho dos meus passos ficam velozes, o vento no meu rosto fica mais forte. É agora que a verdadeira corrida começa.

Os dois aparecem ao meu lado na mesma velocidade. Me afasto de novo, mas eles continuam a me alcançar.

Certo…

Aperto mais forte na bandeira e corro ainda mais rápido. Meus batimentos cardíacos ficam a mil, consigo até ouvi-los no ouvido. Minha respiração fica errática e minha cabeça branca pela falta de oxigênio.

O caminho fica mais estreito, então quando eles me alcançam, nossos ombros se tocam. Nos empurramos para ganhar espaço, ou até talvez fazer o outro cair, mas isso não acontece. Cada um está firme em suas posições.

Comigo no centro, sou espremido por ambos. Tento me livrar disso e acelero. Me afasto deles.

Sinto uma força me puxar.

De repente, encaro o céu.

Eu devia estar olhando para frente…

Quando tento entender o que aconteceu, vejo a mão do Maksi esticada.

Ele puxou a gola do meu casaco.

THUUM!

Caio no chão e eles se afastam de mim.

——-

Agradeçam a Thaay por patrocinar o capítulo. ❤️

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