Capítulo 01: Agnus, o pequeno beija-flor

Dungeon Tale

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E lá estava, em um lugar completamente desconhecido, sem saber quem era. Andando sem rumo em uma sala totalmente desprovida de luz, enquanto esbarrava em coisas que pareciam corpos humanos.

— Ei!

— Perdão

— Idiota! Olha por onde anda!

— D-Desculpa…? Eu não vejo nada, animal!

Berros de pessoas desesperadas podiam ser ouvidos, algumas clamavam por respostas, outras choravam. Um completo caos se alastrava por todo o lugar. O local era extremamente abafado, meu corpo suava de forma intensa. Não tinha noção de tempo, muito menos espaço. E mesmo ao meio daquilo tudo, uma voz masculina ao meu lado se destacou perante as outras. Ela demonstrava calma e sutileza.

— Pessoal, não vamos a lugar algum dessa forma… Por que não nos acalmamos e pensamos um pouco? Primeiro, onde estamos? E segundo, nossa identidade. Não acho que sou a única pessoa sem saber nada.

Lentamente todas as vozes foram diminuindo, até que restasse somente o som de suas respirações ofegantes. Decidi seguir seu som e ficar perto, passando por toda multidão e esbarrando em dezenas de corpos. Parecia a única pessoa racional ao meio de toda aquela multidão.

— Ei. Concordo com você, parece ser a única pessoa que pensa direito aqui. Por que não ficamos juntos até acharmos uma resposta?

— Quem sabe? É de fato uma boa ideia…

Após o término da interação, permanecemos imóveis por alguns minutos, até que a sala que antes estava escura, se tornasse clara como o dia, revelando tanto sua aparência, quanto a do garoto. Enormes paredes de rocha circundavam o local, gotas de água caiam do teto e umedeciam o nosso cabelo. de longe, era possível ver um enorme portão de ferro. Aquele do meu lado era um jovem rapaz, em torno dos dezessete anos. Possuía um cabelo dourado, sua franja era longa e a lateral direita de sua têmpora, raspada. Seus olhos, do mais claro azul-turquesa. O garoto, dotado de um corpo esbelto. Vestia uma roupa extremamente desgastada e suja, sendo ela uma camisa marrom-claro rasgada e um short mediano que chegava a altura do joelho.

Sem nem tempo de dizer ou pensar em algo, um barulho ensurdecedor de algo se abrindo abruptamente pôde ser ouvido, o portão gigante havia aberto. Adornos brilhantes se localizavam no centro da porta, em sua guarnição, via-se entalhes de algo semelhante à criaturas mágicas.

Depois do portão se abrir, uma voz começou a ecoar por todo o salão. Ela era grossa e esbanjava um pouco de arrogância misturada com pressa.

— Bem, bem, parece que todos já acordaram. Não quero perder muito de meu tempo, então serei breve. Vocês estão na Dungeon Labyrinth… — Disse entonando — Foram escolhidos para lutar e sobreviver neste local. Sobre a saída… Bom, não tenho tanta certeza quanto a isso.

Ouvindo aquele discurso, as pessoas no local entraram em um tumulto generalizado novamente. Assim como eu, ninguém entendia o que aquilo realmente significava.

— Sobreviver?!

— O que é essa voz? De onde está vindo?

— Como assim?!

Mantive-me quieto por estar em estado de choque, mas parecia como se as pessoas ao meu redor fossem barulhentas demais. Depois da primeira questão, um alvoroço de perguntas e gritos permeou por alguns segundos.

A voz ecoou de novo, e que antes estava calma, agora havia se irritado com toda aquela situação. E como se não bastasse, uma figura humanoide de dois a três metros de altura apareceu por de trás da porta e flutuou perante nós. Sua vestimenta era um terno negro, utilizava uma excêntrica máscara de corvo feita de couro. Em suas mãos, uma longa bengala banhada a ouro com detalhes de prata.

— Basta! Suas perguntas são irritantes. Calem-se antes que eu perca a minha calma. Agora, há algumas coisas na qual tenho de explicar antes que atravessem o Portão de Teletransporte, tratem de prestar atenção. Digam status e uma janela irá aparecer, estes são seus atributos, sua Força, Agilidade, Resistência, enfim…  Logo acima deles, sua classe estará localizada.

Antes mesmo de terminar seu discurso, agi sem pensar e mentalizei aquela palavra. Uma tela cinza cheia de informações apareceu ao meu lado. Ela mostrava desde o meu corpo na parte direita, até todo tipo de informação sobre mim ao seu lado esquerdo. Olhando para o meu corpo, eu era um garoto jovem, aparentemente no final da minha adolescência. Meu cabelo castanho entrava em contraste com meus olhos verdes e minha pele clara. Finas sobrancelhas esculpiam boa parte acima de meus olhos. Pelo o que pude ver, não me considerava um garoto nem muito feio, nem tão bonito, apenas normal.

 

#sistema-escuro#

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Agnus Valis

Classe: Ladino do Vento

 

Lv. 01 | HP: 15 | Força: 15 | Agilidade: 20 | Inteligência: 20 | Mana: 20 | Defesa: 05.

Arma Primária: ? | Arma Secundária: ? | Armadura: ?

 

 

Habilidades: Identificar S, Ataque furtivo E, Lâmina de vento E, Pequena invisibilidade (5 minutos), Resistência a vento E, Arrombamento D.

 

Especialização: ?

 


Trabalho: Ladino

 

Experiencia (EXP): 0/50

 

Pontos para gastar em atributos: 0

 

Monstros derrotados: 

 

Andar onde se localiza: 01/??

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#escuro-fim#

 

Passei um longo tempo olhando tais informações, analisando palavra por palavra e tirando minhas próprias conclusões. Quando voltei a mim mesmo, percebi que todos ao meu redor observavam seus respectivos quadros, com exceção do rapaz louro que tinha se aliado a mim. Parecia como se toda sua atenção estivesse voltada ao ser que pairava sobre nós. Um sorriso que poderia passar quase desapercebido pelas outras podia ser visto no semblante do garoto. Não havia malicia naquilo, era a mais genuína felicidade.

— Parece que vocês já viram suas classes e habilidades, dei a vocês como presente a habilidade Rank-S: Identificar. Ela faz o que o nome diz, identifica. Como sou um deus benevolente, os darei um tempo de trinta segundos e logo depois disso, os teletransportarei para um local aleatório da Dungeon. Façam suas equipes.

Terminando sua fala, um temporizador apareceu em nossas vistas, fazendo vários toques conforme o tempo se passava. Todos ficaram desesperados com o contador. Pessoas, na correria, caíam e eram pisoteadas, era uma cena aterrorizadora. Alguns, de longe, choravam e rezavam.

#sistema-escuro#

29:59

#escuro-fim#

Desesperado, olhei para o garoto loiro, o mesmo retribuiu o olhar, pegou meu braço e me puxou para perto do grupo mais próximo de nós. Ele era composto de duas garotas e um jovem rapaz.

— Não temos tempo o suficiente de escolhermos alguém. Fiquem conosco. Seremos uma equipe a partir de agora. Não os conheço, mas tanto faz. — Disse ele ainda puxando meu braço, com uma expressão firme e inabalável.

Todos assentiram. Via-se um pequeno receio no semblante de todos. Estávamos inquietos e nossa ansiedade aumentava a cada tique do relógio, não ter opções além de ir era algo agonizante.

Tic tac tic tac tic tac… Tic

No momento em que a contagem acabou, uma vasta branquidão preencheu minha mente e um mar de sensações veio à tona. Senti meu ser sendo destruído e reconstruído constantemente, como se minhas moléculas estivessem se separando por instantes e depois tudo voltasse ao normal. Não doía, mas me preenchia de medo.

Quando recobramos a consciência, encontrávamos em um lugar muito diferente daquele. Aparecemos em um enorme corredor feito de pedras, completamente sozinhos.

Uma leve sensação de mal-estar percorreu todo meu corpo ao reaparecer. A primeira coisa que vi foi o chão rochoso e empoeirado. Estava ajoelhado com os braços colados no solo. Meu corpo inteiro tremia, a barriga gelada se embrulhava conforme respirava. Abri a boca e tossi algumas vezes. Minha garganta fervia, era como se algo estivesse entalado no esôfago e não saísse por nada. Queria vomitar, mas não conseguia. Olhei para frente e vi que os outros também não estavam bem.

Encaramo-nos por alguns segundos, expressando semblantes de amargura e dúvida misturados.

— É… Isso foi bizarro… — Comentei arfando, na tentativa de puxar assunto e acabar com aquele silêncio, mas o resultado foi falho. Após o comentário a quietude perdurou por mais alguns minutos, até eu novamente tentar interagir e me apresentar, dando uma longa limpada na garganta.

— Não sei quem sou. A única coisa que sei é o meu nome, porque vi nos meus status. Me chamo Agnus Valis, podem me chamar de Agnus ou Valis, tanto faz, da na mesma. Bem, não sei o que nos espera a frente, mas se vamos ser companheiros e viver juntos por um tempo, acho melhor sabermos nossos nomes e compartilhar o que sabemos. Bem, deixe-me ver… Aqui diz que sou um Ladino do Vento.

Ouvindo minha tentativa de interação, o rapaz louro olhou para mim e disse com um sorriso estampado em seu rosto.

— Me chamo Markus, Agnus. Sou um Paladino do Fogo. Prazer em conhece-lo. — Respondeu-me, estendendo sua mão para mim.

Rapidamente apertei sua mão e ofereci um sorriso.

Logo depois disso, uma garota menor do que eu, com olhos e cabelos vermelho-rubra fez o mesmo. Ela usava um conjunto de roupas muito bonito. Haviam adornos negros de flores em sua gola. Sua roupa estendia-se até alguns centímetros antes dos joelhos e era branca.

— Meu nome é Eva, prazer. Minha janela diz que sou uma Maga de controle.

Em seguida, outra garota, um pouco mais alta do que eu, com olhos verdes e cabelos azuis-safira, se apresentou. A menina usava roupas muito parecidas com as de Eva. O que realmente diferenciava a vestimenta, eram os adornos. Estes eram de cavalos verdes.

— M-Me chamem de Kalissa. Arqueira do luar. — Disse ela gaguejando. Desviou o olhar para baixo.

Por último, um rapaz alto, com músculos volumosos, cabelos longos e negros igual noite que escorriam até a nuca, olhos castanhos e uma voz grossa comentou.

— Sou Darius. Um guerreiro, E ai?

Trajava uma camisa social azul clara e uma bermuda branca. Em seus punhos, localizavam-se um relógio digital.

Nada mais havia a ser dito. Já nos conhecíamos completamente, nomes, classes e aparência. A única coisa que possuíamos.

— Aquele homem de terno disse para a gente lutar e sobreviver aqui, mas… Bom, não temos nada além de nossas roupas – Indagou Markus, inquieto, batendo seu pé repetidamente contra o chão.

— B-Bem, isso não é inteiramente verdade. Também temos nossas habilidades, não é? Acho bom testarmos antes de qualquer coisa. – Respondeu Kalissa.

— Sim, mas do que adianta ter habilidades se são ligadas somente a armas? Todos meus poderes são para espadas e escudos, olhem!

Dizendo isso, a mesma cinza apareceu ao lado dele, com todas informações sobre.

#sistema-escuro#

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Darius Novadoria

Classe: Guerreiro

 

Lv. 01 | HP: 25 | Força: 20 | Agilidade: 10 | Inteligência: 10 | Mana: 5 | Defesa: 25.

Arma Primária: ? | Arma Secundária: ? | Armadura: ?

 

Habilidades: Identificar S, Investida de escudo E, Ataque carregado E,

Defesa aprimorada, Grito de guerra E, Manobras de combate D

 

 

Especialização: ?

 


Trabalho: Lutador

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#escuro-fim#

 

— Acho que por enquanto não vou ser útil não. É bom achar uma espada logo antes que dê merda. Foi mal… — Disse ele soltando um longo suspiro e demonstrando um pequeno sorriso de desilusão.

— Minhas habilidades também são ligadas a arcos, mas pelo menos tenho isso. — Kalissa continuou

A garota então ergueu sua mão, recitou algo inaudível. Uma fluída energia azul escura fluiu de sua mão, formando um arco cerúleo e solidificando-se.

— Aqui diz que gasto um ponto de mana a cada tiro. Como tenho quinze, significa que posso disparar quinze flechas. — Complementou, encarando o ar e forçando seus olhos, como se estivesse lendo algo.

— Bom, eu posso atordoar inimigos, colocar eles para dormir, lançar alguns mísseis mágicos, coisas assim… Todas gastam uma boa quantidade de mana, então, não é bom sair usando sem pensar. Tenho cem de mana – Comentou Eva com brilho nos olhos.

Não conseguimos disfarçar a nossa cara de perplexidade, todos tinham menos de vinte e cinco de mana, e ela com cem. Achamos um pouco injusto, embora seja uma boa vantagem para o grupo.

— O-o que? — A garota perguntou descrente com a situação.

— Bom, todos nós temos menos de vinte e cinco ou trinta de mana. Você tem cem. Surpreendente. – Respondeu Markus.

— É… Deve ser porque sou uma maga. Não sei. — Replicou sorrindo.

Só faltavam eu e o Markus. Decidi contar minhas habilidades primeiro.

— Eu posso ficar invisível por cinco minutos se não atacar ou encostar em alguém, dar uma boa quantidade de dano se atacar o inimigo desprevenido, tacar uma rajada de vento cortante e abrir portas. Só. E você, Markus?

— Bom, posso fazer minha arma e meus punhos pegarem fogo, uma magia de proteção para aliados, posso prender um inimigo com correntes flamejantes e eu posso anular o dano recebido de um aliado em troca de sofrer esse mesmo dano.

— Hã, bem específico, hein? Habilidades ligadas a fogo, legal.

— Valeu!

O silencio voltou à tona depois disso, mas não durou por muito tempo, pela Eva ter o quebrado.

— Sabe, estar em um lugar desconhecido, com o objetivo de apenas sobreviver é assustador. Nós estamos apenas sentados no chão desse enorme corredor, esperando alguma motivação para sair daqui…

— É, isso é verdade. Mas não acho que vamos morrer aqui… E quando sairmos, vamos descobrir a nossa verdadeira identidade e nos vingar de quem colocou a gente aqui. — Respondeu Darius com um forte semblante de determinação.

— Acho uma boa ideia, só temos que sobreviver, certo? — Disse Markus.

Com uma voz trêmula, Kalissa gaguejou.

— É, só temos que sobreviver. Vamos conseguir, não vamos?

Toda aquela conversa estava me deixando  um pouco inquieto. Odeio tristeza e medo. São duas emoções necessárias, mas extremamente fúteis. É claro, isso não quer dizer que eu as abomine, só não me sinto confortável perto.

— Mas apesar de tudo… Ficar parados aqui não vai ajudar em nada — passei minha mão sobre a roupa, limpando-a e tomei a iniciativa, andando para longe — vamos — concluí.

Posso ter dito isso, mas tremia ainda mais. Meu coração palpitava em direção ao desconhecido, mas palpitava pelo o que? Medo?  Entusiasmo? Desespero? Talvez os três. Não sei dizer o que sentia naquele momento.

E assim, começamos nossa jornada.

Aviso do Autor:

Arkus

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