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Uma escolha. Viva ou morra. Lute ou morra. Vença ou morra. Resista ou morra.

Quando não se há opção, a única coisa que se pode fazer é lutar;

Usar até a última gota de energia que ainda lhe resta.

E aí, você finalmente percebe que sempre tinha tudo que era necessário. Desde o começo.

O mundo sempre foi injusto. Também caótico, com eventos e situações malucas acontecendo a todo momento, como criaturas aleatórias que surgem do absoluto zero, com poderes capazes de destruir tropas, familias, prédios… tudo que existe.

Spektrais rebeldes se aproveitando dessa caoticidade, utilizam de seus poderes pra benefício próprio, roubando, criando gangues, matando pessoas e tentando conquistar tudo com sua força, por poder.

Estando absorto nesse cenário, não era de se admirar, que Mitchel de apenas 10 anos de idade já tivesse ciência e compreendesse tudo que acontecia, e principalmente, sua situação.

Era uma aberração. Alguém no qual nasceu com uma maldição. Diferente das outras pessoas, nascera com a capacidade de usar todas as Crominacias e de forma completa, isto é, com todos os seus spektris.

Faziam meses que despertara e seu braço direito se tornara uma bagunça de tinta, desde então, usou maquiagem pra nunca deixar aquilo aparecer novamente, nem pros outros, nem pra ele. Se sentia mal por ter nascido dessa forma, se sentia um lixo completo.

Mas estava tudo bem, era só escolher um spektri, se aperfeiçoar e usar apenas ele, seria como ser uma pessoa normal. E foi o que Mitchel fez, acabou escolhendo Azul Básico como seu spektri. Se disfarçando assim como um Spektral, pra sempre.

Era mais um dia normal em sua vida, tinha acabado de largar da escola, estava envolta de inúmeros alunos distintos, ele esbarrava em alguns de tão apertado que se tornara o local, com a multidão sedenta por ar livre depois de se manterem presos por tanto tempo.

O sol irradiava intensamente à medida que alcançava a saída, como uma luz no fim do túnel. Conseguindo escapar da multidão, finalmente se sentiu livre pra conseguir avançar sem muitos problemas, imerso em sua cápsula d’água, disparara como um jato sendo impulsionado rumo a sua casa.

Dava pequenas pausas pra respirar, ainda correndo pra não perder o ritmo. O vento agredia completamente seu rosto, estava numa velocidade intensa por todo impulso que tinha gerado, as pessoas passavam como faíscas no seu campo de visão. Sua adrenalina acompanhava o seu ritmo, intenso, e rápido.

Mas toda essa energia foi tomada de uma vez.

Fora puxado por algo, e antes que pudesse ver o que, ele já havia sido levado a um beco destoado de todo resto. No susto, esperava ver algum tipo de desconhecido, ameaçador, porém antes que pudesse ver o rosto e sua visão pudesse se ajustar, ele ouvira uma voz conhecida.

— Mitchel! Veio no momento perfeito! Preciso falar com você urgente.

Era seu primo, Yan, um pequeno garoto de 9 anos de idade, que ele sempre jogava videogames junto quando ia pra casa de sua avó. Tinha cabelos lisos relativamente grandes e alaranjados. Uma presença inusitada naquele momento.

— O que que deu? — indagou Mitchel, ajeitando sua mochila, agora completamente desajeitada e torta.

— Você não percebeu? — disse Yan de modo óbvio, como se o fato de Mitchel não ter sacado o fizesse uma criança de 3 anos de idade.

— O que? Você ter me puxado pra cá? Conta logo, você não me puxou aqui pra tirar sarro de mim não, né?

— Qual é meu spektri?

Mitchel inclinou levemente a cabeça, a pergunta não fizera o menor sentido dado as circunstâncias. Se intrigara.

— Er… Azul? Água, né. Que nem o meu — respondera com certa hesitância, tinha algo errado com essa conversa.

— E como eu te puxei?

— Com… água…? Pera. Como? — A consciência de Mitchel pareceu retornar finalmente. — Como você me puxou com algo líquido?

— Porque eu não puxei com água… — E quando disse isso, plantas e mais plantas se criaram de seus braços finos e pequenos, se entrelaçando umas às outras.

— Que?! Você nasceu com duas cromacias diferentes?!!

— Não, Mitchel…

Uma das plantas começou a contornar seu braço, formando uma espécie de seta apontando pras cores de tinta marcadas em sua pele. E Mitchel acordara de fato, eram as mesmas marcações que tinha em seu braço.

— O que?! — Rapidamente Mitchel pegou o braço de Yan e abaixou depressa, olhando pros lados. — Por que você tá com isso a mostra?!!? Você enloqueceu?

Yan se assustara, a reação de Mitchel era diferente da qual pensava.

— A quanto tempo você tem isso?! Você não tinha isso a 3 dias atrás. — O tom de Mitchel estava claramente nervoso, mais nervoso do que deveria.

— Isso apareceu hoje de tarde!! E por causa disso um amigo meu começou a me atacar! — Dava pra sentir seu medo no olhar, Yan estava desesperado, pedindo ajuda a seu grande amigo.

Porém, a situação era completamente diferente do que ele achara, Mitchel sabia exatamente qual era essa sensação. Ele já passou por isso.

Rapidamente Mitchel botou sua mochila no chão, e puxou uma maquiagem de dentro.

— O que que você vai fazer, Mit??

Sem dizer nada, Mitchel passou a base no braço de seu primo, mas antes que pudesse preencher fora interrompido por uma ação inusitada de Yan. Ele puxou seu braço colorido pra longe.

— Não, Mitchel!

Os dois se olharam por um tempo, Mitchel com tanto medo quanto Yan.

— Yan. Por favor. Isso é perigoso, você não pode sair por aí com isso. As pessoas podem matar você.

“O seu amigo não só te atacou não, é? Ele tentou te matar, não foi?”

— Mitchel mas… se não fosse por essas cores, eu não teria sido capaz de conse… 

— Você não pode revelar que é um Prismal pras pessoas. Nunca.

— Mitchel… mas por… que? Eu-

Mitchel vendo que Yan não mudaria de ideia, arranhou seu braço direito para revelar suas próprias marcações de cores. Yan se mantinha estático.

— As pessoas são cruéis com Prismais, Yan.

“Não podemos simplesmente nos expor assim, podemos morrer por literalmente qualquer vacilo.

“Não somos presos como pessoas normais… somos sempre executados sem mais nem menos.”

Yan dando a impressão de ignorar tudo que ele havia falado, perguntou diretamente pra Mitchel.

— Por que você esconde?

Au.

A pergunta por mais sem sentido que tivesse sido naquele momento, apontou profundamente na alma de Mitchel. O que o fez hesitar por um momento, mas as palavras saíram da sua boca como tampas afrouxadas que esperavam apenas um mini contato para se abrirem.

— Porque… — Sentiu uma sensação inexplicavelmente desconfortável. 

Nunca parara pra discutir isso em voz alta antes.

“As pessoas me excluiriam.”

— Então… você prefere ser amado pelo que não é?

— Não… Yan, não é só sobre isso… minha vida tá em jogo, é preciso ser esperto.

A expressão de Yan não mudara. Parecia de certa forma determinado ao ouvir essas palavras.

— É só nos tornarmos fortes o bastante. Pra não morrer.

Mitchel estranhamente… sentiu conforto nessas palavras. Mas parecia errado.

— Eu consegui, Mit, eu venci dele! Não tem o que ter medo!

“Você deveria usar também. É um grande poder!”

— Não, Yan.

— A gente pode até usar na Maestria Tática, Mit!!

“Todos os outros podem usar poderzinhos que eles nasceram!!

“É injusto se não pudermos também. Mesmo que eles olhem de cara feia.

“Ser forte também significa seguir um caminho solitário.”

Mitchel o encarou, descrente.

— Desculpa. Eu nunca vou ser capaz de fazer isso, Yan. 

“Não na frente das pessoas, o que os outros vão pensar de mim quando ficarem sabendo?

“Yan, por favor, deixa eu cobrir seu braço, e a gente vai pra casa.”

O garoto fechou seus punhos com força.

— Mitchel… eu já me decidi, eu quero ser o mais forte. Eu quero ser um Davinci. Quero liderar a Paleta Serafim mais poderosa.

“E pra conseguir esse objetivo, eu preciso ser capaz de lidar com isso.

“Sem segredos.”

Sem…

Segredos…

Essas palavras ecoavam na mente de Mitchel. Ele mudaria de ideia, senão tivesse sido acertado em cheio vendo o corpo de Yan jogado estirado completamente sem vida, num local deserto, na floresta.

Seu corpo pequeno e frágil jazia intacto, com o olhar vazio. Seu rosto era de completo desespero e medo, com a boca aberta, ele com certeza havia implorado por ajuda. Mas ninguém estava lá.

As cores em seus braços, ainda vivas, criavam um contraste mórbido.

Uma criança com sonhos… altos. Morta.

Havia sido encontrado depois de ter desaparecido por algumas horas.

Ele podia ter impedido. Se ele fosse mais rígido. Se ele fosse melhor.

Se ele fosse…

Mitchel não conseguiu conter suas lágrimas, não conseguiu sequer pensar.

Ele gritou. Caiu de joelhos, se encolhendo no chão.

O mais forte.

Mitchel gritou de forma que nunca imaginou que pudesse gritar antes. Sentiu suas cordas vocais começarem a rachar. 

Desculpa.

Seus ombros foram tocados, Mitchel de alguma forma sabia quem era, conhecia aquelas mãos firmes.

Sua avó, Eva, sempre fora diferente de todos os outros da família, era excluída por ser uma Prismal, mas ainda assim ela não escondia esse fato pra ninguém. Era uma pessoa boa.

— Vó… — disse Mitchel, rouco, se esforçando o máximo pra falar — Layon odeia todos nós?

Eva parecia saber que Mitchel também era um Prismal, pois soube exatamente qual era a sentido da pergunta. Então, em lágrimas silenciosas, disse em voz baixa:

— Layon não odeia ninguém, querido… As pessoas odeiam.

— Por causa da Layonart!!

— Escrita por uma pessoa.

Os olhos de Mitchel se arregalaram levemente. Seu choro parecia ter sido vagamente suspendido.

— Quem matou Yan não foi Layon, Mit… foram eles…

Os dois se mantiveram em silêncio, enquanto alguns outros policiais averiguavam o local, com desleixo, afinal a vítima se tratava de um Prismal. Pouco importava.

— Eu vou… morrer assim também?

Eva olha pro chão, com olhos vazios enrugados, se controlando muito pra também não desabar em choro profundo, o que gerava uma expressão de extrema dor.

— As Luminacias são extremamente poderosas, filho…

O vento que batia em Mitchel, parecia arrastá-lo, sussurrar coisas terríveis, como demônios. Ele se encheu de completa desesperança e desgraça. Estava perdido.

Mas Yan parecia estar ali. Com ele de alguma forma. E ele se lembrou completamente. Aquilo que causou sua própria ruína. Causaria sua própria morte também?

Ele morreria de qualquer forma. Tava na hora. De finalmente lutar.

Revidar.

— Mas… e se… eu me tornar o mais forte?

Eva sorri sutilmente com lágrimas silenciosas e calmas percorrendo seu rosto.

— Isso… não só salvaria a sua vida, como a de todos nós.

Os gritos em prantos da mãe de Yan criaram uma sensação distante.

Ele estava no inferno.

O que os outros achariam de mim…?

Eles nunca se importaram comigo.

Olá, eu sou o Zinglee!

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