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Júlia despertou com o sol brilhando através da janela de seu quarto. Se esticando na cama, seus pensamentos vagaram sobre as últimas semanas, intensas e desafiadoras, mas também incrivelmente enriquecedoras. 

Era sua primeira folga que pegou no mês, e ela estava decidida a usar o dia ao máximo. Por mais que Ana tivesse cumprido sua promessa e não tomado seu tempo na maioria das tardes, ela saía do treinamento tão cansada que apenas desmaiava na cama.

“Um dia sem o peso da armadura e esse céu maravilhoso. Tudo está perfeito para uma exploração”, pensou, esticando-se novamente antes de pular da cama. Ela vestiu-se rapidamente, escolhendo uma roupa confortável e prática para um dia de passeio.

Depois de um desjejum rápido, Júlia rapidamente saiu de seu quarto, deparando-se com uma brisa fresca que tocava suavemente seu rosto, trazendo o aroma misto de especiarias vindas do mercado. 

“Hoje é dia de descobrir o que essa cidade tem de melhor,” decidiu, seu passo leve refletindo seu humor elevado.

A vitalidade do lugar era palpável, um emaranhado colorido de barracas e vendedores, cada um anunciando seus produtos com orgulho. Júlia parou para admirar um vendedor de pequenas frutas que pareciam jóias. Rindo, pegou algumas delas para provar, uma estranha esfera de um vermelho vivo que mais parecia uma mistura de cacto com maçã.

“Bem, agora algumas lembranças da minha exploração urbana em Leviathan, Eva vai adorar isso”, pensou a garota ruiva, negociando os preços de alguns chaveiros engraçados e imãs de geladeira com um sorriso charmoso.

Enquanto continuava, ela notou um comerciante fazendo gestos exagerados para um grupo de caçadores próximo a onde ela estava. Era uma dança de números e gestos, onde cada um tentava sair com a melhor parte sem deixar o outro a ver navios.

Curiosa, ela se aproximou da barraca, vendo que vendiam um tipo de dispositivo de navegação aérea. O vendedor, um homem de meia-idade com um sorriso amigável, explicava como o sistema funcionava para os jovens compradores. Após uma olhada inicial, o líder do grupo se afastou de forma desinteressada.

— Ei, me dê um desses — tirando algumas moedas da bolsa, Júlia parou o vendedor, que se preparava para guardar o dispositivo.

— Garota esperta! Desde que perdemos o acesso à internet global, os desafios para manter as rotas corretas aumentaram — ele explicou, mostrando um mapa holográfico com várias linhas traçadas. — Mas Leviathan nunca para. Adaptamos, melhoramos e seguimos. Aqui tenho em mãos cada uma de nossas rotas mapeadas. Claro, isso é baseado na posição da baleia, então não espere um GPS em tempo real.

“A Ana vai gostar de ter um desses”, refletiu ela, entregando algumas moedas de prata. 

Conforme o dia avançava, seus passos a levaram a um bar conhecido por ser o ponto de encontro de caçadores e mercenários. O lugar estava cheio, com o burburinho típico de histórias sendo compartilhadas e risadas ecoando pelas paredes de pedra. 

No balcão, ela avistou Alex, seu corpo coberto de escuros hematomas que mal eram escondidos por suas roupas leves. 

— Me vê duas bebidas, por favor — disse ela, chamando um dos garçons. Com um sorriso, ela se aproximou do companheiro. — Ei Alex, aconteceu algo? Tá parecendo que você foi atropelado!

— Só um pouco de treino. Foi um pouco mais violento do que pensei, mas to bem. Tudo está tão corrido ultimamente, é bom ver um rosto familiar — respondeu o caçador, aceitando a bebida espumante e colorida que Júlia lhe entregou.

Humpf, sem falar de treinamento hoje! A Ana ta um saco ultimamente, ela não dá um respiro.

— Então realmente está treinando com os soldados? — perguntou Alex, surpreso pela escolha da companheira.

— Sim, mas pensei que teria mais tempo livre. Bom, vamos deixar isso de lado — respondeu a garota, dando um gole em sua bebida. Com um leve rubor subindo por suas bochechas, ela continuou. — Sabe, Alex, eu acabei não te agradecendo direito pela ajuda nas cordas, eu podia ter estragado a missão por puro descuido… Obrigado, de verdade.

— Mas que clima pesado! Não esquenta com isso, vamos apenas comemorar que deu certo.

— Eu estava pensando hoje, enquanto andava pelo mercado… Esta cidade, Leviathan, é tão cheia de surpresas. Você acha que poderíamos algum dia nos acostumar com tudo isso?

— Eu não sei, gosto daqui, mas sinto falta de nossas pequenas aventuras, são elas que realmente tornam a vida no novo mundo interessante — Levantando-se, já meio embriagado, o jovem ergueu o copo para um brinde. — Às novas experiências! E a sobreviver a elas.

— À sobrevivência! — gritou Júlia a seu lado, acompanhando o gesto. 

O bar começou a encher, e a música ambiente se tornou mais alta. Júlia sorriu ao ver um casal tentando dançar perto deles.

— Olha isso, a cidade nunca dorme realmente, não é?

— Nunca, sempre em movimento, sempre algo novo para ver e aprender. E aí, quer dançar?

— Por que não? 

Enquanto a noite caía, as conversas fluíam livremente, entre risos e mais bebidas, até que as estrelas estavam altas no céu de Leviathan.

“Hoje foi um bom dia”, pensou a garota ruiva, dançando alegremente após um dia bem passado.


A tranquilidade da manhã parecia uma oportunidade perfeita para se dedicar a um dos seus passatempos favoritos: a leitura. Os pensamentos sobre o treinamento rigoroso com os soldados foram deixados de lado, enquanto Ana se permitia mergulhar em uma aventura intelectual.

Chegando na biblioteca, ela adentrou com um respeito reverente e, para sua surpresa, avistou Brayner apoiado em uma das mesas, absorto em um grande volume que parecia conter mais mistérios do que respostas.

— Então é aqui que você tem passado seus dias? Finalmente matei minha curiosidade, faz semanas que você não aparece para dar um oi.

— Ana! Que bom ver você aqui — Brayner olhou para cima, respondendo com um sussurro surpreso. — Semanas? O tempo passou tão rápido! Acho que exagerei um pouco, mas tudo aqui é tão… incrível! 

— Parece fascinante — Ana respondeu no mesmo tom, aproximando-se para olhar o livro mais de perto. — São registros de Aurórea?

— Isso mesmo. Parece que as experiências de todas as partes do mundo estão reunidas por aqui, então fica muito mais fácil ver os diferentes pontos de vista sobre os dez anos que passamos por lá.

— Entendo, quais as conclusões? Alguma teoria boa sobre o que ocorreu?

— Na verdade tudo parece muito fantasioso, simplesmente não houve tempo para que a humanidade entendesse tudo antes que Aurórea se mesclasse sobre a Terra. Alguns acreditam que alienígenas nos enviaram pra lá, outros que estamos vivendo em uma simulação, outros que Deus finalmente enviou o apocalipse.

— Essa última parece promissora — Ana falou com um sorriso zombeteiro e levemente misterioso. — Por sinal, não tinha parado para pensar nisso, mas onde estão as igrejas? Não lembro de ter visto elas desde o grande retorno.

— Você é meio alienada, né? Muita gente morreu, e isso, somado com a chegada da mana, fez com que as religiões perdessem muita força. As pessoas pararam de esperar milagres agora que podem produzir eles com suas próprias mãos.

Ana escutava atentamente, cada palavra despertando uma centelha de curiosidade em sua mente. 

— Interessante, acho que é melhor assim. Bem, vou dar uma olhada no que temos por aqui, lembre-se de não sumir por tanto tempo novamente.

— Pode deixar — respondeu o bibliotecário, rindo sutilmente. — Se precisar de alguma ajuda, pode chamar.

Após uma despedida rápida, a mercenária seguiu seu caminho entre as prateleiras flutuantes.

“É tão estranho… por que Deus faria algo que prejudica a si mesmo? Ou o fato de acreditarem ou não nele é irrelevante?”, pensava ela, refletindo sobre a conversa anterior enquanto buscava um livro que lhe interessasse.

Ela havia visto o monóculo oferecido pela biblioteca, mas o descartou após uma breve olhada no catálogo. Para ela, que já tinha o conhecimento necessário de todas as línguas e uma memória quase fotográfica, o dispositivo era apenas um incômodo.

Como não tinha um objetivo definido, seu olhar passou de título em título, até parar em uma capa marrom pouca chamativa.

“A breve história da humanidade em Aurórea. Bem conveniente”, pensou Ana, pegando o livro.

A garota sentou-se em uma cadeira próxima, seus dedos ágeis passando rapidamente pelas páginas.

O pequeno livro contava rapidamente sobre a adaptação das pessoas enviadas a locais aleatórios do estranho mundo, centrando-se após isso na ideia de que, por mais que completamente desaparecida, existiu uma civilização antiga que o habitava.

Era uma teoria quase que comprovada, já que resquícios de construções foram encontradas ao redor do mundo, além dos artefatos que serviram de base para a engenharia mágica.

Claro, existiam as sombras, mas elas pareciam estar em uma situação muito parecida com os próprios humanos, já que viviam em pequenos assentamentos ao invés de construírem cidades.

A ideia de uma civilização perdida, tão avançada e ainda assim completamente desaparecida, era algo que desafiava sua imaginação.

Conforme a tarde se transformava em noite, a biblioteca começou a se esvaziar, mas Ana mal percebeu, tão envolvida que estava em suas descobertas dos livros ao seu redor. Finalmente, um bibliotecário teve que lembrá-la de que estava na hora de fechar.

— Já é tão tarde assim? — perguntou Ana, surpresa ao olhar para fora e ver o céu estrelado.

— O tempo voa quando se está cercado por tanto conhecimento. — respondeu Brayner com um tom zombeteiro. — Parece que não é só eu que não tenho noção de mais nada quando estou lendo 

Ana concordou com um sorriso ao ver o companheiro também ser expulso do local. E assim, mais um dia, de muitos outros que viriam, se passou.


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