Capítulo 72: Neve

Dias depois, no treino de esgrima do professor, olho para a espada de metal na minha mão.

Tem uma grande diferença de peso entre ela e a de madeira. É um pouco difícil de segurar. Em especial, sinto dificuldade em meus punhos. Uma falta de força. Preciso treinar mais o antebraço.

Acho que depois de apenas uns minutos de treinamento com ela, meus braços se cansarão.

— A partir de hoje, vamos usar essas espadas! — O professor anda pelas fileiras dos bonecos de palhas. — Vamos fazer todos os movimentos desde o início. Vocês já aprenderam o básico com aquelas espadas de treino, então agora vão aprender como será usar uma arma em combate real.

Tento segurar a espada de metal com uma mão, mas logo sinto o peso dela e desisto dessa ideia.

Faço a primeira postura e me preparo para o golpe. A espada treme e meu ombro lamenta ao segurar assim. Quando ataco, noto que não uso toda a minha força com eficiência, mesmo assim, a lâmina prende no boneco com facilidade. 

Puxo a espada com certa resistência. Só de manter a postura é um treino por si só, mas balançar ela é um esforço a mais. 

Faço os golpes e não muito tempo depois fico exausto. Continuo a balançar a espada, porque o professor grita com todos para continuar

Quando termino, consigo nem mais levantar meu braço. Os que não estão acostumados com o peso, também reclamam. 

Vejo o Temmos como se tivesse terminado um treino normal. Ele me fala que já treinava com espadas assim há anos. Bem, é de se separar dele 

Infelizmente, não conseguirei treinar hoje. Melhor descansar o corpo. Assim, volto para a cabana.

Mais tarde, na biblioteca, tento ler um livro infantil, que repousa acima da mesa de madeira. Hecatis ao meu lado quieta, como de costume, também lê um livro.

Decifro na minha mente as palavras pouco a pouco. Tipo um quebra cabeça ou um enigma. 

Ao estudar por um longo tempo nesses dias, consigo ler algumas partes. Bem, ler é uma hipérbole. Ao passar meu olho pelo texto, meu subconsciente entende pedaços do que é dito, mesmo que minha consciência não saiba dizer o significado dessas palavras.

Sigh…

Descanso um pouco e tiro o foco do livro. Encaro minha mão e seus detalhes; o tamanho dos dedos, os riscos da palma, os ossos. Mexo ela e observo as articulações trabalhar. 

— Hecatis.

— Fale.

— Tenho uma pergunta.

— Você sempre tem…

Mana. Pelo que eu saiba, não é algo que tinha na Terra, porém, nesse mundo tem. Tem várias plantas diferentes e coisas estranhas aqui. Como o tamanho das árvores da floresta, o que não deveria ser possível. Os troncos são fortes, resistentes e grandes. De onde essas árvores retiram nutrientes? Não é possível que seja do solo, a não ser que tenha algum mundo subterrâneo cheio de minerais.

Como tamanho daquela besta que me atacou quando criança. Era muito grande para aquela floresta. De onde ele tirou seus alimentos para crescer desse jeito?

É uma pergunta que não me importei, pois pensei que tinha a ver com uma biodiversidade diferente da Terra. Claro, esse também é um dos fatores, mas não pode ser só isso. Tem um certo limite de como as coisas podem se diferenciar em um mesmo ambiente parecido. Óbvio, desde que não haja um fator externo.

— Como a mana influencia o ambiente?

— Hmm… — Ela abaixa seu livro enquanto levanta suas sobrancelhas. — É algo interessante. Acho que tenho em alguns dos meus livros a explicação. Espera um minuto…

Hecatis sai da biblioteca e logo volta com um livro grosso. Coloca ele na mesa e abre em uma página específica. Ela fica em silêncio por um tempo. Ela lê em uma velocidade rápida para relembrar.

Depois, começa a me explicar: — É um assunto bem complexo e, até hoje, não consigo entender perfeitamente. Mas, tentarei exemplificar com o que sei.

Ela dá uma longa inspirada antes de continuar.

— Assim… se você conseguir enxergar bem de perto as coisas, você verá que há um “mundo” bem pequeno em tudo. Tipo, se você dividir as coisas em dois e dividir em dois uma dessas partes, de novo e de novo. Ao fazer isso infinitamente, chegará em um limit…

— Sei o que é.

— Ah, certo.

Ela deve estar falando do *mundo dos átomos”. É bem impressionante saber sobre isso, em especial, uma jovem que não é uma acadêmica. 

— Aí, tem a mana. A mana interage com algo chamado de energia. Hmm… Energia é algo como uma moeda de troca que pode se transformar em várias outras coisas. Bem… energia é uma maneira de exemplificar o quanto você troca algo por algo para fazer tal ação. Esse é o máximo que consigo falar sobre energia sem usar termos técnicos.

— Tudo bem, estou entendendo.

— Certo. Então, como eu disse, a mana interage com essa energia para ajudar ela a fazer tal ação. Isso faz com que algumas coisas com mana sejam um pouco diferentes, já que não precisa se esforçar tanto para alguma ação. Olha.

Ela pega um livro.

— Para levantar esse livro, usei energia para meu braço fazer força e levantá-lo. A energia do meu braço. Mas, com mana, usarei a energia do meu braço mais ela. É como se para uma mesma ação, em vez de só ter uma energia atuando, tem duas. Consegue entender?

— Sim. Muito obrigado.

Assim que tiro minha atenção dela, olho minha mão de novo.

— E como afeta os humanos. Não em um nível pequeno, mas em um grande. No geral.

Ela olha para cima e pensa.

— Tirando a parte da aura, que faz o corpo ter super força, mais resistência, isso, aquilo. A mana tem pouca influência no corpo, na verdade… Tudo que a Aura faz, é o que realmente é alterado no corpo. Por isso, se desconsiderá-la, não sobra mais nada. Não sei se dá para entender essa explicação. — Ela coça um pouco a cabeça antes de continuar. — Assim, Aura é a mana alterando o corpo por dentro. Tudo o que a Aura muda, é tudo que é realmente alterado. Nada além disso. Falar sobre isso só deixou mais confuso, ignora.

— Certo.

— Mas, em alguns livros, falam sobre diferenças entre pessoas com alta compatibilidade com mana e outras com pouca.

Ela se anima na explicação e faz gestos com seus braços. Consigo até ver seus lábios sorrirem dentro do capuz.

— As principais diferenças entre pessoas com alta compatibilidade e baixa são: mais força, resistência, coisas em geral parecidas com aura. Também não têm muitas necessidades fisiológicas, quer dizer, não têm que fazer coisas como dormir, comer e beber água com muita frequência. E é por isso que não como muito no refeitório, pois tenho bastante mana no meu corpo. Claro, não há grandes diferenças no corpo comparado a usar aura, mas dá para perceber isso se separar essas pessoas em um grande grupo.

— Certo, obrigado.

Do jeito que ela falou, parece que a maneira da mana funcionar é um buraco muito mais embaixo, pois ela simplificou de uma maneira que devo ter perdido muitos detalhes. Se eu conseguisse ler, ajudaria muito a entender como funciona.

Olho para o livro infantil com desenhos fofos e tento decifrá-lo. Fico assim pelas próximas horas, focado em entender ele.

Assim que saio da biblioteca, está prestes a anoitecer. No campo, vejo a Demcis e o grupo do careca conservar. Coloco minha mão no bolso do casaco e vou até eles.

Sigh

Solto um suspiro e uma fumaça sai pela minha boca. A cada dia o clima fica mais frio. O vento bate no meu corpo e, por instinto, dou uma tremida. As minhas extremidades estão dormentes e meus ossos rangem. Ao respirar, meus pulmões parecem que vão congelar.

Ao chegar neles, todos estão encolhidos e as fumaças que saem de suas bocas flutuam no meio deles.

Cumprimento, e fico ao lado enquanto observo o campo. Os alunos se esforçam nos treinos. Consigo ver pelo menos quatro tipos de treinamento diferentes. Depois, meu olho passa pelo refeitório e vejo alguns alunos comerem sopa.

Devido a última competição, a que cheguei em primeiro, vários alunos conseguiram moedas o suficiente para comprar o privilégio de comida. Todos da minha equipe ganharam a mesma quantidade de moeda. O que significa, que cerca de um terço dos alunos têm uma favorabilidade comigo por ganhar. Meu esforço valeu a pena.

O Dilliam conversa em grupo grande com seu sorriso, e o Maksi treina em um canto com seus aliados. Uma menina, um menino grande e outro menino. 

No meio de todo o campo, consigo observar e sentir toda a agitação dele. As conversas, as espadas, os alunos nas barracas. Fico em silêncio ao ver tudo isso. Já estamos quase na metade do CT, parando para pensar.

Bem, vou descansar um pouco. Minha cabeça começou a doer há um tempo.

Sinto algo encostar na minha mão. Vejo o que é. Um floco de neve. Olho para cima e enxergo as nuvens nevarem. Várias partículas preenchem o céu. O CT para por um instante e aprecia essa visão. Depois eu descanso. 

Paro no meio do caminho e observo os flocos brancos caírem devagar do céu cinza. Me sento sozinho no chão e fico a olhar para cima. 

O frio que sinto não importa mais. É impressionante como a natureza consegue fazer essas coisas.

Um floco de neve desce devagar perto do meu rosto, rodopiando no ar devido ao vento. Ele desce aos poucos até parar em mim. Sinto coçar na região onde ele parou. E, logo depois, o floco derrete pelo meu calor corporal.

A fumaça da minha respiração atrapalha o cenário, então paro de respirar só para aproveitar isso. Acho que aquelas duas nunca viram uma neve.

Minha mente se esvazia devido a essa visão. Nenhum pensamento, só a visão da neve caindo. Só a visão da natureza a fazer seu trabalho. Meu coração desacelera e meu corpo relaxa, inclusive minha cabeça para de latejar. 

Passo alguns minutos assim, até que dois rostos aparecem simultaneamente na minha visão.

— Está fazendo o quê? — Demcis me pergunta.

Os olhos de Temmos se fixam em mim. — Bora treinar?

Ainda um pouco relaxado após essa visão, me levanto. — Claro.

E, como se o tempo parasse de importar, mais dias se passam em um piscar de olhos. 

Sigh…

——–

Nota do Autor:

Eu de novo. (. ❛ ᴗ ❛.) Só aqui para falar que criei um server do Discord para a obra. Depois de muitos pedidos, principalmente do iitsuki (autor de Kalui). Entrem lá para conversarem comigo, ou qualquer coisa. Anunciarei os capítulos lá, e qualquer aviso sobre a obra, como capítulos atrasado ou algum problema. Obrigado pela atenção. E entre lá. O server aqui: https://discord.gg/e5NrPADm78 

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