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Depois de finalizar uma pequena caminhada eu posso afirmar que as Thermae são visíveisem meu panorama. 

 As «Thermae Romuli», termas de Romulus, são as termas mais antigas do Império construídas pelo seu próprio fundador: Romulus Primus. Além da mais antiga, ela é a maior e mais povoada terma do Império inteiro.

 Sua fachada é grande com vários arcos e colunas, todos em um tom de branco pujante. Adjunto, há uma estátua de mármore meio bege que retrata Romulus. Também é possível atestar uma inscrição em bronze que diz: EXEGI · MONVMENTVM · AERE · PERENNIVS.

 «Ergui um monumento mais perdurável que o bronze». Devo admitir: a frase não poderia ser mais correta para ilustrar todo o ambiente.

 Uma terma, e principalmente esta terma, é eterna. De geração em geração, sempre aqui.

 A primeira vez que eu vim a cá foi quando eu ainda era uma pequena criança. Foi o meu pai que me trouxe. Desde então eu me tornei um frequentador assíduo conhecido por todos os funcionários, bem como outros frequentadores, daqui.

 Meu pai já me contou que vinha aqui com o seu próprio pai e que o meu avô vinha com o próprio pai dele. Já podemos muito bem dizer que é uma tradição da nossa família.

 Finalmente entro na terma e vou em direção à recepção. Apenas entrar neste campo sagrado já me deixa em êxtase, é como se uma catarse imediata acontecesse e eu me tornasse um novo homem.

 Aproximo-me da recepcionista e sou reconhecido, mas ao invés de atendido de prontidão eu ouço um grito alto por parte da recepcionista em minha frente:

 — FLORENTINA, O SENHOR CONFLAGRATUS CHEGOU! — a recepcionista grita forte ao ver-me.

 — QUAL DELES?! — uma segunda recepcionista que não se encontra no local grita em resposta.

 Uau. Pouco tempo desde que eu visitei esse lugar pela última vez e já instauraram uma cultura irritante de comunicar-se por gritos. O tempo é cruel.

 — O AURELIUS!

 — AHHHH!

 Eu sei que eu já disse isso antes, mas… recepcionistas são… realmente recepcionistas. Não são?

 Ou estabelecimentos só contratam mulheres de jeitos remarcáveis ou lidar com tantas pessoas em um só dia ocasiona em uma total pane mental, perca do senso comum. São duas boas hipóteses, eu diria.

 E «AHHHH!», não, não sou eu que grito desesperadamente, foi apenas o que eu ouvi. Após isso eu também ouço barulhos de baldes, cadernos, toalhas e outros itens a cair no chão.

 Tenho certeza que há alguém que está a derrubá-los em meio de seus atos apressados para realizar outra tarefa no caminho. Florentina? Talvez.

 Aliás. «Florentina», huh? Se for a mulher em que eu estou a pensar, eu realmente não sabia que esse era o nome dela. Não sei qual é o significado desse nome, mas ele soa bem, se eu fosse palpitar creio eu que seja algo relacionado às flores.

 Ah, não me leve a mal, não sou algum monstro insensível que não recorda os nomes das pessoas. É que se eu tenho alguma crítica para a cultura humana é o fato de que nossos nomes são tão repetidos e restritos em comparação das outras raças.

 Não é incomum no mesmo local, no mesmo ambiente, haver duas pessoas com características semelhantes e o exato mesmo nome.

 A tradição dos primeiros filhos repetirem o nome de seus pais também é incomodativa. «Lucius Conflagratus Avitus» e «Lucius Conflagratus Avitus», meu pai e o primogênito, o meu irmão.

 É por isso que é impossível saber o nome de todas as pessoas que não são próximas ou importantes para você. Pessoas demais e nomes de menos…

 No momento em que eu penso que serei ignorado por toda a eternidade uma nova recepcionista chega para assumir o lugar da outra. E, finalmente, é iniciado o meu atendimento:

 — S-Senhor Conflagratus… q-que coincidência ver o Senhor a-aqui… — a nova recepcionista diz a tremular como uma flâmula arvorada em um mastro.

 Cabelos castanhos claros cor de madeira com uma franja que quase cobre os pequenos olhos de mesma cor. Realmente, a garota que eu pensava é a Florentina.

 — Talvez, não é? Senhorita Florentina — estampado por um pequeno sorriso eu acompanho essa conversa estranha.

 — O-O-O SENHOR SABE O MEU NOME?! — Florentina se vira para atrás. — Ó minha Patiens, minha Patiens, minha Patiens — e resmunga a si mesma.

 Olha, sim… ok, vamos lá. Não é preciso ser avantajado em tatilidade ou relações humanas para entender o que está a acontecer aqui.

 É-me lúdica a arte do flerte, com todos os tipos de mulheres. Às vezes até mulheres doutras raças. Que homem negaria uma mulher atraente apenas por ela não ser humana?

 Afinal, há grandes massas esféricas capazes de distorcer o espaço-tempo momentâneo e captar æther a transformá-lo em um tipo específico de energia que tem como dono as mulheres bestas do tipo vac-

 Eu. Eu… Eu não devia ter pensado o que eu acabei de pensar. Peço perdão pelo o meu erro, não sou assim normalmente. Esquece isso, por favor, eu te imploro…

 Ahem. Por voltar ao que estávamos a dizer: eu tenho a leve impressão que quaisquer investidas, por menores que sejam, feitas por mim em direção a ela podem acabar em um desmaio ou algo do tipo…

 Momentos de interações peculiares entre mim e a recepcionista decorrem. E, então, me é permitido a entrada em direção aos banhos. Ela me dá um roupão e toalha para usar após o banho, farei bom uso deles.

 Direciono-me ao apoditério em pleno prazer, poucos passos de um homem para o seu destino. Pequenos passos para a humanidade, todavia grandes passos para o meu ego.

 No andar confiante realizado por minha pessoa a minha vontade se torna clara: despir-me, entrar, conversar sobre a vida com os outros banhistas e renascer.

 E em cada passo eu estava mais próximo de realizar minha missão. Cada vez mais próximo, próximo cada vez mais…

 — Ó, Aurelius? — uma voz feminina me chama. Eu reconheço essa voz.

 Em primeira instância eu nego que era a minha existência que a voz clamava. Não sou o único homem com esse nome no mundo, não sou. Podem-se haver incontáveis outros «Aurelius».

 Em segunda instância eu me enfureço com a ideia de que meu nome é «Aurelius». Por quê? Por quê? Não era mais fácil eu ser «Lucius» também? Ou até mesmo «NãoMeIncomodeQuandoEuForParaAsTermas».

 Em terceira instância eu penso em barganhar. «Olha, nossa, hahaha, que bom em vê-la, mas estou com pressa e já estou a ir. Tchau!». Será que ela aceitaria esse meu pleito?

 Em quarta instância eu choro, é a vida, alguns choram e outros sorriem. Aparentemente todas as vezes é sempre eu que choro…

 Em quinta e última instância eu aceito a situação em que estou e me viro confiante em direção à voz.

 Serena Marinus Magnus, a voz feminina que ouvi é dela. A segunda filha da Domus Marinus, uma família de Duques do Império e também a família mais próxima da casa real, atuam como conselheiros principalmente.

 Há algo de «especial» nessa Domus. Pelos Marinus serem excelentes magos, os filhos dessa casa comumente copulam com os herdeiros da Domus Primus.

 Aos Marinus isso é benéfico, pois se aproximam da casa vigente e fortalecem o seu próprio poder. Aos Primus é comparável aos garanhões de corridas que reproduzem sistematicamente para fortalecer a linhagem e criar cavalos melhores ainda.

 Eugenia pura, mas desta vez com humanos.

Serena p46 1

 Serena veste um grande roupão branco de algodão, o mesmo tipo de roupão que me foi cedido anteriormente. É óbvio dizer que ela também veio aproveitar as águas do local.

 E eu tive a grande sorte de encontrá-la agora, hoje, neste momento… Uau, será que eu devo sair daqui e ir furiosamente apostar em corridas de bigas?

 O remarque mais estranho que eu tenho é a verdade sobre sua aparência, bela, sim, bela, mas com um tom de cabelo quase irreal.

 Cabelos azuis? Mas o quê? Não são os comuns tons escuros como o negro ou o castanho, nem os estranhos tons claros como o louro ou o ruivo agridoce que certas mulheres da minha casa possuem.

 É um anormal azul naval. Beatrix chama a Serena de «Mulher da cabeça de mirtilo», isso quando ela está em bom humor. As palavras que a Beatrix usam quando está irritada talvez sejam proibidas até mesmo pelas leis mais brandas.

 Apesar da cor estranha, e dos xingamentos usuais da Beatrix, é bonito. A junção de ela ser uma maga do elemento Aqua, e ter cabelos e olhos azuis navais, é algo bonito.

 Os Marinus leiam-se suas mulheres — provavelmente são os melhores magos no elemento Aqua de todo o Império ou até mesmo do mundo.

 Sendo a Aqua um elemento de característica inata azul, eu pondero se isso demonstra correlação entre a alteração de suas capacidades mágicas com a tonalidade de seus cabelos.

 — Senhorita… Marinus… — após muita matutação, eu a respondo.

 — Ora, descartes essa formalidade, Aurelius! Conhecemo-nos desde crianças! — Serena diz ao aproximar-se de mim.

 Sim, infelizmente.

 Aceno, sem graça, com a cabeça sobre a questão, ela ri e imediatamente toma a minha mão. «Ir para algum lugar melhor para conversar» diz ela. Não quero conversar, eu só queria tomar um banho…  

Por que para mim é tudo tão difícil nessa vida? Céus!

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Olá, eu sou o Abner!

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