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Tyrant e Rei conversaram por um breve momento sobre lendas e mitos relacionados aos tempos de outrora, em relação às árvores Ydrazyles, a guerra dos 11 flagelos e outros pontos desnecessários que a vidente acabou citando pela força do hábito; como questões envolvendo Herborismo e Alquimia. 

Quando terminou de contar os relatos, — quase ao ponto de queimar as massas que estavam no forno, a vidente apressou-se para pegar a luva na estante e retirá-las da combuca de ferro. 

Em seguida, colocou as massas em cima da mesa de madeira ao lado e esperou que o calor nelas se dissipasse gradualmente com o tempo.

Encheu as massas com um recheio de frango, colocando ervas e temperos dos ingredientes próximos. Enquanto preparava, o estudante apenas observou de longe aquela cena.

Sua mente estava vazia, ele apenas olhava para as mãos da senhora que parecia trabalhar com tamanha dedicação. 

Quando finalmente terminou, a senhora pediu para que o estudante fosse para a sala de refeição. 

Com o comando, Rei levantou-se e seguiu caminhando até o cômodo seguinte, que ficava entre a cozinha, a sala de estar principal e a entrada da casa de Tyrant. 

O cômodo era todo revestido de madeira nos pisos e paredes, havendo uma grande mesa de pedra rústica ao centro daquela região, que pelo tamanho, poderia visivelmente comportar entre seis a sete pessoas. Nos arredores havia um total de 5 assentos de madeira, que faziam conjunto com o design da enorme mesa ao redor.

Uma toalha de mesa branca a revestia por inteiro, e sobre o tecido de seda estavam todos os pratos e talheres posicionados para cada um dos assentos. 

Tudo estava preparado meticulosamente. Tyrant tivera que acordar mais cedo para preparar todos esses pequenos detalhes. 

Quando se aproximou, o garoto sentou-se em uma das cadeiras e colocou a mão no bolso. Ele estava imerso em pensamentos enquanto esperava a chegada de Tyrant. 

Após alguns minutos de aguardo, a vidente adentrou o cômodo carregando algumas combucas com alimentos em cima de uma placa de ferro, que servia como suporte.

Colocou-os sobre a mesa e abriu um pequeno sorriso no rosto. Torta de frango, bolo de cenoura, algumas panquecas recheadas e um enorme jarro de barro que continha suco de uva. 

Estes eram todos os alimentos, e percebendo com entusiasmo a fartura de alimentos, o estudante não esperou por mais nada, seus olhos brilharam com aquela visão. 

Embora pudesse criar comida com sua habilidade de criação, nada poderia substituir o sabor dos alimentos caseiros que eram preparados com tamanho carinho e amor. 

O garoto agradeceu pela comida e pegou uma panqueca recheada, colocando-a na boca e mastigando lentamente enquanto saboreava o sabor. 

Tyrant seguiu o mesmo exemplo e pegou uma fatia de torta de frango, em seguida conversou com o estudante à medida que comia. 

Agradável. 

Era essa a palavra que poderia descrever esse momento. 

A vidente começou a se sentir revigorada e realizada pela maneira ao qual o estudante comia seus alimentos com tanta vontade, e pela forma simpática, e espontânea que reagia aos seus comentários à medida que as conversas iam se prolongando.  

Trum! 

Eles ouviram um barulho atrás, seguido de um som de passos firmes se aproximando da sala de refeições. 

— Bom dia.

Exclamou Kazuki momentos depois, próximo da entrada da sala. 

— Oh? Bom dia, jovem. 

Tyrant foi a primeira a responder após notar a presença do homem-fera, ela dirigiu seu olhar para aquela figura e sorriu alegremente. 

— Por que não vem se sentar com a gente? — acrescentou ela. 

Após ouvi-la, Kazuki hesitou por um momento e virou seu rosto para o local em que o estudante estava sentado. Ele assentiu com a cabeça e sentou-se em um dos assentos, ficando bem de frente ao estudante. 

Assim que se senta, Rei ainda com um pedaço de panqueca na boca, percebeu que Kazuki estava agindo de uma maneira estranha; com as orelhas abaixadas, olhos virados para o chão e um olhar cortado. O homem dirigia seu olhar para o estudante de modo que, logo em seguida, olhava para outra direção rapidamente. 

“?”  

“Será que… ele se lembra de ontem…?” 

Assim que pensou sobre essa possibilidade, Rei imediatamente começou a deduzir algumas coisas a partir do comportamento do homem-fera. 

 “Então é por isso que ele está agindo assim…” 

“… Talvez ele esteja se culpando pelo que aconteceu.”

“É uma possibilidade.”

Ele deixou uma risada sair de seus lábios, enquanto observava-o de perto e não desviava o olhar daquela cena, — parecia uma criança tímida. 

Kazuki sentiu os olhares de Rei, e um frio em suas costas se formou. Começou a transpirar um pouco, não conseguindo esconder os sentimentos de nervosismo.

O clima instaurado depois da súbita vinda do homem deixou toda a atmosfera estranha e silenciosa… Chegou em um determinado momento em que só era possível ouvir levemente o garoto e a vidente comendo, enquanto do lado de fora, os pássaros e o barulho das águas do rio eram ouvidos.

Tyrant então notou que algo estava errado, e mesmo que não soubesse o que estava acontecendo ao certo, ela tentou puxar algum assunto para diminuir a tensão. 

— Você dormiu bem, Kazuki? 

— Ah… Eram… Bem, eu… eu dormi. — respondeu ele. 

— Fico feliz em saber que vocês tiveram uma boa noite. 

— Eu estava conversando com Rei sobre as árvores Ydrazyles. Nós estávamos falando sobre…  

Tyrant então contou sobre as coisas que ela e Rei estavam conversando anteriormente, com o intuito de informar o homem sobre esses assuntos também. Como não tinha muito o que fazer, Kazuki prestou atenção para o relato da senhora. 

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Enquanto a conversa prosseguia, o estudante acabou por soltar um suspiro desanimado por ouvir as mesmas informações e mitos de antes. 

Ele voltou seu olhar para Kazuki, que ainda mantinha uma expressão séria e prestava atenção em Tyrant. 

“Deve estar me zoando… Como consegue ouvir tudo isso?”

Ele pensou no momento em que colocou a cabeça em uma de suas mãos, então abriu os olhos e sua expressão mudou de repente para satisfação. 

“Acho que isso pode dar certo. Vamos zoar com a cara dele um pouco.”

Ele movimentou seu pé por de baixo da mesa, esticando-os até a perna de Kazuki. Quando tocou a perna do homem-fera, ele começou a esfregar seus pés nela em um movimento suave. 

Assim que sentiu o toque, Kazuki ficou envergonhado e virou sua cabeça lentamente de forma discreta para o lado em que o garoto estava sentado.

Seu semblante parecia perguntar: “O que diabos está fazendo?”

Em resposta, o estudante fez um sorriso malicioso assim que sentiu o olhar discreto do homem sobre ele. E, como um reflexo, Kazuki olhou para baixo corado. 

— É incrível a perfeição de todas as pequenas coisas criadas pelo universo, não acha, jovem? — perguntou Tyrant naquele exato momento, dirigindo seu olhar para o seu rosto. 

— S-sim, você tem razão. — Ele responde automaticamente, sem prestar atenção ao que a senhora dizia.

Nessa hora, os olhos da vidente se abriram rapidamente.

— Eu peço desculpas, acabei perdendo a noção de tempo enquanto conversava. Preciso sair agora, antes que seja tarde. Hoje é o dia em que as ervas e plantas que plantei amadurecem, eu me esqueci totalmente.

Ela disse pouco antes de pegar o chapéu de palha que estava posicionado na parede, indo até a sala e saindo da casa momentos depois. 

— Eu estou indo agora, eu estarei de volta daqui alguns minutos. Caso aconteça alguma coisa eu vou estar no quintal na entrada da casa. Se precisarem de alguma coisa, é só irem até lá, jovens.

Declarou por fim, virando-se de costas e fechando a portinha de madeira. Tyrant então se retirou com uma cesta grande em suas mãos, e um olhar estranho no rosto. 

Continua… 

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