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— Não deu tempo sequer das telas aparecerem no meu campo de visão — Deckard ponderou, percebendo que talvez o sistema não lhe desse tanta vantagem quanto ele havia previsto.

— Vamos recuar Fang, devagar, e lutar no corredor.

Não precisava ser nenhum gênio para perceber o quão vantajoso o terreno era para os lobos, mesmo com a lança improvisada que Deckard portava.

Fang e ele recuaram, passo a passo, sem perder os lobos do campo de visão. Eles aproveitaram esse recuo para ganhar terreno e tentaram se aproximar, enquanto rosnavam e desciam devagar das rochas.

Enquanto mantinha a posição de luta, Deckard percebeu que o primeiro deles iria ter que pular para chegar ao chão. Seria a chance que ele teria para reduzir a quantidade de inimigos.

— Se prepare Fang, não podemos perder essa chance — eles pararam então e esperaram o momento certo. — Mesmo que nós não sejamos mais fracos que eles, seria trabalhoso lidar com uma vantagem numérica tão grande nesse terreno.

Ele esperava que pudesse passar por essa dungeon sem ter que usar magias, depois de enfrentarem os monstros até ali, mas não lhe parecia mais uma opção agora.

Depois de lutar com alguns, ele pôde perceber que não era um desafio tão grande quanto ele imaginava antes de entrar na dungeon. Mas, para enfrentar os seis, ele teria que arriscar ser cercado e virar as costas para esses lobos era uma garantia de, pelo menos, ferimentos pesados.

Nos segundos em que repassava as possibilidades em sua mente, o lobo mais próximo chegou ao ponto de onde teria que pular. Mas, diferente do que Deckard pensava, ele começou a se preparar para se lançar em  direção a eles, sem qualquer traço de medo ou receio.

Apesar de ficar surpreso com isso, o plano não iria ser alterado. No momento em que ele saltasse, iria usar a Ascensão do trovão e avançar contra ele, usando a adaga e mirar o golpe na parte inferior do corpo. Com o bônus da passiva de adagas e das ascensão, seria possível matar ele em apenas um golpe.

O lobo então se lançou em direção aos dois. Fang estava com os músculos tão retesados, que era possível percebê-los por baixo de seu pelo escarlate.

— Ascensão do trovão — Deckard bradou, enquanto se lançava em direção ao lobo e com único pensamento, ordenava ao Fang que lhe desse cobertura.

Para a sorte dele, o lobo se lançou de uma altura superior e veio em direção ao seu rosto. Com os seus bônus temporários, não foi nada difícil para Deckard acompanhar a velocidade dele e lançar seu corpo em um salto quase rasante e enfiar a adaga na barriga do lobo. Ele só não havia pensado a respeito do sangue, que jorrou do enorme talho aberto no corpo do lobo, enquanto ele voava sobre seu corpo, que respingou em seu rosto, lhe tirando a visão temporariamente. No mesmo segundo, ouviu um segundo rosnado vindo em sua direção.

O segundo lobo aproveitou a brecha causada pelo sangue atrapalhando seu campo de visão e se lançou em direção a ele, implacável. Tudo aconteceu em um milissegundo. Deckard só pôde ouvir o rosnado feroz de Fang e o choque do corpo dos dois em pleno ar, o lobo ganindo por causa do impacto e Fang rosnando para manter ele e os outros longe.

Apesar de toda a adrenalina, seu corpo ainda tremia. Ele se levantou rapidamente, limpou o sangue dos olhos, de modo que pudesse ver novamente e reforçou o aperto no cabo da adaga. A visão de Deckard se tornou uma confusão de vermelho e azul, enquanto ele terminava de limpar o sangue, para que não voltasse a escorrer em seus olhos. Enquanto isso, a tela do sistema piscava sem parar, avisando que ele havia subido de nível. O que seria muito bem vindo.

— Agora, todos os meus status estão na casa dos trinta pontos, finalmente.

Ele não se permitiu divagar e voltou sua atenção aos lobos. Fang se preparava para se lançar sobre o lobo que estava no chão, já ferido pela mordida que ele acertou no momento em que se chocaram. O lobo parecia ter dificuldade para apoiar a pata dianteira no chão, mas eles não podiam se lançar sobre ele sem cuidado. Enquanto Fang focava a atenção no lobo ferido, Deckard percebeu que os outros tentavam os cercar, sem se importar com o que estava morto ou com o ferido.

— Me segue, garoto, com calma. E obrigado por me salvar.

Com isso, ele começou a ir para a esquerda, buscando ficar de costas para a parede e evitar ser completamente cercado.

Apesar do bônus de adaga, ele teria que lutar usando a lança, se quisesse finalizar o lobo ferido, antes de enfrentar os outros quatro.

— Dessa vez, vamos inverter Fang. Você ataca ele e eu cubro sua retaguarda. Pode ir sem medo garoto.

Enquanto Fang ia pra cima do lobo, procurando uma brecha, ele tentava manter os lobos afastados, dando estocadas em direção a eles. O que havia se tornado mais fácil, agora que eles não estavam mais no topo das pedras.

Com o canto dos olhos, Deckard podia ver Fang encurralando o lobo ferido, contra a pedra que antes lhe garantia vantagem. Após perceber que não havia mais para onde recuar, o lobo pareceu se encolher. Ele parecia estar tentando se lançar contra Fang, mas não seria tão fácil assim, uma vez que ele estava ferido e seu inimigo não.

De repente, Fang fez outra vez. Se lançou, se tornando um borrão vermelho, em direção ao lobo, que tentou revidar, se colocando sobre as patas traseiras para bater de frente com o tigre. Mas, para seu azar, Fang parecia uma locomotiva em movimento. Ele acertou o lobo com uma patada certeira em seu focinho e no segundo seguinte, abocanhou furiosamente o pescoço do lobo, que nada pôde fazer para se manter vivo, com aquelas presas enormes o perfurando na garganta e o possível pescoço quebrado.

Fang nem se deu ao trabalho de esperar os espasmos pararem e o largou, já pronto para ajudar Deckard novamente.

Enquanto isso, Deckard foi tolo e se descuidou dos lobos por um segundo, tempo suficiente para que dois se lançassem em sua direção.

No segundo que percebeu o seu erro, já era tarde. Enquanto os lobos se lançavam em sua direção, só pôde ativar a Muralha de aço e tentar reduzir o dano. Ele tentou se jogar no chão, fora do alcance dos lobos, mas ainda assim pôde sentir enquanto um deles acertava as garras na lateral do seu corpo, abrindo três talhos em suas costelas e errando seu braço direito por muito pouco.

Antes mesmo deles pousarem no chão, Fang se colocou de prontidão, para receber uma possível investida dos dois. Mas foi obrigado a recuar, enquanto Deckard estava no chão, ferido.

— Seu lobo maldito, eu vou te matar — Deckard esbravejou, enquanto se colocava de pé, com as mãos na ferida. — Sorte minha que não foi tão fundo quanto eu esperava.

Depois do choque inicial da ferida e de ver o sangue escorrer livre, ele pôde ver que havia sido de raspão. O que não impedia de doer bastante.

— Vamos dar uma lição nesses filhos da puta.

Ele sabia que em um dos bolsos do seu cinto havia uma poção, porém Diane havia o alertado e pedido para usar em casos extremos. Não havia um mercado de poções em Nullus e não eram exatamente fáceis de fazer, nas condições em que viviam. Então pescou em seu bolso algumas folhas que havia encontrado na Floresta, que tinham capacidades analgésicas e as mastigou. Ele esperava que fosse o suficiente por agora. Afinal, não estava com todo o tempo do mundo para cuidar da ferida agora.

De repente, lhe passou uma ideia maluca na mente, quase suicida. E seria, caso não desse certo.

— Espero que você confie em mim garoto, porque isso vai ser uma loucura, hehe.

Deckard assoviou para chamar Fang, arremessou a lança contra os dois lobos que ainda não haviam descido das rochas e correu em direção ao túnel.
Até mesmo Fang levou um segundo para o seguir, afinal não só era loucura, era burrice e beirava a insanidade. Ele estava fazendo a única coisa que não deveria quando havia um predador às suas costas.

— Vai na frente Fang. AGORA! — Gritou para o tigre. — Não sei se isso iria te atingir também.

Os 4 lobos vieram, todos juntos em sua perseguição.

Exatamente o que ele queria.

— Venham logo, seus malditos sarnentos. Eu vou acabar com a raça de vocês agora.

Fang já estava há uns bons quatro metros, a velocidade dele não era brincadeira. Mesmo que os atributos de destreza dos dois não tivessem tanta diferença em números, na prática a história era outra.

Enquanto olhava para os lobos, Deckard pôde ver as telas do sistema surgindo. Ele parou bruscamente, encarando aquele brilho azul.

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Espécie: Lobo Presa do Luar (Adulto)
Nível: 6
Rank: Comum
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Atributos:

Força: 30
Destreza: 35
Inteligência: 25
Carisma: 20
Magia: 22

— Venham logo, malditos.

Quando eles estavam perto o suficiente para se lançarem em sua direção, Deckard se adiantou e se lançou em direção à eles. Apesar da surpresa de ver sua presa indo contra eles, os lobos não pararam.

No segundo em que eles iam o atingir, ele gritou com toda raiva que estava sentido daqueles lobos de merda.

TEMPESTADE DE RAIOS.

No mesmo segundo, ele pôde ver os pelos dos lobos se eriçando, enquanto os raios caiam. Dez potentes descargas acertando seus corpos em cheio e os lançando em direção ao chão. De onde dois deles nem sequer se levantaram, possivelmente atordoados. Deckard sabia que isso não seria o suficiente para matar um deles.
Enquanto os outros dois se mantinham em pé cambaleantes, ele chamou Fang através de um assovio.

— Ascensão do Trovão! Armadura de Raios! — Antes que os dois sequer tivessem chance de se recuperar, ele se lançou sobre eles com a adaga em punho e os atacou.

Assim que matou os dois, ele caiu de joelhos. Se sentia muito exausto, seu ferimento estava voltando a latejar, apesar de não estar mais sangrando.

Deckard pegou o cantil e tomou um gole generoso de água.

— Venha aqui garoto. Vamos tomar um fôlego antes.

Fang veio e se deitou ao lado dele. Nem mesmo parecia cansado.

— Não adianta me olhar com essa cara não. Você está aí numa boa graças a mim.

Ele só bufou, levantou e começou a atacar o lobo mais próximo.

Deckard decidiu seguir o exemplo dele e retirou alguns pedaços de carne de outro lobo. Enquanto ele comia, Deckard voltou até o matagal e pegou um maço de grama mais seco e usou para acender uma fogueira.

Não havia muito a fazer até que Fang terminasse de comer, pois era a maneira que ele ganhava experiência. Depois de se alimentar do primeiro lobo, ele subiu de nível. E, para a surpresa de Deckard, isso lhe garantiu mais um ponto de força e um de destreza.

Ele então decidiu ver a tela de atributos do tigre.

PET
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Nome: Fang
Nível: 6
Rank: Épico
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Espécie: Tigre Sanguinário (Adulto)
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Atributos:

Força: 40
Destreza: 45
Inteligência: 28
Carisma: 23
Magia: 28

— Ao que parece, ele também ganha um ponto de destreza e de força quando eu subo de nível, além de um ponto para cada atributo quando ele mesmo upa.

Como já haviam pego bastante materiais dos lobos, ele decidiu não pegar mais nada. Apesar de ter o inventário, ele optou por carregar os materiais na mochila. Ia ser meio difícil de explicar para Diane, caso ele simplesmente fizesse surgir materiais do nada.

Ele encostou em um dos pequenos sulcos que haviam nas rochas e esperou, enquanto Fang se alimentava.

Antes mesmo que ele sequer se desse conta, já havia adormecido.

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Olá, eu sou o Ricky Saintz!

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