Capítulo 03

Fake Hiro

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No centro do jardim que cercava a casa, havia uma antiga e enorme macieira. O pai costuma se exercitar sob sua sombra.

Hoje também ele estava em baixo dela. Mas ao invés de treinar, ele encostava suas costas contra o seu tronco, e se apoiava em uma espada vermelha, diferente da que costumava empunhar, fincada no chão ao lado.

— Finalmente você veio, Morgan… Estava esperando por você. Hoje é o dia em que você quer sair de casa, não é? Mas eu te dei permissão para isso? Não. O mundo não é um lugar tão simples para que alguém de tão tenra idade consiga viver lá fora! Se você quer sair, então tem que me derrotar antes!

Um corpo que parece ter sido forjado de ferro, sua figura grande e musculosa não é algo comum de se ver em um humas, especialmente em um com sua idade.

Morgan ainda não sabia, mas foi nesse momento que os desafios e interrupções do seu primeiro dia de aventura começaram…

— Calma… Antes de falarmos sobre isso, tudo bem com você!? As mães brigaram com você por causa do que você fez? V-você consegue ficar de pé sem apoio? Sem contar os machucados pelo seu corpo, acho que um dos seus pés está virado na direção errada…

— Hmph! Não passa de um arranhão. Isso não é nada comparado com o que pode acontecer com você lá fora! Só porque você cresceu ao lado de monstas, não significa que você entende o quão perigosos são! Mesmo os mais fracos dentre eles ainda têm um físico muito melhor do que os humas mais treinados!

— Na verdade tem umas subespécies bem frágeis… E não estamos mais em guerra, então não é como se eu tivesse que lutar com ninguém só para viajar…

— Hahahaha!

O pai ri por um bom tempo.

— Logo você, vem me dizer que não vai brigar com ninguém, Morgan!?

— Não acho que justo VOCÊ seja alguém com moral para falar isso…

Apoiado em apenas um pé, o pai tira a espada do chão, em um movimento rápido, ignorando suas feridas.

— Venha! Se você não conseguir me derrotar, também não vai conseguir sobreviver lá fora!

— Como esperado do hiro que derrotou a rainha dos demônios trinta anos atrás… Não tem limites para o absurdo que fala! Como que seria razoável que eu tenha que derrotar o ser mais forte tanto no reino de Rosewald quanto no continente dos monstas, só para que eu possa viajar pelo mundo!?

— … Eu já não sou mais o mesmo… Mês passado eu travei as costas carregando umas árvores para os lenhadores da vila.

— De quantas árvores estamos falando…?

— Sei lá, quantas cabem empilhadas em cada ombro?

— … De qualquer forma, nem sei se você deveria estar aqui conversando. Quero dizer, você está conseguindo ver alguma coisa? Tem um monte de sangue saindo da sua cabeça e cobrindo os seus olhos… Para falar a verdade, desde que eu cheguei aqui, você está olhando para o outro lado enquanto conversa comigo.

— Chega de conversa fiada! Se você não vai me atacar então eu começo!

O pai começa a avançar, enquanto pula com em um pé.

— É disso que eu estou falando! Para onde que você está indo, eu estou aqui do outro lado! 

Do nada o pai muda o percurso e desfere um veloz golpe, seguindo a voz de Morgan.

— Que—!?

Que rapidamente desvia…

— Como esperado de um hiro… Apesar de eu nem saber como que você ainda está conseguindo ficar de pé, e mesmo sem conseguir ver, ainda é capaz de fazer um golpe tão preciso…

— Você já perdeu! Ao invés de subestimar o seu oponente e ficar fazendo piadas, deveria ter se aproveitado da oportunidade, tomado a sua arma e me atacado silenciosamente! Batalhas são vencidas ao se aproveitar das oportunidades que se apresentam!

— Não… Não interessa o que eu fizesse, você já tinha perdido só por escolher esse lugar para fazer esse desafio… Você deveria só ter aceitado o meu carinho quando te dei a chance…

— O que?

— Mães!!!

— Ha!? Você vai chamar as mamães??? Você acha que os seus problemas vão se resolver tão facilmente no futuro! Não me faça rir! Eu já esperava por essa mentalidade mimada! Claro que eu já tinha avisado elas que eu iria fazer esse teste, elas não vão vir!

— Ah! Então foi por isso que você não tinha se curado ainda, uma desvantagem para equilibrar as coisas!

Morgan desvia de mais outros golpes.

— Mas eu ainda não tinha acabado… *Morgan volta a gritar* O pai está se vangloriando de como ele conseguiu seduzir a Moomo, uma mulher muuuitooo mais jovem! Quando eu perguntei o que ele queria dizer com isso, ele só riu pelo nariz!!!

— … Touché…

Do nada o ar fica frio, quando um cubo de gelo gigante quebra pela parede da casa e estilhaça no pai, seguido por um forte vento e um jato de água repentinos, que criam um tornado, com pedaços de gelo que se movem em movimentos erráticos dentro dele.  

— Você prometeu que só estava conversando com ela!

— Hã? Ele ainda está vivo?

— Como esperado de um hiro. Vamos mandar mais uns dez para ter certeza…

Enquanto Morgan via suas mães preparando algo assustador, pôde perceber seu pai desenhando algo no chão com seu sangue… Quase não dava para ler, mas parecia dizer: “Perdi, me salva por favor”.

— Um hiro digno de respeito…

Após alguma discussão e muitas desculpas, o pai finalmente foi curado pela Merry… Morgan só pôde pensar em como era assustador o combo que um linchamento até a morte e a magia de ressuscitação faziam…

Seguindo em frente… Como presente para o início da viagem, o pai deu para Morgan a espada que estava usando até agora…

— Eu não posso te entregar minha espada “Astra”, já que ela ainda é demais para você… Mas posso te dar essa “Lamina da Fênix”, é uma espada que encontrei perdida em uma de minhas viagens, e eu mesmo que dei o nome! Você se lembra de ter visto ela…?

Morgan examina a lâmina vermelha.

— Acho que é a primeira vez que estou vendo… “Lamina da Fênix”… Ela é muito leve, e parece maleável demais. Tem algo de especial?

— É uma espada mágica. Quando você usar deve entender o que ela faz. É só não jogar ela fora se quebrar. Guarda de volta na bainha e conta até dez.

— Hã… 

Morgan examina a espada. Desfere alguns golpes no ar. E faz uma expressão de dúvida antes de golpear o chão com a espada. Com um único golpe, ela se estilhaça em diversos pedaços.

— …

— Tem que por ela de volta na bainha agora.

Morgan põe ela de volta na bainha e conta até dez. Ao sacá-la de novo, a lâmina reaparece inteira, como nova.

— Viu!? Por isso chamei ela de fênix! 

— …

Morgan balança a espada mais uma vez, agora em seu próprio braço. A espada mais uma vez se estilhaça, sem deixar nem um arranhão.

— Beleza que a lâmina se refaz sozinha, mas de que que adianta usar uma espada que não corta!?

— Fuhaha! Eu não faço ideia também, mas acho que você deve conseguir descobrir! 

— Admito que atiçou um pouco a minha curiosidade…

— De qualquer forma, espero que você tenha uma boa viagem! Mas o mais importante é que você traga de volta com você um montão de jovens mon— 

— “Você é idiota!?” — Todo mundo da família não pode deixar de gritar.

E assim a viagem de Morgan finalmente começa!

Ou pelo menos deveria ser assim…

Aviso do Autor:

Dracorr Ira Nova

Dracorr Ira Nova

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