Death Mage — Vol 1 — Capítulo 6

 

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Traduzido por: Erufailon


Volume 1: A Nação-Escudo de Mirg

Capítulo 6: Bandidos são uma ótima fonte de experiência

 

Os sete bandidos estavam sentados em seu esconderijo simples, bebendo álcool que foi roubado de suas vítimas no dia anterior.

— Nossos lucros hoje foram bons, não acha?

— Sim. Se levarmos o que conseguimos até a vila, acho que todos irão ficar contentes também.

Eles pareciam ser fazendeiros compartilhando uma bebida após o árduo trabalho no campo, mas eles eram definitivamente bandidos. A prova disso é que o vinho que eles bebiam foi roubado de mercadores que tinham sido avarentos demais para contratarem um grupo de aventureiros para protegê-los, junto de suas vidas.

O equipamento deles era velho; a armadura de couro que eles usavam estava cheia de remendos originados de inúmeros reparos antigos e suas armas consistiam de lanças caseiras, machetes de lenhador, arco e flecha — eles estavam incrivelmente mal equipados. Além disso, eles não tinham recebido nenhum tipo de treinamento formal; olhando por esse lado, a experiência que os bandidos possuíam provinha unicamente de suas vivências em batalhas e disputas. Por outro, eles eram apenas um bando de pessoas que balançavam suas armas desordenadamente.

Na verdade, grande parte desses indivíduos eram fazendeiros, então eles nunca foram treinados para o combate. Eles só se tornaram bandidos por serem pobres.

Um homem jovem de um vilarejo que ficou pobre por diversos motivos deixou sua casa e começou a cometer crimes. Esse não era um caso raro em Lambda.

— Bem, então eu acho que alguém deveria ficar de vigia de modo que possamos dormir.

A base dos bandidos era composta de inúmeras tendas armadas num campo de grama alta, justamente num local em que parte da vegetação foi cortada por eles. Eles tinham uma torre de vigia, mas nenhum deles parecia ter a intenção de usá-la.

A verdade é que não havia nada além de cervos naquele prado, então eles estariam a salvo desde que mantivessem uma fogueira acesa. Eles só mantinham vigília para evitar o possível ataque de um goblin solitário.

Mesmo assim, esse goblin acabaria por gritar ruidosamente ao se aproximar, então eles tinham pouca motivação para vigiar o acampamento. Por isso, eles não tinham como saber se um inimigo estava se aproximando silenciosamente, abafando o som de seus passos.

— Hic, eu acho que bebi um pouco demais. Ahn?

O bandido que estava de vigília e aparentemente bêbado depois de tomar vinho demais foi agarrado pela pata do Urso Esqueleto, que se ergueu por sobre a grama, desaparecendo.

Sons abafados vieram de dentro das tendas, mas ninguém saiu. Ao invés disso, Homem Esqueleto, Macaco Esqueleto e Lobo Esqueleto, com Pássaro Esqueleto em suas costas, emergiram da grama alta.

E atrás deles estava Vandalieu.

— Ainda restam seis deles. Matem-nos rapidamente.

O ar foi preenchido pelo som de ossos rangendo.

Aqueles bandidos nunca mais voltaram para seu vilarejo.

―♦♦♦―

Para Vandalieu, a facilidade de encontrar o esconderijo de bandidos era relacionada com o quão atrozes eram seus crimes, já que ele podia usar o espírito de suas vítimas mortas como fontes de informação.

As vítimas que foram atacadas pelos bandidos e que tiveram não só seus pertences tomados, como também seus vidas, nutriam um enorme ressentimento e ódio por seus assaltantes, então fazer com que seus insetos encontrassem esse tipo de espírito era uma tarefa fácil.

Mesmo que eles estivessem longe, Vandalieu podia usar a técnica [Comunicação Espiritual] para invocá-los e ouvir o que eles tinham a dizer.

E então ele usaria os mortos-vivos junto da informação que tinha sido coletada dos espíritos e, em poucos dias, os esconderijos seriam encontrados.

Usando esse método, Vandalieu já encontrou quatro grupos de bandidos operando na região circundante ao território do Baronete Bestero.

Depois de encontrá-los, ele continuaria a juntar informação: seus números, quantos estavam armados, etc. Os bandidos camponeses que Vandalieu tinha atacado hoje pertenciam ao menor e mais despreparado grupo dentre os quatro.

— Muito bom, o treinamento foi um sucesso. Bom trabalho, pessoal.

Vandalieu estava tão apático quanto de costume enquanto confirmava o extermínio do grupo de bandidos, mas ele estava de bom humor ao parabenizar seus servos.

É claro que os mortos-vivos, sendo feitos unicamente de ossos, eram incapazes de sorrir, mas o brilho azulado em suas órbitas pareceu pulsar com felicidade. O MVP [1] deles acabou por ser o Urso Esqueleto, que matou o bandido que estava vigiando o acampamento com um aperto de urso e prosseguiu enterrando outro com suas garras.

Homem Esqueleto esfaqueou dois deles até a morte usando sua adaga, enquanto que tanto Macaco Esqueleto quanto Lobo Esqueleto mataram um, estrangulando e mordendo-os até a morte.

— Err… vai ficar tudo bem. Logo você vai ser capaz de voar!

Pássaro Esqueleto era o único deprimido entre eles. Vandalieu acabou criando um golem de terra, enterrando um dos bandidos e deixando-o com o pescoço de fora, permitindo que Pássaro Esqueleto o derrotasse ao diligentemente atacá-lo com seu bico sem parar.

Ter apenas uma asa não era nada além de um fardo, mas nada podia ser feito. Pássaro Esqueleto não conseguia voar. Era óbvio que uma asa feita unicamente de ossos, sem qualquer pena, não seria capaz de sustentar voo.

— Se você continuar juntando experiência e subir de rank novamente, você definitivamente vai ser capaz de voar. Acredite em si mesmo!

Enquanto Vandalieu o encorajava, Pássaro Esqueleto bateu suas asas agitadamente, para demonstrar sua felicidade, como se estivesse dizendo que daria o seu melhor.

Após fitar Pássaro Esqueleto alegremente, fazendo carinho em seu crânio, Vandalieu examinou o tesouro que os bandidos tinham acumulado.

A primeira coisa que chamou sua atenção foi a carroça com três barris cheios de vinho. Era o que havia sobrado depois que eles se embebedaram. Evbejia tinha orgulho de seus vinhos, então provavelmente era um produto de qualidade relativamente alta.

“Eu me pergunto se há algo mais além disso”, ele pensou.

Mas para um bebê de um ano de idade aquele vinho era ainda menos valioso do que água. Vandalieu não tinha como vendê-lo em troca de dinheiro e seus companheiros eram feitos de ossos, então era algo completamente inútil. Na melhor das hipóteses, o vinho poderia ser usado para cozinhar.

Não, também era provável que Vandalieu conseguisse bebê-lo. Mesmo tendo apenas um ano de idade, ele possuía a habilidade [Resistência a Efeitos Negativos] no nível 3, então ele provavelmente não ficaria bêbado caso bebesse com moderação.

— Não! Você não pode beber álcool com um ano de idade. O que vai acontecer se você se tornar um beberrão depois que crescer?

Contudo, sua guardiã não permitiria que ele fizesse isso, então Vandalieu decidiu não beber o vinho.

“Bem, eu deveria ao menos trazer um barril comigo. Há até mesmo uma carroça para transportá-lo. A próxima coisa é…”

Vandalieu procurou ao redor da carroça e dentro das tendas, mas concluiu que os bandidos eram pessoas completamente falidas quando comparados a aventureiros ou soldados comuns. Eles aparentemente tinham roubado bolsas de pano dos mercadores — que normalmente guardavam suas moedas de cobre e prata dentro delas — mas também havia uma pilha de sacolas cheias de sementes e aveia usada para alimentar animais de estimação e gado na Terra. Também havia um pouco de peixe seco. De resto, havia apenas os pertences usados para cuidar das necessidades diárias dos bandidos.

A única coisa digna de nota era um vaso cheio com aproximadamente cinco quilos de sal. Era um tesouro escasso, mas estava dentro das expectativas dele. Aquelas eram as posses de sete homens que não eram nada além de fazendeiros comuns.

Eles não tinham a capacidade de focar em alvos mais ricos — o tipo que contrataria aventureiros como escoltas.

Mas para Vandalieu aquele era, de certa forma, um lucro razoável.

“Esse já é um ótimo resultado. Eu estava cansado de só comer carne e sangue, e o sal que a Mãe tinha já acabou há muito tempo. E eu estou feliz de ter conseguido algumas peças de roupa”, ele pensou.

O estilo de vida de Vandalieu até esse ponto tinha sido sustentado através da caça de cervos na floresta. O estoque de emergência preparado por Darcia, que consistia de trigo, queijo, vegetais e sal tinha sido usado relativamente rápido após sua morte. Em primeiro lugar, era o bastante para apenas uma pessoa e só continha o essencial para a viagem que ela estava planejando, então havia apenas o que ela conseguiria carregar.

E, conforme Vandalieu se desenvolvia, a quantidade de alimento que ele precisava ingerir também aumentava.

Seria problemático usar sangue para preencher toda a sua dieta, pois se ele ficasse muito parecido com um vampiro seu corpo acabaria desenvolvendo uma fraqueza natural ao sol e isso não seria nada bom. Era por isso que ele queria comer alimentos normais, também. Mas carne que era simplesmente cozinhada depois de ter seu sangue extraído não tinha gosto e, por vezes, ele só conseguia por as mãos em carne de animais como raposas e guaxinins, que tinham um gosto horrível. Embora isso já era muito melhor do que as vezes em que ele teve de se alimentar com carne de goblin.

As roupas que ele estava usando até então não eram realmente roupas, mas sim peles que ele enrolou ao redor de seu corpo.

Vandalieu parecia uma criança bárbara.

“Se eu usar as roupas desses bandidos, talvez eu seja capaz de fazer algumas peças de roupa adequadas ao meu corpo. Também há dinheiro, mas… bem, onde eu usaria?”

O Amid era a moeda do Império Amid e de seus países. Um Amid vale mais ou menos cem ienes na Terra [2]. Também havia a moeda de cobre de Meio-Amid, a moeda de cobre de 1 Amid, a moeda de cobre de 10 Amid, a moeda de prata de 100 Amid, a moeda de ouro de 1.000 Amid e, por fim, a moeda de platina de 10.000 Amid.

Além disso, notas feitas de papel também são usadas por mercadores ricos e nobres; elas podem valer entre 100.000 e 1.000.000 Amid. Para ser mais preciso, elas não são exatamente notas, mas sim algo como um título público [3] escrito à mão.

Os bandidos tinham juntado aproximadamente 1.000 Amid, quase que o dobro da renda de um trabalhador vivendo em uma área urbana.

Mas se Vandalieu tentasse entrar em uma cidade, os guardas ou mesmo aventureiros iriam matá-lo sem nem fazer perguntas, então era duvidoso se ele seria capaz de usar esse dinheiro.

Entretanto, era possível trocá-lo por outro tipo de dinheiro depois que ele fosse até outro país, então ele decidiu guardar as moedas.

“Hum? O que é essa bolsa?”

Ele notou haver outra bolsa de couro embaixo das bolsas que continham o dinheiro. Era leve e algo tilintou levemente ali dentro quando ele a segurou.

Desamarrando o nó que prendia a bolsa, Vandalieu pôde ver duas pedras quase que transparentes. Elas pareciam ser algum tipo de gema, mas não eram particularmente atrativas aos olhos.

— Mãe, você sabe o que é isso?

— Essas são Pedras Mágicas. Você pode coletá-las de monstros e, julgando pelo tamanho e cor, estas devem ser de goblins. Se eu me lembro bem, você pode vender cada uma por dez Amid.

A Mana nos corpos de monstros costuma cristalizar no momento em que eles morrem e as Pedras Mágicas são o resultado disso. Elas são ingredientes utilizados em inúmeros itens mágicos e remédios espirituais — como poções —, também podendo ser usadas como fontes de poder que permitem que pessoas com baixa capacidade mágica usem itens mágicos.

Se usadas como fontes de poder dessa forma, elas se tornariam pedras normais depois que a Mana dentro dela fosse exaurida e portanto são consideradas itens consumíveis. Contudo, através do refino alquímico, Mana poderia ser imbuída nessas pedras novamente, então elas podiam ser usadas de novo e de novo.

Ninguém se daria o trabalho de refinar as Pedras Mágicas de goblins e elas comumente são usadas como itens dispensáveis, portanto seu valor é baixo.

— A propósito, é comum que monstros de rank baixo não deixem Pedras Mágicas após morrerem. A probabilidade de um monstro de Rank 1 deixar uma delas é de aproximadamente 1%. Por outro lado, monstros mais fortes têm uma probabilidade quase que garantida de deixar uma dessas pedras após morrerem. A probabilidade de monstros de Rank 5 e acima deixarem uma Pedra Mágica é de 100%.

Incidentalmente, Darcia aparentemente pensou que contar para Vandalieu sobre essas Pedras Mágicas antes era sem sentido, já que ele só estava lutando contra alguns goblins de Rank 1.

Além disso, aparentemente alguns monstros de rank baixo tinham uma chance maior de deixar Pedras Mágicas, assim como existem certos monstros que deixam Pedras Mágicas de qualidade muito maior do que seu rank original. Mas para Vandalieu, que estava focado em caçar bandidos por enquanto, essa informação era meramente útil para futura referência.

Ele queria se registrar na Guilda dos Aventureiros e se tornar um aventureiro assim que possível.

“E finalmente, vamos ver os status do Homem Esqueleto… oh, só de matar esses dois bandidos fracos ele ganhou trinta níveis. O Urso Esqueleto também. E o resto, por matarem um bandido cada, ganharam dez níveis!”

Por apenas terem emboscado e matado um ou dois bandidos que tinham fracassado como fazendeiros e que sequer tinham a capacidade de lutar apropriadamente os níveis dos mortos-vivos tinham aumentado esse tanto. A experiência que eles adquiriam por matar goblins e outros monstros na floresta não chegava nem perto.

Se isso fosse aplicável a outras criaturas além de mortos-vivos, então isso quer dizer que humanos são uma boa fonte de experiência para monstros. E isso também explicaria o porquê deles serem tão agressivos contra humanos.

“Tudo bem, eu vou matar cada um dos bandidos nessa região para aumentar os níveis de todo mundo”, Vandalieu pensou.

Depois de ver esse aumento explosivo no nível de seus servos, Vandalieu não tinha coragem de voltar a caçar pequenos animais e monstros fracos.

Ainda restavam muitos bandidos na região circundante ao território de Bestero. Um desses grupos tinha o mesmo número de pessoas que o grupo que ele tinha matado hoje, um deles tinha mais do que dez pessoas e outro tinha aproximadamente uma vintena.

Os mortos-vivos certamente chegariam ao Rank 3 depois que todos fossem exterminados.

— Já que você foi capaz de nos matar, os caras ao sul vão ser moleza.

— Os caras ao oeste daqui são de três vilas diferentes. Eles têm um monte de pessoas, mas também deve ser fácil.

— Mas os caras ao norte são bandidos profissionais. Seu líder aparentemente já foi o guarda em alguma cidade e eu ouvi falar que ele juntou um bando de capangas fortes. Eles extorquiram dinheiro da gente, também.

Enquanto aprendia algumas informações dos espíritos dos bandidos mortos, Vandalieu usou um golem de terra para enterrar seus corpos. Ele foi embora depois de carregar a carroça com as posses deles, deixando a cena trágica para trás.

―♦♦♦―

Cerca de um mês havia passado desde o primeiro aniversário de Vandalieu. Já era a estação em que ele precisava se livrar dos mosquitos toda manhã usando [Inseticida], e ele estava finalmente pronto para enfrentar o maior e mais bem treinado grupo de bandidos dentro do território do Baronete Bestero. Seus movimentos eram erráticos, certificando-se de que nenhum viajante ou patrulha de guardas na estrada os encontrasse e costumavam treinar em florestas ou em áreas com grama alta e grossa para polir suas habilidades.

— Os nossos inimigos dessa vez estão em um patamar completamente diferente dos bandidos que matamos até então. Seu líder é um ex-soldado e seus subordinados foram treinados por ele até certo ponto. Em outras palavras, nós não podemos simplesmente erguer nossas armas e assustá-los, nós vamos ter que realmente lutar contra eles.

— Oooooh~

— Gururururu~

Os mortos-vivos escutando Vandalieu tinham, literalmente, chamas de determinação brilhando em suas órbitas. Por conta de toda a experiência que eles adquiriram matando os outros bandidos, Homem Esqueleto subiu de rank e se tornou um Soldado Esqueleto, enquanto que Macaco Esqueleto, Urso Esqueleto e Lobo Esqueleto viraram Bestas Esqueleto.

Eles também adquiriram a habilidade [Força sobre-humana] e, talvez por conta de todos os bandidos que eles mataram através de emboscadas, também adquiriram a habilidade [Passos Silenciosos]. Quando essa habilidade é usada, o som de seus ossos rangendo e se esfregando uns contra os outros desaparece por completo. Além disso, Homem Esqueleto também ganhou as habilidades [Esgrima], [Arquearia] e [Técnica de Escudo].

Todas elas ainda eram habilidades de nível 1, mas seus resultados eram bastante bons considerando que ele as aprendeu depois de lutar em batalhas práticas contra golems durante apenas um mês.

Pássaro Esqueleto, entretanto, ainda estava no Rank 2. Ele estava no nível 90, então se o plano de hoje desse certo ele também subiria de rank.

— É por isso que precisamos tomar ainda mais cuidado hoje. Nós temos um monte de ossos sobressalentes para vocês, mas certifiquem-se de que seus crânios não sejam quebrados ou destruídos. Além disso, se virem algum humano que não se parece com um bandido, como por exemplo… humanos que estão amarrados com uma corda ou presos em uma jaula, não os mate. Por fim, vamos começar nosso plano assim que eu lançar a magia auxiliar — disse Vandalieu, com seu habitual tom apático e sua expressão indiferente, não demonstrando seu nervosismo interno enquanto começava a canalizar seus feitiços.

“Primeiro, [Aprimoramento do Massacre] para suas armas, garras e presas. E então [Absorção de Energia] para suas armaduras e ossos”, ele pensou.

[Aprimoramento do Massacre] era um feitiço capaz de aumentar o poder de ataque do alvo; mesmo escudos e armaduras iriam ferir um inimigo se entrassem em contato com ele.

[Absorção de Energia] era um feitiço defensivo capaz de absorver magia, calor, eletricidade e mesmo energia motora; em Lambda ele era efetivo tanto contra ataques físicos quanto contra ataques mágicos.

Ambos esses feitiços possuem efeitos poderosos, mas já que nenhum deles era difícil de usar com o atributo da morte, Vandalieu os masterizou facilmente.

— Ooooh…

O primeiro a se mexer dentre os mortos-vivos envoltos em magia azul escura foi Homem Esqueleto. Ele partiu em direção à torre de vigia na base dos bandidos — uma pequena aglomeração de cabanas simples protegida por uma cerca de madeira — enquanto pressionava uma flecha contra a corda do arco tomado de Orbie e de seus companheiros, puxando-a para trás.

Os bandidos na torre de observação seguravam arcos com aljavas em suas costas, parecendo estar completamente desmotivados.

— Cara, nós fomos muito azarados, pegando o dever de vigia logo no dia anterior ao que vamos meter o pé — disse um dos bandidos.

Aquele grupo de bandidos pretendia pegar todas as coisas que eles roubaram até agora e partir para uma nova região. Eles iriam pegar o dinheiro do resgate pelos reféns ao longo do caminho e então ir em direção a um novo território — ou mesmo um novo país — e então recomeçar seus trabalhos como criminosos novamente.

Outros grupos criminosos tinham começado a desaparecer ultimamente e eles ouviram rumores de que um Lorde tinha ficado cansado com a deterioração da ordem pública nas estradas e havia reunido um time de extermínio. Se esse fosse o caso, era melhor que eles realmente partissem.

Eles decidiram se livrar das coisas que atrapalhariam durante a viagem e estavam no meio de uma festa para consumir todo o excesso de comida e licor que eles possuíam em estoque de uma só vez.

Esses bandidos de vigia foram os azarados que tinham sido incapazes de participar da festa e estavam demasiadamente distraídos por seu infortúnio para realmente notarem qualquer coisa.

— Gahhh!?

A flecha de Homem Esqueleto cortou através do véu da noite e enterrou-se na garganta de um dos bandidos. Soltando um grito curto, ele perdeu o equilíbrio e caiu de cima da torre.

Vendo um de seus guardas tombar com uma flecha no pescoço, os bandidos — que até então estavam aproveitando da festa e bebendo — acordaram de seu estupor.

— Ataque inimigo!

— Acordem, seus bastardos! Peguem suas armas!

Enquanto os bandidos tentavam brandir seus machados, maças e lanças…

— Guwooooooon!

— Uooooooh, uooooooh!

Destruindo a cerca de madeira e espalhando os destroços por todo o lugar, Macaco Esqueleto e Urso Esqueleto começaram a avançar.

— São mortos-vivos! Monstros! Estamos sendo atacados por monstros!

— Se acalmem, seus idiotas! Aqueles que se especializam em machados e maças, vão para a vanguarda. Aqueles que usam espadas e lanças, para trás! Arqueiros também! — o líder dos bandidos calmamente ordenou seus subordinados com instruções precisas, segurando uma alabarda em suas mãos.

Este homem tinha experiência em lutar contra esqueletos e zumbis, adquirida durante seu tempo como um soldado. Ele sabia que seus subordinados teriam a capacidade de lidar com mortos-vivos efetivamente se eles usassem armas de concussão como porretes ou machados ao invés de armas com lâmina como espadas e lanças, mesmo se eles não fossem lutadores habilidosos.

— Alguns monstros de Rank 1 ou 2 não são páreos para nós! Matem eles!

A moral dos bandidos — que estava decaindo por conta do ataque súbito e da morte de um de seus companheiros — foi recuperada graças às instruções de seu líder. Eles investiram contra os mortos-vivos estúpidos que tinham arruinado suas festividades.

— Guoooo!

— Ghyaa!?

Um bandido, ainda levantando seu machado, saiu voando ao receber um ataque frontal das patas de Urso Esqueleto, que se ergueu sobre suas patas traseiras.

Com um som de trituração ruidoso, Macaco Esqueleto esmagou o crânio de um dos bandidos como se fosse um ovo.

As presas de Lobo Esqueleto perfuravam as pernas dos bandidos e, ao caírem, ele rasgava suas gargantas.

Homem Esqueleto guardou seu arco e empunhou a espada longa que ele tinha tomado de um dos bandidos que eles derrotaram previamente, abrindo caminho dentro das linhas inimigas.

— Hiiiii!? Gyaaah!

Homem Esqueleto contra os bandidos. Ambos os lados nunca receberam nenhum tipo de treinamento formal em esgrima, mas logo Homem Esqueleto emergiu com uma vitória decisiva.

Suas habilidades de combate eram aproximadamente iguais e a espada longa que Homem Esqueleto estava usando tinha uma péssima qualidade. Em verdade, as armas dos inimigos eram de qualidade superior.

Entretanto, a força de um Soldado Esqueleto de Rank 3 era muito maior do que a de um humano comum e, especialmente por causa da habilidade [Força sobre-humana], Homem Esqueleto era muito mais forte do que aqueles bandidos.

Como humanos não possuem habilidades especiais ou força física elevada, eles afiam suas habilidades e praticam artes marciais e magia para poder lutar contra monstros. Um humano enfrentando um monstro com uma experiência em combate similar não tinha chance alguma de ganhar.

— Oooooh…

Banhado pelo sangue de seus inimigos, Homem Esqueleto estremeceu graças à sensação de ganhar experiência por tomar uma vida e, desejando ainda mais, correu na direção de sua próxima vítima.

— Chefe! Esses não são monstros de Rank 2!

— Nós não conseguimos derrotá-los! Nos ajude, chefe!

Ouvindo os gritos penosos de seus subordinados enquanto o número deles gradativamente diminuía, o líder estalou sua língua.

“Esses tolos inúteis. Se é assim que vai ser, eu vou ter que fugir sozinho”.

O líder dos bandidos escolheu correr sem hesitação. Ele sequer pensou em ficar e lutar contra os mortos-vivos pelos seus subordinados por nem mesmo um segundo. Ele não tinha habilidade o bastante para lutar mano-a-mano contra um monstro de Rank 3 ou maior, de qualquer forma.

Ele certamente tinha sido um soldado em algum ponto durante sua vida e até mesmo tinha a habilidade [Técnica de Alabarda] no nível 2, que permitia que ele usasse a Alabarda. Mas, no fim, ele era apenas um ex-guarda de uma cidade. De acordo com a Guilda dos Aventureiros, sua capacidade de combate era, no máximo, de Classe E.

Se ele fizesse um bom uso de seus subordinados, talvez eles conseguissem derrotar um dos mortos-vivos. Mas haviam quatro. Não, cinco.

O chefe notou Pássaro Esqueleto, que estava terminando de matar um dos bandidos que havia caído, inconsciente, apunhalando-o com bico. Mas ele o considerou ser uma exceção.

Mesmo que ele acabasse derrotando um dos mortos-vivos, seria inútil já que os outros terminariam de matá-lo. Não havia sentido em retaliar sem ter nenhuma esperança de vencer.

— Todos vocês! Não recuem, avançar!

Dando essa ordem irracional para seus homens, o líder começou a recuar cautelosamente de modo a não ser notado por eles. Ele pretendia pular em uma das carruagens roubadas dos mercadores e fugir. Se ele fizesse isso, ele poderia formar outro grupo de bandidos depois.

— Levante-se.

Suas esperanças de escapar foram destruídas quando uma parede de madeira se ergueu do chão atrás dele.

— Q-que?! Um Alquimista?

Ele ouviu uma voz aguda, como a de uma pequena garotinha, através dos gritos moribundos de seus subordinados e dos rugidos ressentidos dos mortos-vivos. Ele notou que o dono da voz é quem fez isso e, de imediato, perscrutou os arredores em busca dele.

Ele o encontrou quase que de imediato.

Uma pequena criança estava parada alguns metros atrás de si, vestida em trapos. Era claramente um bebê.

— Quer dizer que esse pirralho é quem fez tudo isso?!

O líder arregalou os olhos, mas não havia como negar a estranheza da criança.

O cabelo branco e os olhos estranhos de cores diferentes — um era carmesim e o outro roxo azulado. E mesmo nesse campo de batalha ensanguentado sua presença fraca, imperceptível, como a de um fantasma. Se a criança não tivesse dito nada, ele poderia ter se aproximado do líder dos bandidos até estar do lado de seus pés e ele não teria notado.

— É você quem está controlando esses mortos-vivos? N-nesse caso, eu desisto. Eu me rendo. Eu vou deixar você ficar com o tesouro, vá em frente e me entregue para a Guilda dos Aventureiros ou qualquer outro lugar.

Jogando sua alabarda fora, o líder ergueu ambas as mãos e desistiu. Se ele não pudesse vencer, ele correria. Se ele não pudesse correr, ele se renderia e sobreviveria. Teimosia e orgulho não lhe daria nem mesmo 1 Amid.

— Se render?

— Isso, isso mesmo.

Forçando um sorriso em seu rosto, o líder respondeu às palavras indiferentes de Vandalieu.

— Há uma recompensa sobre minha cabeça. E eu tenho informação sobre outros grupos criminosos nessa área. Além disso, metade do dinheiro feito vendendo escravos criminais vai para o seu bolso. Que tal? Se você nos capturar vivos, você vai lucrar muito mais.

As coisas que o líder disse eram verdadeiras. Este era um homem que estava disposto a vender até mesmo seus companheiros se ele pudesse sobreviver.

Além disso, dependendo da severidade de seus crimes, os bandidos que eram capturados vivos seriam vendidos como escravos criminais. A maior parte deles trabalhava em minas e no exército, fazendo trabalhos braçais e ingratos. Metade dos lucros ganhos por eles não podia ser subestimado e, dependendo do número de bandidos capturados vivos, poderia até mesmo ser um valor maior do que o todo o tesouro que os bandidos haviam acumulado.

— Você é um idiota, por acaso?

Mas tudo o que ele recebeu em resposta foi um insulto; o bebê estava questionando sua capacidade mental.

— O q-que foi que você disse?

— Como você pode ver, eu sou um dampiro. Se eu te levasse até a Guilda dos Aventureiros e te entregasse, eu seria simplesmente morto. Eu já estaria morto antes mesmo que você pudesse ser vendido como um escravo criminal.

No Império Amid e em seus país, lugar onde as pessoas eram devotas de Alda, o deus da Lei e do Destino, dampiros eram tratados como monstros, não como pessoas. Mesmo se ele entrasse numa cidade com a intenção de entregar os bandidos, os guardas ou os aventureiros priorizariam matá-lo ao invés de cuidar dos criminosos.

O líder dos bandidos não era um aventureiro e estava ignorante do pânico quanto ao dampiro que aconteceu algum tempo atrás, então ele demorou para perceber que estava falando com um.

— Então me faça um dos seus subordinados! Eu vou ser muito útil. Seus mortos-vivos são bem fortes, mas você deve precisar de um subordinado humano também, certo?!

Naquele momento, a opinião de Vandalieu sobre aquele bandido aumentou um pouco, pensando que ele era mais esperto do que parecia ser.

Vandalieu tinha realmente pensado a mesma coisa algum tempo atrás. Os mortos-vivos que obedeciam todas as suas ordens. Os espíritos de Darcia e dos outros. A presença deles não podia resolver as pequenas inconveniência de sua vida diária.

Entretanto, usar o homem na frente dele para resolver esses problemas era impensável.

— Embora seja verdade que eu preciso de um companheiro vivo, eu não preciso de um bandido que sequer se importa em sacrificar seus homens para fugir. Mas eu posso te transformar num dos meus subordinados depois que você morrer.

Apontando para o líder que primeiro tinha expressado esperança e então desespero, Vandalieu disse para Urso Esqueleto e os outros:

— Matem-no.

— P-por favor, espera! E-eu não quero morrer!

— Hum? As pessoas que você matou não disseram a mesma coisa?

Este homem era alheio quanto à muitas coisas. No momento em que Vandalieu pensou isso e se virou para falar com o líder novamente, Urso Esqueleto já tinha esmagado seu pescoço.

— Gu, guru?

Merda, eu o matei cedo demais? Urso Esqueleto pareceu perguntar, mas Vandalieu acenou com a mão, negando.

— Está tudo bem — disse, suspirando pesadamente.

“Ahh, isso foi estressante. É a primeira vez que conversei com alguém que não fosse minha mãe, então eu estava bem nervoso”, ele pensou.

Ele tinha sofrido de ansiedade ao conversar com estranhos em todos os três mundos: Terra, Origin e Lambda. Ele desejou que tivesse sido possível evitar esse tipo de conversa cara-a-cara nesse lugar ensanguentado.

“O cheiro de sangue é tão forte que eu estou começando a ficar com fome. Mas eu não quero ficar mais próximo de minha herança vampírica sugando o sangue desses bandidos, então eu tenho que resistir. Resistir… por agora, eu vou verificar se algum deles sobreviveu. [Detectar Vida]”

Para se distrair da fome causada pelo cheiro de sangue, ele usou um feitiço do atributo da morte capaz de detectar sinais de vida nas proximidades.

Ignorando os insetos, ervas-daninhas, germes e fungos, ele procurou reações emitidas por animais, humanos contendo magia ou monstros grandes.

Haviam… três animais grandes atrás da maior cabana, provavelmente cavalos. Também houve uma reação no porão da cabana. Pelo visto era um ser humano.

Ele ouviu dos espíritos que o número de bandidos era dezenove. O número de corpos também era dezenove.

— Tem alguém no porão da cabana, é um cara novo?

— N-não, esse não é meu subordinado. É um mascate que eu capturei alguns dias atrás. Ugh… eu deixei que ele vivesse porque ele aparentemente tem um negócio de família ou algo assim em uma cidade no domínio do Visconde Maggio e podemos esperar r-receber o dinheiro do resgate. M-meu pescoço…

Por conta do choque e do medo que ele recebeu no momento de sua morte, o pescoço do espírito do líder dos bandidos estava torcido. Vandalieu ergueu as sobrancelhas enquanto processava aquela informação.

As coisas tinham ficado um pouco problemáticas.

―♦♦♦―

Nome: Homem Esqueleto
Rank: 3
Raça: Soldado Esqueleto
Nível: 39

Habilidades passivas:
Visão Noturna
Força sobre-humana: Nível 1 (NOVA!)

Habilidades ativas:
Esgrima: Nível 1 (NOVA!)
Técnica de Escudo: Nível 1 (NOVA!)
Arquearia: Nível 1 (NOVA!)
Passos Silenciosos: Nível 1 (NOVA!)

 

Nome: Macaco Esqueleto/Lobo Esqueleto/Javali Esqueleto/Urso Esqueleto/Pássaro Esqueleto
Rank: 3
Raça: Besta Esqueleto
Nível: 24 ~ 32

Habilidades passivas:
Visão Noturna
Força sobre-humana: Nível 1 (NOVA!)

Habilidades ativas:
Passos Silenciosos: Nível 1 (NOVA!)


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[1] Em um jogo, o titulo de jogador mais valioso (MVP) é uma honra dada ao jogador com a melhor performance na partida ou na liga, em uma competição ou num time em específico.

[2] Na cotação atual, cada Amid vale aproximadamente R$3,27

[3] Títulos públicos são papéis emitidos pelo Tesouro Nacional, que representam uma forma de financiar a dívida pública e permitem que os investidores “emprestem” dinheiro para o governo, recebendo em troca uma determinada rentabilidade.

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