Death Mage — Vol 1 — Capítulo 4

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Traduzido por: Erufailon


Volume 1: A Nação-Escudo de Mirg

Capítulo 4: Amor pelo Sol

 

O goblin tombou com um baque surdo, seu crânio quebrado pela força do impacto.

— Hmph. Goblins são os únicos inimigos que vamos enfrentar por aqui? — O Sumo Sacerdote de Alda, Deus das Leis e do Destino, gritou com raiva enquanto matava mais uma das criaturas com sua maça favorita.

— Sumo Sacerdote, não é provável que o dampiro tenha ou escapado com seu pai vampiro ou sido enterrado vivo quando a caverna colapsou? — disse um dos guerreiros sagrados sob seu comando, mas Gordan não estava satisfeito.

Bormack Gordan originalmente era um aldeão comum, mas agora ele havia se transformado num homem importante no escalão da igreja, tendo ascendido ao posto de Sumo Sacerdote aos trinta anos de idade usando sua fé, sua força física e sua magia do atributo da vida. Por conta disso, ele tinha se tornado obcecado com o extermínio de vampiros, lâmias, cilas e outros monstros originados de Veda.

— Alda, o Deus das Leis e do Destino é o único que possuí autoridade no mundo de Lambda e ele determinou que a mera existência dessas criaturas é maligna. É nosso dever — como seus seguidores — destruí-las!

Assim como os outros zelosos seguidores de Alda, Gordan acreditava nisso piamente, sem qualquer dúvida em seu coração. Ele não sentia qualquer tipo de vergonha por ter matado a elfa negra, nem em sua atual tarefa de caçar e exterminar seu filho dampiro; ele era orgulhoso, crente de que suas ações eram justas.

Por conta disso, ele tem conduzido uma busca bastante minuciosa por toda a floresta apenas para encontrar o dampiro, mas até o presente momento seus esforços só tinham resultado em fracasso.

Incapaz de entrar em contato com os caçadores que traíram a elfa negra para guia-los através da floresta, ele contratou outro grupo de caçadores e juntou suas forças aos cavaleiros do senhor feudal, mas tudo o que eles haviam conseguido encontrar foram animais selvagens como lobos, ursos, javalis e, ocasionalmente, alguns monstros fracos como o goblin que ele tinha acabado de matar.

Cinco dias depois de começarem as buscas, eles encontraram uma caverna aparentemente habitada por alguém antes de colapsar, mas o corpo do dampiro não foi encontrado.

Gordan pensou em revirar a caverna por completo, mas acabou tendo que desistir dessa ideia pela grande probabilidade de o lugar desabar sobre suas cabeças caso tentassem. Se eles tivessem um especialista em construções, ou um anão minerador, a história seria outra, mas não havia demanda para esse tipo de profissional na região, então eles foram incapazes de contratar essa pessoa.

A razão pela qual eles continuaram a procurar pela floresta por mais dois meses apesar dos empecilhos era simples: o caçador que traiu a elfa negra e a vendeu para igreja tinha desaparecido junto de seus dois amigos enquanto caçavam o dampiro.

Três caçadores que estavam completamente familiarizados com a geografia do local tinham desaparecido. Além disso, seus corpos não foram encontrados.

A intuição de Gordon estava lhe dizendo que isso não era o resultado de algum tipo de coincidência ou um acidente trágico, mas sim de algo ou alguém que havia se vingado deles.

— O dampiro em questão aparentemente ainda é um bebê, mas não é algo inimaginável. Há registros de um incidente passado em que um bebê dampiro de três anos de idade matou um grupo inteiro de aventureiros Classe D.

Desistir agora seria o mesmo que permitir que o mau criasse raízes e se desenvolvesse no futuro. Ele tinha de caçar esse dampiro e transformá-lo em cinzas.

— Sumo Sacerdote Gordan, é impossível para nós conduzirmos uma busca ainda mais minuciosa nesta floresta. Já fizemos todo o possível.

— Sir Bestero já convocou seus cavaleiros de volta para a cidade, também.

Nem todos compartilhavam do zelo exibido por Gordan ou conseguiam enxergar o mesmo desastre iminente que ele. O senhor feudal, Sir Bestero, tinha despachado cinco cavaleiros e metade de sua infantaria para ajudar com as buscas, mas agora até mesmo ele recusava-se a oferecer ajuda.

Ele não podia se dar ao luxo de permitir que os soldados e cavaleiros, responsáveis por manter a ordem entre a população, gastassem tanto tempo em uma busca infrutífera pela floresta. Na verdade, ele criticou o prosseguimento da busca, perguntando: — Não há mais nada que o Sumo Sacerdote poderia estar fazendo pelo seu povo?

— Eu tenho ciência de que os habitantes de Evbejia expressaram seu… descontentamento.

A floresta era uma importante fonte de recursos para o povo de Evbejia. Contudo, o Sumo Sacerdote tinha dito a eles: — Vocês não podem entrar na floresta enquanto conduzimos as buscas pelo dampiro, é perigoso demais. — Então era natural que os habitantes da cidade se sentissem infelizes por não terem a permissão de entrar na floresta durante dois longos meses.

— Não são só as pessoas comuns. Os aventureiros também não estão nada felizes com isso, embora eles sejam apenas aventureiros de Classe F ou E sem real importância.

— Eles estão reclamando com a Guilda, dizendo que seus serviços estão sendo roubados.

Os monstros — como os globins — que os aventureiros eram pagos para exterminar tiveram seus números drasticamente reduzidos durante a busca de Gordan pela floresta. Isso, claro, resultou em uma clara redução na renda desses aventureiros.

Além disso, Evbejia era um foco de comércio entre os vilarejos e cidades próximas, então era comum que muitos mercadores e viajantes ricos contratassem escoltas, mas ao passo que os aventureiros aceitavam esses pedidos, uma quantidade menor deles operava dentro da própria Evbejia. A Guilda dos Aventureiros naturalmente não estava feliz com isso.

Sir Bestero também não aprovava a queda no número de aventureiros. O Sumo Sacerdote e seus homens têm mantido a população de goblins controlada por hora, mas eles não eram residentes permanentes da cidade. Depois que eles partissem, ele não tinha como saber se a quantidade necessária de aventureiros retornaria para controlar a população das criaturas, que eram conhecidas por se reproduzirem velozmente.

— O que você acha que deveríamos fazer? — ele gritou — certamente você não está sugerindo que poupemos os goblins que vierem nos atacar?

— Como eu disse, talvez seja hora de desistirmos? Minhas palavras não são as do senhor feudal, mas há inúmeros outros lugares que poderiam se beneficiar de nossa presença.

— Huh…

Na verdade, enquanto eles perdiam tempo na floresta, os vampiros se moviam pelas sombras. Outros monstros de Veda também estavam machucando o povo.

Era mesmo aceitável continuar perdendo tempo nessa busca infrutífera e sem pistas pelo dampiro?

— Nós não temos outra escolha. Vamos deixar Evbejia no dia depois de amanhã.

O rubro sol da tarde luziu na expressão amarga de Gordan. Ele tinha a impressão de que o dampiro estaria rindo por muitas noites depois que eles partissem.

―♦♦♦―

O dito dampiro, Vandalieu, passou a tarde em que o Sumo Sacerdote pariu para outras terras tomando um banho de sol em tranquilidade.

— Sol… eu te amo… — proclamou Vandalieu. Recentemente ele tinha se tornado capaz de falar, embora ainda que um tanto desajeitadamente.

Viver no subsolo durante todo aquele tempo tinha sido desagradável.

Ele tinha inicialmente pensado que a situação só duraria por um mês, no máximo, mas Gordan e seus homens tinham persistido por dois meses inteiros e Vandalieu passou todo esse tempo vivendo no escuro, rodeado por rocha e terra.

Ele tinha usado sua magia da morte para prolongar a vida dos dois caçadores de modo que pudesse se alimentar do sangue deles, mas eles só tinham conseguido sobreviver por uma quinzena. Depois disso, ele fez com que Macaco Esqueleto e os outros mortos-vivos esmagassem os grãos de trigo e a carne seca — deixados por Darcia — e umedecessem a pasta resultante com água para fazer comida de bebê para que ele pudesse matar a fome. Quando o gosto se tornou insuportável, ele desesperadamente procurou insetos na terra para comer.

Sua busca ocasionou na descoberta de um leito subterrâneo de água; ele imaginou que a caverna iria alagar e matá-lo afogado, mas a situação acabou por ser favorável. Suas reservas tinham caído a níveis perigosamente baixos e a descoberta da água o permitiu limpar suas fraldas.

Até então, Vandalieu tinha criado um golem a partir da terra, fazendo-o mudar de forma até abrir um buraco de boa profundidade. As fraldas, então, eram descartadas nesse buraco. E, além disso, quando as que Darcia tinha preparado acabaram, ele foi forçado a usar fraldas feitas das roupas dos caçadores mortos, mas mesmo essas já estavam perto de acabar.

Ele poderia usar sua magia do atributo da morte para se auto-esterilizar, mas Vandalieu não conseguia suportar a ideia de se sujar dessa forma. Como uma pessoa, isso não era aceitável.

Sua dieta nos últimos dias consistia, basicamente, de seiva da raiz de árvores próximas e minhocas. Graças a uma nova habilidade que ele tinha adquirido, [Detectar Perigo: Morte], era fácil para Vandalieu distinguir entre o que poderia ser fatalmente venenoso e o que poderia ser ingerido com segurança. Curiosamente, o nível de sua habilidade [Resistência a Efeitos Negativos] acabou subindo por conta disso. O alimento que ele estava ingerindo regularmente provavelmente ainda era venenoso, só não o bastante para matá-lo.

“Eu não quero, nunca mais, viver uma vida em que eu possa considerar toupeiras um alimento adequado; um milagre, até”, ele pensou.

Vandalieu, sendo um dampiro, conseguia enxergar no escuro tão bem quanto ele enxergaria em plena luz do sol. Isso, contudo, não queria dizer que ele não precisava da luz do sol. Ele ainda era um elfo negro mestiço, afinal.

A possibilidade de acabar morrendo por conta de doenças relacionadas à deficiência de vitaminas era preocupante.

“Sumo Sacerdote Gordan, aventureiros do grupo Lâminas de Cinco Cores, por favor estejam seguros”, Vandalieu orou em seus pensamentos. Ele queria, de todo o coração, que Gordan e seus homens — que haviam deixado Evbejia hoje — e os Lâminas de Cinco Cores — que haviam saído da cidade há dois meses — permanecessem sãos e salvos.

“Por favor não morram até que eu possa matá-los”, ele pensou. Vandalieu sinceramente desejava que eles não fossem mortos por outro alguém, ou que sucumbissem por causa de um acidente ou de uma doença.

“Um humano normal conseguiria viver no escuro por aproximadamente noventa horas, não é? Se você ficar preso na escuridão por muito tempo, problemas mentais aparentemente podem aparecer, mas eu pareço ter suportado a situação surpreendentemente bem”.

O banho de sol acalmou sua mente. Aliviado que sua condição mental não tinha mudado nos últimos dois meses, ele fez com que os mortos-vivos montassem armadilhas para capturar coelhos e outros animais pequenos.

Quando ele verificou seus status, notou que uma habilidade com um nome sinistro — Corrupção Mental — tinha sido aprimorada até o nível dez; isso tinha acontecido porque ele jurou se vingar? Bem, ela também parecia atuar como uma habilidade de estabilidade mental, então Vandalieu a ignorou por enquanto.

Quanto a esse “Fascínio do Atributo da Morte”, ele imaginou ser uma habilidade originalmente adquirida em Origin. Em inúmeras ocasiões, quando os pesquisadores mais velhos que o tratavam como uma simples cobaia de testes morriam por doença, eles se tornavam espíritos e suas personalidades se alteravam, ao ponto deles se desculparem com ele aos prantos.

Ele não os desprezou por isso; se não fossem pelas conversas constantes com os espíritos em Origin, sua mente teria se despedaçado muito antes de seu corpo. Entretanto, quando Orbie e seus companheiros se aproximaram dele como espíritos após morrerem, tudo o que ele sentiu por eles foi desgosto.

Vandalieu não queria deixá-los passar para o ciclo de transmigração pacificamente, então ele os aprisionou em um pilar de pedra que estava sustentando a caverna e eles estavam lá desde então.

“Eu suponho que terei de ficar recluso até crescer um pouco mais”, ele pensou.

Os dentes de Vandalieu tinham começado a crescer nos últimos dois meses. Ele também já era capaz de andar, embora tivesse um péssimo equilíbrio devido ao tamanho relativamente grande de sua cabeça.

Mas ele ainda precisava dormir por longos períodos de tempo e era incapaz de correr. Ele só era capaz de se deslocar num gingado trêmulo, então mesmo que ele passasse o dia inteiro andando a distância percorrida não seria satisfatória. Se Vandalieu quisesse deixar este local, esperar até que seu corpo se desenvolvesse um pouco mais era essencial; certos preparativos também tinham de ser feitos.

Por conta disso, o dampiro teve de adiar sua vingança contra Sir Bestero, seus cavaleiros e o povo de Evbejia no geral.

Vandalieu já tinha pensado a respeito de como ele daria prosseguimento ao seu plano de vingança e estava confiante de que ele poderia executá-lo com sucesso, então a espera o estava deixando impaciente, mas era algo que tinha de ser suportado por agora.

“Já estamos no inverno, huh? Agora que eu paro pra pensar sobre isso, eu ainda não perguntei à mamãe sobre a história deste mundo. Mas antes disso… será que consigo capturar alguma coisa para beber um pouco de sangue?”, Vandalieu refletiu.

Embora ele tivesse — finalmente — voltado ao exterior, parecia que sua morte por fome no frio do inverno era incomodamente plausível. Vandalieu soltou um suspiro ao pensar na crueldade do mundo.

―♦♦♦―

Em Lambda, vampiros são divididos em quatro categorias diferentes.

A primeira casta é composta por um único membro: o Vampiro nascido da união entre Veda e o campeão morto-vivo Zakkart. Ele morreu há muito tempo e seu nome, desde então, foi perdido nas areias do tempo. Ele é chamado de [Ancestral Prímevo].

Àqueles que receberam a benção da não-vida e compartilham do sangue do Ancestral Primevo é dado o nome de [Puro-Sangue].

A terceira casta, que descende daqueles de sangue puro, mas que teve sua linhagem diluída ao longo das gerações é conhecida como [Nobre]

E, finalmente, a quarta e última casta é composta pelos [Subordinados], pessoas que receberam o sangue de vampiro dos Puro-Sangue e dos Nobres e que foram tomados como servos, contudo não herdando características mágicas da raça vampírica, como sua habilidade de encantar mentes; estes subordinados herdam apenas as habilidades físicas de um vampiro, como a força sobre-humana e a capacidade regenerativa pela qual a raça é famosa.

Comumente, quanto mais próxima é a relação entre um vampiro e o Ancestral Prímevo, mais forte são seus poderes. Vampiros, contudo, tinham diferenças individuais de magnitude considerável, então Subordinados que eram até mesmo mais poderosos do que Nobres também existiam.

A característica comum entre todos os vampiros era a sua fraqueza à luz solar e ao atributo anti morto vivo utilizado pelos seguidores de Alda: o atributo da vida. Outra característica importante era a necessidade que eles tinham de beber sangue regularmente para saciarem sua fome.

O pai de Vandalieu era o Subordinado de um Puro-Sangue. Ele nem mesmo era um dos vampiros subordinados com capacidades especiais, mais fortes até mesmo do que muitos Nobres; ele fora simplesmente um humano comum que tinha sido transformado. Seu nome era Valen. Originalmente, ele tinha vivido na favela como um bandido.

A única coisa anormal em Valen era sua alta resistência ao sol. Sua resistência era tão alta, na verdade, que ela até mesmo superava a de muitos humanos, então seu mestre o valorizava enormemente. Ele tinha imcumbido Valen de inúmeras tarefas, incluindo a coleta de informações entre o povo comum.

Foi nessa época que ele conheceu Darcia.

Assim como em baladas de amor, os dois haviam se apaixonado à primeira vista. Entretanto, é importante ressaltar que, na era moderna, os vampiros são divididos em duas facções distintas: os conservadores que continuavam a acreditar em Veda, que tinha sido derrotada por Alda; e os extremistas que foram convertidos e agora seguiam os ensinamentos dos deuses malignos. A segunda facção era esmagadoramente maior do que a primeira.

Se o mestre de Valen pertencesse aos conservadores, não haveria nenhum tipo de problema no amor entre ele e Darcia. Mas sendo um extremista, o Puro-Sangue era fortemente contra a diluição do sangue vampiro com aquele de outras raças, mesmo que fosse uma das criadas por Veda.

Usufruindo de sua característica especial que o permitia usar seus poderes mesmo durante o dia, ele fugiu com Darcia ainda grávida. Mas, no fim, ele lutou contra seus perseguidores para proteger seu filho ainda por nascer.

Foi assim que Darcia, que conseguiu escapar para esta mesma floresta, deu ao seu filho metade do nome de seu pai e metade de seu próprio nome. [1]

―♦♦♦―

— Então é por isso que eu tenho esse nome — disse Vandalieu.

— É isso mesmo. Você gosta dele? — perguntou Darcia.

— Sim, eu gosto. É um nome muito bom — respondeu.

Vandalieu, que pela primeira vez em muito tempo tinha sido capaz de comer algo além de insetos e seiva de árvore, ouviu Darcia contar a história de seu pai, mesmo já tendo a escutado uma dezena de vezes.

— Isso é bom. Eu tenho certeza de que seu pai também se sentiria feliz com isso. Nós concordamos em chamar você de Vandalieu se fosse um garoto ou Varcia se fosse uma menina. Err, então… onde eu estava? Ah, sim, eu estava lhe contando sobre os vampiros — disse Darcia, sorrindo. Ela começou a repetir a história que tinha acabado de ser contada. Sua memória era propensa ao erro.

Desde a morte de seu corpo físico, o espirito de Darcia tem deteriorado conforme ela passava seu tempo neste mundo. Casos em que espiritos conseguiam reter suas personalidades mesmo após uma centena de anos existiam, mas eles geralmente eram indivíduos persistentes e nutriam um forte ódio e força de vontade, mas ela ainda sentia remorso por ter se reunido com Vandalieu no momento de sua passagem para o outro lado.

Mesmo habitando um fragmento de seus restos mortais, seu espírito não conseguia se recuperar.

“Ainda sim, se eu continuar lhe provendo mana, seu espírito pode durar por mais um século”, pensou Vandalieu.

Enquanto ele escutava Darcia falar, ele decidiu encontrar uma forma de criar um novo corpo para sua mãe dentro desse período de tempo.

Apesar dos problemas que ela tinha em sua memória, Darcia ainda conseguia se recordar claramente de coisas que aconteceram quando ela estava viva, então ela disse tudo o que sabia para Vandalieu.

O tempo em Lambda e o calendário eram idênticos aos da Terra, com vinte e quatro horas formando um dia e doze meses de trezentos e sessenta dias formando um  ano. [2]

A razão pela qual japonês era falado em Lambda era porque a língua fora disseminada pelos campeões — que falavam japonês em sua terra de nascença — após sobreviverem ao conflito contra o Rei Demônio. Atualmente, apenas termos comuns do japonês eram utilizados e os aldeões só conseguiam ler e entender hiragana e katakana. A capacidade de ler kanji estava limitada aos nobres e aos mercadores que tinham recebido um grau superior de educação.

Pontos de Experiência são uma quantificação das vivências de um indivíduo. O povo de Lambda pode aumentá-los pouco a pouco conforme vivem suas vidas. Claro que derrotar monstros também garante pontos de experiência. Contudo, a quantidade de pontos que um indivíduo ganha ao realizar certa atividade também está diretamente relacionada à sua classe.

Classes são, aparentemente, [Bênçãos dos Deuses] que existem desde antes da vinda do Rei Demônio. Pessoas são comparativamente mais fracas do que os deuses, então os deuses as abençoaram com as classes na esperança de que, um dia, elas poderiam crescer e se desenvolver ao ponto de poderem ficar lado-a-lado com os seus patronos.

Classes determinam os pontos de atributo e ajustam como novas habilidades são adquiridas. E se ela for elevada ao centésimo nível, pode-se trocar de classe. Por exemplo: caso um indivíduo chegasse ao nível 100 como um aprendiz de guerreiro, ele poderia mudar de classe e se tornar um guerreiro.

Além de guerreiros e magos, existiam fazendeiros, artesãos e similares. Pessoas com classes combativas conseguem uma grande quantidade de experiência ao derrotar monstros e inimigos em batalha, enquanto que fazendeiros ganham mais experiência em serviços do dia-a-dia na fazenda, ou realizando pesquisas acadêmicas em agricultura; artesãos obviamente ganham experiência ao criarem coisas.

“Bem, seria estranho se alguém com uma classe de combate ganhasse experiência por arar a terra de uma fazenda. Também seria estranho se a habilidade de um artesão aumentasse por matar monstros, suponho”, pensou Vandalieu.

Em outras palavras, era um sistema que encorajava guerreiros a serem guerreiros e fazendeiros a serem fazendeiros; todos deveriam se esforçar em melhorar suas próprias especialidades.

Incidentalmente, monstros não tinham nenhum tipo de classe, embora tivessem níveis e aparentemente evoluíssem ou se transformassem em monstros mais poderosos quando atingissem o nível 100.

Portanto, era possível que se o pai de Vandalieu, Valen, tivesse sobrevivido tempo o bastante para atingir o nível 100 como um Subordinado, ele teria evoluído e se tornado um monstro mais forte.

“Agora eu finalmente entendo o quão ruim é a minha situação, tendo sido amaldiçoado por Rodcorte para não conseguir aprender nenhuma das classes já existentes ou mesmo ganhar Pontos de Experiência por mim mesmo”.

Não poder aprender nenhuma classe existente… em outras palavras, a maldição o impedia de adquirir uma classe que já tinha sua existência conhecida, o que era algo problemático. Caso ele não descobrisse alguma classe nova e desconhecida, ele para sempre permaneceria sem uma.

A maldição que o impedia de ganhar pontos de experiência por si próprio era provavelmente ainda mais problemática. Enquanto outros podiam constantemente aumentar seus níveis, não importa o quão duro Vandalieu treinasse ou estudasse, ele nunca conseguiria adquirir nem mesmo um único ponto.

“Oito meses já se passaram desde que eu nasci neste mundo. Eu passei por situações muito mais duras do que aquelas vivenciadas por um bebê comum; Eu me treinei no uso da magia, pratiquei e até mesmo consegui capturar Orbie e aqueles outros caçadores, mas eu ainda não passei de nível”, pensou Vandalieu.

Nesse ritmo, ele se tornaria um adulto e ainda seria nível 0. Sendo um dampiro, seus pontos de atributo eram elevados, mas seria impossível para ele trabalhar como um aventureiro ou um soldado.

Dito isso, também seria difícil para ele trabalhar como um fazendeiro ou mesmo um artesão.

Sem uma classe, ele não teria nenhum tipo de ajuste quanto a que tipo de habilidades ele aprenderia. Em outras palavras, ele teria de se esforçar muito mais do que um artesão comum para ser competitivo no mercado. Além disso, Vandalieu estava ciente de que suas habilidades de comunicação eram extremamente rudimentares. Ele não tinha talento para isso, e tinha nascido com problemas de ansiedade.

“Quanto mais eu penso sobre isso, mais a sensação de que estou em um beco sem saídas nesta vida me consome… eu vou parar de pensar sobre isso, então. É melhor ir dormir; dizem que crianças que dormem bastante crescem e se tornam adultos fortes”.

Vandalieu fez com que Macaco Esqueleto apagasse a fogueira que ele havia criado usando golems de madeira feitos de pedaços de lenha e fazendo-os se atritarem um contra o outro. Envolto em um agasalho de peles, ele foi dormir, deixando que os outros mortos-vivos montassem guarda durante seu período de sono.

Ele adormeceu, pensando que a canção de ninar que o espírito de Darcia estava cantando para ele era bela, mas desejando poder sentir o calor do abraço protetor de sua mãe.

Incidentalmente, Darcia não conhecia nenhum outro dampiro além de Vandalieu, pois eles eram muito raros. Portanto, ela não sabia nada sobre dampiros e ele tinha sido incapaz de aprender qualquer coisa nova sobre sua própria raça a partir dela.

―♦♦♦―

Nome: Vandalieu
Raça: Dampiro (Elfo Negro)
Idade: 8 meses de idade
Título: Nenhum
Classe: Pessoa comum
Nível: 0
Histórico de classes: Nenhum

Atributos:
Vitalidade: 21

Mana: 100.001.200
Força:
31

Agilidade: 4
Fortitude: 33
Inteligência: 27

Habilidades passivas:
Força Sobre-humana: Nível 1

Regeneração Rápida: Nível 2
Magia do Atributo da Morte:
Nível 3
Resistência a Efeitos Negativos:
Nível 3 (PASSOU DE NÍVEL!)
Resistência Mágica:
Nível 1
Visão Nortuna
Degradação Mental:
Nível 10
Fascínio do Atributo da Morte:
Nível 1

Habilidades ativas:
Sanguessuga: Nível 2 (PASSOU DE NÍVEL!)

Transceder Limites: Nível 2
Criação de Golem:
Nível 2 (PASSOU DE NÍVEL!)

Maldições:
Experiência adquirida em vidas passadas não será transferida
Não pode aprender nenhuma das Classes já existentes
É incapaz de adquirir Pontos de Experiência independentemente


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[1] Em japonês, o nome de Valen é escrito como ヴァレン/Varen e o de Darcia como ダルシア/Darushia. Vandalieu, portanto, é ヴァンダルー/Vandaru. O nome de Vandalieu, em japonês, é uma combinação da primeira e da última silaba do nome de Valen e das duas primeiras silabas do nome de Darcia.

[2] Este não é um erro de tradução, mas sim algo descrito pelo próprio autor, provavelmente sendo um erro na escrita da novel original.

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