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No dia do solstício de inverno, Sunny acordou se sentindo cansado e sonolento. Por mais que tentasse se livrar desse cansaço, ele não desaparecia. No final, ele apenas ficou na cama por um tempo, enrolado em um cobertor.

Ele já estava familiarizado com essa sensação de sonolência interminável e envolvente. Era o mesmo nos dias antes de seu Primeiro Pesadelo. Também era bastante parecido com o que ele havia experimentado enquanto morria lentamente de hipotermia nas encostas da Montanha Negra.

Lembrando do abraço frio da morte iminente, Sunny não pôde deixar de tremer.

Este era seu último dia na Terra… pelo menos por um tempo. Ao cair da noite, o Feitiço o levaria embora mais uma vez, desta vez para enfrentar a vasta extensão do Reino dos Sonhos. O que ele iria enfrentar naquele mundo mágico arruinado? A sorte estaria ao seu lado desta vez, ou haveria outro desastre?

‘Ugh.’

Não havia sentido em tentar adivinhar. Ele já tinha feito tudo ao seu alcance para se preparar para o inevitável. Ele estudou muito, treinou duro e manteve seu segredo seguro. Seu Aspecto era melhor do que a maioria e sua vontade de sobreviver havia sido temperada pela dura realidade da periferia e pelo, ainda mais difícil, teste do Primeiro Pesadelo.

Somando tudo, ele estava pronto.

Com um suspiro, Sunny saiu da cama e seguiu sua rotina matinal. Se este fosse o seu último banho quente por um longo tempo, ele realmente iria desfrutá-lo. Se fosse seu último café da manhã delicioso por enquanto…

Na verdade, ele não tinha apetite.

A cafeteria estava cheia de Adormecidos, mas ninguém estava falando. Todo mundo estava deprimido e parecia introspectivo de forma incomum. Não havia risadas ou conversas animadas habituais, apenas os Legados permaneciam calmos e recolhidos. No entanto, mesmo eles mantiveram-se isolados.

Sunny pensou na última vez em que se preparava para entrar no Feitiço e, com um pouco de apreensão, se aproximou da máquina de café. Durante sua estadia na Academia, ele havia descoberto há muito tempo que muitas pessoas tinham o hábito de adicionar açúcar e leite ao café. Então, neste dia auspicioso, ele decidiu dar outra chance.

Afinal, era bom ter uma tradição.

Alguns minutos depois, ele havia tomado seu lugar habitual perto de Cassia, a garota cega. Apesar de sua proximidade compulsória, eles não haviam conversado nem uma vez, como dois estranhos obrigados a compartilhar o mesmo espaço por circunstâncias além de seu controle. Sunny não viu razão para que algo mudasse hoje.

No entanto, assim que tomou o primeiro gole de café, Cassia de repente virou a cabeça e o encarou com seus belos olhos azuis cegos.

Desnorteado, Sunny olhou ao redor, checando se alguém mais havia chamado sua atenção, e depois de ter certeza de que não havia ninguém atrás dele, perguntou:

“O qu-que foi?”

Cassia ficou em silêncio, como se hesitando se deveria responder, e então disse de repente:

“Feliz aniversário.”

‘O quê?’

Sunny franzia a testa, tentando compreender o significado por trás de suas palavras. Então, uma expressão de surpresa apareceu em seu rosto.

‘Ah, certo. Hoje é o meu aniversário.’

Ele tinha esquecido completamente. Hoje ele completava dezessete anos.

‘Espere… como ela sabia disso?’

Sunny lançou um olhar estranho para a garota cega, abriu a boca e depois decidiu deixar o assunto de lado. Ela era simplesmente assustadora demais.

“Uh… obrigado.”

Com um aceno de cabeça, Cassia virou-se e aparentemente perdeu o interesse em manter uma conversa novamente.

O que era melhor.

Sunny voltou ao seu café, achando-o não tão ruim desta vez. Claro, açúcar e creme estavam fazendo a maior parte do trabalho. No entanto, ele se sentiu um pouco mais acordado depois de beber.

‘Dezessete, hein?’

Sunny nunca teve certeza se chegaria a essa idade com vida. E ainda assim, apesar de tudo, chegou. A vida era realmente imprevisível às vezes.

Se alguém tivesse dito a ele um ano atrás que ele iria comemorar seu aniversário de dezessete anos bebendo café real com leite e açúcar, ele teria rido na cara deles. Mas agora era a realidade.

Contra sua vontade, Sunny lembrou de todas as pessoas que costumavam comemorar seus aniversários com ele, há muito tempo atrás. Antes que seu humor azedasse, ele decisivamente dissipou esses pensamentos e forçou um sorriso.

‘Isso não é ruim. Vamos fazer isso de novo no próximo ano, quando eu já for um Despertado.’

Animando-se assim, ele terminou seu café e saiu da cafeteria.

Não havia aulas hoje, mas ele ainda visitou a sala de Sobrevivência na Natureza e se despediu do Professor Julius. O velho ficou bastante emocionado ao se despedir dele. Ele deu a Sunny “uma última dica” uma dúzia de vezes seguidas e até prometeu o candidatar a uma posição de assistente de pesquisa a ser aberta depois que o jovem se tornasse um Despertado completo.

Sunny saiu agradecendo-o por seu tempo e paciência.

Depois disso, não havia muito o que fazer.

Quando o sol estava perto de se pôr, o Instrutor Rock os reuniu no saguão do Centro dos Adormecidos e os levou para fora.

Nos parques nevados que cercavam o prédio branco, outros Despertados lideravam seus próprios grupos de Adormecidos em direção ao mesmo destino. Era o centro médico da Academia.

O centro parecia mais uma capela do que um hospital. Seu interior continha tecnologia altamente avançada, bem como alguns dos melhores Curandeiros entre os Despertados. Durante sua primeira jornada no Reino dos Sonhos, os corpos dos Adormecidos seriam mantidos seguros em cápsulas especialmente projetadas e sustentados pelos poderes mágicos desses Curandeiros, caso algo infeliz acontecesse do outro lado do Encantamento.

Claro, se eles acordariam ou não no final, dependia inteiramente dos próprios Adormecidos.

Para surpresa de Sunny, depois de entrar no centro médico, o Instrutor Rock não os levou diretamente à ala contendo as cápsulas dos Adormecidos. Em vez disso, ele os levou a um andar comparativamente deserto e abriu as portas para uma espaçosa galeria, que estava brilhantemente iluminada pelos belos raios carmesins do sol se pondo.

Lá, eles viram fileiras e mais fileiras de cadeiras de rodas. Em cada cadeira, havia uma pessoa com uma expressão em branco, estranhamente pacífica no rosto. Todas essas pessoas estavam completamente silenciosas, imóveis e paradas. Elas não mostravam nenhuma reação à aparição dos convidados.

Todas elas pareciam… vazias.

No estranho silêncio, Sunny sentiu seus cabelos arrepiarem e um terror se infiltrar profundamente em seu coração.

O Instrutor Rock olhou para as pessoas vazias com olhos solenes.

“Há uma razão pela qual eu trouxe todos vocês aqui. Olhem bem e lembrem-se. Alguns de vocês podem saber quem são essas pessoas… para aqueles que não sabem, elas são chamadas de Ocas.”

Ele rangeu os dentes.

“Cada uma delas era um Adormecidos ou um Despertado. Alguns eram fracos, alguns eram fortes. Alguns eram até incrivelmente poderosos. Todos eles pereceram no Reino dos Sonhos.”

‘As… as almas deles se foram,’ Sunny percebeu, horrorizado.

“Se você tiver sorte, uma vez que seu espírito é destruído, seu corpo morre com ele. Mas se não, você se tornará igual a eles. Oco.”

O instrutor Rock olhou na direção em que Caster e Nephis estavam e acrescentou:

“Então, não morram lá fora.”


Meia hora depois, os Sonhadores foram levados para seus quartos e estavam se preparando para entrar nas cápsulas.

Em um dos quartos, a garota cega, Cassie, estava tentando se orientar no espaço desconhecido, tocando as paredes e as estranhas peças de máquinas com as mãos. Lágrimas escorriam pelo seu rosto lindo e com aparência de boneca.

No outro quarto, o orgulhoso Legado, Caster, estava olhando fixamente para o chão. Seus lábios se moviam, repetindo uma frase estranha uma vez após outra. Ele estava tremendo.

Em algum outro lugar, a Estrela da Mudança, Nephis, a última filha do clã Chama Imortal, estava olhando para as mãos. Sob sua pele, uma suave radiância branca estava crescendo lentamente. Seu rosto estava contorcido em uma expressão de agonia terrível.

E ,finalmente, havia um quarto onde o Escravo das Sombras, Sunless, Perdido da Luz, virou-se para a cápsula de dormir e olhou para a própria sombra.

“Bem? Você está pronto?”

A sombra deu de ombros e não respondeu.

Sunny suspirou.

“Sim, eu também.”

Com isso, ele avançou e entrou na cápsula.


Na vasta escuridão ecoante, ele ouviu:


[Bem-vindo ao Reino dos Sonhos, Sunless!]


Olá, eu sou o predrovisky!

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