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Por mais que os fios fossem brilhantes, eles não criaram nenhum tipo de iluminação. Mas mesmo assim percebi o reflexo de uma luz brilhante nos olhos prateados da garota.

Sua íris chamou minha atenção, possuindo vários minúsculos pontos brilhantes. Sua aparência no geral me lembrava das constelações que observei nas noites em que sobrevivi na floresta que fui largado pela deusa.

Senti o sangue parar de escorrer pelo meu rosto, e logo os fios se desprenderam da palma da garota e voaram livremente.

Encostei minha mão no que antes era um machucado, mas agora era só minha pele lisa e intacta.

“Por que fez isso?” Perguntei, encarando ela.

“Eu apenas gosto de curar.” Respondeu, virando as costas e indo embora. 

Observei ela se distanciando, antes de me levantar e recarregar meu núcleo.

Apreciei o gesto de Stella, mas parei de pensar nisso. O incômodo de não perceber aquela rocha caindo em mim dominou minha mente.

‘Esse corpo é ruim.’ Pensei, percebendo que eu de alguma forma tinha que melhorar meus reflexos.

Não exatamente isso, afinal meu estilo de luta e intuição de batalha eram perfeitos, ou eu não teria sobrevivido tanto tempo naquele lugar.

O problema era que parecia que o meu corpo não acompanhava minhas ações, faltava sincronia.

Uma ideia logo surgiu em minha mente, e levantei-me pronto para continuar meu treino. Não me importava que já estava anoitecendo.

Criei várias rochas no ar usando fios marrons, e as mantive flutuando. Fechei meus olhos, e suspirei.

Então, escutei o som dos ataques rasgando o ar e vindo na minha direção. Apenas controlei as rochas no início, após isso deveria desconhecer suas posições.

Entretanto, minha audição era boa o suficiente para auxiliar minha esquiva. Desviei para o lado, enquanto brandia minha espada loucamente, acertando as rochas que atirei contra mim mesmo.

Pequenos estrondos ecoavam à minha volta, e continuei, atacando e desviando. Após alguns minutos, abri os olhos quando senti meu núcleo completamente vazio.

Não desisti e continuei o processo após recarregar o espaço com apenas fios marrons.

Demorou algumas horas para eu ficar satisfeito, e interrompi meu treinamento quando senti dores no meu corpo.

Já tive que desviar de ataques extremamente rápidos, mas meu corpo infantil não me acompanhou agora. Algumas pedras me acertaram, e muitas lascas que voavam após as colisões da espada e das rochas colidiram em mim.

Eu estava sujo, machucado e cansado. Porém, me mantive motivado. A sensação de aperfeiçoar meu corpo e minha magia me enchia de determinação.

Deitei no gramado, e observei as estrelas que cobriam as montanhas e a cidade. O ar frio da noite não me incomodava, nem o som dos grilos e cigarras.

Entretanto, percebi uma presença por perto. Em um segundo me levantei, brandindo minha espada e olhando em volta.

Uma figura de cabelos longos, lisos e loiros se mostrou alguns metros à minha frente. Sua pele era branca, e seus olhos pretos.

Era alta, parecia ter dois metros, e vestia um manto preto que falhava em esconder seus músculos.

Minha guarda se levantou e meus instintos se aguçaram.

“Você é o responsável pelo eclipse de dez dias atrás?” Questionou a figura misteriosa, revelando uma voz masculina calma, mas acompanhada de uma pressão e poder absurdo.

Permaneci em silêncio, não me permiti me desconcentrar para formular uma frase. 

“É jovem, mas já possui maestria com a lâmina, e seu controle mágico é incrível para alguém que despertou faz pouco tempo.” O homem elogiou, continuando parado.

Uma brisa de vento movimentou seu longo cabelo, e um silêncio desconfortável se seguiu.

“Quem é você?” Perguntei, angustiado pela falta de opções. Já era mais poderoso do que quando fui largado na floresta, mas meus instintos me deram a certeza de que eu era o mais fraco ali.

“Apenas alguém interessado no potencial de uma criança talentosa.” Revelou, mantendo um rosto inexpressivo.

Comecei a recarregar meu núcleo com vários tipos de fios enquanto outro silêncio dominava o ambiente, até que foi interrompido com uma pergunta inesperada. “Qual você acha que é o verdadeiro lado da lua?”

Não entendi sua pergunta, e não perdi tempo pensando em uma resposta. Apenas suspirei. Lentamente, calmamente, e então corri.

Entretanto, por um milésimo de instante, uma linha vermelha e brilhante perfeitamente horizontal deu a volta em mim e terminou na minha frente, revelando o mesmo homem após sumir.

Olhei para cima, imóvel. Seu rosto tinha feições femininas, e algumas cicatrizes atravessavam suas bochechas.

Não possuía nenhuma barba, e seus cílios eram longos, porém, era claramente um homem, e sua feição inexpressiva não mudou.

“Não fuja, pequena pantera.” Disse, abaixando seu rosto e me permitindo ver um reflexo imaginário de um mar de chamas imenso em seus olhos.

Esse gesto brusco despertou completamente meus instintos selvagens e brandi minha espada, que foi impedida de avançar pela mão do homem, que aproveitou a falta de velocidade inicial da lâmina.

Recuei rapidamente para trás, enquanto criava fragmentos de gelo afiados em minha frente. Criei um por um, o que me fez perder tempo. 

No momento que eles avançaram, um fogo os envolveu e os desfizeram em questão de instantes.

O homem permaneceu parado, me observando. Outra linha horizontal se seguiu, mas dessa vez cortei em seu final.

Meu oponente novamente reapareceu no final da linha, mas dessa vez segurando minha lâmina com uma mão coberta em fogo.

“Não precisa ficar nervoso, não vou te machucar. Isso seria um desperdício.” Revelou, sorrindo.

Sua tentativa de ser simpático só piorou a situação, e me perdi em meio aos meus instintos. Larguei minha espada quando isso aconteceu.

Usei toda a força que o cristal me garantiu para criar um apoio de terra embaixo do meu pé e pular, me agarrando no ombro do homem.

Minha agilidade e flexibilidade me permitiram envolver meus braços e pernas no pescoço do homem por trás, antes de morder sua orelha e arrancá-la.

Isso foi questão de pouquíssimos segundos, até eu inconscientemente me surpreendi com minha velocidade.

A mordida não foi minha última ação, afinal emaranhei um raio em seu ouvido com intenção de eletrocutar o interior de sua cabeça.

Um grito saiu da boca do homem, que tentou a todo custo me tirar dali. Aproveitei o fato de ele não querer me matar imediatamente para causar mais danos.

Criei uma camada pontuda de terra e gelo na ponta de meus dedos, e os cravei na sua cara. Meu dedo indicador entrou em seu olho esquerdo, provavelmente cegando-o.

Fui atirado longe por uma força desconhecida extremamente forte, mas não antes de me segurar em seu rosto e levar parte de sua pele branca comigo. 

O homem gritou, ajoelhando-se. “Mas que merda! Você é insano!” Exclamou, olhando para mim com raiva.

“Vou ter que falar com a Lívia para ela me curar… Porra, se eu soubesse que você era tão louco, não ia ter feito essa brincadeira.” Reclamou, chamando minha atenção.

“Quem é você?!” Gritei em dúvidas, preparando-me para correr.

“Hark Levit! O General Ígneo, Comandante-Chefe do Exército Prismático!” Declarou, me fazendo retornar ao raciocínio.

Permaneci em silêncio, observando o homem criar um emaranhado de luz, antes de cobrir seus ferimentos.

Percebi que a luz apenas parou o sangramento, parte de seu rosto ainda estava dilacerado.

“Mas você não me decepcionou, hein, garoto. Não se preocupe, você não vai ser punido por isso. Apenas tente não cegar qualquer pessoa que você pense ser uma ameaça.” Disse Hark, me olhando com um sorriso sádico.

Olá, eu sou o Kalel K. Dessuy!

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