Capítulo 75: Última Semana de Competição

Preciso ganhar, mas, se continuar assim, vou perder. Me alongo com meu grupo no campo antes de começarmos a correr. Preciso de, pelo menos, ter certeza que tenho um requisito para ganhar o CT. 

Assim que terminamos de alongar, começamos a aquecer o corpo e depois caminhamos algumas voltas ao redor do campo. Depois de terminar certa volta, aceleramos e corremos. Eu, a Demcis e o Temmos lado a lado. Acho que já sei qual requisito posso tentar vencer

Preciso de um plano que dê certo para isso. Só falta uma semana até o final do CT. É um prazo curto, mas é o suficiente. Dou várias voltas enquanto minha mente se ocupa.

Termino de fazer o plano e foco em correr. Bem, talvez isso funcione. Se tudo ocorrer certo, dá para vencer um dos seis requisitos. Preciso apenas fazer alguns preparativos. 

Quando terminamos de correr, fomos para outro treino. Então, depois de algumas horas de treino, paramos para descansar no quarto. Demcis e a Hecatis ficam na mesma cama, eu na minha e o Temmos na dele.

— O que vocês vão fazer depois que o CT acabar? — A Demcis pergunta.

Já decidi que terei que ir à Universidade Mágica, então é para lá que irei depois de terminar o CT. — Viajar.

— Sério? Pensei que você queria trabalhar como mercenário em paz até ficar velho. Mas, combina com você. — A Demcis coloca o braço em volta da Hecatis. — E você?

— Vou estudar magia.

— Ehh… isso também combina com você. E você, Temmos?

— Vai depender da resposta de uma pessoa.

— Ui-Ui… que menino misterioso. Sinceramente, eu só estava pensando em voltar para a minha aldeia e ajudar a minha família lá. Esse negócio de ser mercenário é muito trabalhoso. Ter que lutar em guerras, fazer missões. Acho que só caçar é muito melhor do que tudo isso. 

Olho para ela enquanto sento com as pernas cruzadas na borda da cama. — Parece ser bom.

— Hmm… sim. — Ela deita na cama da maga e olha para cima. — Mas, caçar até eu morrer não tem muita emoção… Acho que vou ser mercenária mesmo. 

— Também parece bom. Aliás, tenho algo para fazer. — Pulo da minha cama. — Vocês sabem onde é o quarto do treinador Kayatos? 

— O que você está aprontando dessa vez…? — Demcis cerra os olhos. — Só seguir até o final do corredor e virar na curva, onde fica a loja. Lá é onde os professores ficam, mas não sei o quarto exato dele.

— Certo. 

Saio do quarto e sigo reto no corredor. Como se fosse camuflada, ou devido a perspectiva, outro corredor, ainda maior, aparece. Sigo e chego no meio dele. Onde tem um “quarto” diferente. É a loja do CT. Onde os alunos que têm moedas compram os itens ou privilégios. A porta é diferente e tem janelas de madeira ao lado da porta, que por acaso, estão abertas. Ignoro a loja e sigo em frente, até que chego no final do corredor e não acho o quarto do treinador. 

Do nada, uma das portas ao meu lado abre e vejo o rosto do Kayatos. — Entre. 

Como ele sabia que estou aqui? Como ordenado, entro no seu quarto, que mais parece um escritório. De primeira impressão, consigo perceber que é bem maior que os outros.Tem uma mesa grande no centro com vários papéis nela e uma cama no canto. O treinador se senta na mesa e ele faz um gesto para eu me sentar em outra cadeira à frente.

— Diga.

— Eu queria usar aquele favor que você disse que me devia por eu ser o filho do Kynigos.

Ele levanta as sobrancelhas. — Já? Tá bom… O que você quer pedir?

— Poderia fechar a loja do CT por essa semana?

Ele me olha de maneira estranha. Disse algo errado? Ou exagerei no pedido?

— Só isso? Bem, criança, não vou considerar tal coisa como favor, então ainda vou ficar devendo ao filho do Kynigos. Mas vou fazer o que você pede. Por puro capricho. — Ele coloca a mão na boca. Parece estar tentando segurar algo. — Hahahaha. Sinceramente, pensei que você ia pedir para eu matar o clã do Maksi, ou algo desse nível. Me surpreendi um pouco com esse pedido leviano. Bem, se é só isso, é melhor você sair. Daqui a pouco peço para um professor fechar a loja. Porque, como pode ver, tenho vários papéis para ler e resolver. 

— Sim, senhor. — Me levanto e abaixo a cabeça com reverência.

Então, saio do quarto e volto ao meu. Converso um pouco com o pessoal e saímos juntos para treinar. Porém, antes de ir com eles, vou até o refeitório. Lá, vejo o Dilliam conversar com seu grupo, e aceno para ele. Quando me percebe, ele vem até mim.

— Como vai, Morrigan? Deve ter sido bom ganhar essa última competição. — Ele sorri ainda mais. — Então, por que me chamou?

— Preciso de você para uma última coisa no CT. — Percebo alguns alunos tentando nos ouvir. — Vamos para a floresta.

Ao chegar em um certo local afastado, Dilliam se senta em um tronco caído e fico em pé um pouco afastado dele. 

— Vamos lutar contra o Maksi. Não só eu e você. Os seus membros e os dele. Todos juntos, em uma última batalha.

Ele levanta as sobrancelhas enquanto continua a sorrir. — Pensei que você era alguém que evitava as batalhas e só queria treinar. Estou surpreso.

— Por vingança. Minha paciência se esgotou. Não aguento mais depois de tudo. Percebi na última competição que o Maksi amoleceu, então esse é um ótimo momento. 

Ele continua com o mesmo sorriso, sem alterar nenhuma outra expressão. Não dá para saber o que ele pensa ou sente. É difícil decifrar ele.

Ele se levanta, anda devagar até mim e coloca sua mão nos meus ombros. — Você ainda tem que melhorar sua habilidade de atuação. Na última competição foi maravilhosa. Agora foi um pouquinho exagerado, mas você tem potencial. Siga o personagem que você criou. E todo mundo sabe que você não é esquentadinho desse jeito. — Ele tira a mão do meu ombro e me encara.

— Obrigado, eu acho.

— Então, qual o motivo real?

— Ganhar o CT.

— Muito melhor. Acho que já disse isso antes, mas somos amigos; pode contar comigo. E é o que praticamente fizemos em boa parte das competições, não é nada demais. A única coisa que mudou é que estamos no final do CT. Quando for a hora me chame, vou preparar eles. — Ele começa a andar de volta.

— Só mais uma coisa.

Ele vira apenas o tronco e a cabeça para mim. 

— Faça bastante alarde. 

Logo após o Dilliam sair, volto para o campo e treino com meu grupo. Só falta mais uma coisa, porém, farei isso mais tarde e aos poucos. Se essa parte vazar de alguma forma, pode me dar problema. Por enquanto, só vou falar com algumas pessoas. Depois, digo o que é para eles fazerem. 

No descanso entre os treinos, ainda suado, vou até as barracas de venda e chamo poucos alunos. Apenas os que tenho mais familiaridade e que vendem armas feitas por eles.

— Daqui a alguns dias, vou precisar de todos vocês. Por isso, quero que guardem algumas de suas armas. Não se preocupe, vou comprar todas. Mas quero que guardem o máximo possível. Aos poucos, falo mais alguns pedidos. Tentem guardar segredo sobre isso, tudo bem?

— Claro, Morrigan.

— Obrigado. É melhor vocês irem, se não vão perder clientes. — Faço um sorriso amigável e eles riem.

Volto a treinar e deixo as coisas acontecerem sem interferência minha. O tempo anda e mais quatro dias se passam. A competição é amanhã.

Quase todos os preparativos estão prontos e daqui a pouco o Maksi vai perceber os movimentos estranhos do Dilliam. Agora é o momento para falar o que eles devem fazer.

Chamo todos de novo. Quase uma dúzia de alunos, todos são os “comerciantes” do CT, aqueles que ficam nas barracas. Fiz minhas próprias preparações com eles nesse tempo, para que nenhum vaze alguma informação do plano. 

Me posiciono na frente deles e falo: — Vou precisar da ajuda de vocês nesse momento. Como sabem, minha relação com o Maksi não é das melhores. Então, sinceramente, quero aproveitar esse último momento do CT para me vingar. Normalmente não me importo com tais coisas, porém, tenho certeza que me arrependerei depois se eu não fizer isso. Vocês já devem também terem sido maltratados pelo Maksi e seu grupo, né?

Eles balançam a cabeça.

— Então, esse é o momento para nos vingarmos dele. — Coloco as mãos no bolso e olho nos olhos de cada um. — Vocês têm que manter segredo sobre isso. É a parte mais importante. Vou confiar em vocês para isso, então vou dizer o que devem fazer. Primeiro, vendam armas para o Maksi e seu grupo. Sim, é para vender para eles. Mas tem um detalhe, essas armas têm que estar um pouco danificadas. Não o suficiente para perceber isso logo de cara, mas o suficiente para quebrarem logo após segundos de luta. Segundo. Vocês têm que manter segredo. 

Digo mais algumas palavras e despeço eles. Odeio depender dos outros e fazer apostas assim, mas é necessário para eu ganhar. 

Sigh…

Pelo menos, há alguma chance de ganhar. Ando de volta para a cabana e me deito na cama. A maga está sentada na sua enquanto lê o livro. Ficamos em silêncio. Até que a porta abre e a Demcis entra.

Ela dá um pulo e me olha na beliche depois encara a maga com seu livro. — Seu olho ou pescoço não dói de tanto ler e olhar para baixo…? Você não tira o olhar dessas letras. Parece que tem algum tipo de magia controlando você para ler.

— Não exis—

— Sim, sim. Eu sei que não existe magia desse tipo. E você está fazendo o que aí, Morrigan? 

— Dor de cabeça. Vou descansar um pouco.

— Às vezes me impressiono com o tanto que você descansa durante o dia.. Não posso nem falar que é preguiça, porque você não dorme mesmo. Bem, vou indo. Só vi vocês dois pela janela e quis vir irritar vocês. Tchau.

Sigh…

Com o silêncio após a Demcis sair, ouço um cochicho da Hecatis: — Mas realmente não tem uma magia desse tipo…

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Capítulo patrocinado pelo: Leozin. Agradeçam a ele. ❤️

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