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Depois de combinar tudo com Alexander, Mayck voltou para casa durante a noite e no dia seguinte contou a Jade o plano que tinha em mente. A garota não hesitou em aceitar, o que era bem estranho, já que o plano dessa vez consistia em um ato um pouco extremo e que seria facilmente condenado pela sociedade.

Entretanto, aquele plano foi a forma mais fácil de tirar Manuela da jogada. Como tinha posto Arthur para fora do tabuleiro, Eugênio não ficaria parado e iria questionar a lealdade de Jade. Com isso em mente, Mayck imaginou que eles iriam testá-los outra vez e supôs que seria Manuela a escolhida para tal. 

Por isso, ele decidiu que sequestrá-la seria uma boa chance de alertar a família Ferreira e fazê-los ficarem cautelosos. Enquanto eles quebravam a cabeça para entendê-lo, Mayck iria se concentrar no ajuntamento dos portadores para atacar a organização.

Como enfrentaria cada líder que, segundo Miguel e Alexander, eram muito poderosos, o garoto não iria poder cuidar de dois assuntos de uma vez só. Julgando que Manuela fosse necessária para o plano b de Eugênio, eles não se moveriam até tê-la de volta. 

Depois da ida das duas garotas, Mayck decidiu ir adiantando outras coisas que estavam em branco, por exemplo, como que eles pretendiam usar Lorena para controlar o garoto. A ID dela havia sido despertada quando ela ainda era muito nova, então não estaria tão desenvolvida assim. 

Mayck chamou sua prima para a sala e decidiu fazer alguns testes com ela. Como ele não tinha os equipamentos necessários para realizar testes minuciosos com eram feitos no laboratório de Kihon, ele pensou que poderia ir até a antiga base de Eugênio e ver se ainda tinha algo útil por lá. Entretanto, fazer isso seria um pouco imprudente, dado o risco de que ainda alguém estivesse visitando o local. 

O que eu faço nesse caso…? Será que ela conseguiria responder algumas perguntas? 

Ele duvidava que Lorena pudesse contar sobre seu poder, mas existia a possibilidade de ela possuir informações preciosas que poderiam ser de alguma utilidade no futuro. 

A pequena Lorena corria os olhos pela sala, aparentando estar tímida perto do garoto. Era justificável. Lorena não tinha tido muito contato com ele desde que ele chegou à casa. Era estranho para ela ser chamada de repente. 

“Lorena, eu queria perguntar algumas coisas, mas antes, você tem que me prometer que não vai contar nada pra ninguém.” Mesmo dizendo aquilo e tendo um motivo totalmente vital, Mayck não conseguia parar de pensar naquilo como uma atividade suspeita. Lorena o olhou com curiosidade. 

“Pode parecer ruim, mas eu quero te ajudar”, ele completou. “Seus pais têm feito algo ruim com você?”

Talvez por ser direto demais, Lorena arregalou os olhos por um momento e desviou os olhos ao mesmo tempo que abraçava o próprio corpo. Vendo aquilo, Mayck notou um sentimento brotando em seu coração. Não precisava de palavras para confirmar se estava certo ou não. 

“O que eles fizeram com você?”

A garota parecia atormentada. Seu pequeno corpo estremeceu enquanto ela mordia os lábios, hesitante. Mayck pensou que não era bom continuar e decidiu deixar essa questão de lado por enquanto. O que ele queria era apenas achar um meio de descobrir como a ID de Lorena funcionava. 

“Tudo bem. Isso parece difícil pra você, então esqueça, okay?” O garoto falou e se afastou de Lorena, mas ela se adiantou e agarrou a barra de sua camiseta e o impediu de sair. 

Mayck virou a cabeça e olhou para ela. Aparentemente ela tinha medo de contar, mesmo querendo. O que era natural, já que aquilo tudo era demais para uma simples criança compreender.

Ela havia sido obrigada a desgastar seu corpo e mente para o bem da sua família — algo que ela nunca tinha dito se queria ajudar ou não, apenas foi obrigada a nascer para tal objetivo. 

“… Eu…” ela balbuciou quase imperceptivelmente. “Estou com medo.”

Mesmo sem poder ver os olhos de Lorena, que estava olhando para baixo, Mayck percebeu que a garota estava chorando e ela tremia sem parar. 

“Tá tudo bem. Eu não vou deixar mais eles te machucarem.” Para consola-la, o garoto acariciou a cabeça de Lorena, bagunçando levemente seus cabelos escuros e lisos.

A garota aproveitou a oportunidade para agarrar a cintura de Mayck em um abraço apertado. Para ela aquilo era algo que só poderia ser feito com Jade, que estava cuidando dela o tempo todo.

Mesmo que não pudesse impedir que realizasse os cruéis experimentos da família, Jade sempre aliviava o fardo de sua irmã mais nova, sofrendo consequências por se impor diante de Eugênio. 

Aos poucos, Lorena começou a falar sobre tudo o que sofria nas mãos da família Ferreira. Pelo que ela disse, a família usava a garota como um controle remoto, onde os Ninkais que tinham o sangue dela injetados em seus corpos obedeciam as ordens dela como se estivessem programados para isso.

Com isso, Mayck confirmou o que Jade havia lhe contado. Portanto, não tinha mais dúvidas de que Eugênio planejava usar Lorena para controlá-lo. No entanto, isso o fez pensar no motivo de Célia ter mandado Jade ir até ele, mas isso era uma questão a parte. 

Mayck questionou a garota sobre a última vez que teve seu sangue recolhido e ela afirmou que havia sido no dia anterior. 

Parece que ele não desistiu desse plano totalmente… que povo insistente. 

Se eles fossem fazer outra jogada com o mesmo objetivo, então existia a possibilidade de Mayck ter que confrontá-los em pouco tempo, antes de ele lidar com os líderes. No entanto, estava tudo bem. Não importando a ordem das coisas, Mayck iria garantir que desse certo e obtivesse o sucesso que desejava. Contando com essa em que estava, ele só tinha duas semanas para realizar tudo. 

Por um lado, era uma boa jogada fazer tudo bem rápido, por que isso faria todos os seus oponentes ficarem perdidos no campo de batalha, mas por outro lado, Mayck corria o risco de ele mesmo se auto sabotar ou se perder no meio do caminho.

Se ele pudesse contar com Alexander para ajudá-lo, poderia lidar com as coisas de forma rápida, porém, calma. E isso lhe dava mais pontos de vantagem. Mas ele ainda não conhecia seus demais inimigos, algo que precisava ser eliminado rapidamente. 

Lorena retornou para o seu quarto quando Mayck julgou que não havia mais questões por enquanto e saiu de casa. Seu objetivo era encontrar alguém ligado a Falcão e tentar descobrir como a comunidade andava sob o comando dele.

Mayck já havia imaginado, que, àquela altura, Falcão já estava ciente de sua presença e que poderia estar de olho nele. O garoto sabia que não era bom ter seus inimigos conhecendo sua verdadeira identidade. Isso seria um grande problema. Ele havia bolado um plano e Alexander logo voltaria para ajudá-lo.

Quanto a Manuela, seu objetivo não era matá-la, apenas queria mantê-la fora do jogo até que terminasse. Diferente de todos os outros, sua prima do meio era a que mais poderia se tornar uma ameaça, caso ficasse solta por aí.  

Mas, parecia que não seria tão simples encontrar um subordinado direto de Falcão tão facilmente. Mayck seguiu para a periferia pois imaginou que tinha uma grande chance de ter alguém como Miguel, o Ceifador da Clava por lá.

Caminhando pela rua de barro, os olhares dos moradores se fixaram nele, vendo-o como uma presença estranha naquele lugar e isso o incomodou bastante. Não seria fácil encontrar alguma pista por aquele local.

Porém, um pequeno sinal chamou-lhe a atenção. Diferente do que ele esperava, apesar das ruas serem de barro, as casas eram bem feitas e as pessoas muito bem vestidas. Era sinal de que todos estavam em boas condições financeiras e de saúde. O que não era algo ruim, mas, estranho. 

Perdido em pensamentos, um homem se aproximou de Mayck. 

“O que você faz por aqui?”

“Hm? Estou apenas dando um passeio. Mas você poderia se apresentar antes de me interrogar?”

“Eu não preciso de apresentações. Conheço todos dessa comunidade e nunca te vi por aqui.”

Aquele homem que parecia ao menos cinco anos mais velho que Mayck o olhou de cima a baixo com desconfiança no olhar.

“Você disse que está passeando? Saiba que aqui não é um parque. Se você tiver algum pensamento de fazer alguma brincadeira por aqui, saiba que não vai sair ileso.”

Ele agia como um segurança. Mayck presumiu que para que aquela comunidade fosse tão bem desenvolvida era preciso que várias pessoas em ótimas condições se alinhassem — mas esse não era o caso daquele lugar. Para uma recepção tão calorosa, aquele lugar tinha que estar sob a proteção de alguém. 

Isso é por causa do líder da região?

Ele lembrou que a comunidade onde encontrou Miguel na noite anterior não era como aquela. Tinha uma grande diferença. 

Uma guerra de facções?

Poderia ser isso. Mas era só especulação. Se quisesse descobrir, tinha que aproveitar a oportunidade que apareceu para ele e tentar tirar o máximo de informações possíveis do indivíduo a sua frente. 

“Eu não tenho nenhuma intenção de fazer besteira. Estava apenas passeando, de verdade.” Para melhorar sua atuação, Mayck deu um sorriso e pôs as mãos entre ele e o homem como quem não queria hostilidades. 

“É bom mesmo. Nós não vamos pegar leve com riquinhos que queiram fazer besteira.”

Riquinho?

De repente, o garoto entendeu porque estava recebendo tantos olhares. Não era apenas por nunca ter sido visto por lá, mas por suas roupas, que por serem de outro país, dava a impressão de serem roupas de lojas elegantes com um preço nada acessível para as classes mais pobres.

Apesar da comunidade ser bem construída, as vestimentas dos reisdentes não eram lá roupas de grande valor. Por isso tiveram essa impressão. Até mesmo o homem parado a frente do garoto estava portando uma camisa social branca, uma calça preta que aparentava ser de um ótimo tecido e um relógio prateado em seu pulso.

“Ah, não eu…”

“Não interessa. Se não quiser problemas, vá embora.” O homem dispensou Mayck sem mais nem menos. Contudo, ele não iria parar ali. 

“Não é assim que se recepciona um vistante.” Mayck falou um pouco mais baixo o que fez o homem se voltar para ele um pouco estressado. 

“Hã?!” 

“Eu estou apenas fazendo um trabalho de escola. Vi que ultimamente a região tem ficado mais desenvolvida e amigável, então eu queria escrever sobre isso.” Uma mentira conveniente ou meia mentira. A região realmente tinha evoluído graças ao líder, Falcão, e alguém querer falar sobre isso não era tão estranho. 

“Trabalho de escola?”

“Isso. Nossos professores nos deram a tarefa de trazer uma curiosidade para depois das férias.”

“…” O homem não sabia o que responder. Depois de pensar um pouco, ele aceitou sua derrota. “Bom, se é isso, tudo bem. Você poderia ter dito antes.”

Aparentemente, uma das coisas implantadas pelo líder da região era que as crianças recebessem uma ótima educação e que não fossem poupados esforços para ajudá-las nisso. O que criava um contraste com a fala de Miguel que disse que o Falcão fosse um maníaco. 

Ainda bem que ele aceitou isso. Ele acabou ignorando que eu falei que estava dando um passeio. 

“Se você ainda desconfia de mim, poderia me guiar pela comunidade? Eu também gostaria de ouvir sua história vivendo aqui.”

“Hm… bem…acho que pode ser assim.”

Assim, os dois iniciaram um tour pela comunidade. Enquanto caminhavam, ele contou sobre como aquele lugar mudou desde que ele era criança. Haviam grupos que dominavam aquela parte da periferia e eram completos tiranos.

No entanto, há três anos, ele disse, um homem começou a mandar em tudo e colocou aqueles antigos governadores para fora. Com uma pessoa nova liderando tudo, os residentes pensaram que a situação da comunidade mudaria, mas foi ao contrário, ela piorou. A pessoa que comandava tudo cobrava até impostos absurdos para que as pessoas pudessem continuar a morar lá.

Os moradores eram feitos de refém para que não houvesse interferência da polícia. 

Depois de dois anos e meio vivendo daquela forma ridícula, o líder, até então, foi retirado do pódio, porém ninguém sabia como. As coisas começaram a melhorar com o novo líder que disse ter o apoio da prefeitura e iria agir como intermediário entre eles.

As casas foram reconstruídas, os postos de saúde melhorados e vários outros avanços, como uma grande escola na comunidade. Tal evolução levou os cidadãos a explodirem de alegria e verem o líder da comunidade como um ídolo. Ninguém se colocou contra ele e agarraram o seu sonho de criar várias outras comunidades como aquela — com liberdade e paz.

Após seis meses de recuperação da área, tudo o que restava era o asfaltamento, que seria realizado dentro de dois meses. 

Mayck ouviu aquilo com um certo espanto. Havia um grande parque no centro da comunidade onde as crianças e adultos brincavam alegremente ou apenas passeavam com sorrisos nos rostos. Tinha também algumas bancas de vendas de verduras, frutas e outros alimentos, além de pequenas lojas de roupas, calçados e diversos ao redor. Era quase como uma pequena cidade. 

Fábio, como ele se apresentou, contava sobre todos os feitos do Falcão com entusiasmo. Para alguém, que como ele, cresceu naquela comunidade, todas aquelas mudanças pareciam um sonho. Ele se gabava também de ter iniciado uma faculdade de direito graças às bolsas de estudos oferecidas pela prefeitura. 

Apesar de ouvir e ver tudo aquilo, Mayck ainda não podia soltar aquela desconfiança. Ele sabia que não era certo, mas não conseguia evitar. Era bondade demais para uma pessoa só. Tinha que ter uma segunda intenção por trás daquilo. 

“E você já se encontrou com esse Falcão?”

“Não, não. É claro que já vi ele algumas vezes, mas ele quase não vem aqui. Parece que ele anda muito ocupado com suas tarefas na prefeitura.”

“Tarefas?”

“Sim. Ele é quem cuida das negociações e nos garante uma vida de qualidade. Vez ou outra, pessoas são levadas até ele e conseguem cargos altos. Isso é tão incrível”, Fabio cobriu a boca quando disse isso, como se estivesse comovido. 

“Elas são levadas para trabalhar?”

“Isso. E elas também recebem um ótimo salário. Minha tia também foi para lá. Aparentemente, ela era muito boa em observar as pessoas, então foi para ajudar nas negociações. Disseram que era para não serem enganados.” Ele riu. 

“Hmm… Entendo…”

O tour continuou por mais algum tempo até que Mayck decidiu que era o suficiente.

Ele agradeceu Fábio pela ajuda e seguiu o resto do caminho sozinho, analisando e processando as informações adquiridas e não importava como ele as visse, de certa forma não batia com o que Miguel havia dito.

No entanto, se estava disposto a acreditar em uma dessas versões do Falcão na visão das pessoas, então ele acreditaria em Miguel. Isso porque para enganar um grande número de pessoas era preciso mostrar a elas uma imagem de boa pessoa e isso Mayck sabia fazer com maestria. Além disso, Miguel era o antigo líder e ele parecia ser orgulhoso demais para admitir que um inimigo era assustador. 

Em todo caso, eu preciso ser mais cauteloso. Enquanto eu andava com Fábio, notei alguns olhares diferentes dos da maioria. Talvez eles já tenham notado a minha presença. 

Mayck não iria precisar fazer mais nada. Em um certo momento, ele se lembrou de que já havia feito bagunça o suficiente para que o notassem — a luta com Alexander, por exemplo. Era só questão de tempo até vir alguém atrás dele. 

Vendo que precisaria esperar um pouco, o garoto se espreguiçou levemente.

Agora que eu paro pra pensar… eu não tenho dormido muito bem ultimamente. 

Ficar sem dormir ou dormir muito pouco era uma facada nos planos, já que poderia trazer grandes problemas em uma luta, como diminuir o tempo de reação. Um único milésimo era o suficiente para trazer a ruína de alguém. Então, Mayck decidiu voltar para casa e ter uma bela noite de sono depois do último ato. Mas antes, tinha que ver como Alexander e Jade estavam indo. 

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Um som ecoava pelo galpão e murmúrios furiosos eram abafados por uma fita. Era Manuela que se debatia furiosamente e balançava a cadeira de um lado para o outro. Suas mãos estavam amarradas em sua costas, presas na cadeira, o que impedia qualquer possibilidade de fuga. Jade e Alexander olhavam atentos para a garota enquanto discutiam o que fariam a seguir. 

Seguindo as instruções de Mayck, os dois pegaram Manuela e a levaram para um lugar totalmente longe da cidade, de forma que ninguém a ouvisse e fosse ao seu socorro. Entretanto, o garoto não disse o que eles deveriam fazer depois disso, então só restava, para eles, esperar. 

“Parece que aquele idiota é um maníaco por sequestros”, Alexander afirmou, lembrando-se de que algo similar ocorreu na noite anterior. 

“Maníaco por sequestros?” Jade não sabia do que ele estava falando, então ficou com um olhar cheio de dúvidas. No entanto, aquele não era algo que Jade precisava saber, por isso, Alexander desviou o assunto ao balançar as mãos no ar como se dissesse a ela para esquecer. 

“O que vamos fazer com ela?”

“Acho que precisamos perguntar se ela precisa de alguma coisa, não?”

“Hmm… Manuela, você está com fome?”

Como resposta, ela recebeu alguns insultos abafados totalmente inaudíveis, mas dava para saber que era isso por causa da agressividade da garota. 

Jade percebeu que a pergunta que fez era, em si, idiota. Era óbvio que, naquela situação, ninguém estaria preocupado com alimento ou algo assim. O que as vítimas queriam saber era o motivo por estarem passando por aquilo tudo e se ficariam vivas no final.

“Nós podemos dizer a ela?” Jade se voltou para Alexander enquanto ficava agachada para poder olhar nos olhos de Manuela com clareza. 

“Acho que não…”

“Nem metade do assunto?”

“Nós não temos instrução para dizer a ela.”

“Mas também não fomos proibidos.” Por outro lado, Jade sentia um pouco de pena ao se pôr no lugar de Manuela. Ela imaginou que era muito ruim ser presa sem nem ao menos saber o porquê.

“Não seja idiota. Ela com certeza deve saber o que está acontecendo aqui. Acredito que ela seja mais esperta que você.”

“Não gostei disso. Mas… você deve ter razão. Sendo assim, é outro motivo para não precisarmos esconder.”

Alexander sentiu o peso de suas palavras e viu a porta da derrota em sua frente. Mayck não havia dito para eles falarem algo, mas também não não havia proibido tal ação. Além disso, Manuela não seria mais um obstáculo e, a não ser que estivesse grampeada, não teria como ela vazar informações dali.

Eles já tinham verificado e depois de confirmarem o rastreador, eles o queimaram. O plano foi realizado em um momento que ninguém esperava, nem mesmo a vítima, que foi levada sem nem imaginar o que poderia acontecer. Isso tirou qualquer forma de preparação e impediu que alguém pudesse prever aquilo com mais antecedência. 

“Ah, que seja. Faz o que você quiser.”

“Okay.” Imediatamente, Jade arrancou a fita do rosto de Manuela que sentiu uma dor aguda na área ao redor de sua boca. Mas isso não a impediu de dar um berro. 

“Que merda você pensa que tá fazendo?!”

“Se acalme. Eu vou te contar…

“Me acalmar?! Olha a idiotice que vocês estão fazendo. Você acha que eu consigo me acalmar sendo sequestrada pela minha própria irmã?”

“Você não precisa se forçar a me chamar de irmã. Nós três sabemos o que está acontecendo aqui. Não se faça de inocente.” Jade decidiu ser direta em suas palavras. “Você está aqui para atrapalhar os planos do avô.”

“Atrapalhar? Então você traiu mesmo a gente, não foi?”

“Vocês já imaginaram? Bom, não devem ter ficado surpresos. Você deve saber muito bem os meus motivos.”

Manuela abaixou a cabeça e mudou sua expressão irritada para um sorriso largo e assustador. 

“Hã… Tudo por causa da sua irmãzinha querida, Lorena, né? Que idiota. Você sabe que vai cair uma hora ou outra. Quando isso acontecer, não vai ser uma punição leve que vai receber.”

“Eu não vou ser punida, minha irmãzinha.” Jade se afastou e deu as costas para ela.

“Huh?” A garota não parecia ter entendido. Na verdade, ela já tinha uma ideia, mas duvidava completamente dela a ponto de se negar a ver como uma possibilidade. 

“Você já deve saber. Mayck não vai deixar que vocês façam o que quiserem.”

“Mayck? E o que ele pode fazer? É só um moleque bobão e calado que não faz ideia do que está acontecendo.” Ela queria negar até o final, no entanto, estava sendo confrontada com a realidade. 

“Foi Mayck que influenciou Arthur a destruir o laboratório.” Jade falou sem compaixão e sem se importar se isso seria um choque em Manuela ou não. “Ele já sabia o que vocês estavam aprontando. Até mesmo esse sequestro foi ele que planejou, sabendo que você seria enviada para nos testar outra vez.”

Manuela ficou abismada e mordeu os lábios. Até onde Mayck tinha previsto? Desde quando? Por um momento ela pensou que estava tudo perdido. Parecia que todos os esforços da família Ferreira estavam indo para o fundo do poço. 

“O vovô Eugênio não é alguém que vai desistir tão facilmente! Mamãe, papai, Ronaldo e Mizael também são muito forte. Eles não vão perder para um moleque.”

“E Mayck não tem intenção de deixá-los vencerem.” Jade se pôs a andar. “Se precisar de alguma coisa é só chamar.” Deixando essas palavras, ela saiu do galpão junto com Alexander. 

Do lado de fora os dois ficaram perto do carro, sem trocar uma única palavra. Até que Alexander decidiu abrir a boca. 

“Você tem certeza que deveria ter falado?”

“Não tem problema. Ela não vai ser um obstáculo e também precisa deixar de ser mimada e entender a realidade.” Jade estava olhando para o céu, mais seu olhar parecia ir mais além. 

“Entendo. Se você diz, então não tenho nada do que reclamar. Enquanto não sairmos da linha, vai ficar tudo bem.”

Os dois ficaram em silêncio de novo por mais algum tempo, até Jade quebrá-lo. 

“Ei, você acha que Mayck vai conseguir mesmo lidar com todos eles?” Não conseguindo segurar aquela insegurança, Jade decidiu buscar confirmação, mesmo que fosse apenas uma afirmação da boca pra fora. 

“Está duvidando dele?”

“Não. É só que…”

“Tá de boa. Aquele moleque é pior do que parece. Ele não tem cara de quem luta uma batalha perdida. Com minha experiência observando ele, posso dizer com certeza que ele não faz o que não pode.”

“Você tem razão… ele não parece alguém que faz as coisas sabendo que não vai conseguir.”

Para interromper a conversa, o celular de Alexander tocou. Quando ele tirou o aparelho do bolso, viu que era um número desconhecido, mas atendeu mesmo assim. Jade ficou o observando. 

“Alô…? Ah, é você.” Alexander reconheceu a voz de Mayck do outro lado. Ele ligou para receber o relatório da missão que passou a eles. Alexander contou tudo em detalhes até o fim da conversa de Jade e Manuela, mas sem dizer o conteúdo da conversa. Mayck aceitou aquilo e deu as novas instruções, desligando após isso. 

Quando desligou o celular e o guardou, viu Jade ao seu lado com as bochechas levemente infladas. 

“O que foi?”

“Nada.” Ela falou e cruzou os braços, desviando o olhar para a trilha que os pneus do carro deixaram. 

Por que só liga pra ele e não pra mim?

Deixando os pensamentos e sentimentos ocultos de Jade de lado, Alexander estava mais focado em algo que Mayck disse antes de desligar. 

O teatro vai ser hoje à noite, né?

Com o risco de já ter sua identidade exposta, Mayck pensou em uma forma de tirar as atenções dele, Mayck Mizuki, e fazê-las se voltarem para o Sr. M. Se eles deixassem como estava, Falcão poderia ser capaz de ameaçar a família dele e isso não era nada bom. Então ele e Alexander prepararam uma pequena peça para que Falcão e seus homens o deixassem de lado. 

|×××|

Se esgueirando por entre as pessoas a uma distância segura, Diogo seguia dois indivíduos. Um deles pertencia ao grupo especial da guarda da comunidade, levantado por Falcão. O outro era um alvo que foi posto sob vigilância por comportamento suspeito. 

Diogo era um dos principais membros do serviço de espionagem que foi criado pelo líder da comunidade como uma equipe para reunir informações de outras regiões e monitorar o seu próprio território.

Ele era um cara alto e tinha um peso mediano. Seus cabelos prateados desbotados mostravam que a tinta não havia sido retocada nenhuma vez. Entretanto, a aparência não ditava suas capacidades. Uma vez posto no serviço de espionagem sob comando direto de Falcão, significava que você era alguém com talento e merecia tal posição. 

Desde a semana anterior, os olhos atentos do esquadrão de espionagem notaram um pequeno movimento estranho na cidade e se viram na obrigação de averiguar o que estava ocorrendo. Tal situação foi relatada no dia do aniversário da cidade e como Falcão era um homem de influência na prefeitura, não pode deixar de participar.

Por conta disso, alguns dos espiões foram postos nas ruas para o caso de alguém de outras regiões tentarem atacar durante o evento. Em um certo momento, um membro do esquadrão notou dois indivíduos que entraram em combate por alguns minutos. 

A situação foi relatada e um dos indivíduos foi identificado como um residente da casa dos Mizuki. Para evitar problemas desnecessários, Falcão tinha registros de todos os residentes da cidade, sem exceção. Como Mayck nunca tinha sido visto nas redondezas, eles não podiam afirmar com certeza, então colocaram o garoto sob vigilância. 

Com um walkie talkie em mãos, Diogo relatava constantemente a posição e situação dos indivíduos que estava seguindo. Do outro lado, não estava ninguém além do próprio Falcão. Portando um terno preto elegante, ele passava o mais puro ar de autoridade e mantinha em seu rosto uma expressão séria, que escondia totalmente sua intenções. Ele também passava uma impressão de cavalheirismo. 

“Continue os vigiando. Não sabemos o que esse garoto é capaz de fazer, então fique atento.”

[Sim, senhor.]

Falcão colocou o aparelho em cima de uma mesa e se sentou em uma cadeira de couro, que se inclinou levemente para trás. Ele estava em um escritório localizado na prefeitura e possuía sua própria sala, que lhe foi dada como uma condição para ajudar o prefeito a vencer as eleições.

Quando derrotou Miguel e o tirou do trono, Falcão tinha um plano bem maior. Em troca de ajudar a vencer as eleições, Falcão exigiu que o prefeito o desse metade do seu poder, ou seja, ele poderia usar o dinheiro da cidade para desenvolver a comunidade que havia conquistado. O prefeito não podia recusar. Um passo em falso e Falcão revelaria o adultérios das urnas e todas as fraudes para que as eleições fossem vencidas.

Era como se o prefeito fosse apenas um representante e Falcão estivesse mexendo as cordas por trás dele. 

Enquanto esperava, Falcão acendeu um cigarro e o pôs em sua boca, exalando uma pequena névoa branca que se dispersou no ar. Ele bateu levemente o cigarro no cinzeiro. Após alguns minutos, o walkie talkie emitiu um som e uma voz saiu em seguida. 

[Senhor, o alvo acabou de sair. Devo segui-lo?]

“Sim. Mas tome cuidado para não ser visto.”

[Sim.] 

Outro som eletrônico marcou o fim da conexão. 

“Muito bem. Vejamos quem é você, garoto.” Ele deu um sorriso maléfico. 

Algumas horas se passaram e a noite caiu. Falcão saiu do escritório depois de finalizar seus afazeres como e seguiu o caminho de sua casa, sendo escoltado por três homens usando ternos escuros.

Quando saiu pelas portas da prefeitura, um dos homens abriu um guarda-chuva e guiou Falcão até um carro escuro, estacionado em frente ao local. Em seguida, eles foram para perto de um parque no centro da cidade. O carro foi estacionado perto de uma árvore, cuja sombra parecia camuflar o veículo, e desligado em seguida. 

O motorista estava usando um terno preto e olhava constantemente pelo retrovisor interno do veículo, aparentando estar nervoso. Acontece que aquele era seu primeiro dia trabalhando como motorista particular e ele não tinha tido nenhuma oportunidade de falar com o seu chefe até aquele momento. Além do mais, a pressão que os guarda costas faziam não era muito boa. 

“Voce é o novato, não é?” Falcão o olhou através da lente preta de seus óculos. 

“Si-sim, senhor. Meu nome é Carlos Almeida. Esse é meu primeiro dia como motorista. Espero atender as suas expectativas.” Ele se apresentou desesperado. Mas parecia que ele havia feito algo bom, já que conseguiu tirar pequenas risadas de Falcão. 

“Hehehehe… Você é bem interessante, hein. Não precisa ficar nervoso. Eu posso ver que você é alguém promissor. Se esforce como meu motorista e supere o anterior.”

“Sim!”

Alguns segundos depois o walkie talkie tocou outra vez. 

[Senhor, estamos seguindo o alvo. Ele parece estar passeando.]

“Está acompanhando?”

[Não. Está sozinho.]

“Continue de olho.”

Com um leve aceno para seus homens, eles entenderam que deviam sair do veículo e deixá-lo a sós. Carlos não havia entendido de primeira, então um dos guardas o alertou e fez sinal para ele sair. 

Com todos do lado de fora, Falcão ficou ouvindo os relatórios de Diogo. A cada cinco minutos, ele atualizava sobre a posição e as ações do alvo. 

[Apareceram dois indivíduos. Pelo andamentos das coisas, parecem ser bandidos.]

“Estão o assaltando?”

[Sim. Mas ele está resistindo.]

“Não tire os olhos dele.”

[… Okay… senhor… temos um problema.]

“O que foi?” Com a mudança de tom de voz de Diogo, Falcão se alarmou e também ficou mais sério. Eles ficaram em silêncio por segundos que pareciam horas. Era como se Diogo tivesse presenciado algo que não devia ou que estava fora de suas perspectivas. 

“Diogo. Qual a situação?” Ele estava ficando impaciente. 

Depois de mais alguns segundos, Digo finalmente respondeu. 

[Senhor… o indivíduo Mayck Mizuki… está morto.]

“Como é?!” Falcão não pode deixar de se surpreender. 

Inconscientemente, ele havia colocado alguma expectativa no garoto. Pensado que ele seria alguém capaz de o enfrentar. No entanto, toda essa ideia foi por água abaixo. Se ele foi morto por meros bandidos, então ele não possuía nada de especial. Se possuísse, não seria morto tão facilmente. 

[Os bandidos o apunhalaram no pescoço. Agora, estão levando o corpo. Aparentemente eles não esperavam ter que matá-lo.]

“Siga-os por um tempo. Quando ver que não há mais nada de interessante, volte imediatamente.”

[Okay.]

Passaram-se mais de meia hora até que Diogo entrou em contato novamente e relatou que os bandidos enterraram o corpo do falecido longe da periferia. Falcão ficou tão decepcionado com aquilo que estalou a língua e chamou os seus homens de volta, saindo de lá em seguida e indo para casa.

Ele não esperava tamanha quebra de expectativa e julgou que se Mayck era um portador, ele era só um idiota que brincava com seus poderes por aí. 

|×××|

Eugênio ficou fora de si. A notícia de não ter nenhum contato com Manuela, o fez ficar furioso. Não podia acreditar que seus planos estavam sendo frustrados outra vez. Àquela altura, não tinha mais como pensar que Mayck atuando por baixo dos panos fosse apenas uma ilusão.

Ele definitivamente estava fazendo algo, Eugênio pensou. Não importava o quanto tentassem, Manuela não atendia o celular, e também não conseguiam determinar a posição dela com os rastreadores. 

“Droga.” Eugênio socou a mesa da cozinha. “Aquele pirralho de merda vai pagar por isso. Vamos “, ele chamou os membros da família e se dirigiram, durante a noite, até a segunda base localizada mais ao norte da cidade, no subterrâneo. 

Bruno e o restante, com exceção de Manuela, seguiram-no. Quando chegaram no local, começaram todos os preparativos. Nem passava pela cabeça de Eugênio esperar e analisar um pouco mais. Isso fez Bruno abrir a boca para alertá-lo. 

“Você tem certeza que vamos fazer isso agora? Nós nem preparamos as coisas direito.” 

“Calado. Isso não interessa. Se não nos movermos agora, aquele moleque vai passar por cima de nós outra vez. Ronaldo.” Depois de pisar na opinião de Bruno, Eugênio chamou o neto mais velho, que chegou prontamente. 

“O que foi?”

“Vá buscar o Arthur e nos encontrem na jaula”, ele ordenou. 

“Certo.” Ronaldo se retirou da base. Em seguida, Eugênio se virou para Mizael e o mandou buscar Lorena, que seria a peça mais importante dali pra frente. Mizael acenou e também se retirou. 

Apesar das ordens precisas e seguindo todo o plano original, ainda era preocupante fazer aquilo tão rapidamente. 

“Vai ser isso mesmo, pai?” Célia pensou que poderia persuadi-lo a pensar melhor. No entanto, o homem já estressado lançou um olhar assustador para a filha e a fez entender sua decisão de uma vez por todas. 

“Não me questione!” Ele bradou. 

A jaula era um local que ficavam mais longe que as outras bases e seguia o termo quase que literalmente. A diferença entre este local e uma jaula era que a segunda guardava animais. A primeira era uma jaula especial, também conhecida como criadouro. Era onde os Ninkais capturados eram colocados como ratos de laboratório e também serviam como um pequeno exército em caso de ataques. 

Depois de mexer nos computadores, configurando e ativando funções, Eugênio e os outros pegaram tudo o que precisavam, principalmente um arsenal de armas que serviriam para disparar munições especiais. Essas armas pareciam ter saído de um filme de ficção científica e foram criadas pelo próprio Eugênio. 

As grandes caixas com vários cartuchos preenchidos com as munições especiais, feitas com o sangue de Lorena, foram colocados dentro de um carro 4X4 preto, que foi dirigido por Bruno, que ainda estava inseguro assim como o restante do grupo, até o local determinado. 

Chegaram lá em quase uma hora, quando o relógio marcava 22h. 

Toda a bagagem foi descarregada e eles se prepararam, colocando equipamentos de proteção, como óculos e coletes especiais. Para entrar no criadouro era preciso muita cautela.

Apesar dos monstros estarem separados por câmaras feitas especialmente para cada um deles, nunca se saberia quando algum deles tivesse evoluído. Sem contar que Ninkais não morria de fome ou de exaustão, o que poderia fazer deles seres imortais. No entanto, além dos caçadores, que os atacavam sem dó, os Ninkais não tinham um bom convívio entre eles mesmos.

Sem um outro alvo em comum, eles se iriam se atacar até a morte, em uma batalha violenta e sangrenta. 

Passando pelas câmaras, o cheiro de carniça impregnava as narinas de quem quer que estivesse ali. Para evitar aquele odor insuportável que poderia causar danos a um ser humano em um única inspirada naquele lugar, Eugênio e os demais estavam usando máscaras de gás. 

Os Ninkais ficavam agressivos o tempo todo. Entretanto, o tempo que eles passaram lá, os ensinou a não se aproximarem das grades de proteção, que lhes causavam danos irreversíveis ao encostarem nelas. Isso acontecia por causa da habilidade única de Bruno, que podia transformar objetos comuns em artefatos com poderes fora da realidade.

Quando em contato com um alvo em específico, o objeto criava alguma habilidade que fosse letal para o alvo em questão. Era quase como uma trapaça, e, por isso, foi utilizada com um repelente de Ninkais, já que, quando percebiam que aquilo era fatal para eles, evitavam se aproximar. 

Existiam cerca de 30 câmaras diferentes, trancadas com as grades especiais de Bruno. Cada Ninkai capturado era de um tipo de diferente. Eugênio havia trabalhado em uma forma de classificá-los, que fosse simples e clara.

Então eles foram ranqueados por letras do alfabeto, que iam de ‘A’ à ‘F’, sendo o rank ‘A’ o mais alto e ‘F’ o mais baixo. Fora esses, havia a classificação ‘S’ e ‘S +’ que determinavam os Ninkais com poderes terrivelmente perigosos, que se equiparavam a um portador nível 7 ou iam além. 

“Não temos nenhum de rank A, mas a maior parte está no rank C. Eles devem ser suficientes para causar um grande estrago.”

“Mas, pai, a organização nos disse para não envolver civis…”

“Isso não importa. Trouxe o soro de controle?” Ele se referiu a Bruno.

“Está aqui.”

Bruno pôs uma caixa enorme no chão e a abriu. A caixa era toda revestida de isopor, desde a tampa até o fundo da caixa, tomando conta de todo o volume do objeto. O isopor protegia uma seringa contendo um líquido amarelo, que estava envolvida em um cilindro de vidro.

Para ter toda aquela segurança, a seringa deveria conter algo extremamente importante. E era. Aquele era um dos poucos soros de controle que eles conseguiram produzir, mais especificamente, o terceiro. 

Os dois primeiros haviam sido criados apenas como experimentos e foram melhorados no terceiro. Entretanto, os recursos para a criação daquela droga eram limitados e eles não podiam produzir mais. Aquele era o soro do controle, que seria usado em Lorena para que ela fosse controlada, literalmente. A droga tiraria a consciência da garota e ela seguiria ordens sem hesitar. 

“Certo. Vamos começar. Se posicionem.”

Ao ordenar Bruno e Célia, cada um deles pegou uma das armas e os cartuchos municiados com a munição especial e se dirigiram cada um para a frente de uma câmara. Eles também pegaram cartuchos o suficiente para atirarem dez vezes. 

Eugênio deu o sinal e os gatilhos foram apertados, fazendo um ruído forte e acertando as criaturas em cheio, uma após a outra. Os Ninkais faziam barulhos ensurdecedores enquanto tentavam resistir ao poder de Lorena, que ia tomando o controle deles a cada segundo que passava. 

Trabalho feito, o silêncio se instaurou por todo o corredor. Após vários minutos, Mizael e Ronaldo retornaram com suas tarefas concluídas.

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