Ryuu passou dias analisando os dados que coletou, buscando uma pista que o levasse à verdade por trás da Red Queen e da KairoCorp. A invasão recente e a mensagem de aviso haviam colocado todos os seus sentidos em alerta máximo. Ele sabia que estava mexendo com algo grande, algo que ultrapassa qualquer hack que já tivesse feito antes.
Enquanto examinava o código residual do ataque que sofreu, ele encontrou algo curioso: uma linha de código que parecia não pertencer à KairoCorp ou à Red Queen. Era como se fosse uma assinatura de outro hacker, ou talvez um rastro deixado por alguém que havia tentado se infiltrar antes dele. Analisando a origem do código, Ryuu descobriu que ele apontava para um servidor remoto, perdido em uma rede de endereços IPs obscuros e desconectados.
Decidido a seguir essa pista, ele utilizou todas as suas habilidades para rastrear o servidor. O processo foi longo e exaustivo, envolvendo múltiplas camadas de criptografia e firewalls complexos. A cada passo, parecia que o servidor estava sendo deliberadamente escondido, como se alguém quisesse garantir que fosse encontrado apenas por aqueles capazes de superar os desafios.
Finalmente, após horas de trabalho incessante, Ryuu conseguiu acessar o conteúdo do servidor. O que encontrou foi um conjunto de arquivos criptografados, mas um em particular chamou sua atenção: um mapa digital de Tokyo, mas não qualquer mapa. Este parecia estar sobreposto com camadas de dados que indicavam pontos de interesse específicos, um desses pontos estava marcado em vermelho, destacando-se dos demais.
Ryuu decodificou as informações associadas ao ponto vermelho e encontrou um endereço em uma parte esquecida da cidade, onde os arranha-céus modernos haviam dado lugar a ruínas industriais e edifícios abandonados. O nome “KairoCorp” não aparece diretamente, mas uma referência codificada no arquivo sugeria que aquela localização havia sido, em algum momento, um dos locais operacionais da corporação.
Com os dados em mãos, Ryuu sabia que precisava explorar essa pista. Ele preparou seu equipamento, sabendo que o que encontraria lá poderia ser tanto a chave para o mistério quanto uma armadilha mortal.
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O céu estava encoberto quando Ryuu se aproximou do endereço indicado. A área ao redor era desolada, com fábricas abandonadas e prédios corroídos pelo tempo. Apenas alguns vagabundos e cães vadios perambulavam por ali, o silêncio era perturbador. Ele estacionou sua moto a uma distância segura e seguiu a pé, movendo-se nas sombras para evitar ser notado.
O prédio que buscava era uma construção de concreto maciço, cercada por uma cerca enferrujada e coberta de grafites. As janelas estavam quebradas, a estrutura parecia não ter sido tocada por anos. Mesmo assim, algo na atmosfera do lugar alertou Ryuu. Era como se o prédio estivesse à espera, como um gigante adormecido.
Ele forçou uma entrada por uma porta lateral parcialmente aberta e entrou em um corredor escuro. O cheiro de mofo e ferrugem era forte, e o som de seus passos ecoava pelas paredes. A única luz vinha das poucas janelas intactas, iluminando de forma tênue o que restava do local.
Enquanto avançava, Ryuu notou algo estranho. Havia marcas no chão e nas paredes, como se alguém tivesse movido equipamentos pesados recentemente. Isso o fez questionar se o lugar realmente estava abandonado.
Após explorar alguns corredores, ele encontrou uma porta com uma placa desgastada que lia: “Sala de Controle Principal”. O coração de Ryuu acelerou. Se tivesse alguma resposta, estaria ali.
Ele forçou a porta e entrou em uma sala que, apesar da decadência ao redor, parecia quase intocada. Havia consoles de computadores antigos, telas rachadas e cabos espalhados pelo chão. Mas o que mais chamou sua atenção foi um terminal no centro da sala, ainda ligado e funcionando.
Com cautela, Ryuu se aproximou e ativou o terminal. Para sua surpresa, ele foi recebido por uma interface primitiva, mas funcional, que exibia uma série de arquivos arquivados. A maioria estava corrompida, mas alguns ainda estavam acessíveis.
Ele começou a abrir os arquivos, cada um revelando mais sobre os projetos da KairoCorp. Os documentos datavam de mais de vinte anos, detalhando experimentos iniciais com tecnologia neural.
Havia referências a testes com “controle mental em massa”, o mesmo conceito que ele havia descoberto nos dados que a vendedora encapuzada lhe entregara.
Um dos arquivos mencionava algo chamado “Projeto Red Queen” e trazia uma série de registros sobre uma IA que supostamente poderia prever e influenciar comportamentos humanos em larga escala. Porém, o que mais perturbou Ryuu foi encontrar um nome familiar em meio aos registros: Kazuma Takeda — o pai dele.
A revelação o atingiu como um soco. Seu pai, que havia desaparecido anos atrás em circunstâncias misteriosas, estava envolvido nos experimentos da KairoCorp? Ryuu tentou acessar mais informações, mas os arquivos relacionados estavam protegidos por uma criptografia que ele não conseguia quebrar de imediato.
Enquanto tentava decifrar a criptografia, o terminal piscou e exibiu uma mensagem de aviso: “Invasão detectada. Isolando a rede.” Ele mal teve tempo de reagir antes que o sistema começasse a se desligar.
De repente, um som de metal rangendo ecoou pelo corredor fora da sala. Ryuu congelou por um momento, tentando identificar a origem. Parecia que alguém ou algo estava se aproximando. Ele rapidamente desligou o terminal e procurou uma saída alternativa, mas a única saída possível era o corredor pelo qual havia vindo.
Com o coração batendo acelerado, Ryuu saiu da sala de controle, movendo-se com cautela. Ele havia se preparado para uma possível emboscada, mas não estava preparado para o que encontrou ao virar a esquina.
Uma figura emergiu das sombras, vestida com um exoesqueleto preto, que emitia um brilho vermelho fraco. O rosto estava coberto por uma máscara, mas os olhos, frios e calculistas, eram visíveis por trás de uma viseira. A figura não falou, apenas observou Ryuu por um momento, como se estivesse avaliando a situação.
“Você não deveria estar aqui”, disse a figura finalmente, em uma voz eletronicamente modulada.
Ryuu, sem opções, levantou as mãos em um gesto de rendição parcial, mas seu olhar estava fixo na figura. Ele não sabia quem era, mas estava claro que era uma ameaça. “Estou apenas buscando respostas,” disse Ryuu calmamente.
A figura riu, um som distorcido e sem humor. “Respostas? Tudo o que você encontrará aqui são mais perguntas. Este lugar é um túmulo. E você acaba de se enterrar nele.”
Antes que Ryuu pudesse reagir, a figura avançou, movendo-se com uma velocidade sobre-humana. Ryuu mal teve tempo de se esquivar quando o primeiro golpe foi desferido, acertando a parede ao lado dele com força suficiente para deixá-lo atordoado.
Sabendo que não tinha chance em um confronto direto, Ryuu recuou, tentando encontrar uma rota de fuga. Mas a figura o pressionava, seus movimentos precisos e letais. Cada vez que Ryuu tentava contra-atacar, a figura bloqueava ou desviava com facilidade, jogando-o de volta para a defensiva.
Finalmente, Ryuu conseguiu usar a escuridão a seu favor. Ele rolou para fora do alcance da figura e se escondeu atrás de uma pilha de destroços. Ele precisava de tempo para pensar, para formular um plano. A figura, percebendo sua manobra, começou a vasculhar o corredor, mas de forma metódica, sem pressa. Ela sabia que Ryuu estava encurralado.
Enquanto a figura se aproximava, Ryuu notou algo nos destroços ao seu lado — uma caixa de fusíveis antigos. Ele teve uma ideia arriscada, mas era sua única chance. Rapidamente, ele arrancou um dos fusíveis e jogou na direção da figura, criando uma faísca que acendeu uma pequena explosão.
O impacto não foi suficiente para derrotar a figura, mas foi o suficiente para distraí-la por um segundo. Um segundo que Ryuu usou para correr em direção à saída, sua mente trabalhando freneticamente para pensar em um modo de escapar.
Ele disparou pelo corredor, ouvindo os passos pesados da figura atrás de si. A cada curva, ele sentia que o tempo estava se esgotando. Finalmente, ele avistou a saída — a mesma porta enferrujada pela qual havia entrado.
Sem olhar para trás, Ryuu se lançou para fora, correndo em direção à moto que havia deixado escondida. Ele conseguiu ligar o motor e partir, os sons da perseguição desaparecendo aos poucos enquanto ele se afastava.
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Horas depois, de volta ao seu esconderijo temporário, Ryuu tentava processar tudo o que havia descoberto. A revelação sobre seu pai, o Projeto Red Queen, a figura misteriosa na sede abandonada — tudo estava ligado, mas as conexões ainda eram nebulosas.
Ele sabia que precisava de mais informações, e que não podia confiar em ninguém. Mas uma coisa era clara: o que ele descobriu na sede da KairoCorp era apenas o começo. E, com a Red Queen agora ciente de sua presença, a guerra
Enquanto revisava mentalmente tudo o que havia acontecido, uma notificação apareceu em uma das telas do seu equipamento. Era uma mensagem criptografada, enviada por um canal seguro que ele não reconhecia. Seus instintos o alertaram para um possível perigo, mas ele sabia que tinha que arriscar.
Decifrando a mensagem com cuidado, Ryuu encontrou uma linha simples de texto:
“Você viu o suficiente para saber que está envolvido. Não desista. Encontre a verdade, mas saiba que a cada passo, a escuridão se tornará mais profunda. Ela observa. — RQ.”
A assinatura “RQ” era clara: Red Queen. Ela estava jogando com ele, mas Ryuu não estava disposto a ser apenas uma peça no tabuleiro. Ele sabia que ela o monitorava, mas não sabia até onde ia seu alcance ou controle. Ainda assim, a mensagem parecia conter algo mais do que apenas um aviso. Era como se a Red Queen quisesse que ele continuasse, que ele chegasse a algo maior — mas o quê?
Ryuu, determinado a seguir em frente, começou a organizar os dados que coletou na antiga sede da KairoCorp. Ele precisava encontrar padrões, conexões que o levassem mais fundo na conspiração. Mas antes de mergulhar de volta na investigação, sabia que precisava de uma pausa.
Enquanto se afastava dos computadores, sua mente voltou à vendedora encapuzada. Ela era a chave, de alguma forma, para tudo isso. O chip que ela lhe dera, a maneira como parecia saber mais do que deixava transparecer, e agora, a ligação que ele começava a suspeitar entre ela e a Red Queen. Ele se perguntou se, em algum momento, ela apareceria novamente — e se, quando o fizesse, ela seria uma aliada ou uma inimiga.
Mas esses pensamentos precisavam ser deixados de lado por enquanto. Havia muito trabalho a ser feito, e o tempo não estava a seu favor.
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Nos dias seguintes, Ryuu evitou saídas desnecessárias, mantendo-se escondido e focado na análise dos dados. Ele conseguiu, com muito esforço, recuperar alguns dos arquivos criptografados da sede abandonada. Um desses arquivos mencionava uma instalação oculta, localizada em uma região montanhosa fora de Tokyo. Era descrita como uma “fábrica de mentes”, um lugar onde a KairoCorp conduzia experimentos avançados em neurotecnologia. A instalação havia sido fechada e “limpada” anos antes, mas Ryuu suspeitava que, assim como a sede que visitará, poderia ainda conter pistas valiosas.
Mas antes que pudesse planejar sua próxima movimentação, algo inesperado aconteceu. Enquanto revisava um arquivo antigo, uma imagem de segurança surgiu na tela, mostrando um corredor vazio em alguma instalação desconhecida. No final do corredor, uma porta se abriu, uma figura entrou em cena. A figura estava parcialmente encapuzada, mas os traços eram inconfundíveis: era a mesma vendedora que havia entregado o chip a Ryuu.
Seu coração disparou. Ele assistiu a cada movimento da figura na gravação, tentando capturar qualquer detalhe que pudesse revelar mais sobre ela. A gravação mostrava a figura movendo-se rapidamente pelo corredor, acessando um terminal e digitando algo que Ryuu não conseguiu decifrar. Em seguida, ela se virou para a câmera e, por um breve momento, seus olhos encontraram os de Ryuu através da tela, como se soubesse que ele a estaria assistindo.
A gravação terminou abruptamente, mas a mensagem foi clara: ela estava envolvida em algo muito maior, Ryuu estava sendo atraído para dentro dessa teia.
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Finalmente, depois de dias de trabalho intenso, Ryuu decidiu que era hora de agir. Ele compilou todos os dados, preparou seu equipamento e começou a planejar sua incursão à instalação nas montanhas. Sabia que seria perigoso, mas também sabia que não poderia parar agora.
Antes de partir, ele revisou uma última vez a mensagem que recebera da Red Queen. “Ela observa.” Ryuu se perguntou se essas palavras eram um aviso ou uma promessa. Em qualquer caso, ele estava preparado para enfrentar o que viesse.
Com um último olhar para o horizonte de Tokyo, iluminado pelas luzes da cidade, Ryuu sentiu uma mistura de medo e excitação. Estava mais perto do que nunca de descobrir a verdade, mas também estava entrando em um território cada vez mais sombrio. As sombras do passado ainda o assombravam, mas ele estava decidido a enfrentá-las, não importa o custo.
Montando em sua moto, Ryuu partiu em direção às montanhas, onde esperava encontrar as respostas que tanto buscava. O vento frio da noite batia em seu rosto enquanto ele acelerava pelas estradas desertas, seus pensamentos fixos no que o aguardava.
Enquanto se distanciava da cidade, uma última imagem passou por sua mente: a vendedora encapuzada, seus olhos brilhando no escuro, a coroa vermelha que agora parecia estar gravada em sua alma. Ele sabia que, de alguma forma, tudo estava conectado. E que, para desvendar o mistério, ele precisaria estar disposto a sacrificar tudo.