Death Mage — Vol 1 — Capítulo 5

 

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Traduzido por: Erufailon


Volume 1: A Nação-Escudo de Mirg

Capítulo 5: Se eu não consigo ficar mais forte, aqueles ao meu redor é que devem ficar mais fortes

 

— É hora de treinar — disse Vandalieu aos seus servos depois de fazer com que eles se alinhassem na entrada da caverna.

Por causa da maldição de Rodcorte, Vandalieu não tinha a capacidade de subir de nível ou de escolher uma classe, tornando impossível que ele ficasse mais forte por conta própria. Por conta disso ele tentou mudar o seu raciocínio, pensando: “Se eu não posso ficar mais forte, então eu vou fazer com que meus servos fiquem mais fortes”.

Seu raciocínio era simples: se os mortos-vivos sob seu controle ficasse mais poderosos ele acabaria conseguindo fazer uma gama de coisas muito mais ampla.

“Ir até a cidade com eles pode ser complicado, mas mamãe já me disse que existem aventureiros com classes que usam monstros para auxiliá-los em combate, como domadores, alguns magos menores e até invocadores. Vai ficar tudo bem, eu acho”, ele pensou.

No futuro, Vandalieu queria que eles fossem fortes o bastante para derrotar monstros com facilidade, mas por agora se eles conseguissem carregá-lo e tivessem a capacidade de correr na mesma velocidade que tinham quando estavam vivos, já seria o bastante para deixar a floresta e partir numa jornada.

“Eles não conseguem nem mesmo derrotar lobos selvagens ou ursos atualmente, que dirá outros monstros. Alguns dias atrás meu Goblin Esqueleto até foi destruído por um goblin vivo”, ele pensou.

Os mortos-vivos que ele tinha recentemente criado eram todos fracos. Isso, claro, era para ser esperado já que seus servos ainda estavam no nível 1. Então por que ele simplesmente não criou servos mais fortes? O motivo é que ele não sabia como criar servos acima de nível 2 ou mais poderosos.

Em sua vida passada, em que ele tinha despertado seu atributo da morte, Vandalieu não tinha tentado transformar ninguém, além de si mesmo, em um morto-vivo.

“Os pesquisadores daquele laboratório jamais me dariam a chance de criar servos leais. Quando eu acordei, meu controle sobre meu corpo e minha magia já tinha sido tomado há muito tempo. Se eles não tivessem feito isso, eu teria descoberto as diversas coisas que os cientistas estavam pesquisando, como a concepção de soldados imortais. Bem, aquele laboratório acabou sendo um fracasso, de qualquer forma”, Vandalieu pensou.

Ele decidiu chegar a capacidade de combate de seus servos. Deixando de fora os insetos que ele usava para coletar informação, Vandalieu alinhou os mortos-vivos que pareciam ser capazes de lutar.

Macaco Esqueleto, Lobo Esqueleto, Homem Esqueleto, Urso Esqueleto e Pássaro Esqueleto. Esses eram todos os servos que pareciam apropriados para a tarefa. Além deles, também havia o Javali Esqueleto, o Coelho Esqueleto, o Goblin Esqueleto, entre outros. Mas os únicos que estavam completos, sem nenhum osso faltando ou quebrado, eram esses cinco.

“Bem… vamos começar a treinar? Espera, o que eu deveria mandar eles fazerem, de qualquer forma?”

Vandalieu, que abruptamente percebeu não saber o que deveria pedir para que seus servos fizessem, estava sem palavras.

―♦♦♦―

Mesmo iniciantes tinham alguma ideia do que fazer ao treinar para ficarem mais fortes.

Para aumentar o seu vigor um indivíduo correria ou exercitaria sua força para trabalhar a robustez de seus músculos.

Para adquirir experiência prática um indivíduo aprenderia técnicas de luta de artes marciais ou combate desarmado, colocando-as em uso durante sessões de treino especializadas, e por aí vai.

Mas que tipo de treinamento seria efetivo no aumento de pontos de experiência para o grupo de mortos-vivos alinhados na frente de Vandalieu?

Correr? Não faria sentido. Eles não tinham coração ou pulmões e, em primeiro lugar, por qual motivo um morto-vivo incansável tentaria aumentar o seu próprio vigor?

Treinar a força física deles? Não, também seria inútil. Em primeiro lugar, eles não possuíam nenhum tipo de músculo, tendo corpos feitos unicamente à partir de ossos, então o  que eles estariam “treinando” ao realizar flexões ou abdominais?

Combate desarmado e artes marciais? Vandalieu não tinha experiência com nenhum dos dois, então ele não seria capaz de ensiná-los.

Sessões de treino? As capacidades mentais dos mortos-vivos eram demasiadamente rudimentares; se ele fizesse com que eles lutassem, eles acabariam por lutar até que seus corpos fossem destruídos. No final, seria apenas uma competição para determinar quem iria destruir quem.

Além disso, Vandalieu nunca recebera qualquer tipo de treinamento voltado ao combate. Na Terra, ele se exercitava de maneira moderada, mas apenas ao ponto de praticar judo nas aulas de educação física durante o ensino fundamental e o ensino médio; certamente não era algo que poderia ser usado em uma batalha real. Em Origin, bem… era desnecessário dizer qualquer outra coisa.

“Talvez eu pudesse pedir a ajuda dos espíritos de Orbie e daqueles caçadores… não, seria impossível”, ele pensou.

Aqueles caras sabiam como usar um arco. No entanto, os mortos-vivos ainda não tinham a capacidade mental adequada para usá-los. Seria inútil tentar ensiná-los.

“Vamos verificar seus atributos por enquanto”, ele decidiu.

Embora Darcia tenha falhado ao verificar os atributos de Vandalieu naquela época, ele tinha a capacidade de facilmente verificar os status de seus servos mortos-vivos. O que tinha sido impossível para até mesmo uma mãe fazer provavelmente tinha se tornado possível para ele porque os mortos-vivos tinham uma relação de mestre/servo com Vandalieu. Darcia não sabia muito sobre classes que podiam controlar monstros como Domadores e magos menores, ou as habilidades relacionadas a elas, então não havia como ter certeza.

Os status dos mortos-vivos eram:

Nome: Macaco Esqueleto/Lobo Esqueleto/Javali Esqueleto/Homem Esqueleto/Urso Esqueleto/Pássaro Esqueleto
Rank: 1
Raça: Esqueleto Vivo
Nível: 0

Habilidades passivas:
Visão Noturna

Habilidades ativas:
Nenhuma

“Eles são fracos… fracos demais”

Todos os mortos vivos pertenciam à mesma raça, independentemente do tipo de esqueleto usado para criá-los e todos eles tinham os mesmos status.

Esqueletos Vivos: Cadáveres que se movem embora nada além de seus esqueletos tenha sobrado após suas mortes. Eles não possuem nenhum outro tipo de característica especial.

Eles conseguiam se mexer, mas seus movimentos eram desajeitados e sua força era consideravelmente inferior à de um homem adulto comum. Quanto a sua agilidade, eles não era capazes de correr; seus movimentos eram lentos. Além disso, eles não tinham a capacidade de usar nenhum tipo de habilidade que eles possuíam em vida.

Os esqueletos naturalmente eram resistentes, mas seria fácil de derrotá-los atacando suas juntas.

Sua inteligência e seus instintos eram severamente limitados e, no melhor dos casos, eles seriam úteis como bonecos de treino para aventureiros iniciantes.

Em suma, eles eram mortos-vivos praticamente inúteis em batalha.

“Então o que eu deveria fazer para fortalecer esses caras? Eu os criei dois meses atrás e eles ainda estão no nível 0. Eu suponho que isso quer dizer que eles não fizeram nada que lhes possa dar pontos de experiência como Esqueletos Vivos. O que poderia dar essa experiência?”, ele pensou.

Um espadachim ganharia experiência através de batalha e treinamento; um fazendeiro ganharia experiência ao cuidar de uma fazenda; um ferreiro ganharia experiência ao forjar armas. Então o que os mortos-vivos precisavam fazer para ganhar Pontos de Experiência? Na verdade, como monstros costumam ganhar experiência?

“Matando seres humanos, talvez?”

Lhe ocorreu que talvez eles precisassem machucar humanos — como monstros normalmente fariam — mas… mesmo se isso funcionasse, seria uma ideia difícil de pôr em prática.

Vandalieu não sentiria remorso não importa quantas pessoas ele matasse em Evbejia, mas se isso atraísse a atenção da Guilda dos Aventureiros ele seria fatalmente obrigado a voltar para o seu estilo de vida subterrâneo.

Era provável que ele conseguisse escapar usando seus mortos-vivos como isca, mas esqueletos intactos de animais grandes como o Macaco Esqueleto eram difíceis de encontrar. Eles não eram servos que Vandalieu podia descartar como bem entendesse.

“Bem, vamos tentar matar coisas como coelhos e ratos”, ele decidiu.

Já que Vandalieu precisava de sangue fresco para substituir o leite de sua mãe, os mortos-vivos capturaram animais como coelhos usando armadilhas, mantendo-os vivos. Vandalieu, então, os mordia usando suas presas para sugar o sangue.

Se os mortos-vivos matassem os animais por si mesmos eles talvez fossem capazes de adquirir Pontos de Experiência.

―♦♦♦―

No dia seguinte, os mortos-vivos conseguiram capturar um goblin ainda vivo.

A expedição do Sumo Sacerdote Gordan havia diminuídos seus números, mas não os extinguiu por completo. Havia uma razão por trás dos frequentes pedidos de extermínio feitos pela Guilda dos Aventureiros, afinal.

— Gyiih! Gyageeeeh! — a criatura grunhiu.

Não havia como saber se o goblin estava tentando ser ameaçador ou se ele estava simplesmente xingando-os em sua língua, mas ele continuou a gritar num tom de voz irritante enquanto os mortos-vivos o prendia.

“Então isso é um goblin…”

Vandalieu fitou-o excitadamente, embora sua expressão continuasse em branco. Este realmente é um mundo de fantasia, ele pensou.

Goblins. Eles geralmente eram monstros fracos encontrados em inúmeros mundos da ficção fantástica e parecia que Lambda não era uma exceção.

Era um monstro de Rank menor que habitava não apenas os Ninhos do Diabo, mas também em florestas e até mesmo em pradarias. Seu tom de pele era de um verde escuro e sua altura chegava, aproximadamente, ao peito de um ser humano crescido. Tinha orelhas pontudas, como as de um elfo, mas sua face era incomparavelmente feia.

Sua força física era mais ou menos a mesma de um humano comum, se não um pouco menos, e não era uma criatura particularmente ágil. Sua idade mental era igual a de uma criança de três anos de idade e ele usava o couro de um animal como proteção e um galho de árvore como arma.

O goblin era um monstro de Rank 1 e individualmente mais poderoso que um de seus Esqueletos Vivos, mas sozinho ele era tão fraco que podia ser derrotado por um fazendeiro usando uma enxada. Entretanto, outros tipos de goblins — bem mais poderosos — também existiam, então era sábio ser cauteloso.

Contudo, os goblins são especialmente temidos por suas capacidades reprodutivas, bem como a sua adaptabilidade.

Ao procriar, goblins costumam parir entre três a oito crias de uma vez. Os infantes recém-nascidos atingiriam a idade adulta após seis meses. Além disso, goblins são capazes de aumentar sua população independentemente de estarem no meio de um deserto escaldante ou em pleno inverno.

“Ah, e também há algo que comumente ocorre em cenários de fantasia, onde mulheres humanas são raptadas. Embora isso seja algo mais comumente associado aos orcs neste mundo”.

Vandalieu contemplou o que Darcia tinha lhe dito, mas ele não acreditava que o goblin na frente dele seria capaz disso. Simplesmente porque ele não era poderoso o bastante para isso.

— Por enquanto… todos vocês, vão em frente e tentem dar o golpe final juntos — disse Vandalieu.

Tendo perdido um pouco de seu entusiasmo inicial, agora era hora de descobrir se os mortos-vivos poderiam ganhar Pontos de Experiência ou não.

— Giyaahhhhhh!

Tanto Macaco Esqueleto quanto Homem Esqueleto golpearam aos chutes a cabeça do goblin escandaloso; Urso Esqueleto e Lobo Esqueleto o morderam e arranharam, enquanto que o Pássaro Esqueleto o bicou. Era um método de treinamento sangrento, mas já que os Esqueletos Vivos não tinham a capacidade física de matar o goblin em um único golpe era algo que não poderia ser evitado.

Dentro de dez segundos o goblin parou de se mexer. Vandalieu verificou os status dos mortos-vivos.

Nome: Macaco Esqueleto/Lobo Esqueleto/Javali Esqueleto/Homem Esqueleto/Urso Esqueleto/Pássaro Esqueleto
Rank: 1
Raça: Esqueleto Vivo
Nível: 2

Habilidades passivas:
Visão Noturna

Habilidades ativas:
Nenhuma

Eles haviam subido do nível 0 ao nível 2.

“Ei, eles uparam! Agora está comprovado que os mortos-vivos podem ganhar experiência ao matar seres vivos”, Vandalieu pensou.

Tendo descoberto que mesmo os mortos-vivos criados através da magia do atributo da morte podiam ganhar Pontos de Experiência, Vandalieu estava igualmente aliviado e exultante. Com isso, a probabilidade dele conseguir viver como um aventureiro em algum lugar bem longe da esfera de influência do Império Amid e da Igreja de Alda não era mais impossível. Ele se sentiu incrivelmente feliz.

“Hmm? Eu estou me sentindo um pouco “bem” de mais… status”.

Ficando um pouco curioso, Vandalieu decidiu checar para verificar se algo tinha mudado.

Uma mudança surpreendente tinha acontecido.

Nome: Vandalieu
Raça: Dampiro (Elfo Negro)
Idade: 1 ano de idade
Título: Nenhum
Classe: Pessoa comum
Nível: 3 (PASSOU DE NÍVEL!)
Histórico de classes: Nenhum

Atributos:
Vitalidade: 24

Mana: 100.001.203
Força:
29

Agilidade: 4
Fortitude: 31
Inteligência: 29

Habilidades passivas:
Força Sobre-humana: Nível 1

Regeneração Rápida: Nível 2
Magia do Atributo da Morte: 
Nível 3
Resistência a Efeitos Negativos: 
Nível 3
Resistência Mágica: 
Nível 1
Visão Nortuna
Degradação Mental: 
Nível 10
Fascínio do Atributo da Morte: 
Nível 1

Habilidades ativas:
Sanguessuga: Nível 2

Transcender Limites: Nível 2
Criação de Golem: 
Nível 2

Maldições:
Experiência adquirida em vidas passadas não será transferida
Não pode aprender nenhuma das Classes já existentes
É incapaz de adquirir Pontos de Experiência independentemente

“Eu passei 3 níveis?! A maldição ainda está ativa, então por que isso aconteceu?”, ele ponderou.

Nos oito meses que ele havia vivido após nascer neste planeta, Lambda, seu nível não tinha aumentado independentemente de suas ações. Mesmo quando ele praticava o atributo da morte, ou quando ele matava coelhos para se alimentar, ou mesmo depois que ele matou Orbie e seus companheiros a situação não tinha mudado.

Ele checou seus status novamente; não havia nenhum tipo de erro. Entretanto, a maldição “É incapaz de adquirir Pontos de Experiência independentemente” ainda estava ativa.

Então por que? Enquanto Vandalieu pensava sobre isso, uma explicação veio a ele.

“Talvez… talvez quando o Macaco Esqueleto e os outros ganham Pontos de Experiência, uma parte dela é transferida para mim?”

Na Terra existiam jogos com sistemas em que monstros aliados ou os clones do protagonista, ao ganharem Pontos de Experiência, transferiam uma certa quantia deles para o protagonista. Talvez algo parecido tivesse ocorrido aqui?

“A maldição apenas previne que eu ganhe Pontos de Experiência sozinho, mas ganhá-los através do uso de meus mortos-vivos é algo efetivo… essa é uma falha muito evidente, mesmo sendo uma maldição lançada sobre mim por uma divindade”.

Negligenciar o fato de que Vandalieu poderia achar alguma brecha no efeito da maldição lançada com o intuito de fazê-lo cometer suicídio era uma falha tão gritante que ele pensou ser algum tipo de armadilha por um instante. Rodcorte não precisaria nem mesmo pensar por mais do que alguns segundos para saber que Vandalieu era capaz de criar servos mortos-vivos.

Entretanto, quanto mais ele pensava sobre isso, mais Rodcorte se assemelhava a um simples tolo aos seus olhos.

“Por falar nisso, ele está simplesmente relegando todo o seu trabalho para nós. Nos dando força e oportunidade… quer dizer, para todo mundo menos eu, e então não nos dando nenhum tipo de instrução detalhada ou nos seguindo após isso. Nesse caso, é natural pensar que ele não seria capaz de prever algo tão simples quanto isso…”

Era provável que Rodcorte estivesse observando Vandalieu e Amemiya Hiroshi de um lugar no plano superior. Não era como uma relação entre nobre e camponês, eles não estavam nem mesmo na mesma dimensão. Era o relacionamento entre um jogador jogando um simulador e um personagem dentro do jogo. Esse era o tamanho da disparidade entre eles.

É por isso que, mesmo ele tendo forçado Vandalieu passar por uma experiência tão terrível, Rodcorte simplesmente pensou que aquilo era “errado”, e nada mais. E também era por isso que, numa tentativa de fazer Vandalieu desistir de sua vingança, Rodcorte não se sentiu incomodado em fazê-lo passar por um enorme desespero, ao ponto de forçá-lo a cometer suicídio. Rodcorte não pensou muito a respeito de Vandalieu. Para ele, o garoto não era nada mais do que uma figura solitária em meio a uma outra centena de personagens.

“Então é por isso que a maldição não é diferente. Nesse ritmo, talvez eu seja capaz de fazer algo quanto a minha classe, também”.

Vandalieu se sentia animado e revigorado. Mas, ao mesmo tempo, lembrar-se de todas as coisas horríveis que Rodcorte lhe fez deixou-o com raiva novamente. Ele, então, renovou a sua promessa de nunca cometer suicídio, uma promessa que ele já tinha feito inúmeras vezes antes.

Incidentalmente, ele acabou enterrando o cadáver do goblin. O sangue da criatura tinha um gosto ruim, não havia nenhum material que poderia ser extraído dele e, já que Vandalieu não era um aventureiro, ele sequer poderia coletar uma recompensa então não havia motivos para guardar o corpo como prova de seus feitos. Ele pensou em transformar o cadáver num morto-vivo, mas acabou desistindo da ideia ao chegar a conclusão de que aumentar o número de servos que precisariam ser treinados seria problemático demais.

―♦♦♦―

Tão logo o sol se pôs por completo no horizonte, uma fogueira crepitante pôde ser vista na frente da caverna na floresta.

Cinco mortos-vivos com chamas branco-azuladas queimando no lugar de suas órbitas oculares estavam sentados ao redor do fogo. Além deles, também havia um bebê com a pele tão pálida que causaria arrepios em qualquer um que olhasse para ele, mesmo sob o brilho avermelhado do fogo.

O espírito de uma bela — ainda que cheia de cicatrizes — elfa negra apareceu ao lado do bebê, como se estivesse o abraçando.

Se um viajante acabasse por presenciar uma cena dessas, o medo instigado dentro dele seria o bastante para fazê-lo correr desesperadamente.

O espírito da elfa negra lentamente abriu a boca, entoando uma cantiga um pouco desajeitada. Era dito ser a melodia cantada pelos campeões de outrora em seus aniversários e ela ainda era lembrada pelos habitantes de Lambda até os dias de hoje.

Kakakak, Kashakashakash.

Os mortos-vivos — que não tinham nada além de ossos — começaram a fazer ruídos estridentes com seus dentes e bicos, ou suas mãos e pés esqueléticos, no ritmo da música.

— Feliz primeiro aniversário, Vandalieu! — disse Darcia.

Recebendo as bençãos do espírito, o bebê respirou fundo, sussurrando algumas palavras e então soprando na direção da fogueira.

— [Extinguir Calor].

A fogueira, que tivera seu calor roubado pelo encantamento contido no sopro, prontamente apagou. Um breu caiu sobre os arredores, mas os corações daqueles ali presentes estavam brilhando como a luz do sol.

— Feliz primeiro aniversário, Vandalieu. Sua mãe está incrivelmente feliz por você — disse Darcia.

— Obrigado, Mãe.

A úmidade do mês de junho no país de Mirg era menor do que aquela, durante o começo do verão, no Japão. Vandalieu completou exatamente um ano de idade hoje. Eles estavam reunidos aqui para celebrar seu aniversário, mas ele não podia negar que a ocasião era muito menos impressionante comparada às festas de aniversário de lares típicos tanto na Terra quanto em Origin.

Não havia bolo nem presentes. O banquete consistia de sopa com caldo feito a partir dos ossos de um guaxinim. A carne do animal tinha sido finamente cortada, cozinhada e temperada com algumas especiarias.

E, claro, o sangue fresco do guaxinim.

Embora ele tenha forçosamente transformado a carne dura e fedorenta do guaxinim em algo parcialmente comestível, não era nem de longe uma boa refeição. Para um dampiro como Vandalieu, era plausível dizer que o sangue era a sua única salvação.

— Eu sinto muito. Se sua mae ainda estivesse viva, eu teria feito uma festa mais apropriada para você.

Apesar disso tudo, Vandalieu estava feliz.

— Não há porque se desculpar, mãe. Eu estou muito feliz.

Vandalieu tinha vivido tanto na Terra quanto em Origin, mas esta era a primeira vez que alguém celebrava seu aniversário. Em Origin, nenhum pesquisador celebraria o aniversário de uma cobaia de testes. Para eles, a ocasião não era nada além do aumento do número no campo de “idade” em seus arquivos em um digito.

Na Terra, ele vivera com a família de seu tio, mas lhe foi dito que “você vai se tornar um adulto responsável no futuro, então se começarmos a celebrar seu aniversário ou o natal enquanto você ainda é uma criança você vai acabar ficando mimado” e por isso nunca recebera nenhum tipo de presente ou bolo. Ele nunca fora parabenizado, nem mesmo uma vez, embora seu tio sempre celebrasse os aniversários de suas próprias crianças.

Para Vandalieu, esta realmente era sua primeira festa de aniversário.

— Vandalieu…

— Além disso, hoje é um dia memorável em que um monte de coisas boas acabaram acontecendo — disse Vandalieu para Darcia, que tinha ficado com os olhos marejados, lembrando-a das outras coisas dignas de nota que tinham acontecido hoje.

Primeiro de tudo, ele tinha finalmente se tornado capaz de falar de maneira fluída. Isso era surpreendentemente importante porque, ao ser capaz de falar, ele finalmente tinha se tornado capaz de entoar encantamentos ao evocar uma magia.

Até o presente momento ele tinha sido incapaz de fazer isso e estava forçosamente ativando-os através de uma quantidade absurda de Mana. Portante, cada feitiço usava uma quantidade de Mana muitas vezes maior do que normalmente faria, e sua potência era apenas metade do normal. Se Vandalieu não tivesse uma reserva de Mana tão anormalmente gigantesca, ele não teria sido capaz de progredir até tão longe.

Entretanto, como ele tinha chego tão longe sem entoar nenhum tipo de encantamento, tão logo ele se tornou capaz de falar, Vandalieu acabou adquirindo a habilidade [Revogar Encantamento], que o permitia evocar magias sem a necessidade de usar palavras.

Aparentemente, essa era uma habilidade tão rara que mesmo Darcia ficou chocada, embora um pouco deprimida por conta do “timing”. [1]

Além disso, Macaco Esqueleto e os outros mortos-vivos tinham atingido o nível 100, subindo para o rank 2.

Nome: Macaco Esqueleto/Lobo Esqueleto/Javali Esqueleto/Urso Esqueleto/Pássaro Esqueleto
Rank: 2
Raça: Animal Esqueleto
Nível: 0 ~ 7

Habilidades passivas:
Visão Noturna

Habilidades ativas:
Nenhuma

 

Nome: Homem Esqueleto
Rank: 2
Raça: Esqueleto
Nível: 4

Habilidades passivas:
Visão Noturna

Habilidades ativas:
Nenhuma

Como de costume, não havia nenhuma outra habilidade além da Visão Noturna, mas eles adquiriram grandes benefícios por passar para o próximo rank.

Os atributos de Macaco Esqueleto e dos outros mortos-vivos, que agora tinham se transformado em Animais Esqueleto, tinham aumentado ao ponto de rivalizar com a época em que eles ainda estavam vivos. Além disso, agora eles não apenas obedeciam as ordens de Vandalieu, como também tinham a inteligência de bestas comuns.

Homem Esqueleto tinha sido o único a mudar para a raça Esqueleto depois de subir de rank, mas isso era algo óbvio considerando que ele tinha sido criado a partir dos ossos de um humano. Ele tinha a força e agilidade de um humano comum e, embora fosse um peixe pequeno sob a perspectiva de outros aventureiros, essa era uma reconfortante adição às suas forças.

Se ele o fizesse usar uma das armaduras de couro pilhadas de Orbie e dos outros caçadores e também o equipasse com uma adaga e um escudo de madeira que ele tinha criado usando um Golem de Madeira, Vandalieu poderia criar um guerreiro esqueleto relativamente decente. Neste exato momento ele estava praticando o uso do arco.

Incidentalmente, Vandalieu também tinha chego no nível 100. Contudo, como era o nível 100 de “nenhuma Classe”, seus atributos não aumentaram muito. Embora ele tivesse completado os requerimentos para mudar de Classe, Vandalieu não tinha acesso às instalações necessárias para isso, principalmente as salas especiais que podiam ser encontradas em diversas guildas e templos, então era algo inútil.

Embora sua capacidade de combate tinha relativamente aumentado, Vandalieu sabia que ainda estava muito cedo para se vingar de Evbejia. Seu poder ainda era insignificante demais. Mesmo agora, começar e completar sua vingança seria algo possível, mas ele não tinha certeza que seria capaz de escapar de Evbejia e alcançar um lugar longe o bastante de Mirg, onde um dampiro como ele poderia viver pacíficamente em uma cidade. Sua sede de vingança por Evbejia poderia ser satisfeita mais tarde, então por enquanto ele estava acumulando suprimentos e poder.

“Eu estou pensando em começar a caçar bandidos à partir de amanhã”, ele pensou.

Bandidos. Eles não eram monstros, mas sim facções criminosas que agiam como assaltantes nas bordas de cidades. Em outras palavras, eles eram humanos.

Como o objetivo de acumular poder e suprimentos estava relacionado a matar humanos? Havia uma resposta bastante lógica para isso.

— Recentemente, não importa quantas lebres ou guaxinins os mortos-vivos matem, seus níveis não sobem, e não há outros monstros mais poderosos do que goblins nesta floresta. Evbejia, no entanto, é o caminho central que conecta inúmeras outras vilas e, se procurarmos por bandidos, eu estou certo de que iremos ser capazes de encontrar alguns. Se os matarmos, eles se tornarão Pontos de Experiência para os mortos-vivos, enquanto que os suprimentos que eles acumularam ao longo do tempo serão nossos. Dois coelhos com uma só cajadada, eu suponho.

Além disso, neste mundo, não havia nenhuma lei que impedia que bandidos fossem mortos ou que suas posses fossem pilhadas. Na Terra e em Origin, matar e roubar as posses de outro cidadão o tornariam um criminoso de pleno direito. Entretanto, em Lambda, se um cidadão comum matasse um bandido, ele não seria tratado como um criminoso. Ao contrário, ele seria parabenizado por ter feito um bom trabalho e ninguém o chamaria de “assassino”, nem diria que ele “feriu os direitos humanos” do morto. As posses roubadas seriam tratadas como a propriedade de direito da pessoa que matou os criminosos. Se o dono original quisesse readquirir seus bens, ele teria de negociar de maneira independente com a pessoa que matou os ladrões.

— Mas matar criminosos não é perigoso demais? Mesmo aventureiros de classe D fazem isso em um grupo — disse Darcia para Vandalieu, preocupada com ele. O garoto sorriu de maneira reconfortante em resposta.

— Eu irei preparar uma emboscada apropriada, então está tudo bem. Além disso, eu já tenho uma ideia de onde eu serei capaz de encontrar alguns bandidos.

E então, no dia seguinte, Vandalieu — um infante de um ano de idade — começou a fazer, sozinho, o trabalho que mesmo um aventureiro de classe D realizava em grupo.

―♦♦♦―

Nome: Vandalieu
Raça: Dampiro (Elfo Negro)
Idade: 1 ano de idade
Título: Nenhum
Classe: Pessoa comum
Nível: 100 (PASSOU DE NÍVEL!)
Histórico de classes: Nenhum

Atributos:
Vitalidade: 34

Mana: 100.001.203
Força: 
32

Agilidade: 7
Fortitude: 35
Inteligência: 45

Habilidades passivas:
Força Sobre-humana: Nível 1

Regeneração Rápida: Nível 2
Magia do Atributo da Morte: 
Nível 3
Resistência a Efeitos Negativos: 
Nível 3
Resistência Mágica: 
Nível 1
Visão Nortuna
Degradação Mental: 
Nível 10
Fascínio do Atributo da Morte: 
Nível 2 (PASSOU DE NÍVEL!)
Revogar Encantamento (NOVO!)

Habilidades ativas:
Sanguessuga: Nível 3 (PASSOU DE NÍVEL!)

Transcender Limites: Nível 2
Criação de Golem: 
Nível 2

Maldições:
Experiência adquirida em vidas passadas não será transferida
Não pode aprender nenhuma das Classes já existentes
É incapaz de adquirir Pontos de Experiência independentemente


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[1] Darcia provavelmente está se referindo ao fato de que agora que seu filho finalmente aprendeu a falar ele perdeu o principal incentivo para fazê-lo, que é usar encantamentos, graças à sua nova habilidade.

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