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Ayumi Aiko estava olhando para o rosto calmo de sua mãe dentro daquela câmara líquida, ela não sabia o  que fazer ou o que falar, tudo que saiu de sua boca após sair do seu estado de transe passageiro, foi uma voz trêmula. “Mamãe?!” Seus olhos arregalaram quando viu tubos finos ligados ao seu corpo magro, sua pele pálida, com um fraco sinal de vida.

“Ela está aqui desde a noite em que foram emboscados pelos assassinos. Porém, tudo o que a mantém viva é este Cristal da Alma em seu peito.” Neferat falou enquanto apontava para o pequeno cristal no peito de sua irmã mais velha. O cristal tinha uma cor vermelho-sangue com um tom de preto misturado e uma aura nada agradável porque estava impregnada com um poder corrosivo da morte.

Aiko sentiu sua mente turva por um momento. Parecia que tudo em volta estava zumbindo e ficando embaçado diante de seus olhos e sua audição. Ela não sabia o que fazer diante disto. Aiko viu sua mãe morrer na frente de seus olhos naquela noite em que sua casa fora invadida pelos assassinos. 

Então como ela estaria viva depois de tantos anos?! Não tinha como ela…

“Como… Como ela…” Aiko ainda queria uma explicação plausível, em seguida, Neferat disse: “Ela só está viva porque seu pai se sacrificou por ela. Naquela noite, eu estava a caminho para ajudar vocês sem que ninguém soubesse, mas cheguei tarde demais. Foi quando seu pai apareceu para se juntar a ela… Ele tinha derrotado os assassinos, mas devido ao seu estado…” Neferat suspirou. “No entanto, o que ele fez a seguir, não foi bem o que eu esperava. Ele usou uma técnica demoníaca para ressuscitá-la como um demônio.”

“Ressuscita-la como um demônio?!” Aiko ficou confusa, seus olhos se abriram até o extremo em que podia. Ela explicou: “É uma magia de alto nível dos demônios, que pode trazer alguém de volta a vida como um demônio reencarnado após a morte, ou até mesmo transformar alguém estando vivo. Eu não sei bem como funciona isto, mas o que seu pai fez, foi dar a própria vida para que sua mãe reencarnasse, já que ela realmente estava morta.”

Aiko virou-se para a Neferat. “Então, porque ela ainda não acordou durante todos esses anos?!” Neste momento, ela hesitou para falar, então respondeu com um tom preocupado: “Há uma maldição em seu corpo. Não sei que tipo de maldição é essa, mas ela está constantemente destruindo seu corpo lentamente, mas com a ajuda desta câmara e do Cristal da Alma, que mantém sua alma neste mundo, conseguimos mantê-la viva e diminuir o processo de destruição.”

“Não temos como despertá-la?” Assim que perguntou, Carmilla aproximou-se e falou no lugar de Neferat. “Tem um jeito! Mas receio que a senhorita não irá gostar!” Ela olhou para a Rainha e deu continuidade. “Quando seu pai estava em seu último suspiro, ele disse que esta maldição só pode ser quebrada com o sangue de duas pessoas, ambas da família Real. Um da família Real Vampírica, e um da família Real Beelzebub. Já que a maldição foi posta por um demônio e um vampiro.”

A lembrança dos dois homens naquela noite voltou à mente de Aiko. Só poderiam ser eles que colocaram a maldição em sua mãe. Neferat falou em seguida tirou Aiko dos seus pensamentos: “Eu mesma tentei com meu próprio sangue despertá-la, mas foi inútil. Achava que o que seu pai disse não tinha fundamentos, então tentei por curiosidade, mas falhei e quase morri por isso. Depois de anos perdi as esperanças de que algum dia ela poderia despertar de seu sono-frio.”

“E então, o Yuji apareceu, não é?” Aiko Agora realmente estava entendo onde tudo isto estava indo. O garoto que foi trazido com ela para este lugar era o que a Rainha realmente estava atrás. A sua ambição era o Yuji este tempo todo! Foi por isto que ela fez questão de acariciá-lo quando o viu na sala. “Sim! Está certa, Aiko!”

Se o  que Carmilla disse também for realmente verdade, então o garoto estava em perigo, ou talvez não, já que Aiko não sabia como era o processo para despertar sua mãe de seu sono-frio de anos. Seja como for, ela precisava ter sua resposta para isto, e só teria quando descobrisse como funcionava o processo.

“Então você, Neferat, irá usar seu sangue com o do Yuji para despertá-la? Carmilla disse que é preciso o sangue de duas pessoas que sejam da família Real. Um Vampírico e um Beelzebub. Então, creio que o seu e o dele seja o bastante.” Aiko falou seriamente olhando-a nos olhos. Ela parecia desconfortável com o que lhe fora dito, no entanto, havia algo mais em sua expressão que Aiko não sabia o que era.

Neferat falou: “Na verdade, não! Eu já tentei usar meu sangue com o dele, mas a verdade é que também falhou. Então, enquanto você dormia, eu tirei um pouco do seu sangue e usei com o dele.”

“O que aconteceu?!” Aiko confessou para si mesma o quão nervosa ficou com o fato de ter seu sangue retirado enquanto estava desacordada, porém, ao ouvir isso ela sentiu algo em seu coração palpitar. “O seu sangue e o do Yuji reagiram bem. Talvez porque vocês dois têm o sangue demoníaco e vampírico em seus corpos e por isso a reação em conjunto com a maldição posta por um demônio e vampiro, fosse a chave para quebrar a maldição. Carmilla, mostre a ela.”

Carmilla tirou algo como uma pequena bolsa de sangue de dentro de algo como uma caixa que tinha algum tipo de magia de selamento. Primeiro, ela usou seus dentes vampirescos para perfurar a bolsa e jogar o sangue, e o injetar na câmara através de um tubo que ia direto para o corpo da mãe de Aiko, precisamente para a boca dela.

De repente, a mulher parecia beber o sangue de Yuji.  Aiko observou atentamente enquanto seu corpo ganhava cor e tremia levemente. Então, virou-se para a Carmilla sorridente enquanto chupava o que sobrou do sangue do Yuji dentro da bolsa. Seus dentes à mostra, seus olhos brilhando em vermelho-sangue e sua expressão dizia que ela estava realmente feliz.

Foi então que Aiko percebeu que havia algo errado em tudo isto, o sangue do Yuji estava sendo usado como uma fonte, como se ele fosse algum tipo de objeto pronto para ser usado a qualquer momento e como bem entender pelas duas pessoas à frente. Aiko apertou os punhos e virou-se para ele na câmara, Yuji estava como veio ao mundo, tão calmo quanto um bebe dormindo. Por um momento, ficou vermelha, porque tinha algo lá que não deveria ter visto.

Seu rosto parecia tão calmo quanto um lago sem ondulações, mas as veias vermelhas em seu corpo diziam o contrário, era mais provável de estar sofrendo internamente. Aiko mesmo viu seu sofrimento na batalha contra aqueles assassinos e foi forçado a ultrapassar seus limites mais do que devia. Tanto que o custo de tudo isto, era o estado em que o Yuji estava agora.

Talvez, tudo isto tenha sido calculado pela Rainha? Era possível que o Yuji não viria vê-la, mesmo que aquela garota que me trouxe falasse com ele amigavelmente. E sabendo de tudo isso, esse estado em que ele está era mais fácil para a Rainha ter o que queria, ou melhor… Tê-lo sob seu controle!

“Eu não concordo com isto! Isto não está certo. Vocês estão monopolizando algo que não deviam. Ele não é um objeto que vocês podem pegar e depois de usar jogá-lo fora como se não fosse nada. Está errado!” Aiko era uma garota justa, esse tipo de atitude era inconcebível. Era fato que ele não iria querer ser monopolizado desta forma, como um simples objeto pronto para ser usado, ainda mais se fosse seu próprio sangue. Colocando-se em seu lugar, Aiko tinha o mesmo sentimento. Não era algo muito agradável. “Está errado!”

“Hm! Mesmo que seja para despertar sua própria mãe, Aiko?!” Perguntou Neferat. Neste momento, Aiko hesitou. Era claro que ela queria que sua mãe acordasse de seu sono de anos, mas usar uma pessoa para isto não era o certo a se fazer! De repente, houve uma leve explosão de poder vindo da câmara da mãe de Aiko. Seus olhos estavam meramente abertos, parecia estar chorando. “Por favor… Deixe-me… Descansar em paz.” A voz abafada saiu dela.

A mulher não parecia estar realmente falando, era como se sua voz estivesse sendo transmitida pelos seus pensamentos através da onda de poder. Parecia que não somente Aiko, mas todos os presentes foram afetados. 

“M-Mamãe!” Aiko gritou. De repente, Neferat saltou em direção à câmara e falou: “Luixya…! Irmã! Eu vou trazer você de volta, por favor… Espere só mais um pouco.”

“Você não a ouviu?! Não é isto que ela quer… Devemos㇐” Aiko parou de falar abruptamente caindo de joelhos e sentindo uma forte dor em seu peito. Ela virou-se para a Rainha que estava com um dedo erguido em sua direção com uma expressão difícil. “O que você fez comigo?”

Ela ficou em silêncio enquanto a olhava sem qualquer traço de expressão em seu rosto. No entanto, assim que Aiko curvou-se mais ainda com a dor lancinante em seu peito, o ar começou a faltar em seus pulmões, que se apertaram fortemente. Então, a dor começou a diminuir assim que Neferat desfez o que quer que fosse que ela tinha feito com Aiko e o ar voltou em seu corpo pesado.

Ela respirou profundamente. 

Aiko levantou apoiando-se numa mesa ao lado onde havia alguns pertences que pareciam ser do Yuji, suas roupas rasgadas estavam de lado, embora arrumadas; ela observou a mesa, havia um colar fino que Aiko pegou e o colocou no seu pescoço sem que percebessem com o pretexto de que, de alguma forma, tivesse algo que pudesse fazer com ele. Como talvez chamar ajuda externa, Aiko tinha certeza que as pessoas que o conheciam, assim como sua amiga, Mahina, estavam procurando-os.

Talvez com o colar ela possa ter alguma ideia de fazer algo com ele. Mas o quê? O que farei com este colar? Preciso pensar em algo… Assim que seus pensamentos se foram, Aiko ergueu os olhos para mulher diante dela.

“Neferat, me diga… O que acontecerá conosco depois do processo de despertar da minha mãe?” A Rainha estava em pé em frente a câmara líquida olhando sua irmã mais velha. Ela respondeu sem se virar. “Eu não sei quais são os efeitos colaterais do processo, porém, acho que um de vocês irá morrer… O mais provável é o Yuji, ou talvez nenhum de vocês morra. Eu realmente não sei!”

Então, este era o seu verdadeiro propósito. Quão egoísta você consegue ser, Neferat Tepes Druilla?!

“Eu realmente gostei dele, mas meu propósito está acima de tudo.” Ela se aproximou do Yuji e passou a mão sob o vidro da câmara líquida com um arco feliz em seus lábios. Todavia, Aiko queria insultar aquela mulher com todos os tipos de xingamentos, mas ainda estava ofegante se apoiando na mesa ao lado, então não ousou fazê-lo.

“O despertar dela será feito em três dias, quando a lua vermelha brilhar no céu.”

Aiko olhou para a confusa Ayko ao ouvir sobre a Lua Vermelha, porém, algo dizia-lhe que a Neferat não iria respondê-la mesmo se perguntasse o que era este fenômeno.

***

Aiko jogou-se na cama fofa do quarto, enquanto sua empregada pessoal se posicionou ao lado. Ela enfiou seu rosto nos lençóis e bufou amargamente, mas havia um pouco de felicidade em seu coração. Saber que sua mãe estava viva era uma grande alegria, no entanto, ela estava em um estado de sono-frio por anos.

E também, o Yuji estava lá, ao lado dela, no mesmo estado. Ele estava sendo usado como um objeto pela Rainha para despertar sua mãe, era claro que isto era errado. Mesmo que quisesse que sua mãe acordasse de seu sono, mas não desse jeito. 

Aiko também sabia que sua mãe não aceitaria algo assim.

Aiko lembrou-se do momento em que sua mãe abria os olhos para falar, mesmo estando presa naquela câmara líquida. Aquelas palavras ecoaram por sua mente, ela queria descansar em paz. Era óbvio para Aiko que a mulher não queria ser despertada, ainda mais sabendo que era muito provável que outra pessoa poderia morrer para isso se concretizar.

E tudo isso estaria à prova no tempo de três dias, quando a Lua Vermelha aparecer. 

O que é essa Lua Vermelha? 

Aiko virou-se para a Lenore Der Gottfried ao lado. 

“Lenore, o que é a lua vermelha?” Aiko curiosamente perguntou. Neste momento, a empregada virou-se para ela um pouco surpresa, pela primeira vez desde que a conhecia, Aiko ainda não tinha visto uma expressão em seu rosto. “Senhorita, porque a pergunta?”

“Minha tia citou isso, mas eu não perguntei para ela sobre o que era. Talvez ela não me dissesse, e também, tive medo de perguntar.” Aiko coçou levemente a bochecha. “Aah! Então é isso! Vou lhe dizer.”

Foi mais fácil do que pensei! 

Aiko sentou-se na cama e gesticulou para que a empregada se sentasse ao seu lado. Lenore assim fez e explicou: “A Lua vermelha aconteceu há alguns séculos atrás, quando a primeira Rainha dos vampiros nasceu. E o dia do seu nascimento é o mesmo dia em que a Lua Vermelha brilha intensamente no céu.”

Aiko ouviu atentamente enquanto Lenore explicava: “Só que a criança nasceu morta, e quando ela foi banhada sob a Lua Vermelha acidentalmente, a criança foi ressuscitada de repente. Ninguém naquela época sabia dizer o que havia acontecido, então muitos a apelidaram de a Deusa dos Vampiros, por causa do dia do seu nascimento ser no mesmo dia em que a Lua Vermelha acontece e o fato da criança ter sido renascida. Sem contar que o seu poder era imensurável!”

Ela continuou enquanto a olhava. “A Lua Vermelha é um símbolo da sobrevivência dos vampiros há milhares de anos e nunca houve um caso como o da Primeira Rainha. E além disto, diziam que se alguém fosse banhado sob a luz da Lua Vermelha, seria ressuscitado como a  Primeira Rainha foi. Mas isto é apenas uma lenda, sem contar que esse fenômeno só ocorre de mil em mil anos. Então desde aquele dia não houve caso semelhante.”

Lenore suspirou levemente. “Isso é tudo o que sei, senhora!” Aiko estava fascinada, por algum motivo. Isso era como uma história fictícia com algum romance, no entanto, não tinha de fato um romance nessa história. Então ela perguntou: “Ela não tinha nenhum amor? Quero dizer… Se ela  não tinha, sentimentos por alguém…”

“Senhora, eu não sei sobre isso. Mas diziam que todos os seus pretendes nunca tiveram chances com ela.” 

“Então não teve nenhum romance. Desculpe por isso.”

Lenore balançou os braços desajeitadamente. “Por favor, não peça desculpas, senhora!”

“Mas o que aconteceu com ela? Os vampiros são imortais, certo?! Então, a primeira rainha deve estar viva, não?!” Aiko perguntou com algum brilho nos olhos. “Na verdade, ela desapareceu há milhares de anos atrás, ninguém sabe onde ela está. Mas muitos acreditam que a Primeira Rainha foi levada para algum lugar divino, digno da Deusa Vampira… Mas não temos como confirmar isso.”

“O fato é que ela desapareceu há milhares de anos e ninguém sabe o que aconteceu.” Aiko comentou para si mesma, Lenore apenas concordou com a cabeça. 

Aiko jogou-se para trás enquanto refletia, pegou o colar do Yuji em sua mão e o observou calmamente. 

Apenas três dias para o despertar da minha mãe, o que devo fazer? O que devo fazer, Yuji?

As coisas estavam se complicando.

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Olá, eu sou o Ashura!

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